domingo, 31 de dezembro de 2006

Ano Novo

O ano está a acabar e, nesta altura, costumam fazer-se balanços sobre o passado e desejos, por vezes muito lamechas, para o futuro.
Pessoalmente e apesar de tudo, a contabilidade apresenta um saldo francamente favorável, com muitas coisas boas (entre as quais o meu neto) a compensarem algumas bem más.
Sobre os desejos para 2007 e por, como dizia um chefe que tive há muitos anos, me falecer competência na matéria, sugiro uma visita ao Expresso de ontem, para ler os 50 votos formulados por Miguel Sousa Tavares, que subscrevo na sua quase totalidade. Aproveitem e espreitem a habitual crónica semanal de MST, que se debruça sobre a crise do País, e passem os olhos pelo texto de Clara Ferreira Alves, também sobre os desejos para 2007.
Por mim, que não consegui descobrir a fórmula para passar o ano nos paraísos para onde se deslocou, a julgar pelas notícias, a maior parte da população portuguesa, vou tentar descobrir como hei-de facturar a publicidade que faço ao Expresso. Ainda que o não consiga, para o ano cá estarei!
Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andresen
BOM ANO!

sábado, 30 de dezembro de 2006

Pena de morte

Saddam Hussein foi enforcado na madrugada do dia de hoje.
A corda, mesmo no pescoço de um tirano, causa arrepios.
Será um caminho para a paz?

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

O coração tem três portas



Uma pequena contribuição para divulgar o excelente trabalho recentemente editado por Dulce Pontes, que raramente se ouve nas rádios.

A culpa só pode ser da artista, que colocou três portas no seu trabalho e, com isso, baralhou de tal forma os homens das "play list" que eles não sabem como entrar ...

Caldas da Rainha

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha e a EDP conseguiram, ao fim de muito tempo, chegar a acordo e celebraram entre si um contrato por 20 anos, idêntico ao que, na grande maioria dos concelhos do País, foi outorgado há tanto tempo que já pouca gente se lembra disso.
Segundo a comunicação social local, o acordo só abrange a freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, talvez por ter começado a ser negociado quando ainda não existia a freguesia de Santo Onofre.
Que a luz ilumine a cidade e não a divida!

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Natureza

O que me falta em vocábulos para descrever, sobra em beleza para apreciar!
É o fruto da Pata de Cavalo do meu jardim!
Maravilha da natureza ... para estimar.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Expresso

Habituado que fui a considerar o Expresso como um jornal de referência, com Sol ou sem ele, faz-me comichão ver, no caderno de Economia desta semana, a apresentação da futura rede do Metro de Lisboa, que inclui a estação do Terreiro do Passo, mencionada duas vezes no mapa, para que não fiquem dúvidas sobre a nova ortografia.
Terá mudado por passar muita gente naquela zona ou por D. Duarte não ter possibilidades de lá instalar o Paço?

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Dúvida

Se o mar é Salgado, se alterna entre a baixa e alta, se até tem Costa, também terá perdido o Pinto?

domingo, 17 de dezembro de 2006

Feliz-Natal

Seja qual for o meio de transporte utilizado, que o Pai Natal chegue a todos !!!


sábado, 16 de dezembro de 2006

Palavras bonitas

DIA DE NATAL
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que
padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar
a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não
merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera
e tão séria
.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que
o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio
de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos,
esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se
fossem suas
e fazem adeuses aos bons amigos que
passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro
e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bençãos
e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se
no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha
pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

AH !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estratégicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

  
Máquina de Fogo
António Gedeão
Poesias Completas
Portugália (1975)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Nível


