quarta-feira, 24 de junho de 2015

NETOS

Começa hoje um período de efemérides sem primeiras páginas nem alaridos televisivos, mas muito caras para quem escreve estas linhas. 
Durará até ao dia 20 de Julho e os motivos que lhe dão origem têm, em si mesmo, razões de sobra para que a festa seja rija e fique na memória dos protagonistas e também na minha.
O meu neto mais novo - DUARTE - faz hoje 3 anos; no próximo dia 5, o mais velho - GIL - completará 9 e no dia 20, o do meio - VASCO - chegará às 4 primaveras.
E tudo isto em menos de um mês! Emoções enormes para um coração que já vai tendo algumas dificuldades de as controlar.
Três "rapazolas" tão diferentes, que fazem as delícias do avô (babado) e de todos os que lhe estão próximos.
Hoje, parabéns ao DUDU, que o dia é todo dele!

FRUTOS

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
Ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.
Eugénio de Andrade

Os últimos versos do grande Eugénio de Andrade podiam ser substituídos pelo Dudu assim:

deixai-me agora falar
daquilo que me fascina,
pelas pontes, pela cor,
pelo prazer de brincar:
"palicina, palicina."

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Palavras bonitas

GRITO NEGRO

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
e queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

José Craveirinha

A cópia do manuscrito deste poema encontra-se na Exposição "Casa dos Estudantes do Império", patente na galeria de exposições da Câmara Municipal de Lisboa.
A exposição, que tem como curador o caldense Jorge Mangorrinha, é uma iniciativa da UCCLA e manter-se-á aberta ao público, com entrada grátis, até ao dia 25 de Junho próximo.


Bethânia

50 anos de carreira, duas horas em palco apenas com um pequeno intervalo para trocar de roupa, canções, muitas, algumas "velhos" clássicos com nova roupagem, outras novas, cantadas de seguida, quase sem deixar espaço para os aplausos.
Mais um excelente concerto de Maria Bethânia a que tive o privilégio de assistir, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, ainda por cima com bilhetes oferecidos pelos meus filhos.
"Abraçar e Agradecer"

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Quotidiano

Na época em que a electrónica comanda a nossa vida, nada melhor do que um escrito público para transmitir o que vai na alma.
Numa das paredes da estação do Metro do Terreiro do Paço está escrito:

"Será que ainda acreditas?
'tá-se a tornar tão raro ver-te nestes dias."


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Palavras bonitas

ARTE DE PONTARIA

Invadiram os séculos que estão dentro de nós
invadiram a língua o canto o ritmo
antes fossem exércitos fardados
antes as botas de um invasor visível
não esses missionários da nova fé
com seus mercados sobre os nossos ombros
e seus discursos de sílabas pontiagudas
para gente de espinha de curvar.
Quando eles falam o céu fica cinzento
e há um rasto de cinza e desamparo.
Apetece pegar no poema
e disparar.

Manuel Alegre
Bairro Ocidental

sexta-feira, 8 de maio de 2015

sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril

Há 40 anos que a liberdade e eu comemoramos, em conjunto, o nosso aniversário.
Fiz 22 anos no dia em que ela nasceu (como o tempo passa) e só no início da noite desse dia consegui descansar os meus mais próximos com a informação de que estava "bem e recomendava-me". A minha mãe, que se tinha deslocado a Leiria para um exame médico (que não realizou), deve ter sofrido muito ao saber que havia problemas em Lisboa e o seu filho estava lá.
Espero que a festa continue por muitos anos para mim (nunca sejas pobre a pedir) mas desejo que para a minha "companheira" de aniversário não haja fim, a bem de todos. A "escuridão" que por aqui passou foi de sobra ...
Paradoxalmente, ontem surgiram notícias de que uns arautos disciplinadores pretendiam controlar, aprovar ou ver antes o que a comunicação social pretendia produzir por ocasião das eleições. Felizmente parece terem metido "a viola no saco".

domingo, 19 de abril de 2015

José Mariano Gago

Não tive o privilégio da jornalista Teresa de Sousa, que o conheceu de perto e em situações que já fazem parte da história, embora alguns pretendam que não passem do seu rodapé.
Mas sei, por experiência vivida aqui por casa, o que representou o trabalho de Mariano Gago em prol da Ciência e da Educação, com letra grande, claro, em homenagem a quem abriu um caminho que, depois de "asfaltado", se quer trazer de novo à "terra batida".
Mariano Gago era, ele sim, a Excelência, e seguramente dispensaria os elogios hipócritas e bacocos que por aí proliferaram.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Recusar parar

No J L de hoje, o Professor Galopim de Carvalho, que completará 84 anos no próximo dia 11 de Agosto, publica quatro "páginas" de um Diário, com o título que lhe "roubo", e que começa em 26 de Abril de 1974 e termina em 22 de Março de 2015, com o seguinte texto:

22 de Março de 2015
Por mais negras e cerradas que sejam as nuvens, há sempre sol e céu azul por cima delas. 
Esta afirmação é tão imediata e evidente que já vários a disseram ou escreveram, nesta ou noutra forma com idêntico sentido. Vem ela a propósito de um pensamento que, nos últimos tempos, me assola constantemente, quer em casa, ao abrir os jornais ou durante os noticiários da rádio ou da TV, quer na rua, face aos comentários de muitos com quem todos os dias me cruzo. E esse pensamento envolve este Portugal a viver tempos de indecoroso aviltamento, mercê de uma certa elite, entre políticos e grandes nomes do Direito e das Finanças que, de há décadas, numa promiscuidade interesseira, descarada e impune, nos está a conduzir, decidida e conscientemente, no caminho do empobrecimento económico e também, estupidamente, no do definhamento científico e cultural.
Tudo isto perante a passividade de um povo "imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio", como escreveu o grande Guerra Junqueiro, há mais de um século, e sob a magistratura conivente de um Presidente da República que de há muito deixou de ser o representante de todos os portugueses. Mantidos incultos, muitos deles analfabetos funcionais, alienados pelo futebol e pelos programas televisivos de entretenimento que nos impõem e nos entram pela casa dentro a toda a hora e, ainda, marcados por receios antigos, são muitos os portugueses que não ousam questionar um poder que os despreza e maltrata e muitos também os que, sem saberem porquê, lhe fazem respeitosa e submissa vénia.
Como nos aviões que, ao ganharem altitude, atravessam a cobertura de nuvens e atingem o esplendor do pleno azul, temos de encontrar forma, dentro da democracia, de romper com esta triste escuridão em que, com excepção de uns tantos privilegiados, fomos levados a viver.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Computadores

E não se pode exterminá-los?
Sim, aos sistemas informáticos do Estado?
Primeiro foi o "Citius", nome pomposo pelo qual é conhecido o sistema informático do Ministério da Justiça, que colapsou, deixou todos os Tribunais "à nora" e a Ministra "aos papéis";
depois, surgiu a "Lista VIP", que introduzia alarmes avisadores nas consultas de "contribuintes importantes", entre os quais o Núncio Secretário (de Estado). O objectivo era a salvaguarda de os dados desses "importantes", Cavaco incluído, caírem, na praça pública. Afinal, a Comissão da Protecção de Dados concluiu que, para além dos "servos da gleba" que as Finanças contratam temporariamente, há empresas que manuseiam livremente todos os nossos dados fiscais; 
finalmente, um "erro informático" calculou mal a distribuição dos deputados eleitos nas Regionais da Madeira e deu a maioria absoluta ao PSD, retirou-lha e voltou a dar-lha.
E o que haverá mais por aí?
José Tribolet salientou, em Agosto de 2013, o "risco de caos" na informática do Estado ...