A voz do vizinho através da parede
Eu transmito-te este domingo à tarde,
a voz do vizinho através da parede.
Tu transmites-me a distância que existe
depois do que consigo ver pela janela.
Durante a noite mudou a hora e, no entanto,
continuamos no tempo de ontem.
Como é raro este domingo, não podemos
garantir que amanhã seja segunda-feira.
O futuro perdeu-se no calendário, existe
depois do que conseguimos ver pela janela.
O futuro diz alguma coisa através da parede,
mas não entendemos as palavras.
Lavamos as mãos para evitar certas palavras.
E, mesmo assim, neste tempo raro, repara:
tu e eu estamos juntos neste verso.
O poema é como uma casa, tem paredes
e janelas, é habitado pelo presente.
Olhamo-nos nos olhos pela internet,
estamos verdadeiramente aqui.
O poema é como uma casa,
e a casa protege-nos.
José Luís Peixoto
29 de Março de 2020
(Em tempo de clausura, sabe bem ler estas palavras de um escritor de quem gosto muito. A minha filha, que sabe isso, deve tê-las obtido na Net e enviou-mas de imediato.)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e com dois sentidos de trânsito.Actualização: desde Abril de 2009 o trânsito foi, finalmente, alterado para sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos.
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domingo, 29 de março de 2020
Palavras bonitas
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Poesia
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Centenário
Passam hoje 100 anos do nascimento de Sophia de Mello Breyer Andresen.
Sophia, que tem tido lugar neste espaço por tudo e por nada, deixou uma obra ímpar, da poesia ao conto, sintetizando a beleza da paisagem, da terra, do amor, da realidade, da liberdade, da vida.
Fui à estante, peguei num dos vários livros que lá estão, abri sem olhar e surgiu esta maravilha, idêntica à que estará na página anterior e semelhante à que encontraria na página seguinte.
Que bom é ler Sophia sempre e quando nos apetece.
AS FONTES
Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Poesia (5ª edição)
Caminho
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Palavras bonitas
VOZ
Era uma voz que doía,
Mas ensinava.
Descobria,
Mal o seu timbre se ouvia
No silêncio que escutava.
Paraísos, não havia.
Purgatórios, não mostrava.
Limbos, sim, é que dizia
Que os sentia,
Pesados de covardia,
Lá na terra onde morava.
E morava neste mundo
Aquela voz.
Morava mesmo no fundo
Dum poço dentro de nós.
Miguel Torga
Libertação (4ª Edição)
Coimbra 1978
Já passam hoje 4 anos da partida do meu pai e ainda parece que foi ontem.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
Dia da Mãe
Hoje é (era) o Dia da minha mãe.
Faria 96 anos, se ainda por cá estivesse,
CANTO ROUCO
Antes que perca a memória
das pedras do adro,
antes do corpo ser
um sopro e quebrado
ramo sem água,
devolvei-me o canto
rouco
e desamparado
do harmónio da noite.
Mãe!,
desamparado na noite.
Eugénio de Andrade
Poesia
Fundação Eugénio de Andrade (2000)
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Mãe,
Poesia
quinta-feira, 25 de abril de 2019
25 de Abril
REVOLUÇÃO
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
27 de Abril de 1974
Sophia de Mello Breyer Andresen
O Nome das Coisas
Editorial Caminho
Como casa limpa
Como chão varridoComo porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitecturaDo homem que ergue
Sua habitação
27 de Abril de 1974
Sophia de Mello Breyer Andresen
O Nome das Coisas
Editorial Caminho
sábado, 2 de março de 2019
Mãe
Já lá vão 15 anos e parece que foi ontem ...
DIA DE HOJE
Ó dia de hoje, ó dia de horas claras
Florindo nas ondas, cantando nas florestas,
No teu ar brilham transparentes festas
E o fantasma das maravilhas raras
Visita, uma por uma, as tuas horas
Em que há por vezes súbitas demoras
Plenas como as pausas dum verso.
Ó dia de hoje, ó dia de horas leves
Bailando na doçura
E na amargura
De serem perfeitas e de serem breves.
Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar
Caminho
DIA DE HOJE
Ó dia de hoje, ó dia de horas claras
Florindo nas ondas, cantando nas florestas,
No teu ar brilham transparentes festas
E o fantasma das maravilhas raras
Visita, uma por uma, as tuas horas
Em que há por vezes súbitas demoras
Plenas como as pausas dum verso.