Correspondendo ao apelo do filho, fui hoje ajudar a colocar numa parede um conjunto de elementos decorativos, postos com rigor de distâncias entre si e na distribuição no espaço onde passaram a estar.
Para a tarefa, foi necessário recorrer a um nível, ferramenta imprescindível para que a horizontalidade e, fundamentalmente, a verticalidade das peças colocadas ficasse garantida.
De regresso a casa, com o frio a anquilosar os neurónios, veio-me à memória não uma frase batida, mas uma ideia "brilhante", daquelas que quer Einstein quer o Professor Pardal não desdenhariam, a saber: se existe legislação e normas de conduta que nos obrigam a cumprir uma infinidade de regras e nos penalizam se as infringimos, por que não aprovar uma Lei que nos compelisse a usar um nível, ainda que de tamanho reduzido, ao qual seria acoplado um apito, de cor à escolha de cada um, para garantir a democraticidade da medida.
Com as possibilidades que a informática hoje oferece e para que se tirasse o maior proveito da nova regra, o equipamento estaria dotado de um chip, que albergaria os elementos da nossa identidade, a carta de condução, o passaporte, os cartões de contribuinte, de saúde e do clube, o passe social, os documentos do carro e da casa. Poderia, numa pasta de acesso restrito, ter ainda as preferências de cada um, em matéria gastronómica, de lazer ou outras, rentabilizando de forma apreciável os meios e evitando os gastos que irão acontecer com o Cartão Único, que tanta polémica tem dado.
O funcionamento, simples, seria o seguinte: sempre que o cidadão baixasse a níveis da cave, da sarjeta ou do esgoto, perdesse a verticalidade ou desencadeasse processos tortuosos, o chip encarregar-se-ia de accionar o apito e este, qual trombeta anunciadora, apitaria sem fim.
Pergunta inocente: haveria poucas apitadelas ou o barulho tornar-se-ia ensurdecedor?

domingo, 10 de dezembro de 2006

Óbito

Morreu Augusto Pinochet.
Que a terra lhe seja leve. A consciência, essa, não há balança que lha pese!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Livros (lidos ou em vias disso)

Do último romance de Urbano Tavares Rodrigues ...
  
"(...) É impressionante como numa cidade com uma oferta cultural tão rica como Lisboa (música da melhor, algum cinema bom e o ballet renovado, as grandes exposições) há tão pouca procura e se mantém no galarim esta gente bacoca, espertalhona e pobre de espírito que ostenta uns três automóveis de luxo e tem duas casas de veraneio e quantas vezes mistura negócios sujos com o seu peso político. (...)"

Ao contrário das ondas
Urbano Tavares Rodrigues
D. Quixote (2006)

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Hoje

Dia 5
Cinco meses
Cinco momentos
fixados para o futuro.
Cinco quilos
e mais quatro
quase, quase ...
Lá chegará
dentro em pouco!
Estou a vê-lo
a correr, a saltar
(primeiro irá gatinhar).
É a flor do meu jardim
A estrela do meu céu!
E ouço, num marulhar sussurrante,
a onda do mar que diz
Tão lindo ...
E como cresceu!!!

Efeméride

Passam hoje 215 anos sobre a morte, em Viena, de Wolfgang Amadeos Mozart. Ainda não completara 36 anos, mas já tinha composto muita e boa música, que chegou aos nossos dias e, pasme-se, a este blog. Se a morte o não tivesse levado tão cedo, até onde chegaria o seu génio?

sábado, 2 de dezembro de 2006

A águia





A águia voou ontem por sobre o trânsito da 2ª. Circular e aterrou ali entre o Campo Grande e o Lumiar, num relvado que soltava areia sempre que era pisado, por mais leve que fosse a pisadela.
Foi um voo esplendoroso!
A demonstração plena de que a garra, quando utilizada, supera sempre a unha, por mais real que esta seja.
O leão nem chegou a ser príncipe, quando mais rei!!!

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Palavras bonitas

HOSSANA !
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro ...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!

Cântico do Homem
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1974)

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Fim do dia

O ritual do costume, na chegada a casa: abrir o portão, à terceira ou à quarta tentativa, que o automatismo só funciona quando quer; pôr o carro debaixo do alpendre, que a arrumação na garagem fica para mais tarde; ir ver o correio; tirar o casaco, a gravata e os sapatos.
Hoje, entre muito lixo de publicidade e duas ou três cartas sem qualquer interesse, vem o JL.
Já sem o plástico que o protege, acompanha-me ao sítio onde, sentado, "todo o cobarde faz força e todo o valente se c171".
Na última página, como sempre, uma autobiografia, desta vez de Teresa Lago, cientista que fez uma "perninha" importante no Porto Capital da Cultura. No seu texto, encontra-se esta pérola, a propósito dos tempos que passou em Brighton, fazendo o mestrado e o doutoramento, o que deve ter acontecido há cerca de 30/35 anos:
... um tempo excitante, entre a aprendizagem da investigação e a família entretanto alargada a três. Mas também um tempo de outras descobertas. E a oportunidade para viver em ambiente onde se descobre, com surpresa, que a natureza é soberana. Talvez mais ainda do que a rainha que os representa. Onde as árvores se não cortam mas se tratam, se doentes. E aos pássaros, se permitia a partilha calma das migalhas sobre as mesas. Onde as casas antigas, preservadas em vez de derrubadas, transmitiam a serenidade da continuidade e a partilha de muitas vidas. Num país onde se cultivava andar a pé, chovesse ou fizesse sol. Talvez porque a milha é bem maior que o quilómetro. Onde o verde dominava, apenas quebrado pelo amarelo dos jacintos que irrompiam aos milhares passado o gelo, ou pelos dourados vermelhos das folhas de numerosas árvores que se descobriam, distraídas da proximidade do frio. Um país onde a curiosidade infantil era virtude a estimular, não sinal de irrequietude. ...
Será um dia possível escrever algo parecido sobre o nosso cantinho à beira mar plantado?

