e encerrar-me todo num poema,
não em língua plana mas em língua plena.
e só agora penso.
porque é que nunca olho quando passo defronte de mim mesmo?
para não ver quão pouca luz tenho dentro?
ou o soluço atravessado no rosto velho e furioso,
agora que o penso e vejo mesmo sem espelho?
- cem anos ou quinhentos ou mil anos devorados pelo
fundo e amargo espelho velho:
e penso que só olhar agora ou não olhar é finalmente
o mesmo
Herberto Helder
A morte sem mestre
Herberto Helder faleceu ontem, com 84 anos de idade.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e com dois sentidos de trânsito.Actualização: desde Abril de 2009 o trânsito foi, finalmente, alterado para sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie.
terça-feira, 24 de março de 2015
Palavras bonitas
quinta-feira, 19 de março de 2015
Dia do Pai
Hoje é o Dia do Pai e o meu celebrou 93 anos de vida, com a lucidez suficiente para me recriminar por ter gasto dinheiro a comprar-lhe os chocolates que lhe ofereci e que irá comer com o prazer de sempre.
Nota - Os meus filhos também se lembraram do pai logo pela manhã.
domingo, 8 de março de 2015
Actualidade
Bem prega Frei Tomás: faz sempre como ele diz, nunca como ele faz!
Presunção e água benta, cada um toma a que quer!
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem!
El-Rei errou, mas faça-se o que ele mandou!
Abunda a malícia, onde falta polícia!
(Adágios Populares)
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.
António Aleixo
Este livro que vos deixo
Presunção e água benta, cada um toma a que quer!
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem!
El-Rei errou, mas faça-se o que ele mandou!
Abunda a malícia, onde falta polícia!
(Adágios Populares)
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.
António Aleixo
Este livro que vos deixo
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quarta-feira, 4 de março de 2015
Quotidiano
Dos jornais de hoje.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou que "nas últimas semanas, Espanha e Portugal têm sido muito exigentes em relação à Grécia."
A minha mãe costumava dizer:
- Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu.
Nem de propósito, numa espreitada ao Blog "Tempo Contado", de J. Rentes de Carvalho, dei-me com este "post", publicado pelo escritor na manhã de hoje.
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segunda-feira, 2 de março de 2015
Mãe
Excelente música, pelas mãos de uma grande pianista, para o sossego de uma enorme mulher que partiu há onze anos.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Descobrimentos
O meu amigo VB, grande amante do mar (e da Foz do Arelho), fez-me chegar o "link" para este excelente documentário sobre as descobertas, realizado por António José de Almeida.
São quase 50 minutos com os descobrimentos portugueses, as caravelas, a "dilatação da fé e do império", as viagens "por mares nunca dantes navegados", a ousadia, a coragem, o saber, a vontade, a determinação da gesta que Camões cantou.
Apesar da falta de tempo que cada vez mais nos atormenta, vale a pena ver e ouvir (em écran total) esta lição de história, mesmo que, utilizando a maravilha da tecnologia, isso se faça em pequenas doses e em vários momentos.
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
(...)
Meu riso de dentes podres
ecoou nas setes partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
(...)
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
Poema da malta das naus
António Gedeão
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Zeca Afonso
Passam hoje 28 anos da morte de José Afonso e nem por isso aqueles que tiveram o privilégio de o ver e ouvir se esquecem da sua música e das suas palavras, que mantêm uma actualidade que só os GRANDES conseguem.
A "pen" do carro proporcionou o regresso do trabalho ao som do Zeca, desde as "Baladas e Canções" ao "Coro dos Tribunais", passando pelo "Fura Fura" e pelo "Traz outro amigo também", do qual faz parte esta maravilha, que lhe dá o nome.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
País de sonho
No JL que me chegou esta semana, a autobiografia habitual da contracapa é de Carlos Reis, conhecido intelectual, especialista da obra de Eça de Queirós.
Do texto, interessante, respigo um pequeno extracto que reflecte a frustração sentida por uma parte, significativa, julgo, da minha geração, que teve o sonho de transformar Portugal num país digno e onde fosse possível os nossos filhos viverem mais e melhor do que nós e os nossos pais.
"(...) Depois, foi o que se viu: a 17 de abril, sob a liderança do Alberto Martins, que ainda está na vida pública, a universidade foi virada do avesso. Como iniciação política não podia ser melhor. Das semanas agitadas da crise académica de 1969 ficaram-me imagens que prevalecem até hoje. As boas e as más. Destas, sobrevive a figura sinistra do ministro Hermano Saraiva, com o dedo espetado no preto e branco de uma reprimenda televisiva; muitos anos depois, Saraiva declarou que não se recordava de nada - cargas da GNR, estudantes presos, incorporações militares à força -, amnésia estranha em quem, para muitos (não para mim), foi historiador.
Terminado o curso de Românicas (cinco anos, mais uma tese de 300 páginas, pois então), comecei a ensinar na Universidade. Livrei-me da tropa, o que, para um meu antigo professor, não foi nada bom, vá-se lá saber porquê. Empurrado por esse lapso do Destino, entrei na vida ativa a seguir à revolução de 1974; pertenço, por isso, à geração que viveu a ilusão de mudar o Portugal "remorso de todos nós" (O'Neill, claro), fazendo dele um país mais moderno e mais aberto. Algo se conseguiu, não o nego, mas muitas coisas ficaram por cumprir, outras ameaçam voltar atrás, outras ainda já regrediram, sem apelo nem agravo. Por exemplo, o nosso pequeno mundo cultural, hoje devastado pela tristeza em que os ignorantes que nos regem o fizeram mergulhar. (...)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Quotidiano
Esta noite dormi pouco e a preocupação estendeu-se por todo o dia de hoje, com uma ansiedade indiscritível e não muito habitual ...
Se o meu nome aparece na lista do HSBC, que faço?
Desminto?
Confirmo?
Dou instruções aos meus advogados para processarem Rafael Marques e o seu Maka Angola?
Peço ao Cavaco para garantir que é mentira?
Talvez vá por aqui! Parece ser a opção mais indicada e adequada: o homem está habituado e é tão convincente ...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Novas tecnologias
As novas tecnologias trouxeram recursos que, há uns anos, só existiam na ficção científica.
A Net proporciona a divulgação e o acesso de (quase) todos a tudo, mesmo aquilo que não tem qualquer interesse. É o "preço" a pagar.
O conhecimento vai, espera-se, prosseguindo a sua caminhada para um destino universal, que permita a partilha por todos e acabe com o privilégio de ser só de alguns.
Mão amiga (ADS, "made in Colmeal") e habitual nestas partilhas, fez-me chegar este mapa dinâmico, que mostra a evolução das fronteiras da Europa desde os primórdios até aos nossos dias.
E andei eu a estudar geografia por uns "mapitas" em papel e a espreitar para um globo que nem iluminado era ...
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