segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril

FLOR DA LIBERDADE

Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós ... Também nós ... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos 
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.

Miguel Torga
Orfeu Rebelde


domingo, 24 de abril de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Terminada há pouco uma viagem pelo Porto do século XIX, caracterizando a nobreza decadente e a ascendência da burguesia, numa linguagem camiliana e uma eloquência cativantes.

"(...) Não pensem que um escritor consciencioso escreve uma linha só que seja com o intuito de encher papel; que invente um episódio para seu recreio: tudo aqui vem a propósito, desde o facto mais somenos ao pormenor de maior vulto, e os leitores que esquadrinham os fins e suspeitam uma ideia em cada palavra impressa acharão neste romance demonstrações de que os grandes acontecimentos da vida, que fazem pasmar o mundo, são como os nevões: um floco de neve que rola do cimo das montanhas ao chegar às fraldas destrói casas e plantios, embrulha vidas humanas e rompe o equilíbrio das coisas."(...)

Rio do esquecimento
Isabel Rio Novo
D. Quixote (Fev/2016)


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Quotidiano / Expresso

Um dia destes, como me parece que já por aqui escrevi, vou marcar uma entrevista com o Dr. Balsemão para lhe pedir um "agrado" pela publicidade que faço do seu (dele) Expresso, para além de ser seu leitor desde o número um, publicado no já longínquo ano de 1973.
Mas, honra lhe seja, o Expresso continua a merecer a minha preferência e a dar-me sempre razões para continuar a fidelidade. Agora, no online, dá "aulas", concisas e precisas, que são um encanto e, no caso concreto das duas que insiro abaixo, dizem muito a quem é (foi) "do ramo".



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Quotidiano

A resolução do Banif, tal como o acontecido no BPN, no BPP e no BES, só tem um culpado: o Sebastião, que viveu no Século XVIII, foi Ministro de D. José e, lá do alto do seu pedestal, vê tudo e não avisa ninguém.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Dia Mundial da Poesia

QUANDO

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

ABRIL

Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.

E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.

Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar

sábado, 19 de março de 2016

Dia do Pai

Hoje é (era) o Dia do (meu) Pai!

Ponta Seca

Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.

Miguel Torga
Diário VI (05.04.1952)