quinta-feira, 4 de abril de 2013

Finalmente!

Hoje estou deprimido!
O Relvas já não é ministro e vai perder a licenciatura que tanto trabalho lhe deu a arranjar. Consta que a licenciatura andava a passear pelo jardim do Campo Grande e um dos homens que tratam das flores viu-a e guardou-a no bolso. Está com esperanças de chegar a ministro ou pelo menos a secretário de estado. Experiência tem, faltava só o canudo. Já o achou.

Voltando ao início: como é que o homem vai subsistir, ainda por cima agora que está para casar e com a vida difícil como está ... tenho pena e vejo o futuro do senhor com muita dificuldade.
Talvez possa tentar a vida artística, quem sabe. Voz não tem muita mas arte sobra-lhe! A experiência da Grândola não foi feliz, por desconhecimento da letra e falta de voz, por culpa do Zeca que fez aquilo muito puxado.
É melhor começar por esta, do Sérgio Godinho, que tem mais aliciantes e pode dar resultados imediatos.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Quotidiano

Muito embora tivessem aparecido alguns, preocupados com a crise, que queriam ficar no Banco na tarde de quinta-feira, não a trabalhar, que é coisa que só fazem em fogachos para chefe ver, mas a linguarar, a larachar, a engraxar, a serventuar e outras terminadas em "ar", esta ano a tarde de quinta ainda foi "santa".
O almoço foi no sítio do costume sem a barafunda do dito, por muita gente ter saído directamente do trabalho para a sopinha caseira.
O percurso entre a Baixa e Belém foi rápido e agradável. O novo Museu dos Coches deve estar quase acabado e é imponente. No Palácio cor de rosa, como de costume, não se via nem ouvia ninguém. Estará habitado?
Subida a Calçada da Ajuda (acho que já não passava por lá há perto de 40 anos, quando o serviço militar me lá levou por uns tempos), mais de meia hora na fila (a bicha apareceu na casa de banho, a compor o cabelo), algumas personalidades conhecidas e, finalmente, o acesso à exposição do momento. Joana Vasconcelos expõe algumas das suas monumentais obras, muito bem enquadradas na beleza das salas do Palácio, numa mistura perfeita e onde o par de sapatos se destaca pelo brilho, monumentalidade e ... singeleza.
Nas paredes do átrio da entrada, o Palácio tem várias estátuas, cada uma representando uma qualidade. Esta, que o telemóvel registou numa foto de má qualidade, representa a GENEROSIDADE e, curiosamente, perdeu a mão direita. 
Acidente do tempo ou maldição do mesmo?

terça-feira, 26 de março de 2013

Quotidiano

Hoje não me apeteceu ouvir rádio na viagem da manhã.
Liguei a "pen", mas tirei-lhe a escolha aleatória. 
Fiz a pesquisa e escolhi eu, bem, para o meu gosto!
Já há largos meses que não ouvia um album inteirinho do Zeca.
O "Cantares do Andarilho" tornou a viagem mais curta e bem mais agradável.

domingo, 17 de março de 2013

Futuro ou a eterna juventude


E foi isto que se construiu?
As consciências de quem "governa" este país e esta Europa estarão tranquilas?
Não há alternativa?
Vão bugiar ... antes que o espelho se parta!

sábado, 16 de março de 2013

Efemérides e actualidade

Passam hoje 20 anos da morte de Natália Correia e 39 do "levantamento das Caldas", que precedeu o 25 de Abril.




AUTO-RETRATO

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

Natália Correia - Poemas (1955)








sexta-feira, 8 de março de 2013

Teimosia

Costumo dizer que uma das minhas poucas qualidades é ser muito teimoso. E é verdade: gosto de uma boa polémica, adoro contraditar, defendo as minhas ideias com toda a energia e convicção.
Vem isto a propósito de, esta semana, ter encetado uma discussão, pacífica, sobre o adjectivo "obrigado" e a forma correcta de o aplicar. 
A A.L. defendia que o adjectivo devia ser utilizado no feminino se dito por uma mulher e no masculino, quando pronunciado por um homem. A R.R. contraditava, parecendo-lhe que o correcto era sempre "obrigado". O M.R. não tinha certezas e estava virado para a abstenção. Teimoso, eu argumentava que se devia dizer sempre "obrigado" e, para justificar o meu argumento, ilustrava com uma frase:
- A menina não se sinta obrigada a dizer obrigado sempre que lhe oferecem flores!
A A.L. mantinha-se irredutível. O seu professor de português tinha-lhe ensinado a regra, há muitos anos, e nunca se tinha esquecido.
Comecei a duvidar de mim e cedi:
- Quando chegar a casa, vou confirmar!
Hoje, logo pela manhã, enderecei este mail aos meus colegas:

" Bom dia
Rendo-me à evidência!!!
Penitencio-me do erro e congratulo-me pelo facto de termos discutido uma das coisas boas que temos: a nossa língua.
No Dia das Mulheres, confirmam-se, como sempre, os saberes de antanho: elas têm sempre razão e é estúpido quem as contraria.
O adjectivo “obrigado” deve ser utilizado no masculino ou na sua forma feminina (obrigada) consoante o sexo de quem o pronuncia. (Edite Estrela e outro cujo nome não me lembro) – “Saber escrever / Saber falar”
Para ilustrar a minha rendição, qual Egas Moniz, mas sem corda ao pescoço, umas rimas (mal) alinhavadas no “horário” (como se diz na Madeira) que me trouxe do Oeste profundo e inculto à capital dotada e sapiente:

És homem? Sê delicado
E agradece, cortês
Sempre com um "obrigado",
Pra falares bom português!

