Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e com dois sentidos de trânsito.Actualização: desde Abril de 2009 o trânsito foi, finalmente, alterado para sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie.
domingo, 19 de março de 2017
Dia do Pai
O meu, se ainda por cá estivesse, faria hoje 95 anos.
terça-feira, 7 de março de 2017
Livros (lidos ou em vias disso)
Mais um excelente livro de Mário Cláudio, desta vez especulando sobre a vida de Camões e sobre um pretenso trapaceiro que pretenderia apoderar-se da obra do poeta.
"(...) Lá me surgia de tempos a tempos alguém que evocava os passos lisboetas do nosso homem, mas bem mais os chocarreiros do que os literários, com exclamações deste recorte, e proferidas entre torpes risadas e piscadelas de olho, "Que valdevinos!","Que borrachola!", "Que putanheiro!". E abstinha-me portanto de descrever o meu convívio com o vate, poupando-me à reposição de baboseiras quejandas, e preferindo não me capacitar da rapidez com que em Portugal se arquivam os maiores, a fim de os festejar muito depois nos ossos que deixaram, sempre que isso convém aos que mandam, e às vezes aos que obedecem.(...)"
E mais à frente:
"(...) Mas o que sobremaneira me deixava boquiaberto era que a gentalha que se cruzava com semelhante monstro, aceitando-o cegamente como Luís de Camões, nem por instantes adquirisse consciência de falcatrua tamanha. A população de Lisboa não reparava na fantochada, ou fingia não a compreender, arrebatada por essa forma de inércia lusa, e recorrente em vário tempo e lugar, nos termos da qual se mostra preferível a mentira que desresponsabiliza à verdade que sobressalta.(...)"
Mário Cláudio
Os naufrágios de Camões
D. Quixote (2016)
quinta-feira, 2 de março de 2017
Palavras bonitas ...
... para a minha mãe; todos os dias me parece que foi ontem e já lá vão 13 anos.
Depois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
Sophia de Melo Breyer Andresen
Coral
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Netos
Hoje, o meu neto caçula festeja o primeiro aniversário.
E que prazer e confiança ele nos transmite agora, quando já vai decorrido um ano da sua vida e começam a aparecer as brincadeiras e as tropelias.
O meu Miguel ainda não lerá este poema de outro Miguel, mas foi para ele que o avô o escolheu.
CONFIANÇA
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura ...
E que a doçura
Que se não prova
Se tranfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova ...
Miguel Torga
Cântico do Homem
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Estórias
À medida que os anos se vão sequenciando, as recordações que vêm à tona são as lá do fundo, dos primórdios, das primeiras gavetas da memória que, não sendo RAM, mantém frescos os ramos velhos e seca com rapidez os recentes.
No primeiro ano da Escola Nova (1964), o entusiasmo pela descoberta e a irreverência da idade faziam com que os intervalos entre as aulas fossem aproveitados para as traquinices que a velhinha escola das 5 bicas não permitia. Os campos de jogos eram fascinantes ... À sua volta foram colocados uns blocos de cimento que tinham um tubo em ferro galvanizado de cerca de um metro de altura. Quando havia jogos, os campos eram delimitados com esses blocos e era passada uma corda em nylon, pelos buracos dos tubos, criando assim uma vedação que impedia aos assistentes mais entusiastas a participação nas pelejas.
Quando não havia jogos, os blocos eram tombados e ... um coloca-se na parte do cimento enquanto o outro, com o pé, levanta o tubo. O objectivo era saltar o tubo enquanto ele subia; numa das vezes, por distracção ou por maior rapidez do parceiro, o objectivo não foi alcançado, o salto ficou a meio e o tubo chegou ... às partes mais íntimas, que encimam as pernas. O corte aconteceu e o sangue brotou de imediato, criando algum alarme e empapando as calças.
Ao tempo, os primeiros socorros estavam no ginásio e foi para lá que me dirigi, ajudado pelo companheiro da brincadeira. O senhor Policarpo ajudou-me a tirar as calças e examinou a ferida, confirmando, se necessário fosse, aquilo que as dores bem indiciavam e o sangue confirmava. Com uma paciência de santo, limpou, desinfectou, pôs tintura e uma gase bem segura por um desagradável adesivo que causava um desconforto tão grande como a ferida. Pelo meio, acalmou-me, contrapondo, a cada grito meu, que estava quase ...
Sempre que encontrava o senhor Policarpo, a "estória" vinha à baila, trazida ora por mim ora por ele.
