Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único.
Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Como não utilizo nem frequento regularmente as redes ditas sociais e nem sequer sou subscritor da que o "homem da melena" faz uso diário, corro o risco de me tornar mentecapto, com a redução da capacidade intelectual que a ausência dessas fontes de "informação" altamente fidedignas vai certamente provocar.
"A culpa deve ser do Sol"! Tenho de ir atrás da banda ou vê-la passar, ouvindo Chico Buarque!
Sentou-se na cadeira indicada no bilhete, verificando a correcção antes. Era ali, sem dúvida. Telemóvel na mão, a companheira sentada na cadeira ao lado, cenho franzido, nenhuma outra manifestação de prazer ou repulsa.
Acabadinho de aliviar as pernas, o indicador começou a percorrer o ecran e, com som ou sem ele, os sorrisos passaram a suceder-se. As luzes, intermitentes, davam sinal de que o início do espectáculo estava para breve. E a voz off avisava:
- O espectáculo vai começar dentro de momentos. Por favor, desliguem os telemóveis. É proibido fotografar ou gravar. Bom concerto.
A ordem era inequívoca, mas o aparelho continuou na mão. Vai desligar quando a música começar, pensei. Não aconteceu. Mexi-me na cadeira, deitei descaradamente os mirones. Nenhuma reacção. E o scroll continuava, apesar de a música ser contagiante e apelativa. Tudo na mesma, como a lesma. Impassível na cadeira, nem uma única vez bateu palmas. A companheira, ao lado, ainda ia aquecendo as mãos, de vez em quando. No final, o público aplaudiu de pé, pediu mais, acentuou os aplausos até obter a confirmação de que ainda havia, pelo menos, mais uma.
Permaneceu impassível. Continuou os movimentos com o dedinho e sorria de satisfação.
O "artista", seguramente com mais de 50 anos, assistiu com este desinteresse a um excelente espectáculo musical, integrado no 29º. Festival de Jazz do Valado.
Comprou bilhete para quê? Podia ter ficado em casa e dava lugar a outro ...
É Domingo de Páscoa e o sol não se esquece de acompanhar as festividades e de lhes trazer a alegria da luz. Na semana que vem, de acordo com as previsões, já desligará as luzes, talvez para poupar energia que não estamos em época de desperdícios.
O carro precisa de gasolina porque, teimoso, não anda sem isso e amanhã vai ter de trabalhar. Ainda é cedo e o posto de abastecimento não deve ter fila. O rádio vai ligado, como é sempre e, de repente, ouço uma voz já um pouco estafada como a minha:
Tinha 15 anos quando ouvi isto pela primeira vez, na casa de uns amigos onde nos juntávamos para tocar, cantar e ... beber uns copos. Na rádio, naquela época, era impensável.
Prestei atenção. Era isto, e eu ainda me lembrava da letra!
(Ainda) vale a pena estar atento ao que, fora da caixa, se vai produzindo por aí.
Os Cara de Espelho já passaram cá pelo Oeste, como ficou aqui registado. Ontem, foi a Culturgest a dar esse privilégio ou, talvez melhor dito, a proporcionar um grande espectáculo a todos os que encheram aquele lindo auditório.
Com gente nova a fazer coisas destas, é obrigatório acreditar que há futuro, por muitos energúmenos que por aí surjam a gritar a linguagem da taberna (com respeito pelos taberneiros).
A todos os que, apesar da vertigem da actualidade, ainda perdem tempo a passar por aqui, desejo um excelente Natal e um Ano Novo com saúde, alegria e, principalmente com a paz que tão arredia tem andado por esse mundo fora.
Não há nada pior para iniciar qualquer pretenso texto do que escolher um "lugar comum". E, no entanto, tem pleno cabimento utilizá-lo, quando se olha o que vai pelo mundo. Das guerras que permanecem, da Ucrânia a Gaza, da Somália à Venezuela e muitos outros sítios que são esquecidos ou devorados, rapidamente, pela espuma dos dias.
Conversações, reuniões, cimeiras, encontros, telefonemas, mensagens, "bocas", avisos, ameaças, conversas da treta, discursos profundos, opiniões certeiras, "caganeirices" chiquérrimas, falinhas mansas, gritos inflamados, tudo cheio de certezas e ditos para "inglês" ver e "portuga" crer.
Por vezes chega a parecer que regressámos à "outra senhora", com notícias, comentários e análises parciais, que nos despejam tudo e o seu contrário, fazendo-nos sentir mentecaptos e completamente desprovidos de um mínimo de senso ou de inteligência.
Valha-nos o Youtube e a música que nos disponibiliza, à borla, sem comentários e deliciosa. Lufada de ar fresco que distrai, revigora e limpa a cabeça.
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu, dizia-me, muitas vezes, a minha mãe, ilustrando os que, mal sobem a escada, partem todos os degraus para que mais ninguém os possa apanhar.
Vivemos tempos de hipocrisia, de arrogância, de "vale tudo", de não se olhar a meios para atingir os fins, de julgar que a carteira, mesmo lisa, há-de um dia ser cheia e comprar tudo.
