quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vergílio Ferreira - Centenário

Parece que foi ontem e já lá vão mais de 40 anos!
Hoje era notícia na rádio, logo pela manhã bem cedinho, que Vergílio Ferreira nasceu há 100 anos. 
Foi um escritor que me fez companhia no início da década de 70, antes e durante o serviço militar.
Lembrei-me de vários livros e saltou a imagem de Nítido Nulo, de que gostei muito e, tinha a certeza, me fartei de sublinhar. 
É estranha a memória: a "gaveta" mais antiga é nítida, a de ontem é nula.
Logo que cheguei fui à estante e lá estava: edição de 1972, da Portugália, cheio de sublinhados a lápis, como este:
"(...) Nos problemas que nos pomos e na antecipada solução deles, que é por onde um problema começa. Ou na não solução deles quando escolhemos problemas para a não terem.(...)"
ou este:
"(...)Ele já não fuma, esquecia-me, é um indivíduo sem vícios. São terríveis os homens sem um pequeno vício qualquer a atestar-lhes a fraqueza de seres humanos, a canalizar os vícios grandes.(...)"
e ainda este:
"(...) E outra vez os juízes, os carrascos, os energúmenos da razão - porque é que se há-de querer sempre ter razão? A razão é uma putéfia, abre a perna a quem lhe paga.(...)"
Vergílio Ferreira
Nítido Nulo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Presidenciais

E pronto! 
Contados os votos, Marcelo será o Presidente de todos os portugueses nos próximos cinco anos, mesmo daqueles que nele não votaram. E, como diria o Tiririca, "pior não fica".
Façamos votos para que, rapidamente, faça esquecer o actual inquilino, que a história registará (se tiver algum espaço disponível) apenas como o homem que, aproveitando a rodagem de um carro, se tornou a personagem que mais anos ocupou as cadeiras do poder desde Abril de 74, eleito sempre por uma maioria significativa de cidadãos. Nada a dizer, porquanto foi sempre por vontade expressa do povo. 
E não era político! Olha se fosse ...

sábado, 23 de janeiro de 2016

Presidenciais

Na véspera de umas eleições cujo resultado é, há muito, dado como adquirido, vale a pena manter o hábito bem antigo de ler o Expresso só para ver (mais) um cartoon deste nível.
O espírito crítico e mordaz de António ao seu melhor nível.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Balanço 2015

Mais um ano chegou ao fim e, por isso, fica bem aqui um registo, em jeito de balanço, não exaustivo nem choramingas, antes objectivo e circunscrito, e apenas ... porque sim.
A consulta ao programa informático que gere a minha "biblioteca" devolve 42 livros lidos em 2015, apesar de (ainda) não estar reformado. Alguns, poucos, são releituras e a grande maioria, romances. Predominam os autores portugueses contemporâneos, muitos já consagrados nomes das nossas letras.
Não revelo se gostei mais deste ou daquele, se esperava mais do último ou do anterior. Digo apenas: gosto de ler e leio mesmo e, em 2015, ainda fiz muitas outras coisas, boas e más, que me dispenso de "balancear"!
Bom Ano de 2016 ... num tempo que se espera novo.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Viagem

Fazer cerca de duzentos quilómetros diários conduzindo uma máquina perigosa como é o automóvel é tarefa que exige bastante, do ponto de vista físico (a coluna que o diga) e psicológico, e exige estratégias que permitam que o tempo de viagem flua sem se dar muito por ele.
Para além da chuva, miudinha ou violenta (como na manhã de ontem), do vento, do calor, dos sustos e de tudo o mais que condiciona qualquer viagem, a concentração é vital para que corra bem e se chegue "inteiro". 
De manhã (bem cedo), a curiosidade das notícias "frescas" e a genica do princípio do dia "condimentada" pelo duche matinal faz com que "meia" viagem passe a correr. Na segunda metade, a necessidade de companhia menos monocórdica e sem desgraças obriga à busca de música que agrade e seja compincha, umas vezes da rádio (Antena 2), outras do arquivo que a "pen" mantém sempre disponível.,
Habitualmente, na "pen", selecciono o modo aleatório de reprodução, que oferece uma mistura de géneros e de artistas e evita a dificuldade de escolha. Hoje resolvi alterar a rotina e recordei, quase por inteiro, (o resto fica para amanhã) um velho disco - Nana Classical - de Nana Mouskouri, uma grega que já passou dos oitenta e que, na década de setenta do século passado, me encheu as medidas.
Fica apenas uma amostra. No youtube, estão todas as músicas e de borla!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Natal