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Nostalgia ?!

Acabei de ler "As pequenas memórias", último livro de José Saramago.
Uma pequena viagem ao Portugal dos anos trinta, que não conheci, com alguns pormenores interessantes e elucidativos, de situações e vivências que se mantiveram, infelizmente, por muitos anos.
O país do Botas, pobrete mas alegrete, na casa portuguesa, com certeza: "quatro paredes caiadas, um cheirinho a alecrim, um cacho de uvas doiradas, duas rosas, um jardim. Um S. José de azulejo ... "
Bolas !!!
Não me falem do passado, que me dá a brotoeja!
O futuro está aí, para ser vivido.

domingo, 19 de novembro de 2006

Jardim da ... Ginja

Num dia em que o céu oscila entre o azul e o cinzento, e a azia da noite de ontem ainda se faz sentir, nada melhor do que uma voltinha pelo jardim da casa.
Para além da apanha de uma boa quantidade de chuchus, que hão-de ser transformados em doce e em excelente acompanhamento de vários pratos, graças às mãos hábeis da dona da casa, a recolha de meia dúzia de pormenores de algumas das flores que connosco convivem.

Palavras bonitas

A ARTE DOS VERSOS

Toda a ciência está aqui,
na maneira como esta mulher
dos arredores de Cantão,
ou dos campos de Alpedrinha,
rega quatro ou cinco leiras
de couves: mão certeira
com a água,
intimidade com a terra,
empenho do coração.
Assim se faz o poema.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fundação Eugénio de Andrade (2000)

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Rosas




Uma rosa fica bem em qualquer situação! Aprendi isto, há cerca de quarenta anos, com um Mimoso, quase analfabeto, que falava com as plantas, carinhosamente tratadas, como se fossem gente.E devia ser entendido! As rosas Bacará daquele jardim ainda permanecem na minha memória e eram muito mais bonitas do que estas !!!

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

O Maestro da Orquestra

Para que não haja quaisquer dúvidas e apesar de o ter referido no início, o texto foi escrito por mim.
As fotografias dos animais da pretensa fábula não são, nem poderiam ser, da minha autoria. "Roubei-as" na Net e agradeço a todos os que permitiram este "roubo". Possibilitaram rever alguns pássaros da minha infância, que já não enxergava há muitos anos.
Nunca poderei devolver a gentileza da Net: sou um desastre a fotografar.

sábado, 11 de novembro de 2006

A Orquestra (Conclusão)

Desiludido e triste, o grilo voltou à meditação e, de tão distraído que ia, por pouco não era picado pelo pardal que procurava fazer a sua primeira refeição, retardada pela chuva impiedosa que só agora tinha terminado.
- Bolas, nem já os amigos se respeitam!
- Desculpa, meu bom grilo, vinhas tão encolhido que parecias mais um feijão preto do que um elegante grilo. Vens preocupado!?
O grilo contou a sua desdita com a cigarra e logo ali recebeu o apoio do pardal, apesar das limitações deste em relação à música.
As dificuldades de comunicação existentes à época fizeram com que decorresse algum tempo até ser possível juntar todos. Aconteceu, numa linda manhã de sol, por debaixo de um jacarandá majestoso e florido, um debate rico e emotivo sobre as propostas do grilo falante. Com o cepticismo de uns e o optimismo de muitos, ali se delineou um programa de aprendizagem em conjunto, se esquematizaram os ensaios e se concluiu que talvez fosse possível, todos juntos, produzirem um som harmonioso, que tornasse a floresta ainda mais bela para os de lá e atractiva para quem os visitasse.
Sob a batuta de um grilo discreto e eficiente, o cartaxo toca trompete, o rouxinol clarinete, o pintassilgo violino, a fuinha dedilha o violoncelo sempre carregado pelo gaio, a perdiz toca um adufe e a galinhola um pandeiro, a narceja anuncia os espectáculos e o chapim aplica-se na percussão.
Para todos há lugar e função. O pardal, sempre atento, trabalha para que nada falte, das partituras às estantes, das cordas às palhetas, das cadeiras aos transportes.
A cigarra continua a cantar sozinha ... mas quase ninguém a ouve.