Porém, a recusa delicada
Da menina esbelta e fina,
Será sempre: não, obrigada,
Por a voz ser feminina! "

sábado, 2 de março de 2013

Quotidiano

Há vida para além da folha de Excel ...
A esta hora, em várias cidades do país, milhares de portugueses manifestam a sua indignação, cantando como o Zeca.

Palavras bonitas ... para a minha mãe

UMA QUALQUER PESSOA

Precisava de dar qualquer coisa a uma qualquer pessoa.
Uma qualquer pessoa que a recebesse 
num jeito de tão sonâmbulo gosto
como se um grão de luz lhe percorresse
com um dedo tímido o oval do rosto.

Uma qualquer pessoa de quem me aproximasse
e em silêncio dissesse: é para si.
E uma qualquer pessoa, como um luar, nascesse,
e sem sorrir, sorrisse,
e sem tremer, tremesse,
tudo num jeito de tão sonâmbulo gosto
como se um grão de luz lhe percorresse
com um dedo tímido o oval do rosto.

Na minha mão estendida dar-lhe-ia
o gesto de a estender,
e uma qualquer pessoa entenderia
sem precisar de entender.

Se eu fosse o cego
que acena com a mão à beira do passeio,
esperaria em sossego,
sem receio.
Se eu fosse a pobre criatura
que estende a mão na rua à caridade,
aguardaria, sem amargura,
que por ali passasse a bondade.
Se eu fosse o operário
que não ganha o bastante para viver,
lutava pelo aumento do salário
e havia de vencer.
Mas eu não sou o cego,
nem o pobre,
nem o operário a quem não chega a féria.
Eu sou doutra miséria.
A minha fome não é de pão, nem de água a minha sede.
A minha mão estendida é tímida, não pede.
Dá.
Esta é a maior miséria que em todo o mundo há.
E eu que precisava tanto, tanto, de dar qualquer coisa 
a uma qualquer pessoa!

E se ela agora viesse?
Se ela aparecesse aqui, agora, de repente,
se brotasse do chão, do tecto, das paredes,
se aparecesse aqui mesmo, olhando-me de frente,
toda lantejoulada de esperanças
como fazem as fadas nos contos das crianças?

Ai, se ela agora viesse!
Se ela agora viesse, bebê-la-ia de um trago,
sorvê-la-ia num hausto,
sequiosamente,
tumultuosamente,
numa secura aflita,
numa avidez sedenta,
sôfregamente,
como o ar se precipita
quando um espaço vazio se lhe apresenta.

António Gedeão

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quotidiano

Os estudantes do ISCTE expulsaram hoje Miguel Relvas das instalações, quando o ministro se preparava para proferir uma conferência integrada nas comemorações da TVI.
Fizeram mal!
O ministro queria assistir às aulas ou, pelo menos, conhecer os corredores, para poder pedir a equivalência com conhecimento da casa.
Não é justa esta decisão dos estudantes. Vai persegui-los a vida toda. Impediram o acesso ao conhecimento a quem o busca de forma tão ávida.
Meninos, portem-se bem e deixem estes adultos que cumpriram antecipadamente a divisa da vossa Escola - Chegar ao Topo -  estudarem e aprenderem. 
Eles "há-dem" ir longe, sem "quaisqueres" dúvidas.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Palavras bonitas

As novas tecnologias ajudam muito aqueles a quem o tempo falta. 
Ver televisão, durante a semana, é um "luxo" cada vez mais difícil de conseguir. Vou deixando a gravar alguns programas que não quero perder e, quando surge a oportunidade, "play" com ele.
O "5 para a meia noite" das terças-feiras é sempre gravado e, assim que é possível, lá coloco o Zé Pedro Vasconcelos em diferido, para me deliciar com o seu humor e com a inteligência com que aborda os assuntos e convidados.
Hoje vi o programa do passado dia 12, no qual estiveram presentes dois jornalistas: Pedro Coelho, da SIC, que falou da sua grande reportagem sobre o BPN, e Rita Marrafa de Carvalho, da RTP, que dissertou sobre jornalismo de investigação e mostrou os dotes da sua voz, bem bonita, a cantar, "à capela".
O nível estava elevado e subiu quando, na rubrica que surgiu nesta segunda série, Vítor de Sousa, com a sua extraordinária voz, disse um poema de Manuel da Fonseca, apropriado para o programa e para os dias em que vivemos.
Tinha uma vaga ideia das palavras e fui buscar o velho livrinho (1978) dos Poemas Completos. 
Lá estava a 

DONA ABASTANÇA

"A caridade é amor"
proclama Dona Abastança
esposa do Comendador
senhor da alta finança.

Família necessitada
a boa senhora acode
pouco a uns a outros nada
"Dar a todos não se pode".

Já se deixa ver
que não pode ser
quem
o que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
e sai caro fazer o bem
ela dá ele subtrai
fazem como lhes convém
ela aos pobres dá uns cobres
ele incansável lá vai
com o que tira a quem não tem
fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
que não pode ser
dar
sem ter
e ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
sempre ao bem fazer foi dado
pouco custa a quem roubou
dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
de tão estranha caridade
feita com dinheiro do povo
ao povo desta cidade.