domingo, 5 de janeiro de 2014

EUSÉBIO

Faleceu hoje um dos ídolos da minha juventude, que tinha cerca de dez anos mais do que eu.
Lembro-me, como se fosse hoje, dos grandes jogos do Benfica e da Selecção Nacional, quer pelos relatos que, nessa época, eram a fonte quase única da informação ao momento, quer pela televisão, que dava os primeiros passos nas transmissões directas, quer pelas presenças, poucas, no velho Estádio da Luz.
O Portugal-Coreia do Norte, disputado no Campeonato do Mundo de 1966, apanhou-me com 14 anos feitos há muito pouco tempo e em situação complicada da vida. Por tudo isso, é um marco, um hino ao futebol e uma recordação inesquecível.
Obrigado, Eusébio.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Balanço ou estatística

No final de cada ano é uso e costume fazerem-se os mais variados balanços, com gente de todas as especialidades a elencar o que de mais importante se passou no que está a terminar, dando lugar a um novo, no exacto momento em que, cumprindo a tradição, se comem as passas e se formulam os desejos.
As novas tecnologias permitem registos e análises, as mais diversas, proporcionando-nos evidências que, sem elas, dificilmente nos conseguiríamos lembrar. Contribuem para que os balanços sejam fiáveis e possíveis para qualquer tema ou acontecimento.
Tenho (quase) todos os meus livros numa base de dados (congeminada pelo meu filho, diga-se em abono da justiça), que me permite registar, para além do autor, do título, da imagem da capa, da edição, da colecção, o sítio onde está colocado, a data da compra e a data da leitura. 
Utilizando esse arquivo, posso fazer as mais variadas consultas e, por isso, ontem resolvi verificar quantos livros tinha lido em 2013. O "boneco" respondeu: 38
São muitos, são poucos, foram … milhões de palavras que passaram pelo crivo do meu cérebro, exprimindo ideias, relatando factos, contando histórias, evidenciando sentimentos. Ficarão guardadas nas gavetas da memória, à espreita de uma oportunidade de se exibirem e ganharem vida ou, o que é mais provável, a adormecerem num sono justo sem darem mais sinais de vida.
Um livro deixa sempre uma marca, maior ou menor, não importa. No conjunto deste ano, há vários que têm lugar mais destacado nas tais "gavetas" e não as deixam fechar. Um deles está ainda bem em cima do "móvel": As luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta, mais de 1.000 páginas que acabei de ler em Maio e às quais voltarei um dia destes, para saborear.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal

NATAL CHIQUE


Percorro o dia, que esmorece
nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo
dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem dão coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As voltas do mar




A "aberta" fechou!

No final da tarde de Domingo, foi possível chegar ao Gronho sem quase molhar as sapatilhas.

E agora?

Respondam os técnicos …

sábado, 14 de dezembro de 2013

Palavras bonitas

À BELEZA

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
nem te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
o que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
o sorriso das pedras,
e a candura do instinto.
És aquele alimento
de quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
ou em arte,
ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
ou a moça do espelho, que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim! És o teu nome!
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
uma linha sem traço …
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
tudo repousa em paz no teu regaço!

Miguel Torga
Odes

domingo, 8 de dezembro de 2013

Nelson Mandela

"Luto contra a dominação, branca ou negra. Bato-me por uma sociedade livre e democrática e estou disposto a morrer por esse ideal."

" Não há poder na Terra que possa impedir um povo determinado de conquistar a liberdade."

"Não se trata do que se pode fazer pela África mas sim do que se pode fazer com ela."

"Este Nobel da Paz (1993) é um tributo aos que lutaram contra o apharteid. Aceito-o em nome deles!.

Já foi tudo dito sobre a morte de Nelson Mandela, ocorrida na passada quinta-feira, dia 5, após 95 anos de uma vida dura e cheia.
Nasceu a 18 de Julho de 1918, esteve preso pelo regime abominável do apartheid da África do Sul desde 1963 a 1990, depois de ter sido condenado a prisão perpétua.
O Expresso desta semana dedica-lhe um caderno especial e exclusivo, que vale a pena ler e conservar, e onde várias pessoas escrevem sobre a maneira de ser, de pensar e sobre a sua vida, dedicada, toda a ela a um ideal de igualdade, de humanidade e de paz.