Nota - Qualquer semelhança entre esta pretensa fábula e a vida real é mera coincidência.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A Orquestra (Parte 3)

Na floresta vivia também o grilo que, não sendo ave, tinha uma queda especial para a música. E como ele gostava de ouvir os outros, muito mais até que a si próprio, aqueles que já se mencionaram e os tentilhões, os verdilhões, os piscos, os pintarrôxos, as perdizes e as galinholas, os guarda-rios e as fuinhas, a cotovia e a carriça e tantos, tantos mais ... O grilo passava toda a sua vida à procura de um bom buraco para as suas meditações e isso permitia-lhe aperceber-se da beleza individual de cada som, e também do desagradável ruído de todos a cantar ao mesmo tempo, sem nexo nem harmonia.
Até magoava os tímpanos que, num corpinho tão frágil, não eram lá grande coisa. Num dia em que a chuva, forte, não permitia a saída do buraco, tirava a alegria aos cantores, e tornava a floresta fria, tristonha e melancólica, fez-se luz na pequena cabeça do grilo, que saltou de alegria e só não disse Eureka! porque esta palavra só se celebrizaria muito mais tarde quando Arquimedes a pronunciou.
- É isso mesmo! Vamos fazer uma orquestra!
Esquecendo a chuva, o grilo falante saltou do buraco e foi à procura da cigarra. Era tida como uma grande cantora, senhora duma linda voz, por certo aceitaria colaborar no projecto.
- Mas porquê, grilo falante, para que queres tu uma orquestra!?
- Para juntar o melhor de cada um e fazer um som melhor para todos, respondeu, de pronto, o nosso grilo.
- Não estou interessada! Quero fazer a minha carreira a solo! Além disso, dos outros ninguém canta como eu ... só desafinam e ... agora deixa-me fechar a porta que este frio pode fazer mal à minha garganta e impedir-me de cantar no Verão.
(Continua)

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A Orquestra (Parte 2)

Junto ao rio, a narceja partia para mais uma expedição, assinalando essa partida com um silvo conhecido de todos os habitantes da floresta mas que sempre assustava o cisne, concentrado nos seus bailados aquáticos e em algum peixinho distraído que aparecesse ao alcance do seu mergulhador bico.

A toutinegra e a felosa colocavam o seu canto em contraste com o grito lancinante do gaio, cujo azul das penas se confundia com o celeste, mas não era tão belo como o da sua prima pega, de quem invejava a beleza e a facilidade com que sempre conseguia os lugares mais difíceis e mais belos dos pinheiros mais altos.

O chapim, pequenino e sem grande músculo, procurava os pequenos arbustos, de quando em vez uma aventurazita numa figueira já de algum porte, em busca de um fruto mais maduro, mas o que ele adorava mesmo era baloiçar no canavial, ao sabor do vento, esforçando-se por cantar bonito, com a certeza de que poucos o ouviriam e, se calhar, nenhum lhe prestava atenção. Um dez réis de gente! Por vezes, quase caía à água, quando um pato real por ali passava, em velocidade supersónica, semelhante à dos aviões que ainda estavam por inventar, e sem respeito nenhum por quem ali estava em reflexão e a dar curso à sua veia artística. O cartaxo fazia-lhe companhia, de quando em vez. E era ouvi-los, à compita, a tentar extrair da garganta um som cada vez mais belo.

(Continua)

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

A Orquestra (Parte 1)

Texto publicado no Jornal das Caldas em Maio de 2000, que hoje fui buscar ao baú das memórias. A sua extensão aconselha a divisão em dois ou três posts, para que a leitura seja mais fácil e aguce o interesse, se ele existir.

