domingo, 7 de fevereiro de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Após as dores, as doenças, as fobias, as depressões e mais uma infinidade de maleitas trazidas por Philip Roth em "A lição de Anatomia" (D.Quixote, 2015), começa uma viagem ao Séc. XVIII, pela pena de Mário de Carvalho, num romance histórico escrito há já mais de 30 anos e agora reeditado pela Porto Editora.
A descrição da atribulada viagem,  pelos caminhos difíceis de então (serão fáceis agora?), que leva o Conde de Fróis (filho) e o seu séquito a um desterro na fortaleza de S. Gens, lá bem perto da raia de Espanha, termina assim:

"(...) Acabaram por entrar na vila, de cavalos pela rédea, galgando um declive formado por destroços de muralha derrubada. Uma mulher passou, com um feixe de vime à cabeça, salvou e ficou-se a olhar, muito descarada, sem manifestar especial estranheza com a presença dos intrusos, nota de que aquela entrada era caminho vezeiro.
Foram dar com o primeiro soldado encostado ao portal da igreja. O homem, desgrenhado e farroupilha, olhou para ambos, azamboado, sem atinar com o que fazer. Depois, silenciosamente, com um sorriso equívoco, de beiço esborcinado, estendeu por instinto uma mão de esmola, primeiro gesto que lhe ocorreu antes que o capitão o expulsasse do adro a poder de biqueira.
Não tardou e a notícia alvoroçava a vila. O conde e o capitão, parados a meio do adro, viram-se rodeados por uma chusma silenciosa de basbaques, entre os quais sobressaía, aqui e além, o vermelho sujo de uma farda.
A escolta, entretanto, reboava pela porta de armas, com carros e bagagens, sem que alguém lhe pedisse senha, e vinha formar na parada, com ordem e lustro, suscitando o maior espavento da multidão apinhada pelas ruas.
Só então, numa carreira esbaforida, de talabartes ainda soltos, os oficiais da praça vieram prestar preito ao comandante, que se ficou por lhe virar as costas."(...)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Netos (quarto)

MENINO

No colo da mãe
a criança
vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança. (...)
Manuel da Fonseca


Apetecia-me repetir, com a devida adaptação, o que por aqui escrevi, há cerca de 10 anos, quando chegou o Gil; ou o que deixei expresso quando o Vasco "aportou" ao porto seguro dos papás; ou ainda o que registei no dia de S. João de 2012, à chegada do Duarte, que hoje foi brindado com um mano.
Chegou o Miguel! Junta-se ao mano e aos primos e vai, seguramente, fazer as delícias de todos eles e também as de todos nós.
Por mim, e apesar do "saber da experiência feito", confesso que ainda por cá andou uma ansiedade latente, que só descarregou por volta das seis da tarde, quando chegou a notícia de que estava tudo bem e havia mais um homem na família.
Cá o espero, de braços abertos, a contar com o "abracinho" que só os netos sabem dar!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Humor e arte

"Uma imagem vale mais que mil palavras."
O humor e arte de António comprova-o, uma vez mais, na página dois do Expresso desta semana.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vergílio Ferreira - Centenário

Parece que foi ontem e já lá vão mais de 40 anos!
Hoje era notícia na rádio, logo pela manhã bem cedinho, que Vergílio Ferreira nasceu há 100 anos. 
Foi um escritor que me fez companhia no início da década de 70, antes e durante o serviço militar.
Lembrei-me de vários livros e saltou a imagem de Nítido Nulo, de que gostei muito e, tinha a certeza, me fartei de sublinhar. 
É estranha a memória: a "gaveta" mais antiga é nítida, a de ontem é nula.
Logo que cheguei fui à estante e lá estava: edição de 1972, da Portugália, cheio de sublinhados a lápis, como este:
"(...) Nos problemas que nos pomos e na antecipada solução deles, que é por onde um problema começa. Ou na não solução deles quando escolhemos problemas para a não terem.(...)"
ou este:
"(...)Ele já não fuma, esquecia-me, é um indivíduo sem vícios. São terríveis os homens sem um pequeno vício qualquer a atestar-lhes a fraqueza de seres humanos, a canalizar os vícios grandes.(...)"
e ainda este:
"(...) E outra vez os juízes, os carrascos, os energúmenos da razão - porque é que se há-de querer sempre ter razão? A razão é uma putéfia, abre a perna a quem lhe paga.(...)"
Vergílio Ferreira
Nítido Nulo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Presidenciais

