quinta-feira, 23 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 3 - Hungria, 3

Ontem foi um festival de golos, alguns de encher o olho como o do calcanhar de Cristiano Ronaldo.  Duas horas de aperto, a testar o coração e capacidade de sofrimento. Por três vezes a eliminação esteve consumada e, por três vezes, a equipa lutou, deu a volta e conseguiu chegar lá.

Já depois do jogo acabado, o antigo guarda-redes do Sporting disse, numas das televisões, que dois dos golos dos húngaros tinham sido "chouriços". E foi verdade ... mas a carne era nossa!

No próximo sábado, às 20H00, e com o meu neto Duarte já um homem de 4 anos, a selecção iniciará  o jogo para eliminar a Croácia.

domingo, 19 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 0 - Áustria, 0

Ontem foi doloroso e mexeu com aos batimentos do coração do "idoso".
Mesmo que o jogo durasse três horas, nenhuma bola quereria entrar. Até o pénalti do Ronaldo foi ao poste!!!
Não é sorte nem azar, é ... futebol.

Quarta-feira, às 17H00, pode ser que a cidade de Lyon seja talismã e nos ajude a ganhar aos húngaros.
Até ao lavar dos cestos é vindima!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Palavras bonitas

Pouco passa das sete e meia da manhã; o rádio está sintonizado na Antena 1, para ouvir as últimas do Euro e, logo a seguir, o espaço que David Ferreira preenche habitualmente com músicas já com algum tempo e "estórias" de discos e artistas. Hoje começa com Amália num fado que, sem qualquer dúvida, tem letra de David Mourão-Ferreira. Depois, a revelação:
- "O poeta do amor, meu pai, morreu faz hoje 20 anos."
Tão simples e tão profundo!

ESCADA SEM CORRIMÃO

É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

David Mourão-Ferreira
Obra Poética
Editorial Presença

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - Islândia, 1

A "terra do gelo" demonstrou ontem, para quem ainda tinha dúvidas, que não há vitórias antecipadas, que todos os jogos começam empatados e terminam quando o árbitro apita e que o futebol não é tão exacto como a matemática. Mesmo esta, às vezes, tende para infinito.
Os arautos, teóricos, que afirmavam serem "favas contadas", dão agora as explicações longamente teorizadas sobre o que aconteceu e o que teria acontecido se ... 
Sábado há mais e a valsa vienense não nos vai embalar: a orquestra, sob a batuta do maestro Cristiano, desafinará a harmonia austríaca e mostrará que, misturando fado, fandango, vira, bailinho e muito trabalho, a música será outra!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Euro 2016


Há momentos na vida em que é impossível disfarçar o orgulho que nos vai na alma.
Ao ver esta imagem (e muitas outras que por aí circulam), surgem no écran da memória o início, a ausência (apesar do Skype), as noites mal dormidas, a ansiedade, o "terá dito tudo", "estará bem", os jogos "vistos" no computador, as notícias em grego (?!), as manifestações, a violência, a desordem social, os problemas nos estádios, a "tragédia grega" quando tudo começou há quase uma dúzia de anos.
Vai ser mais um mês de ansiedade, colado à televisão, solitário, controlando as emoções, sempre com a esperança que o grande salto final aconteça, por ti, pelo Fernando e pelo meu País que é tão grande e tão maltratado.
Amanhã partes para terras gaulesas e, por muito que me custe, tenho esperança que só regresses em Julho!
Boa viagem, meu filho!

sábado, 28 de maio de 2016

Feira do Livro

Logo pela manhã e depois de uma passagem breve pelo Mercado da Ribeira, a visita ao Atelier Museu de Júlio Pomar, para ver os trabalhos (e muitos estudos) realizados pelo Mestre, com destaque para os que ilustram a sua passagem pela "nossa" Secla e pela Cerâmica Bombarralense.

Após o almoço, o ritual de todos os anos, percorrendo a Feira do Livro instalada no Parque Eduardo VII, num dia de sol que realçava ainda mais a sua beleza. 
Umas horas e uns quilómetros depois, uma cerveja bem fresquinha numa esplanada agradável, com o Tejo lá ao fundo e o Marquês a admirá-lo.