Aconteceu num passado tão longínquo que dele não há memória em registo de livro, acta ou arquivo, muito menos em cinema, vídeo ou fita gravável.
Era no tempo em que ainda se não falava no "achamento", na semeadura do pinhal de Leiria ou na cena de D. Afonso com a mãe, o convento de Mafra ainda não sonhava ser tema de romance com direito a Nobel, a Rainha ainda não tinha visto os doentes a banharem-se e as árvores ainda eram de madeira.
Poder-se-ia afirmar, sem receio de desmentido, que os animais por essa altura ainda falavam, que os homens, se existiam, não davam nas vistas nem faziam asneiras e que o acontecido chegou aos nossos dias à custa do testemunho passado na estafeta da vida.

A floresta vivia um dia normal, igual a todos os que já tinham acabado e cumprido a sua função de dar lugar à noite, mais uma, silenciosa e melancólica, como são todas as noites da floresta.
Em cada árvore, os habitantes exibiam os seus dotes canoros, numa melopeia de sons variados. Numa delas, o rouxinol, desesperado, não entende a razão pela qual o melro, com o seu assobio estridente, lhe estraga sistematicamente a sinfonia, dispersando-o e obrigando-o a começar tudo de novo. Numa outra, um plátano secular em período outonal, dois pintassilgos vistosos, de gravata vermelha ao pescoço, alternam bicadas nas bolas castanhas com gorjeios tão estridentes que fazem corar o pardal que, coitadito, em matéria de musicalidade, é um completo desastre. Piava, sem ritmo nem originalidade, enquanto saltitava pela floresta, na esperança que a sua atenção apurada detectasse um grãozito de cereal apetitoso.
(Continua)

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Duas formas de arte ... tão bonitas.

Incitamento

Remenda a tua rede, pescador! 
Remenda as ilusões!
No maninho areal é que é sonhar! ... 
Ata e refaz a teia
Onde, queira ou não queira o mar,
Hás-de prender o corpo da sereia!

Miguel Torga
Diário IX 
Gráfica de Coimbra (1977)
Almada Negreiros
Gare Marítima Rocha Conde d'Óbidos

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

O meu neto

O meu neto fez 4 meses!
Estive com ele ontem, roubei-lhe dois brigadeiros que a mãe tinha feito e que, como sempre, estavam óptimos.
Para quem não sabe, brigadeiros são uns bolinhos de chocolate que os gulosos adoram e que os que o não são detestam, mas vão sempre comendo.
Na mímica de avô e neto, entendi que ele ainda não era guloso nem dos que dizem que o não são. Concluí, por isso, que a mãezinha dele se tinha equivocado e que os brigadeiros se iriam estragar. Antes que todos acabassem no lixo, melhor seria ...
Hoje, o meu neto deu-me outro doce, com palavras de Fernando Pessoa, que a mãe escolheu para me oferecer!
Estragam-me com mimos ...

sábado, 4 de novembro de 2006

Palavras bonitas

VOZ DE COMANDO

Amanhece.
Erguei-vos, corpo e alma, combatei!
Juntos, como num rio
Águas da planície e da montanha,
Aliados, correi
À batalha do mundo, que se ganha
No mundo.

Mundo cruel e duro, mas que eu amo,
Apaixonado pelos seus encantos.
Visito-lhe os recantos,
Sonho um abraço que o abarque todo.
De vez em quando há lodo
Nos baixios,
Mas olho os montes, limpos, preservados
Na sua altura,

E renasce-me a esperança ao vê-los debruados
De rebanhos e neve - a máxima brancura.

Penas do Purgatório
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1976)

domingo, 29 de outubro de 2006

Benfica

Foi a concentração deste tigre de Júlio Pomar que faltou

ao Benfica, no início e no fim do jogo de ontem.

Quarta-feira será melhor!

É Dia de Todos-os-Santos!

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Palavras bonitas

Revelação
.
Tinha quarenta e cinco ... e eu, dezasseis ...
Na minha fronte, indómitos anéis
vinham da infância, saltitando ainda.
.
Contavam dela: - Já falou a reis!
Tinha quarenta e cinco ... e eu, dezasseis ...
Formosa? Não. Mais que formosa: Linda.
.
Seu olhar diz: Seja o que o amor quiser,
a verde planta que os meus dedos tomem!
.
Pela última vez foste mulher ...
E eu, pela vez primeira, fui um homem!
Pedro Homem de Melo
Antologia de Poesia erótica e satírica
Selecção de Natália Correia

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Dores de coluna

Recuso andar em bicos de pés, nego-me a viver de cócoras.

