quarta-feira, 1 de abril de 2015

Computadores

E não se pode exterminá-los?
Sim, aos sistemas informáticos do Estado?
Primeiro foi o "Citius", nome pomposo pelo qual é conhecido o sistema informático do Ministério da Justiça, que colapsou, deixou todos os Tribunais "à nora" e a Ministra "aos papéis";
depois, surgiu a "Lista VIP", que introduzia alarmes avisadores nas consultas de "contribuintes importantes", entre os quais o Núncio Secretário (de Estado). O objectivo era a salvaguarda de os dados desses "importantes", Cavaco incluído, caírem, na praça pública. Afinal, a Comissão da Protecção de Dados concluiu que, para além dos "servos da gleba" que as Finanças contratam temporariamente, há empresas que manuseiam livremente todos os nossos dados fiscais; 
finalmente, um "erro informático" calculou mal a distribuição dos deputados eleitos nas Regionais da Madeira e deu a maioria absoluta ao PSD, retirou-lha e voltou a dar-lha.
E o que haverá mais por aí?
José Tribolet salientou, em Agosto de 2013, o "risco de caos" na informática do Estado ...

terça-feira, 24 de março de 2015

Palavras bonitas

e encerrar-me todo num poema,
não em língua plana mas em língua plena.

e só agora penso.
porque é que nunca olho quando passo defronte de mim mesmo?
para não ver quão pouca luz tenho dentro?
ou o soluço atravessado no rosto velho e furioso,
agora que o penso e vejo mesmo sem espelho?
- cem anos ou quinhentos ou mil anos devorados pelo
                                     fundo e amargo espelho velho:
e penso que só olhar agora ou não olhar é finalmente
                                                                      o mesmo

Herberto Helder
A morte sem mestre

Herberto Helder faleceu ontem, com 84 anos de idade.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai

Hoje é o Dia do Pai e o meu celebrou 93 anos de vida, com a lucidez suficiente para me recriminar por ter gasto dinheiro a comprar-lhe os chocolates que lhe ofereci e que irá comer com o prazer de sempre.

Nota - Os meus filhos também se lembraram do pai logo pela manhã.

domingo, 8 de março de 2015

Actualidade

Bem prega Frei Tomás: faz sempre como ele diz, nunca como ele faz!
Presunção e água benta, cada um toma a que quer!
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem!
El-Rei errou, mas faça-se o que ele mandou!
Abunda a malícia, onde falta polícia!
(Adágios Populares)

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.
António Aleixo
Este livro que vos deixo

quarta-feira, 4 de março de 2015

Quotidiano

Dos jornais de hoje.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou que "nas últimas semanas, Espanha e Portugal têm sido muito exigentes em relação à Grécia."


A minha mãe costumava dizer:

- Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu.


Nem de propósito, numa espreitada ao Blog "Tempo Contado", de J. Rentes de Carvalho, dei-me com este "post", publicado pelo escritor na manhã de hoje.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Mãe

Excelente música, pelas mãos de uma grande pianista, para o sossego de uma enorme mulher que partiu há onze anos.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Descobrimentos

O meu amigo VB, grande amante do mar (e da Foz do Arelho), fez-me chegar o "link" para este excelente documentário sobre as descobertas, realizado por António José de Almeida.
São quase 50 minutos com os descobrimentos portugueses, as caravelas, a "dilatação da fé e do império", as viagens "por mares nunca dantes navegados", a ousadia, a coragem, o saber, a vontade, a determinação da gesta que Camões cantou.
Apesar da falta de tempo que cada vez mais nos atormenta, vale a pena ver e ouvir (em écran total) esta lição de história, mesmo que, utilizando a maravilha da tecnologia, isso se faça em pequenas doses e em vários momentos.



Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
(...)
Meu riso de dentes podres
ecoou nas setes partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
(...)
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

Poema da malta das naus
António Gedeão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Zeca Afonso

Passam hoje 28 anos da morte de José Afonso e nem por isso aqueles que tiveram o privilégio de o ver e ouvir se esquecem da sua música e das suas palavras, que mantêm uma actualidade que só os GRANDES conseguem.
A "pen" do carro proporcionou o regresso do trabalho ao som do Zeca, desde as "Baladas e Canções" ao "Coro dos Tribunais", passando pelo "Fura Fura" e pelo "Traz outro amigo também", do qual faz parte esta maravilha, que lhe dá o nome.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

País de sonho

No JL que me chegou esta semana, a autobiografia habitual da contracapa é de Carlos Reis, conhecido intelectual, especialista da obra de Eça de Queirós.
Do texto, interessante, respigo um pequeno extracto que reflecte a frustração sentida por uma parte, significativa, julgo, da minha geração, que teve o sonho de transformar Portugal num país digno e onde fosse possível os nossos filhos viverem mais e melhor do que nós e os nossos pais.

"(...) Depois, foi o que se viu: a 17 de abril, sob a liderança do Alberto Martins, que ainda está na vida pública, a universidade foi virada do avesso. Como iniciação política não podia ser melhor. Das semanas agitadas da crise académica de 1969 ficaram-me imagens que prevalecem até hoje. As boas e as más. Destas, sobrevive a figura sinistra do ministro Hermano Saraiva, com o dedo espetado no preto e branco de uma reprimenda televisiva; muitos anos depois, Saraiva declarou que não se recordava de nada - cargas da GNR, estudantes presos, incorporações militares à força -, amnésia estranha em quem, para muitos (não para mim), foi historiador.
Terminado o curso de Românicas (cinco anos, mais uma tese de 300 páginas, pois então), comecei a ensinar na Universidade. Livrei-me da tropa, o que, para um meu antigo professor, não foi nada bom, vá-se lá saber porquê. Empurrado por esse lapso do Destino, entrei na vida ativa a seguir à revolução de 1974; pertenço, por isso, à geração que viveu a ilusão de mudar o Portugal "remorso de todos nós" (O'Neill, claro), fazendo dele um país mais moderno e mais aberto. Algo se conseguiu, não o nego, mas muitas coisas ficaram por cumprir, outras ameaçam voltar atrás, outras ainda já regrediram, sem apelo nem agravo. Por exemplo, o nosso pequeno mundo cultural, hoje devastado pela tristeza em que os ignorantes que nos regem o fizeram mergulhar. (...)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Quotidiano

Esta noite dormi pouco e a preocupação estendeu-se por todo o dia de hoje, com uma ansiedade indiscritível e não muito habitual ...
Se o meu nome aparece na lista do HSBC, que faço?
Desminto?
Confirmo?
Dou instruções aos meus advogados para processarem Rafael Marques e o seu Maka Angola?
Peço ao Cavaco para garantir que é mentira?
Talvez vá por aqui! Parece ser a opção mais indicada e adequada: o homem está habituado e é tão convincente ...