"(…) Infelizmente, Mandela não deixa seguidores. Nem em África nem noutros pontos do mundo. E é por isso que só uma coisa não se lhe perdoa: o facto de, através do seu exemplo, nos demonstrar todos os dias quão pouco inspiradores são a esmagadora maioria dos líderes que actualmente governam o mundo e como a mediocridade vai campeando um pouco por todo o lado nas elites dirigentes. E como seria diferente o mundo e infinitamente melhor se houvesse um Mandela em cada um dos cinco continentes.(…)"
Nicolau Santos (jornalista do Expresso)

"…) Sem Mandela, e sem a sua bondade, o seu sacrifício e a sua insubmissão, a África do Sul teria sido um território de extermínio depois do apharteid, depois de ter sido o da crueldade durante o apharteid. Sem a sua grandeza moral, intelectual, política, metafísica, não haveria África do Sul, nem esta nem outra. Seria mais um Estado falhado, com uma guerra civil que se arrastaria até à exaustão dos guerreiros, muitos anos e muitos cadáveres mais tarde.(…)"
Clara Ferreira Alves (jornalista do Expresso)

"Conheci Nelson Mandela no dia 7 de Maio de 1973. Na famosa prisão de Robben Island estavam 368 presos políticos - 33 dos quais cumpriam pena de prisão perpétua, a começar pelo próprio Mandela. Foi uma visita de quatro dias, a primeira que fiz à Africa do Sul na qualidade de delegado-geral da CVI para África.
(…) dirigi-me à secção B, a das celas individuais, onde estavam Mandela e outros 27 líderes do ANC.  Eram todas idênticas, com uma área de 2,5x2,2 metros e uma janela para o exterior, de vidro e grades. Não tinham cama mas uma simples esteira de sisal e outra de feltro e, no inverno, cinco cobertores por prisioneiro. Todos se queixavam de que a esteira não os isolava suficientemente do chão de betão.(…)
Jacques Moreillon (Delegado da Cruz Vermelha Internacional para África)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Palavras bonitas

Badini disse que as coisas mortas vão com a água, naturalmente, seguem a corrente do rio, é isso que fazem os paus, as pedras, as folhas, os cadáveres, todos são empurrados para a foz, todos eles, enquanto os sábios e os salmões procuram a nascente, as causas das coisas, e, assim, tudo o que contraria a corrente está vivo, e a educação também é isso, é ir contra tantas coisas, não nos deixarmos arrastar para não nos tornarmos um pau seco a boiar nas águas. 

Afonso Cruz
Para onde vão os guarda-chuvas

domingo, 24 de novembro de 2013

Estranho


A descrição matricial acima reproduzida é de um terreno situado no distrito de Santarém, inscrito no Serviço de Finanças em 1970 como "terra de pousio com 2 oliveiras e dois carvalhos estranhos".
Não há nada de estranho no facto de uma terra de pousio ter 2 oliveiras e 2 carvalhos, mas já é muito estranho que os carvalhos sejam estranhos e ainda mais a razão pela qual assim terão sido classificados.
Não sendo provável que exista ume espécie biológica de carvalhos estranhos, estranho é o facto de assim terem sido classificados, para a posteridade e para a fiscalidade, dois seres que habitam o distrito de Santarém, talvez contra a própria vontade ou a vontade dos seus vizinhos.
- Serão estranhos por terem vindo de outras paragens sem ninguém saber de onde e sem serem convidados? 
- Terão algum defeito visível que cause estranheza a quem olha? 
- Algum "maduro" por ali os plantou sem cuidar de falar com as autoridades competentes?
- Terão comportamentos esquisitos?
- Usarão roupagens diferentes?
- Darão bolotas quadradas?
Poder-se-ão admitir e conjecturar milhentas hipóteses, mas que é estranho existirem 2 carvalhos estranhos numa terra de pousio com 2 oliveiras normais, não há qualquer dúvida.
Não é estranho, é estranhíssimo ...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Língua portuguesa

O desenvolvimento frenético que o mundo regista obriga a que todos estejamos atentos ao que se passa à nossa volta, na procura da actualização constante das vertentes profissional e/ou pessoal, sendo certo que, por maior que seja o esforço, o saber há-de ser sempre infinito.
A actualização desse "saber" está na ordem do dia e há especialistas que se dedicam à causa de "alma e coração", debitando a sua sapiência salpicada de "inglesismos" e com a ajuda do inevitável "powerpoint".
Eis senão quando "no melhor pano cai a nódoa" … e aquilo que parecia uma aula bem estudada e alicerçada num saber motivador, transporta a "conjectura" do país como um facto bem interessante de seguir na conjuntura da formação, conjecturando quantas vezes a "conjectura" irá estar presente no lugar da conjuntura, que primou pela ausência.
Contei várias!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Recordando

Partiu hoje, após longo tempo de sofrimento, o meu amigo Zé Marques Paulo.
Companheiro de muitas lides, das noites de king aos rallys paper, das viagens pela Europa às experiências nas rádio "pirata", no futebol ou no vólei, nas histórias vividas e inventadas, ou nas recordações do Porto da sua meninice.
Amigo sempre preocupado com os outros, descuidando-se muitas vezes de si próprio, adorava os meus filhos e … "quem meus filhos beija, minha boca adoça".
De pensamento livre, a puxar para a anarquia, amante da Pátria, que venerava, dono de uma cultura invulgar, que não exibia.
Era … diferente!
Fico a dever-lhe muitos e bons momentos e guardá-lo-ei na memória como ele gostava: vivo, franco, amigo, alegre e … meio tonto!