sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Descobrimentos

O meu amigo VB, grande amante do mar (e da Foz do Arelho), fez-me chegar o "link" para este excelente documentário sobre as descobertas, realizado por António José de Almeida.
São quase 50 minutos com os descobrimentos portugueses, as caravelas, a "dilatação da fé e do império", as viagens "por mares nunca dantes navegados", a ousadia, a coragem, o saber, a vontade, a determinação da gesta que Camões cantou.
Apesar da falta de tempo que cada vez mais nos atormenta, vale a pena ver e ouvir (em écran total) esta lição de história, mesmo que, utilizando a maravilha da tecnologia, isso se faça em pequenas doses e em vários momentos.



Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
(...)
Meu riso de dentes podres
ecoou nas setes partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
(...)
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

Poema da malta das naus
António Gedeão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Zeca Afonso

Passam hoje 28 anos da morte de José Afonso e nem por isso aqueles que tiveram o privilégio de o ver e ouvir se esquecem da sua música e das suas palavras, que mantêm uma actualidade que só os GRANDES conseguem.
A "pen" do carro proporcionou o regresso do trabalho ao som do Zeca, desde as "Baladas e Canções" ao "Coro dos Tribunais", passando pelo "Fura Fura" e pelo "Traz outro amigo também", do qual faz parte esta maravilha, que lhe dá o nome.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

País de sonho

No JL que me chegou esta semana, a autobiografia habitual da contracapa é de Carlos Reis, conhecido intelectual, especialista da obra de Eça de Queirós.
Do texto, interessante, respigo um pequeno extracto que reflecte a frustração sentida por uma parte, significativa, julgo, da minha geração, que teve o sonho de transformar Portugal num país digno e onde fosse possível os nossos filhos viverem mais e melhor do que nós e os nossos pais.

"(...) Depois, foi o que se viu: a 17 de abril, sob a liderança do Alberto Martins, que ainda está na vida pública, a universidade foi virada do avesso. Como iniciação política não podia ser melhor. Das semanas agitadas da crise académica de 1969 ficaram-me imagens que prevalecem até hoje. As boas e as más. Destas, sobrevive a figura sinistra do ministro Hermano Saraiva, com o dedo espetado no preto e branco de uma reprimenda televisiva; muitos anos depois, Saraiva declarou que não se recordava de nada - cargas da GNR, estudantes presos, incorporações militares à força -, amnésia estranha em quem, para muitos (não para mim), foi historiador.
Terminado o curso de Românicas (cinco anos, mais uma tese de 300 páginas, pois então), comecei a ensinar na Universidade. Livrei-me da tropa, o que, para um meu antigo professor, não foi nada bom, vá-se lá saber porquê. Empurrado por esse lapso do Destino, entrei na vida ativa a seguir à revolução de 1974; pertenço, por isso, à geração que viveu a ilusão de mudar o Portugal "remorso de todos nós" (O'Neill, claro), fazendo dele um país mais moderno e mais aberto. Algo se conseguiu, não o nego, mas muitas coisas ficaram por cumprir, outras ameaçam voltar atrás, outras ainda já regrediram, sem apelo nem agravo. Por exemplo, o nosso pequeno mundo cultural, hoje devastado pela tristeza em que os ignorantes que nos regem o fizeram mergulhar. (...)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Quotidiano

Esta noite dormi pouco e a preocupação estendeu-se por todo o dia de hoje, com uma ansiedade indiscritível e não muito habitual ...
Se o meu nome aparece na lista do HSBC, que faço?
Desminto?
Confirmo?
Dou instruções aos meus advogados para processarem Rafael Marques e o seu Maka Angola?
Peço ao Cavaco para garantir que é mentira?
Talvez vá por aqui! Parece ser a opção mais indicada e adequada: o homem está habituado e é tão convincente ...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Novas tecnologias

As novas tecnologias trouxeram recursos que, há uns anos, só existiam na ficção científica.
A Net proporciona a divulgação e o acesso de (quase) todos a tudo, mesmo aquilo que não tem qualquer interesse. É o "preço" a pagar.
O conhecimento vai, espera-se, prosseguindo a sua caminhada para um destino universal, que permita  a partilha por todos e acabe com o privilégio de ser só de alguns.
Mão amiga (ADS, "made in Colmeal") e habitual nestas partilhas, fez-me chegar este mapa dinâmico, que mostra a evolução das fronteiras da Europa desde os primórdios até aos nossos dias.
E andei eu a estudar geografia por uns "mapitas" em papel e a espreitar para um globo que nem iluminado era ...




terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Auschwitz - 70 anos

Para que a memória permaneça e glorifique sempre as vítimas do terror nazi.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Liberdade

Do Expresso Diário.

"     É talvez um pouco pomposo o que vou dizer, mas prefiro morrer de pé do que viver de joelhos.
CHARB (Stéphane Charbonnier), director do jornal satírico francês Charlie Hebdo, assassinado hoje em Paris, numa entrevista ao Le Monde em 2012."