Algumas dezenas de euros a menos, mais alguns exemplares para a "biblioteca" e, de entre eles, "O Verão de 2012", de Paulo Varela Gomes, que me faltava e era dado como esgotado. Devo um agradecimento especial à senhora da Tinta da China que, à minha pergunta, retorquiu:
     - Já não restam meia dúzia ...
E lá me vendeu um exemplar da 1ª. edição e sem ser "de bolso".
Para mim e por este ano, a Feira encerrou, apesar de os descontos serem convidativos e de, das 22 às 23H, haver 50% em todos os livros.






segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quotidiano

São onze e meia da noite de sábado para domingo.
No Parque D. Carlos I decorre o V Oeste Lusitano, com uma exibição de cavalos e cavaleiros, uma ginasta a mostrar quão belos podem ser os movimentos do corpo, feitos a uma altura que quase roça a folhagem dos plátanos, mais uma "sevilhana" elegante a "contracenar" com a elegância do equídeo.
As pessoas que assistem são muitas; a bancada provisória está completa e todos os espaços em volta do local das exibições estão repletos de público. Os mais baixos pouco vêem.
O miúdo terá quatro, cinco anos, no máximo. 
Agarrado às saias da mãe, reclama da injustiça de nada ver. Antes que as lágrimas disparem e os gritos aumentem, o pai, solícito, coloca-o às cavalitas. Os olhos riem-se e bate palmas de satisfação.
O pai, solícito:
     - Se te c_g_s, levas um estalo!
Brilhante!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Tinha lido algures, já não recordo onde, que o novo livro de Jaime Rocha versava a "Escola de Náufragos" da sua Nazaré.
Fiquei curioso e não descansei enquanto não o adquiri. 
Lê-se de um folgo - 86 páginas - e o retrato das agruras da vila e da sua população está sempre presente.
Acaba assim:

"O mecânico olha para ela com compaixão. Por qualquer razão ainda gosta daquela mulher, daquele corpo que uma vez o deixou entrar na sua cama como se fosse ele o verdadeiro amor, na sombra de uma única noite.

     O que vais fazer mulher, pergunta.

     Trata dele, é teu, responde ela, entre dentes.

O mecânico ainda lhe toca nas mãos, tenta segurá-la, mas ela afasta-se do beco quase em fuga. O mecânico vê-a sumir-se, devagar, como um fantasma. Quando Mateus chega, encontra-o à sua espera.

     A tua mãe foi-se embora para sempre, vai viver para o hospital.

Mateus não acredita e não diz nada. Sorriem um para o outro. O mecânico aponta para a casa.

     Entra, diz ele.

Jaime Rocha
Escola de Náufragos
Relógio d'Água (Março 2016)

domingo, 8 de maio de 2016

Palavras bonitas

A minha mãe faria hoje 93 anos.

Nunca mais
Caminharás os caminhos naturais.

Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.

Poesia
Sophia de Mello Breyer Andresen

sábado, 7 de maio de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Um romance que discorre sobre a história da escravatura do século XIX ou uma alegoria dos tempos actuais?
Ainda não cheguei ao fim, mas estou a inclinar-me para a segunda hipótese ...

"(...) Criaturas mudas, já desistentes da vida, que olhavam o céu como se pedissem asas ou socorro a uma qualquer entidade altaneira. Seminus, lançavam-se ao comprido no chão, alguns a esconder o rosto daquelas multidões bizarras, brancas como os ossos dos urubus descarnados pelas formigas, com umas bocarras cheias de cuspo de onde saíam sons incompreensíveis e de arestas estridentes,
      entontecidos, assustadiços, ora com os altos brados dos capatazes, ora com os risos trocistas,
      se o velho arqueja, se no chão resvala,
ora com os horizontes apertados, onde as casas também tinham arestas e buracos como olhos
      (eram janelas)
e pálpebras
      (as cortinas)
monstruosos, que também os miravam do alto das colinas. Ninguém se entendia, as algaraviadas de vários tribos, tudo ao monte. O consenso geral é que estavam a ser escolhidos para banquete dos brancos. Por isso, iam os gordos primeiro. O casal por conta própria remexia na mercadoria, apalpava como que a separar a fruta bichada, reparava em sinais da tão virulenta varíola atrás das orelhas, procurava bubões debaixo dos braços, vestígios de escorbuto nas gengivas, (...) quando chegava a hora de apartá-los, desmantelar famílias, filhos para um lado e pais para outro, as mães acocoradas em cima das crias, entregando a carne das costas ao chicote para não as deixar levar, já a dupla de engordadores estava bem ciente do que pretendia. (...)"

Não se pode morar nos olhos de um gato
Ana Margarida de Carvalho
Teorema (Abril / 2016)