Surgem debaixo dos pés os oportunistas, os mentecaptos, os que acham que, sem eles, o mundo não existiria. E fazem escola! E têm apoiantes e sobem, sobem, qual balão que, um dia, vai esvaziar. E essa é a sua grande luta: se e quando o balão esvaziar, ao menos ninguém dê por isso.
O poder, o poder, o poder, não para ajudar a resolver mas para (me) engrandecer! E, sentado na cadeira, reclamar a reverência a que (me) julgo com direito, adquirido à custa de muita habilidade e cretinice.
Não têm culpa! A fuga dos que tinham condições e há muito decidiram afastar-se, trouxe para a ribalta gente de fraca estirpe e má índole, e colocou na gaveta do esquecimento aqueles para quem Abril sonhou abrir as portas.
Porque hoje é o "primeiro dia do resto da tua vida", fica por aqui uma escolha tão do agrado do teu filho, meu neto caçula, assinalando a quarta capicua de uma vida que se espera, e deseja, traga muitas.
O país a arder, as praias cheias, hospitais encerrados, festas e romarias, todo o mundo em férias ou quase.
As televisões repetem-se, os jornais copiam-se, o mercado futebolístico agita-se, os candidatos autárquicos colocam-se em bicos de pés, falam, falam e ... o país vai indo, sem culpa nenhuma de ter nascido e nem sequer ter sido ouvido no respectivo acto.
Sobram os tudólogos, ouvidos a torto e a direito, opinando em todas as direcções, com verdades nuas e cruas sobre tudo e sobre nada, opiniões, soluções e conclusões que, dez segundos depois, caem no mais completo esquecimento, substituídas por outras idênticas e igualmente vazias no valor e na forma e bem cheias na verborreia.
O país vai de carrinho ... preocupado com as minudências, que ocupam as conversas, distraem da floresta e são tema dos areais.
De acordo com o "discurso" da senhora Ministra, as leis do trabalho têm de ser alteradas, porque há abusos que não se podem admitir. Há mulheres que se aproveitam da lei e usufruem da dispensa de trabalho - duas horas por dia - para amamentarem os filhos até eles irem para a escola (ou para a tropa?).
Solução: prazo fixo de 2 anos, a partir do qual não será possível usufruir. Nem mais um dia ... a lei será para cumprir.
Puna-se, fixe-se, limite-se e teremos toda a gente na linha ... mesmo que a grande maioria lá esteja e não seja abusadora.
E sempre a bem da nação, que não pode pactuar com esta gente que de tudo se aproveita ...
Como facilmente percebe quem por aqui vai espreitando, sou um eclético ouvidor de música, sem quaisquer receios de manifestar preferências, mesmo que estas não sejam consensuais ou estejam na berra.
Ouço música de Cabo Verde há muitos anos! Como parece cada vez mais normal, a gaveta foi resgatar memórias antigas quando ouviu notícias sobre as comemorações dos 50 anos da independência daquela antiga colónia portuguesa.
Há mais ou menos sessenta anos convivi, durante alguns meses, com dois cabo-verdianos, um deles com idade para ser meu pai - cerca de 40 anos -, o outro um pouco mais velho do que eu: cantei-lhe os parabéns, com a voz bem desafinada, no dia em que fez 18 anos.
Ainda não se falava de Cesária Évora ou Tito Paris, muito menos de Tété Alhinho ou Sara Tavares. Adelino, o mais velho, e Cula, o jovem, ensinaram-me as diferenças entre a morna e a coladera e abriram-me a boca de espanto nas muitas vezes em que os ouvi tocar e cantar. Tocavam cavaquinho e daqueles dedos negros saíam ritmos frenéticos ou dolências mimosas, desconhecidos para mim e que me habituei a ouvir, calado e deliciado. O Cula fazia percussão com qualquer coisa, da caixa de sapatos ao tampo da mesa, do colchão ao prato da sopa virado ao contrário.
Regressaram à sua terra e nunca mais deles ouvi falar ou tive qualquer notícia. Talvez já não pertençam ao mundo dos vivos. Vieram-me à memória e devo-lhes o ter aprendido a gostar da belíssima música cabo-verdiana, que continuo a ouvir regular e regaladamente.
Mais um dia grande para o futebol nacional, com a selecção principal a conquistar a Liga das Nações pela segunda vez, contra as perspectivas desenhadas pela crítica sabedora. E foi muito bonito de ver a capacidade de Nuno Mendes, numa equipa que procurou sempre, com "ganas", vencer "nuestros hermanos".
A minha menina faz hoje anos e é uma respeitável senhora, mãe de dois "matulões" que não param de crescer;
O tempo foi multado por excesso de velocidade e, de acordo com fontes bem informadas, vai ser colocado sob controlo apertado, talvez com pulseira electrónica, de forma a prevenir esse seu desaforo.
Veremos se o ponto 2. se concretiza, o que não é crível nestes tempos de fake news.
Entretanto, a Casa exulta com mais um aniversário da mais velha dos dois rebentos que por aqui cresceram e se fizeram grandes.