Apesar de os nossos antepassados terem andado de gatas, a coluna quer-se direita.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Palavras bonitas

Uma tarde
O Tóino
chegou ao largo
com um vidro extraordinário.
Segurava-se
entre o polegar e o indicador,
virado para o sol,
e do outro lado
chispavam as sete cores do arco-íris!
E nós
em volta
esquecidos do jogo do pião!...
Manuel da Fonseca
Poemas completos (6ª edição)
Forja 1978

domingo, 22 de outubro de 2006

Palavras bonitas

O Ritmo do presságio

A tinta das canetas
reflui de antipatia
e impregnadas, assíduas
cambam as borrachas
Não há fita de máquina
que o uso não esmague
o vaivém não ameace
de dessorar os textos
Mas a grafia nada diz
de pausas na cabeça
Vozes inarticuladas
adensam, durante elas
uma áfona tempestade
E nubladas carregam-se
as suspensões
encadeando em nós
o ritmo do presságio.

Sebastião Alba
A noite dividida
1996

sábado, 21 de outubro de 2006

E fez-se luz ...

Fui informado esta semana, pela voz autorizada do Senhor Secretário de Estado da Indústria e Inovação, de que iria passar a pagar a energia eléctrica mais cara cerca de 16%, por ter, há já alguns anos, uma dívida para com a EDP de dimensão apreciável.
Dois dias depois, a voz ainda mais autorizada do Senhor Ministro da Economia e Inovação, veio dizer que, afinal, já só vou ter um aumento de 6%, o que ainda mais me surpreendeu. Afinal eu, que nem sabia da existência da dívida, já não devia tanto! Alguém deve ter pago por mim e não me disse nada! Queria, ao menos, agradecer-lhe o gesto!
A baralhação é completa: há cerca de 30 anos contratei com a EDP o fornecimento de energia eléctrica, mediante um pagamento mensal da energia consumida na minha casa. Religiosamente paguei os consumos e as taxas constantes das facturas que me foram sendo apresentadas, sem qualquer contestação nem violação das regras contratuais que tinha subscrito.
Recentemente, impuseram-me o pagamento de dois em dois meses, oferecendo-me como alternativa, em telefonema simpático do Director de Marketing (!!), o recurso à conta certa para continuar a pagar mensalmente.
Recusei a alternativa, mas não pude continuar a pagar mensalmente o que consumia, como tinha sido contratado há quase três dezenas de anos
Também religiosamente, comunico à EDP a leitura do meu contador, evitando, assim, gastos desnecessários em pessoal e contribuindo, julgava eu, para que a empresa fosse rentável, como se ouvia dizer na apresentação das contas anuais e na distribuição de dividendos aos accionistas.
Perante tudo isto, acreditava piamente que era um cliente cumpridor!
Afinal, não passo de um vulgar caloteiro, que nem sabe o que deve!!!
A vida é uma caixinha de surpresas.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Registo Predial

Excelência
Sempre que vejo V. Exª. no pequeno ecran fico com a ideia de que padece de cansaço, um mal característico das pessoas da nossa geração, que começaram a trabalhar bem cedo, mantêm um ritmo elevado e, tudo o indica, assim vão continuar até ... sabe-se lá quando.
Tudo isto não é novidade nem para V. Exª. nem para mim e, por si só, não justificaria este ou outro qualquer comentário.
A razão de ser do meu escrito só existe por, hoje mesmo, ter arranjado um remédio que, se não elimina completamente o cansaço, o reduz de forma drástica. Como gosto de partilhar conhecimentos e me parece que, sem grande dificuldade, V. Exª. pode "tomar o remédio", a receita aqui fica: como sabemos, V. Exª. é natural do concelho de Alcobaça e vem, com alguma regularidade, ao seu "sítio" descansar das fadigas da governação; assim, quando apanhar o Senhor Primeiro Ministro de maré e sem azia, o que não deve ser nada fácil, peça-lhe um fim de semana mais prolongado e dê uma escapadinha à Conservatória do seu concelho.
Verificará que o cansaço não tem qualquer hipótese de sobreviver ao enfado que provoca tão grande celeridade no atendimento, ainda por cima com direito a aviso na parede: "Conservatória em informatização. Atendimento demorado", escrito à mão, com letra bonita, realçada por marcador fluorescente.
Lá diz o ditado: "quem te avisa, teu amigo é"!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Palavras bonitas

Paraíso
Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota ...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto ...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito ...
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão-Ferreira
Obra Poética
1988

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Selvagens ... os patos?

