terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Viagem

Fazer cerca de duzentos quilómetros diários conduzindo uma máquina perigosa como é o automóvel é tarefa que exige bastante, do ponto de vista físico (a coluna que o diga) e psicológico, e exige estratégias que permitam que o tempo de viagem flua sem se dar muito por ele.
Para além da chuva, miudinha ou violenta (como na manhã de ontem), do vento, do calor, dos sustos e de tudo o mais que condiciona qualquer viagem, a concentração é vital para que corra bem e se chegue "inteiro". 
De manhã (bem cedo), a curiosidade das notícias "frescas" e a genica do princípio do dia "condimentada" pelo duche matinal faz com que "meia" viagem passe a correr. Na segunda metade, a necessidade de companhia menos monocórdica e sem desgraças obriga à busca de música que agrade e seja compincha, umas vezes da rádio (Antena 2), outras do arquivo que a "pen" mantém sempre disponível.,
Habitualmente, na "pen", selecciono o modo aleatório de reprodução, que oferece uma mistura de géneros e de artistas e evita a dificuldade de escolha. Hoje resolvi alterar a rotina e recordei, quase por inteiro, (o resto fica para amanhã) um velho disco - Nana Classical - de Nana Mouskouri, uma grega que já passou dos oitenta e que, na década de setenta do século passado, me encheu as medidas.
Fica apenas uma amostra. No youtube, estão todas as músicas e de borla!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Natal



Para ilustrar os votos de Boas Festas para todos, um "postal" caseiro, elaborado por um péssimo fotógrafo com a colaboração de uma câmara de telemóvel, onde surgem três elementos que valem por si, mesmo mal tratados: a letra de uma canção popular de Natal, a praia da Foz do Arelho e a árvore com que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha e a Associação Comercial nos presentearam neste ano.


BOAS FESTAS!  FELIZ NATAL! EXCELENTE 2016

domingo, 20 de dezembro de 2015

Clarabóia

Ontem visitei o prédio que José Saramago descreveu e registou em Clarabóia e que Maria do Céu Guerra "edificou" n'A Barraca, em mais um grande espectáculo do grupo que se mantém a fazer bom teatro, no Largo de Santos, há quase quarenta anos.
No final, Maria do Céu Guerra, Pilar Del Rio e Hélder Costa conversaram com os espectadores, contaram "estórias", dificuldades, coloquiaram. 
Céu Guerra deu umas "pinceladas" sobre quão difícil deve ter sido (eu nem imagino) colocar em cena, simultânea, seis casas com habitantes tão diferentes e com personagens tão fortes. A uma pergunta (de Vítor de Sousa, também ele um homem do Teatro e da Poesia), sobre haver a possibilidade de fazer o espectáculo viajar pelo país e, nomeadamente, ir ao Porto, Céu Guerra respondeu:
- " Haver até talvez houvesse. O "construtor" disse-me que sim, que era possível, mas custava muito dinheiro. E há tão pouco ..."
Vão ver, que vale a pena!
E não guardem para muito tarde. Em Fevereiro pode já não estar em cena!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Palavras bonitas

CONDIÇÃO

A onda vem, lambe o areal e parte;
A mágoa vem, morde o meu corpo e fica;
A mágoa ateima, ateima, e quer ser arte,
A onda envergonhou-se de ser bica.

E nem a areia seca se revolta,
Nem o meu corpo pode protestar;
A onda anda no mar, à solta,
E a mágoa já tem casa onde morar.

Forças sem coração e sem governo
Jogam no pano que lhes apetece;
Pobre de quem padece
O seu capricho eterno ...

Miguel Torga
Diário III
Lavadores, 11 de Agosto de 1946

sábado, 28 de novembro de 2015

O Natal e o Mundo

Hoje contribuí para a UNICEF, ajudei o Banco Alimentar e participei numa campanha de Crowdfunding, sempre com a sensação de que, se calhar, nem sequer ajudo a resolver nada, tal é a dimensão das necessidades. Mas, por outro lado, sinto-me obrigado a partilhar alguma coisa, quando há tanta gente com muito menos do que eu.
Entretanto, um amigo (AS) que me "abastece" habitualmente de mail's dos mais variados géneros, fez-me chegar o endereço da curta metragem que aqui partilho, realizada em 2006 por Ferdinand Dimadura.
Que raio de sociedade que nunca mais se altera!.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Impertinência (5)