Para ilustrar os votos de Boas Festas para todos, um "postal" caseiro, elaborado por um péssimo fotógrafo com a colaboração de uma câmara de telemóvel, onde surgem três elementos que valem por si, mesmo mal tratados: a letra de uma canção popular de Natal, a praia da Foz do Arelho e a árvore com que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha e a Associação Comercial nos presentearam neste ano.


BOAS FESTAS!  FELIZ NATAL! EXCELENTE 2016

domingo, 20 de dezembro de 2015

Clarabóia

Ontem visitei o prédio que José Saramago descreveu e registou em Clarabóia e que Maria do Céu Guerra "edificou" n'A Barraca, em mais um grande espectáculo do grupo que se mantém a fazer bom teatro, no Largo de Santos, há quase quarenta anos.
No final, Maria do Céu Guerra, Pilar Del Rio e Hélder Costa conversaram com os espectadores, contaram "estórias", dificuldades, coloquiaram. 
Céu Guerra deu umas "pinceladas" sobre quão difícil deve ter sido (eu nem imagino) colocar em cena, simultânea, seis casas com habitantes tão diferentes e com personagens tão fortes. A uma pergunta (de Vítor de Sousa, também ele um homem do Teatro e da Poesia), sobre haver a possibilidade de fazer o espectáculo viajar pelo país e, nomeadamente, ir ao Porto, Céu Guerra respondeu:
- " Haver até talvez houvesse. O "construtor" disse-me que sim, que era possível, mas custava muito dinheiro. E há tão pouco ..."
Vão ver, que vale a pena!
E não guardem para muito tarde. Em Fevereiro pode já não estar em cena!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Palavras bonitas

CONDIÇÃO

A onda vem, lambe o areal e parte;
A mágoa vem, morde o meu corpo e fica;
A mágoa ateima, ateima, e quer ser arte,
A onda envergonhou-se de ser bica.

E nem a areia seca se revolta,
Nem o meu corpo pode protestar;
A onda anda no mar, à solta,
E a mágoa já tem casa onde morar.

Forças sem coração e sem governo
Jogam no pano que lhes apetece;
Pobre de quem padece
O seu capricho eterno ...

Miguel Torga
Diário III
Lavadores, 11 de Agosto de 1946

sábado, 28 de novembro de 2015

O Natal e o Mundo

Hoje contribuí para a UNICEF, ajudei o Banco Alimentar e participei numa campanha de Crowdfunding, sempre com a sensação de que, se calhar, nem sequer ajudo a resolver nada, tal é a dimensão das necessidades. Mas, por outro lado, sinto-me obrigado a partilhar alguma coisa, quando há tanta gente com muito menos do que eu.
Entretanto, um amigo (AS) que me "abastece" habitualmente de mail's dos mais variados géneros, fez-me chegar o endereço da curta metragem que aqui partilho, realizada em 2006 por Ferdinand Dimadura.
Que raio de sociedade que nunca mais se altera!.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Impertinência (5)

Depois de muita ponderação, análise, audições, conversas, certezas e, por certo, muito diálogo com o travesseiro deglutindo pastilhas Kompensan, a indigitação do novo Primeiro Ministro foi efectuada, 51 dias após a Assembleia da República ter sido eleita.
E tudo isto apesar de o inquilino de Belém (em final de prazo), ter estudado todos os cenários possíveis.
Imagine-se o que aconteceria se o estudo não tivesse sido tão profundo e tenhamos esperança que o discurso da tomada de posse não demore tanto tempo a escrever quanto a decisão tardou!