Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e com dois sentidos de trânsito.Actualização: desde Abril de 2009 o trânsito foi, finalmente, alterado para sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Quotidiano
A resolução do Banif, tal como o acontecido no BPN, no BPP e no BES, só tem um culpado: o Sebastião, que viveu no Século XVIII, foi Ministro de D. José e, lá do alto do seu pedestal, vê tudo e não avisa ninguém.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Dia Mundial da Poesia
QUANDO
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
ABRIL
Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.
E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.
Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
ABRIL
Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.
E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.
Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar
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sábado, 19 de março de 2016
Dia do Pai
Hoje é (era) o Dia do (meu) Pai!
Ponta Seca
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Miguel Torga
Diário VI (05.04.1952)
Ponta Seca
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Miguel Torga
Diário VI (05.04.1952)
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sábado, 12 de março de 2016
Cavaco
Tinha prometido a mim mesmo que não gastaria mais "tinta" neste espaço de modesta reflexão com o "inquilino" que deixou o Palácio de Belém no passado dia 9, curiosamente dia de aniversário da minha primogénita. E não era por não ter ideias sobre o homem que, não sendo político, ocupou durante 10 anos o cargo de Primeiro-Ministro e, após uma primeira derrota em 1996, foi eleito Presidente da República e também por lá esteve mais uma dezena, sempre votado pelo povo que o detesta (?), pairando sobre nós qual cagarro sobrenatural e sobredotado, sabendo de tudo e de nada, com uma capacidade de ver à distância através de avisos inócuos, destilando ódio e raiva sem precedentes e sem qualquer cabimento numa sociedade plural e democrática, como se quer que seja o país restaurado em Abril.
Mas Miguel Sousa Tavares, com o brilhantismo que lhe reconheço mesmo quando dele discordo, escreveu na sua crónica de hoje no Expresso a história factual do cavaquismo, num texto que vale a pena ler com atenção e na íntegra e do qual respigo alguns parágrafos. Talvez um dia, se se interessarem por isto, os meus netos interpretem o avô, o seu pensamento, as suas convicções, e dele discordem em tudo, com convém ao progresso.
(...)
Cavaco tomou o poder, derrubando facilmente o desgastado governo do Bloco Central de Mário Soares e Mota Pinto, de caminho humilhando e crucificando quem, no seu partido, se atrevera a coligar-se com os socialistas numa hora de emergência - em que ele esteve prudentemente ausente.(...)
Mas o Governo que ele derrubou deixou-lhe uma preciosa herança, uma verdadeira mina de ouro: o fluxo sem fim de dinheiros europeus de que iria beneficiar nos seus dez anos à frente do Governo. Hoje, parece difícil de acreditar, mas Cavaco começou por torcer o nariz à adesão à União Europeia, um processo para o qual não moveu prego nem estopa.
(...)
Inversamente e já como PM, Cavaco foi um entusiástico promotor da entrada na moeda única, e nisto, como em tudo o resto de essencial, a história encarregar-se-ia de demonstrar a sua nula capacidade de visionar o futuro: a entrada na UE permitiu-nos dar um salto de uma geração; a moeda única está na raiz dos males que agora nos afligem.
(...)
Mas já antes ele vendera por um punhado de moedas a agricultura a Bruxelas e aos interesses dos produtores agrícolas europeus. Ele, que hoje se reclama "homem do mar", vendeu ainda as pescas, a marinha mercante e os estaleiros navais, mas também as minas e o tudo o que, no futuro, nos poderia garantir independência económica. Em troca, construiu e distribuiu: o país interior está cheio de centros de terceira idade, palácios de congressos e piscinas municipais que ninguém usa - ou porque se foram todos embora ou porque não há meios para os fazer funcionar.
(...)
A sua chegada a Belém ficou-me para sempre marcada pela primeiríssima fotografia do eterno fotógrafo oficial da Presidência, Rui Ochoa. Uma das tais imagens que valem por mil palavras: de mãos dadas e com a felicidade estampada na cara, toda a família Cavaco Silva subia a ladeira de Belém para tomar posse do palácio e do país.
(...)
Cavaco portou-se sempre como alguém muito acima, por direito próprio e por direito divino, de todos os outros portugueses e, sobretudo, dos desprezíveis "senhores agentes políticos". Ele era o homem que sabia muito mais de finanças do que qualquer um, que tinha "avisado" de cada vez que as dificuldades surgiam, que exigia a quem pusesse em causa o seu insustentável negócio com o BPN que nascesse duas vezes antes de se atrever a questioná-lo.
(...)