Depois de muita ponderação, análise, audições, conversas, certezas e, por certo, muito diálogo com o travesseiro deglutindo pastilhas Kompensan, a indigitação do novo Primeiro Ministro foi efectuada, 51 dias após a Assembleia da República ter sido eleita.
E tudo isto apesar de o inquilino de Belém (em final de prazo), ter estudado todos os cenários possíveis.
Imagine-se o que aconteceria se o estudo não tivesse sido tão profundo e tenhamos esperança que o discurso da tomada de posse não demore tanto tempo a escrever quanto a decisão tardou!

sábado, 14 de novembro de 2015

Livros (lidos ou em vias disso)

(...)
Desde menina me incumbiram de uma missão que deveria caber a um rapaz: subir às figueiras para capturar morcegos e lhes arrancar as asas, sem que fosse mordida pelos seus pestilentos dentes. As membranas das asas, depois de secas, forravam as caixas de ressonância. Esse era o segredo mais valioso da receita paterna para o fabrico de marimbas. (...)
No ramos mais altos reuniam-se as fêmeas que amamentavam os filhotes. De tal modo se pareciam com pequenas pessoas que eu evitava enfrentá-las nos olhos para não fraquejar no meu intuito caçador. Aquele sentimento de compaixão foi-se avolumando à medida que em mim cresciam sonhos de maternidade. Até que, daquela vez, frente ao tronco que devia escalar, ganhei coragem para declarar:
- Desculpe, pai. Mas eu não volto lá em cima nunca mais.
O meu velhote admirou-se com a minha atitude. (...)
E ele, surpreendentemente, aceitou a minha recusa.
- Está com pena dos morcegos? Eu entendo, minha filha. E vou-lhe dizer por que percebo muito bem essa sua recusa.
E contou-me uma história antiga, que escutara dos seus avós. Naquele tempo, os morcegos cruzavam os céus com a vaidade de se acreditarem criaturas sem semelhança neste mundo. Certa vez, um morcego tombou ferido numa encruzilhada de caminhos. Passaram por ali os pássaros e disseram: olha, um dos nossos! Vamos ajudá-lo! E levaram-no para o reino dos pássaros. O rei das aves, porém, ao ver o morcego moribundo comentou: ele tem pelos e dentes, não é dos nossos, levem-no daqui para fora. E o pobre morcego foi depositado no lugar onde havia tombado. Passaram os ratos e disseram: olha, é um dos nossos, vamos salvá-lo! E conduziram-no à presença do rei dos ratos que proclamou: tem asas, não é dos nossos. Levem-no de volta! E conduziram o agonizante morcego para o fatídico entroncamento. E ali morreu, só e desamparado, aquele que quis pertencer a mais do que um mundo.
Era evidente a moralidade da fábula. Por isso estranhei a sua pergunta, no final:
- Entendeu, filha?
- Acho que sim.
- Duvido. Porque esta história não é sobre morcegos. É sobre você, Imani. Você e os mundos que se misturam dentro de si.
Mia Couto
Mulheres de Cinza
Caminho (Out.2015)

Terrorismo

Há mais de 50 anos aprendi e "cantei" esta canção, com os colegas que comigo partilhavam as aulas de Francês da saudosa Doutora Alice Carvalho.




Hoje, não preciso da caneta do meu amigo Pierrot para escrever que não há nada, mesmo nada, que justifique actos semelhantes aos que uns quantos bárbaros ontem levaram a cabo na capital francesa.
Oui, je suis français!
Liberté.Égalité.Fraternité.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Impertinência (4)

Caiu, com estrondo e ameaças "irrevogáveis"!
Deseja-se que corra bem; poderá correr assim-assim ou mesmo mal, mas pior deve ser difícil!
Já teve um mérito: afinal o "restaurante" é de todos os "comensais" e o "reservado o direito de admissão" do antigamente ainda não voltou.
Concluiu-se que os 230 deputados foram eleitos por votos iguais e, por muito azia que isso cause, nenhum dos eleitos é de "segunda".
Hoje, lá para os lados de Belém, os pastéis são substituídos por chá de hipericão!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Impertinência (3)

A crise na construção civil vai terminar!
As empresas que foram para Angola e agora regressam por falta de trabalho (leia-se dólares), poderão  marchar por essa Europa fora e colaborar activamente na construção dos muros que hão-de segurar os refugiados do Médio Oriente. Estes, teimosos, mantêm a ideia fixa de fugir à guerra, como se isso tivesse algum nexo e fosse necessário.
Pergunta-se:
  • A União Europeia subsidiará estes investimentos?
  • Cavaco incentivará o novo Governo a apoiar este potencial de desenvolvimento industrial?