Em Paris morreram hoje mais de uma dezena de pessoas vítimas de dois fanáticos loucos. 
Nessas mortes vai também um pouco da vida dos que entendem a liberdade, a tolerância e o respeito pelo outro como valores cimeiros, e que desprezam qualquer culto, ideia ou atitude que não os proteja.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Balanço 2014

De forma recorrente e sempre que mais um ano chega ao fim, surge um sem número de "balanços" versando os mais variados temas e formulando os habituais (e muitas vezes cínicos) votos de que o novo seja melhor para todos e traga as venturas que o que parte não repartiu.
Já em 2015, ao som do Concerto de Ano Novo que a RTP 1 transmitiu directamente de Viena, também embarquei e alinhavei meia dúzia de linhas que permanecerão "hibernadas" por aqui e que, espero eu, serão um dia lidas pelos meus vindouros, com um sorriso condescendente para com as limitações que, nessa altura, ainda serão mais evidentes.
O ano de 2014 foi fértil e seria pretensioso querer deixar aqui, mesmo em resumo, referências a tudo o que aconteceu. Ficam apenas as anotações do que vem à lembrança de quem, desde sempre, foi lagartixa na sociedade sem querer ser jacaré e procura, ainda hoje, ser crocodilo no conhecimento.
Ainda não foi em 2014 que se resolveram os grandes problemas do mundo e, ao contrário, muitos deles agravaram-se de tal modo que é difícil prever aonde nos levarão.
A anexação da Crimeia, o conflito na Ucrânia, as guerras religiosas, o novo estado islâmico, a fome e a miséria em África, o desemprego e a frustração na Europa, os desastres aéreos, a mortandade no Mediterrâneo, os "drones", a devassa da privacidade, as negociatas e a lógica dos mercados, os interesses, os meios que justificam os fins, a descida de petróleo para valores que os distintos analistas nunca previram, as taxas de juro ao "preço da chuva", e a economia ... estúpido.
Registe-se, no contraditório, o novo som da Igreja Católica pela voz do Papa Francisco.
Por cá surgiram grandes e inesperadas novidades, com altas figuras a serem condenadas, um ex-primeiro-ministro e vários quadros superiores do Estado detidos e indiciados de um crime que, até aqui, raramente fazia parte da "livraria" judicial. 
Pelo caminho, o Governo preocupa-se por nós e resolve todos os nossos problemas com a autoridade e o saber só ao alcance das mentes escolhidas para esse efeito. Procura vender tudo o que é mal gerido no público e será excelentemente comandado no privado, mesmo que os comandantes sejam os mesmos que sempre tiveram a responsabilidade de dirigir e nunca foram responsabilizados por isso.
Morreu o BES e a Portugal Telecom, a TAP vai seguir o caminho da ANA, da EDP e da REN, entre outras. 
As empresas de trabalho temporário continuam a prosperar, alugando os "escravos" do século XXI por preços cada vez mais competitivos. Os impostos sobem sem dificuldade, as despesas não diminuem nem mesmo de forma simbólica, a saúde e a ciência estão em busca da amargura, seguindo pelas ruas da mesma. 
Existe uma casta de privilegiados que se protege com a mesma manta e um número cada vez maior de pessoas sem emprego, sem esperança mas com futuro garantido ... se abalar daqui.
A Filarmónica de Viena surge, agora, com o início da valsa suprema - Danúbio Azul. Valha-nos isto!
Um esforço contínuo para, tentando estar a par de tudo o que à minha volta se passa, conseguir o isolamento necessário para pensar pela minha cabeça.
Em 2014, para além dos 52 "Expresso", das 52 "Visão" e de igual número das "Gazeta", do JL e do Courrier, li outros jornais e
revistas, incluindo alguns que disso só têm o nome. Ouvi notícias, vi (pouco) cinema, fui ao teatro, a concertos, passeei, deliciei-me com o mar da Foz (já lá fui hoje), trabalhei como sempre (13 horas, pelo menos, entre a partida para e o regresso do), não tive grandes achaques, vi crescer os meus netos e preocupei-me com os meus filhos, mantive comigo pessoas que estão sempre presentes e nunca serão esquecidas.
Conduzi mais de 5 dezenas de milhar de quilómetros, nadei alguns milhares de metros, caminhei umas dezenas largas de quilómetros, vi futebol e alguns outros desportos, reli poesia - Sophia, Torga, Maria Teresa Horta, entre outros. Fiz muitas outras coisas que não recordo e outras que não devo recordar e ainda li 44 novos livros, de acordo com a estatística que os registos informáticos me facultam. 
Tudo isto em 2014! E em 2015, como será?

sábado, 20 de dezembro de 2014

Natal

NATAL

Fiel das horas mortas
desta noite comprida,
pergunto a cada sombra recolhida
que sol figura o lume
que da lareira negra me sorri:
O do calor cristão?
O do calor pagão?
Ou a fogueira é só a combustão
da lenha que acendi?

Presépios, solstícios, divindades ...                                
A versátil natureza do homem, senhor de tudo!
Cria mitos,
Destrói mitos,
Nega os milagres que fez,
e depois, desesperado,
procura o mundo sagrado
nas cinzas da lucidez.
Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 24/12/1972
Diário XI

BOAS FESTAS!


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Música ... doce

O meu amigo ADS faz o favor de partilhar comigo as belezas que lhe chegam por via electrónica. 
Hoje presenteou-me com esta pérola, que alia duas coisas que adoro: a música e ... os doces.
São pouco mais de três minutos. Deliciem-se!