Ó dia de hoje, ó dia de horas leves
Bailando na doçura
E na amargura
De serem perfeitas e de serem breves.
Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar
Caminho
sexta-feira, 1 de março de 2019
Palavras bonitas
A NECESSÁRIA COMPLEXIDADE DA SEMENTE
Este mar que nos divide
constrói-se no pensamento
que tudo sabe mas finge
ser a paisagem que ignora
num porto que não atinge.
Unir o mar que divide
só com desentendimento:
almas opostas que ponho
na causa duma harmonia
se tem de nascer o sonho
para ter de haver poesia
e o que no sonho anuncia
muito mais do que nomeio.
A natureza a transpor-se
com dor sentida no meio.
Natália Correia
O sol nas nas noites e o luar nos dias
Círculo de Leitores (1993)
Este mar que nos divide
constrói-se no pensamento
que tudo sabe mas finge
ser a paisagem que ignora
num porto que não atinge.
Unir o mar que divide
só com desentendimento:
almas opostas que ponho
na causa duma harmonia
se tem de nascer o sonho
para ter de haver poesia
e o que no sonho anuncia
muito mais do que nomeio.
A natureza a transpor-se
com dor sentida no meio.
Natália Correia
O sol nas nas noites e o luar nos dias
Círculo de Leitores (1993)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Palavras bonitas
TRAJECTO NA ESCRITA
Vou entrançando
o traçado
do meu trajecto na escrita
Consulto os mapas da alma
o júbilo, a assombração
do coração a desdita
os atlas da insubmissão
as cartas dos oceanos
os versos, a alegoria
Vou navegando à bolina
por entre ventos contrários
e ondas enraivecidas
com a bússola da transgressão
os astrolábios dos dias
e as palavras da poesia
Vou atando e desatando
o destino e a desdita
misturando os nós dos mares
com o anelo da paixão
o alvoroço da vida
as dúvidas da harmonia
e a minha melancolia
Maria Teresa Horta
Estranhezas
D. Quixote - 2018
Vou entrançando
o traçado
do meu trajecto na escrita
Consulto os mapas da alma
o júbilo, a assombração
do coração a desdita
os atlas da insubmissão
as cartas dos oceanos
os versos, a alegoria
Vou navegando à bolina
por entre ventos contrários
e ondas enraivecidas
com a bússola da transgressão
os astrolábios dos dias
e as palavras da poesia
Vou atando e desatando
o destino e a desdita
misturando os nós dos mares
com o anelo da paixão
o alvoroço da vida
as dúvidas da harmonia
e a minha melancolia
Maria Teresa Horta
Estranhezas
D. Quixote - 2018
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quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Palavras bonitas
Não estou pensando em nada
e essa coisa central, que é coisa nenhuma,
é-me agradável como o ar da noite,
fresco em contraste com o Verão quente do dia.
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida ...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
não estou pensando em nada.
Mas realmente em nada.
Em nada ...
Poesias de Álvaro de Campos
Edições Ática - 1980
(O meu pai partiu há três anos)
e essa coisa central, que é coisa nenhuma,
é-me agradável como o ar da noite,
fresco em contraste com o Verão quente do dia.
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida ...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
não estou pensando em nada.
Mas realmente em nada.
Em nada ...
Poesias de Álvaro de Campos
Edições Ática - 1980
(O meu pai partiu há três anos)
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Palavras bonitas
CONTA E TEMPO
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo ...
Frei António das Chagas
Escrito no séc. XVII
(Soneto publicado no caderno de Economia do semanário Expresso, de 21.10.2017, ilustrando, como é costume, o artigo de fundo de Nicolau Santos.)
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo ...
Frei António das Chagas
Escrito no séc. XVII
(Soneto publicado no caderno de Economia do semanário Expresso, de 21.10.2017, ilustrando, como é costume, o artigo de fundo de Nicolau Santos.)
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quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Palavras bonitas
(Passam hoje 2 anos sobre a partida do meu pai.)
PERENIDADE
Nada no mundo se repete.
Nenhuma hora é igual à que passou.
Cada fruto que vem cria e promete
Uma doçura que ninguém provou.
Mas a vida deseja
Em cada recomeço o mesmo fim.
E a borboleta, mal desperta, adeja
Pelas ruas floridas do jardim.
Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.
