domingo, 20 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Inverno

Mais uma quinta-feira com António Lobo Antunes na Visão.
Como sempre, a arte de bem escrever, com imaginação e beleza. Da crónica de hoje, dois excertos, um do princípio e o outro do final:
"(...) Acabei um livro no mês passado e a minha cabeça, oca, demora-se no tecto. Nem uma memória, nem um presságio: vazio, junto a um calorífero que frita mais do que aquece. O telefone de vez em quando: as pessoas dizem coisas. Não me dizem grande coisa. Leio, sem vontade, não importa o quê. A humidade enche-me os ossos de água parada: sinto-me uma espécie de charco com folhas podres à tona. Se chego à varanda gente apressada, automóveis a garantirem que não com os limpa-vidros, distinguem-se mal as pessoas nos carros.
(...) subo para o helicóptero, explico ao piloto
- Leve-me a Agosto
e dali a nada estou de papo para o ar, na praia, a olhar sorvetes e a lamber biquinis, perdão, ao contrário, a olhar biquinis e a lamber sorvetes. Pensando bem, a primeira frase fica melhor."

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Que parva que eu sou ...

Agora, aqui, sem imagem mas com a qualidade de som que a canção merece, o (novo) hino dos Deolinda, com a voz e a irreverência de Ana Bacalhau.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Palavras bonitas

Confesso a minha ignorância: desconhecia em absoluto Luísa Dacosta e, consequentemente, nunca tinha lido nada da sua obra, em poesia ou prosa. Foi preciso a Visão publicar mais um volume da segunda edição de Poesia + Prosa para, por 50 cêntimos, descobrir A Maresia e o Sargaço dos Dias e, desse conjunto de poemas que retratam muito da vida e do mar, retirar este, cuja sensibilidade interior me dispenso de adjectivar.

PERDAS

Faltam sombras
à minha porta.
Quando a noite desce,
o Joaquim já não vem
espreitar a  maré.
Um ataque deixou-o
com o lado direito
esquecido e morto.
Ergue-se a manhã
e a Natália, que o não larga da mão,
não vem beber a malga do café à beirada.

Um dia, também, não estarei mais
para registar as perdas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manifesto, revolta ou realismo

Já antes tinha "postado" sobre os Deolinda
Aquando do primeiro trabalho apresentado e após um excelente concerto nas Caldas, disse o que me ia na alma aqui.
Dois anos depois, por alturas do lançamento do segundo CD, voltei a manifestar-me aqui.
Agora, enquanto se aguarda um novo trabalho discográfico, aparece outra surpresa deste grupo, que transporta ar fresco e qualidade musical, juntando a isso letras incisivas, que espelham criticamente o que vai por cá, numa demonstração de que, afinal, há jovens com espírito, irreverência e qualidade, que nos cabe escutar e que merecem ser ouvidos.
Dos recentes concertos ao vivo, mais um "hino" dos Deolinda:

Porque a qualidade do vídeo é fraca, fica a letra enquanto o grupo não grava a canção em melhores condições técnicas.

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê?
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Holocausto

No dia em que perfazem 66 anos sobre a libertação

de Auschwitz, uma foto para que a memória do

extermínio se mantenha viva e uma outra para que a

imagem dos carrascos se não apague.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Decisão

No interior do Silêncio, o Tempo e o Modo, cada qual em seu canto, reflectem sobre a interferência que têm no quotidiano de todos e sobre a forma como cada um condiciona a Vida.
Narcísicos, ambos acham que a influência exercida só se deve a ele próprio, sendo o outro um mero jarro decorador da mesa da Decisão.
O Tempo considera que o instante da Decisão é determinante para a sua eficácia ou para o respectivo insucesso, sendo irrelevante o modo como é executada.
Pela inversa, o Modo acha que o êxito de qualquer Decisão depende, sempre e exclusivamente, da forma como se processa a execução e nunca do instante em que a mesma acontece.
Por telepatia, transmissão de pensamento, interferência de ondas rádio, troca de olhares ou qualquer outra razão que a razão desconhece, ambos concluíram que os seus pensamentos versavam o mesmo assunto - a suprema importância de cada um na sociedade.
Por terem constatado uma evidência destas e por ambos considerarem que o outro era apenas um pequeno grão sem qualquer relevo, resolveram dar voz aos pensamentos e a discussão instalou-se. Do interior do Silêncio surgiu uma vozearia incomum, com cada um argumentando não com o discernimento das ideias mas com o ruído das palavras. 
O Silêncio alterou-se, aborreceu-se, toldou-se, zangou-se, desinteressou-se, e partiu. Apesar da experiência ancestral, mesmo o Silêncio acabou por perder a paciência e deixou de ouvir, muito embora o volume dos berros com que o Tempo e o Modo prosseguiam a discussão fosse elevadíssimo. As cordas vocais das duas personalidades perderam a vibração musical e o aumento dos decibéis atingiu tais proporções que, apesar de já se encontrar bastante afastado, o Silêncio ainda sentia os tímpanos massacrados com o ruído produzido.
Como era de esperar, a discussão nestes termos não produziu qualquer luz, esclarecimento ou ideia. O narcisismo impediu que quer o Tempo quer o Modo percebessem que a Decisão só é boa e eficaz quando se consegue que o todo seja superior à mera soma das partes, por mais importante que cada uma seja.
O Silêncio partiu e parece pouco disposto a voltar a autorizar que o Tempo e o Modo utilizem o seu interior para reflectir.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A crise e a realidade (com ironia)

Meia dúzia de "energúmenos", que tinham acabado de participar numa manifestação contra aquilo que, todos o reconhecem, tem que ser feito para conseguir manter o país em condições de nos alimentar a todos (?), resolveram abandonar a "manif" utilizando uma rua pública que estava interdita por determinação da autoridade. 
A PSP, de forma delicada e utilizando toda a meiguice que as palavras permitem nestas ocasiões, pediu, encarecidamente, que desistissem dos seus intentos e não forçassem a passagem por a dita rua. 
Apesar dos meigos pedidos, alguns "energúmenos" insistiram e, sem que nada o justificasse, avançaram por sobre os bastões, fazendo-se agredir sem qualquer respeito pela liberdade dos bastões. Refira-se que as forças da ordem os haviam trazido para a rua apenas para apanharem um pouco de ar puro.
Perante esta desobediência, foram feitas algumas detenções e os detidos terão de explicar amanhã, em Tribunal, as razões que os levaram a agredir os pobres bastões indefesos. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Fernão Capelo Gaivota

Li o livro, vi o filme, tenho o disco (em vinil). Hoje lembrei-me (associação de ideias ?) e fui ao "arquivo" da Net.
Encontrei e, quase 40 anos passados, recordei o sonho, a vontade, o desafio, a luta, a incompreensão ... Há coisas que são eternas!