Um pouco mais de cultura, de coragem e de sentido de Estado (que vêm por arrasto), teria evitado, por exemplo, que Cavaco se tivesse alienado por completo da discussão sobre o Acordo Ortográfico ou que tivesse encaixado sem um estremecimento os enxovalhos que levou em Timor, na cimeira que consagrou a vergonhosa adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou em Praga, quando ouviu, sem reagir, o Presidente checo ofender os portugueses. Cavaco foi submisso ou inexistente lá fora e grandiloquentemente vazio cá dentro. Para a história ficará que, dez anos de presidência depois, deixou um país infinitamente pior do que aquele que recebeu.
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quarta-feira, 2 de março de 2016
Mãe
Circunstâncias recentes da vida relembraram "águas passadas" há muitos anos, que devem ter "afogado" o coração e a cabeça de uma mãe perante a impotência e a incapacidade de cuidar do seu filho.
Foi há doze anos que minha mãe partiu e, hoje, quando lhe fui levar uma, ou melhor, cinco "Aves do Paraíso" do meu quintal pensei que, apesar de tudo, não fui seguramente capaz de, em vida, lhe demonstrar a gratidão que lhe era devida.
terça-feira, 1 de março de 2016
Matemática
E isto é matemática!
E isto também é televisão a cumprir!
E isto também é televisão a cumprir!
No seu programa, que a SIC transmite regularmente, Rogério Martins dá aulas de matemática de forma rápida, agradável, eloquente e divertida, tornando fácil o que é comum apelidarmos de "bicho de sete cabeças".
No primeiro programa que vi, já lá vão alguns meses, Rogério Martins explicava as razões que justificavam serem as tampas de esgoto redondas e não quadradas ou rectangulares.
Desde aí e sempre que "apanho" o programa, delicio-me.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Palavras bonitas ... para o meu neto Miguel
VIDA
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Miguel Torga
Diário II
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Miguel Torga
Diário II
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Animação musical
Estamos na maré do Bolero, de Maurice Ravel!
Ontem, o "post" mostrava, em desenho animado, os vários instrumentos a tocarem a peça, realçando a intervenção de cada um. Hoje, quatro executantes animam um violoncelo e, todos à uma, executam a música apenas com um instrumento:
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Animação musical
O meu amigo ADS não perde oportunidade para me agradar, deixando-me a maioria das vezes embaraçado com tantos gestos de carinho e consideração.
Na quarta-feira passada veio entregar-me a casa uma máquina de café que me tinha saído num sorteio da União Progressiva da Freguesia do Colmeal, cujas rifas eu nem sequer ainda tinha pago.
Hoje, no final de um domingo de Carnaval e quando já estou em contagem decrescente para o dia de trabalho de amanhã, presenteia-me com esta delícia, por certo descoberta nas suas deambulações pela Net em busca de coisas bonitas.
Livros (lidos ou em vias disso)
Após as dores, as doenças, as fobias, as depressões e mais uma infinidade de maleitas trazidas por Philip Roth em "A lição de Anatomia" (D.Quixote, 2015), começa uma viagem ao Séc. XVIII, pela pena de Mário de Carvalho, num romance histórico escrito há já mais de 30 anos e agora reeditado pela Porto Editora.
A descrição da atribulada viagem, pelos caminhos difíceis de então (serão fáceis agora?), que leva o Conde de Fróis (filho) e o seu séquito a um desterro na fortaleza de S. Gens, lá bem perto da raia de Espanha, termina assim:
"(...) Acabaram por entrar na vila, de cavalos pela rédea, galgando um declive formado por destroços de muralha derrubada. Uma mulher passou, com um feixe de vime à cabeça, salvou e ficou-se a olhar, muito descarada, sem manifestar especial estranheza com a presença dos intrusos, nota de que aquela entrada era caminho vezeiro.
Foram dar com o primeiro soldado encostado ao portal da igreja. O homem, desgrenhado e farroupilha, olhou para ambos, azamboado, sem atinar com o que fazer. Depois, silenciosamente, com um sorriso equívoco, de beiço esborcinado, estendeu por instinto uma mão de esmola, primeiro gesto que lhe ocorreu antes que o capitão o expulsasse do adro a poder de biqueira.
Não tardou e a notícia alvoroçava a vila. O conde e o capitão, parados a meio do adro, viram-se rodeados por uma chusma silenciosa de basbaques, entre os quais sobressaía, aqui e além, o vermelho sujo de uma farda.
A escolta, entretanto, reboava pela porta de armas, com carros e bagagens, sem que alguém lhe pedisse senha, e vinha formar na parada, com ordem e lustro, suscitando o maior espavento da multidão apinhada pelas ruas.
Só então, numa carreira esbaforida, de talabartes ainda soltos, os oficiais da praça vieram prestar preito ao comandante, que se ficou por lhe virar as costas."(...)
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