E pronto! 
Contados os votos, Marcelo será o Presidente de todos os portugueses nos próximos cinco anos, mesmo daqueles que nele não votaram. E, como diria o Tiririca, "pior não fica".
Façamos votos para que, rapidamente, faça esquecer o actual inquilino, que a história registará (se tiver algum espaço disponível) apenas como o homem que, aproveitando a rodagem de um carro, se tornou a personagem que mais anos ocupou as cadeiras do poder desde Abril de 74, eleito sempre por uma maioria significativa de cidadãos. Nada a dizer, porquanto foi sempre por vontade expressa do povo. 
E não era político! Olha se fosse ...

sábado, 23 de janeiro de 2016

Presidenciais

Na véspera de umas eleições cujo resultado é, há muito, dado como adquirido, vale a pena manter o hábito bem antigo de ler o Expresso só para ver (mais) um cartoon deste nível.
O espírito crítico e mordaz de António ao seu melhor nível.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Balanço 2015

Mais um ano chegou ao fim e, por isso, fica bem aqui um registo, em jeito de balanço, não exaustivo nem choramingas, antes objectivo e circunscrito, e apenas ... porque sim.
A consulta ao programa informático que gere a minha "biblioteca" devolve 42 livros lidos em 2015, apesar de (ainda) não estar reformado. Alguns, poucos, são releituras e a grande maioria, romances. Predominam os autores portugueses contemporâneos, muitos já consagrados nomes das nossas letras.
Não revelo se gostei mais deste ou daquele, se esperava mais do último ou do anterior. Digo apenas: gosto de ler e leio mesmo e, em 2015, ainda fiz muitas outras coisas, boas e más, que me dispenso de "balancear"!
Bom Ano de 2016 ... num tempo que se espera novo.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Viagem

Fazer cerca de duzentos quilómetros diários conduzindo uma máquina perigosa como é o automóvel é tarefa que exige bastante, do ponto de vista físico (a coluna que o diga) e psicológico, e exige estratégias que permitam que o tempo de viagem flua sem se dar muito por ele.
Para além da chuva, miudinha ou violenta (como na manhã de ontem), do vento, do calor, dos sustos e de tudo o mais que condiciona qualquer viagem, a concentração é vital para que corra bem e se chegue "inteiro". 
De manhã (bem cedo), a curiosidade das notícias "frescas" e a genica do princípio do dia "condimentada" pelo duche matinal faz com que "meia" viagem passe a correr. Na segunda metade, a necessidade de companhia menos monocórdica e sem desgraças obriga à busca de música que agrade e seja compincha, umas vezes da rádio (Antena 2), outras do arquivo que a "pen" mantém sempre disponível.,
Habitualmente, na "pen", selecciono o modo aleatório de reprodução, que oferece uma mistura de géneros e de artistas e evita a dificuldade de escolha. Hoje resolvi alterar a rotina e recordei, quase por inteiro, (o resto fica para amanhã) um velho disco - Nana Classical - de Nana Mouskouri, uma grega que já passou dos oitenta e que, na década de setenta do século passado, me encheu as medidas.
Fica apenas uma amostra. No youtube, estão todas as músicas e de borla!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Natal



Para ilustrar os votos de Boas Festas para todos, um "postal" caseiro, elaborado por um péssimo fotógrafo com a colaboração de uma câmara de telemóvel, onde surgem três elementos que valem por si, mesmo mal tratados: a letra de uma canção popular de Natal, a praia da Foz do Arelho e a árvore com que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha e a Associação Comercial nos presentearam neste ano.


BOAS FESTAS!  FELIZ NATAL! EXCELENTE 2016

domingo, 20 de dezembro de 2015

Clarabóia

Ontem visitei o prédio que José Saramago descreveu e registou em Clarabóia e que Maria do Céu Guerra "edificou" n'A Barraca, em mais um grande espectáculo do grupo que se mantém a fazer bom teatro, no Largo de Santos, há quase quarenta anos.
No final, Maria do Céu Guerra, Pilar Del Rio e Hélder Costa conversaram com os espectadores, contaram "estórias", dificuldades, coloquiaram. 
Céu Guerra deu umas "pinceladas" sobre quão difícil deve ter sido (eu nem imagino) colocar em cena, simultânea, seis casas com habitantes tão diferentes e com personagens tão fortes. A uma pergunta (de Vítor de Sousa, também ele um homem do Teatro e da Poesia), sobre haver a possibilidade de fazer o espectáculo viajar pelo país e, nomeadamente, ir ao Porto, Céu Guerra respondeu:
- " Haver até talvez houvesse. O "construtor" disse-me que sim, que era possível, mas custava muito dinheiro. E há tão pouco ..."
Vão ver, que vale a pena!
E não guardem para muito tarde. Em Fevereiro pode já não estar em cena!