Alguém há-de ser responsabilizado por isto!
Não vai ser trabalho do novo Procurador nem haverá inquérito a arrastar-se por muitos anos nas varas dos Tribunais.
Os vindouros hão-de chamar-nos todos os nomes que, nessa altura, serão utilizados para catalogar quem não presta.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

E se ...

Este é o primeiro comentário de Outubro, na véspera das comemorações da implantação da República.
Aproveitando o resto das férias, fui hoje à capital esclarecer algumas questões importantes para quem já está na idade dos "ses". Esclarecendo: na minha idade, já tudo se questiona, quando é necessária a deslocação para qualquer lado, a mais de cinco minutos de distância do aconchego do lar. E se chove? E se não há bilhetes? E se há muito trânsito? E se acaba tarde?
Não fui à Rotunda, mas o Almirante Reis também lá não estava para receber as felicitações da vitória de 1910, resultado que ele nem chegou a conhecer; não encontrei o Sócrates, a quem gostaria de dar esta notícia pessoalmente. Como sei que ele vai ler este comentário, aqui fica:
Se a dona desta casa tivesse começado a trabalhar dois anos mais cedo, poderia vir tratar do neto de imediato, sem qualquer penalização na sua reforma. Assim, esperará até 2014, se, entretanto não alterarem de novo as regras!
Não será o fenómeno da "multiplicação dos pães" nem uma equação matemática irresolúvel mas, que diabo, dois anos transformarem-se em oito, é obra!
Apesar de tudo, viva a República!!!

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Palavras bonitas

(Apropriadas à forma como correu o trabalho no dia de hoje)

FORMA DE INOCÊNCIA

Hei-de morrer inocente
exactamente
como nasci.
Sem nunca ter descoberto
o que há de falso ou de certo
no que vi.
Entre mim e a Evidência
paira uma névoa cinzenta.
Uma forma de inocência,
que apoquenta.
Mais que apoquenta:
enregela
como um gume
vertical.
E uma espécie de ciúme
de não poder ser igual.
António Gedeão
Poesias Completas
(1956-1967)
Portugália Editora

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

SMS - A nova linguagem

Mensagens recebidas:
1ª. Mensagem

Xobrinha ... ja ka tou ... Ond tax?
Bjkax gandyx*
Tradução: Sobrinha ... já cá estou ... Onde estás? Beijocas grandes.

2ª. Mensagem
Xobrinha ... em k xala tax?
Bjkax gandyx*
Tradução: Sobrinha ... em que sala estás? Beijocas grandes.
3ª. Mensagem
Kem ex ntao?
Tradução: Quem és então?
Com esta poupança de caracteres e a clareza destas frases, os livros do futuro terão muito menos páginas e as regras gramaticais deixarão de existir.


domingo, 24 de setembro de 2006

Marinha Grande



Está a decorrer, até ao dia 29 de Outubro, a 6ª. Bienal de Artes Plásticas, que inclui uma exposição filatélica luso-espanhola.

A entrada é gratuita e há peças extremamente interessantes, na filatelia e na Bienal.

Algumas esculturas, que têm o vidro como elemento principal, (mas não único), justificam, por si só, a visita.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Palavras bonitas


...
Nunca cantei apenas por cantar
e mais que o canto aqui vos deixo o desencanto
que de mil anos de heróis dados à costa
rugas na história tachos de pasmar
ficou-nos um país de sol
e muito mar.

Cantos Falados
Ulmeiro 1996

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Futebol, por cá

O Sporting não marcou
O Benfica ganhou
O Porto não perdeu
O Gil Vicente
(Uma vez mais)
Não apareceu!

E a nova Direcção da Liga? Morreu ??? !!!

sábado, 16 de setembro de 2006

Sol / Expresso

Hoje foi dia de Sol!
Meteorologicamente falando, o céu não teve nuvens, o vento soprou fraco e a temperatura esteve agradável.
Na Casa da Ginja comeram-se sardinhas muito bem assadas, de alta qualidade e excelente sabor.
À volta de uma mesa cheia de amigos, estabeleceu-se um diálogo gastronómico interessante, regado com um bom vinho e finalizado com umas sobremesas responsáveis pela cada vez mais acentuada pequenez das camisas. Os texteis diminuem a qualidade, encolhendo a olhos vistos ...
O Sol saiu hoje. Segundo um dos meus amigos, este título já existiu nos anos vinte do século passado, não sendo, por isso, novidade no panorama da imprensa nacional. Desconhecia em absoluto, até por que, nessa época, ainda não lia jornais ... vou continuar fiel a uma relação de mais de 30 anos e manterei o hábito do Expresso ao sábado, embora ainda não domine bem o novo formato. Serei um conservador a não ter já capacidade para entender a mudança?