Miguel Torga
Libertação
Coimbra (4ªEdição)
PERENIDADE
Nada no mundo se repete.
Nenhuma hora é igual à que passou.
Cada fruto que vem cria e promete
Uma doçura que ninguém provou.
Mas a vida deseja
Em cada recomeço o mesmo fim.
E a borboleta, mal desperta, adeja
Pelas ruas floridas do jardim.
Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.
Miguel Torga
Libertação
Coimbra (4ªEdição)
terça-feira, 25 de abril de 2017
25 de Abril
Apesar de comemorarmos o aniversário no mesmo dia eu (infelizmente) sou muito mais velho do que a LIBERDADE. Contudo, ainda espero continuar a soprar as velas em conjunto durante mais uns bons anos e desejo, muito, que os meus continuem a comemorá-la para além de mim, e que nunca a percam.
Hoje, a minha irmã, para além de me encher de livros que quer que eu leia até ao Natal para voltar a reforçar o "armazém" - como se eu não tivesse mais nada para fazer - e de festejar comigo, ainda resolveu dar publicidade, nesse jornal de grande tiragem e elevado nível que é o Facebook, de poemas que, como me conhece bem, sabe serem de alguns dos meus poetas favoritos.
Aqui ficam, na voz inconfundível de Manuel Alegre, as palavras de 4 poetas de quem eu gosto muito.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Palavras bonitas ...
... para a minha mãe; todos os dias me parece que foi ontem e já lá vão 13 anos.
Depois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
Sophia de Melo Breyer Andresen
Coral
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Mário Soares e a poesia
Em 2005, o jornal Público editou uma colecção de livros de poesia, escolhida por diversas personalidades portuguesas e intitulada "Os poemas da minha vida".
Um dos volumes - o 12º - contém a poesia escolhida por Maria Barroso e dele constam "Os dois sonetos de amor da hora triste", de Álvaro Feijó, que mereceram grande destaque nas cerimónias fúnebres de Mário Soares. A voz inconfundível e brilhante de Maria Barroso, deu vida a um dos momentos altos das cerimónias, num registo emocionante que quase parecia ter sido premonitório. (Maria Barroso faleceu em Julho de 2015).
Na altura da saída do livro não me detive nos sonetos de Álvaro Feijó, cuja obra não conhecia e que ainda desconheço. Contudo, a poesia na voz de quem sabe (sabia) desperta sentimentos, recordações, emociona e, como dizia Natália Correia para os subalimentados do sonho, "é para se comer".
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Maria Barroso,
Mário Soares,
Poesia
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Palavras bonitas
Para o meu pai, que partiu há um ano.
CERTEZA
Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.
Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.
Miguel Torga
Diário II
CERTEZA
Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.
Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.
Miguel Torga
Diário II
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Palavras bonitas
Pouco passa das sete e meia da manhã; o rádio está sintonizado na Antena 1, para ouvir as últimas do Euro e, logo a seguir, o espaço que David Ferreira preenche habitualmente com músicas já com algum tempo e "estórias" de discos e artistas. Hoje começa com Amália num fado que, sem qualquer dúvida, tem letra de David Mourão-Ferreira. Depois, a revelação:
- "O poeta do amor, meu pai, morreu faz hoje 20 anos."
Tão simples e tão profundo!
ESCADA SEM CORRIMÃO
É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
David Mourão-Ferreira
Obra Poética
Editorial Presença
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Poesia
domingo, 8 de maio de 2016
Palavras bonitas
A minha mãe faria hoje 93 anos.
Nunca mais
Caminharás os caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.
Poesia
Sophia de Mello Breyer Andresen
Nunca mais
Caminharás os caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.
Poesia
Sophia de Mello Breyer Andresen
segunda-feira, 25 de abril de 2016
25 de Abril
FLOR DA LIBERDADE
Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós ... Também nós ... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Miguel Torga
Orfeu Rebelde
Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós ... Também nós ... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Miguel Torga
Orfeu Rebelde
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Torga
sábado, 19 de março de 2016
Dia do Pai
Hoje é (era) o Dia do (meu) Pai!
Ponta Seca
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Miguel Torga
Diário VI (05.04.1952)
Ponta Seca
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Miguel Torga
Diário VI (05.04.1952)
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Palavras bonitas ... para o meu neto Miguel
VIDA
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Miguel Torga
Diário II
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Miguel Torga
Diário II
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