Já não volto a falar com o contínuo da "minha" Escola nem com o clarinetista da Banda de A-dos-Francos, personagens reunidas numa pessoa que me marcou e de quem gostava, sentimento que, tenho a certeza, era recíproco. Partiu a semana passada, a 23 de Janeiro. Tinha mais 20 anos do que eu e faria 85 a 5 de Julho, se lá tivesse chegado.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Mário Soares e a poesia
Em 2005, o jornal Público editou uma colecção de livros de poesia, escolhida por diversas personalidades portuguesas e intitulada "Os poemas da minha vida".
Um dos volumes - o 12º - contém a poesia escolhida por Maria Barroso e dele constam "Os dois sonetos de amor da hora triste", de Álvaro Feijó, que mereceram grande destaque nas cerimónias fúnebres de Mário Soares. A voz inconfundível e brilhante de Maria Barroso, deu vida a um dos momentos altos das cerimónias, num registo emocionante que quase parecia ter sido premonitório. (Maria Barroso faleceu em Julho de 2015).
Na altura da saída do livro não me detive nos sonetos de Álvaro Feijó, cuja obra não conhecia e que ainda desconheço. Contudo, a poesia na voz de quem sabe (sabia) desperta sentimentos, recordações, emociona e, como dizia Natália Correia para os subalimentados do sonho, "é para se comer".
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sábado, 7 de janeiro de 2017
Mário Soares
Morreu hoje um dos maiores e talvez o mais resistente dos "cravos de Abril".
O ramo está cada vez mais pequeno ...
O ramo está cada vez mais pequeno ...
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Balanço 2016
Cumpridas as Festas, digeridas as comezainas, guardados os votos ouvidos e expressados, eis-nos chegados a 2017 com a esperança de que ele seja melhor do que o seu antecessor e traga tudo aquilo que as pessoas, por todo o mundo, incessantemente pediram.
O balanço far-se-á no final, como manda a tradição e, se tudo correr com normalidade, por mim já será feito fora da actividade profissional e, espero, como um reformado satisfeito.
Até lá, a guerra na Síria deve continuar e é provável que apareça noutros locais; a nossa atenção estará virada para os USA, sempre à espera das surpresas (ou não) do Trump; António Guterres dormirá pouco para conseguir levar a nau da ONU a bom porto; Angela Merkel poderá perder as eleições na Alemanha e Marine Le Pen ganhá-las em França; não deverá ser preciso esperar até ao final do ano para que o Banco Central Europeu autorize a administração da Caixa a tomar posse; o mar continuará a bater na rocha e a uma maré vaza seguir-se-á sempre uma maré cheia.
Entretanto e porque sou um lírico com esperança que algum dos meus netos, um dia, tenha a curiosidade de ver o que o avô leu em 2016, cumpra-se a tradição abrindo o registo informático, obtenham-se as capas e faça-se a necessária montagem: são mais de meia centena.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Prenda de Natal
No dia de Natal fui surpreendido com esta "pérola", deixada pelo meu neto GRANDE na secretária onde trabalho, sem qualquer indicação / explicação para o facto.
Coloquei o papel numa das prateleiras da estante, encostada aos livros e a um álbum de fotografias do Natal de 2013, à altura dos meus olhos quando estou sentado a trabalhar.
Ao descobrir a mensagem, tive logo a ideia de a registar aqui. Hesitei, por não estar seguro de divulgar um texto tão íntimo e tão carinhoso.
O papel lá permaneceu até hoje e por lá vai continuar. Fez apenas uma pequena viagem até à digitalização e regressa ao mesmo local, para emparceirar com os textos que por lá se encontram. Sim, porque é um grande escrito!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
TEATRO DA CORNUCÓPIA
Amanhã, após mais de 40 anos de trabalho altamente meritório, o Teatro da Cornucópia encerra, vencido pelas circunstâncias que a história julgará.
"Fomos vencidos pela filosofia de apoio às artes. Ao longo destes anos fizemos muito, mas não podemos adaptar-nos a modelos de gestão que depois dificilmente nos habituaríamos a cumprir."
Foi desta forma eloquente e abrasiva, como é seu timbre, que Luís Miguel Cintra justificou a decisão.
Vi muitas das produções da Cornucópia e tinha (tenho) a maior admiração por Luís Miguel Cintra, em todas as suas áreas de intervenção artística, onde foi sempre grande.
Com os seus espectáculos de teatro aprendi a distinguir o teatro das "teatrices".
Obrigado à Cornucópia e a todos os que dela fizeram parte.
Para mim, fica a memória das grandes noites na Rua Tenente Raúl Cascais, ali entre o Rato e o Príncipe Real.
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