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Palavras bonitas


Foz do Arelho
ou
Primeiro Poema do Pescador

Este é apenas um pequeno lugar do mundo
um pequeno lugar onde à noite cintilam luzes
são os barcos que deitam as redes junto à costa
ou talvez os pescadores de robalos com suas lanternas
suas pontas de cigarro e suas amostras fluorescentes
talvez o Farol de Peniche com seu código de sinais
ou a estrela cadente que deixa um rastro
e nada mais.

Um pequeno lugar onde Camilo Pessanha voltava sempre
talvez pelo sol e as espadas frias
talvez pela orquestra e os vendavais
ou apenas os restos sobre a praia
"pedrinhas conchas pedacinhos d'osso"
e nada mais.

Um pequeno lugar onde se pode ouvir a música
o vento o mar as conjunções astrais
um pequeno lugar do mundo onde à noite se sabe
que tudo é como as luzes que cintilam
um breve instante
e nada mais.
Manuel Alegre
Senhora das Tempestades
Publicações Dom Quixote 1998

terça-feira, 5 de setembro de 2006

O caso Mateus


Ontem, na RTP 1, o ex-Ministro do Desporto Arnaud desfez a baralhação de Gilberto Madaíl, ensinando-lhe que comparar a FIFA com a União Europeia era o mesmo que fazer a comparação entre a "beira da estrada" e a "Estrada da Beira".
Não teria sido mais elucidativo dizer que a "obra prima do mestre" não é o mesmo que "a prima do mestre de obras"?
Comparações e ensinamentos à parte, foi um debate carregado de ideias, civilizado e cheio de salamaleques!!!
Não concluiram nada, mas disseram tanta coisa interessante ...
Viva a bola !!!

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Iluminação pública

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar", escreveu D. Sophia num belo poema que Francisco Fanhais musicou e deu divulgação num LP, gravado em 1970, com o título "Canções da Cidade Nova".
Na época, era a esperança na "cidade nova", com "ruas largas", "novas luzes", "horizontes claros", "novos rumos".
Quase quarenta anos depois, a cidade tem ruas cada vez mais estreitas, os horizontes são nebulosos, os rumos são velhos e, quanto a luzes, aguardamos ansiosamente que a liberalização do mercado da electricidade faça o milagre e que o acordo aconteça.

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar ...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Fim de Agosto

A ausência não se fica a dever à falta de tema, que os há por aí "aos montes".
Escrever qualquer coisa neste blog é, antes de mais, um acto de prazer para quem o faz e só esse prazer o justifica.
Apesar disso, estar muitos dias sem "postar" pode, como acontece em muitas outras áreas, fazer perder o treino e a vontade ...
Com Agosto a chegar ao fim, fica registado que o Campeonato Nacional de futebol não começou para o glorioso e que a Liga do Major ligou o complicador de tal modo que o mais provável é ter de se lhe desligar a luz.
Se seis meses não chegaram, serão suficientes quinze dias para resolver o imbróglio?
Coitada da bola!!!

domingo, 13 de agosto de 2006

Junceira




Talvez por querer deixar saudades no último dia de férias, a Foz estava "de gritos".

Uma manhã de sol linda, a luz do costume, céu sem nuvens, ausência de vento e ... uma maré vaza enorme, das que permitem tudo: pocinhas para os mais pequenos, areia rija ou solta, "piscinas" para quem não gosta das ondas, ondas óptimas para refrescar a cabeça, um mimo.

A cereja era (foi) um passeio à "quarta" praia, onde raramente se consegue chegar pelo mar. Rochas com formas curiosas, areia finíssima, água ainda mais cristalina, algas enormes, escarpas bem a pique, um pequeno paraíso.

Felizmente, não é fácil lá chegar e não são muitos os visitantes. Mesmo assim ainda vimos algumas algas arrancadas da sua morada natural. Só pelo prazer de estragar , para que outros não usufruam daquilo que nós já vimos?! Egoístas !!!

Amanhã é dia de trabalho !