quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Livros lidos (ou em vias disso)

(...) Só desviando a rota chegamos ao nosso destino.(...)

(...) ele sabia o que Cremilde fazia, ela sabia que ele sabia que ela sabia que ele sabia, e entre saberes e fazeres se comunicavam os dois. O silêncio marcava o respeito de Cremilde para com D. Aniceto; e em silêncio D. Aniceto aceitava as tisanas que a escrava lhe fazia na falta de médico na ilha.(...)

Maria Isabel Barreno
O Senhor das Ilhas
Caminho (1994)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Netos

Faz hoje um ano deixei aqui um voto de grande confiança no futuro, registando o primeiro aniversário do meu neto mais novo.
Um ano volvido, o meu Miguel corre tudo, entende tudo, diz um não rotundo quando lhe parece que o querem obrigar a algo que não deseja, faz caretas de desagrado, olha de lado com um sorriso matreiro, enche a casa com a mãozita que nos chama para um desejo não alcançável sem ajuda.

"Fica a cepa a sonhar outra aventura ..." com a marcação distinta de ser sempre ele e a sua personalidade que, tudo o leva a crer, vai ser muito forte!

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Aprender ... sempre

Porque não pertenço à "multidão que, tendo caído no caldeirão, já sabe tudo de antemão", transcrevo, com a devida vénia, a admiração imensa e o respeito por quem sabe, a crónica de Miguel Esteves Cardoso no Público de ontem:

"Estamos todos a aprender a falar e a escrever português, excepto aquela abençoada multidão que, tendo caído no caldeirão, já sabe tudo de antemão. Sendo omnisciente, não precisa de dicionários ou de livros sobre língua portuguesa. Sendo jovem e despreocupada, basta-lhe a erudição monumental da Internet. Para quê esfoliar a pele dos dedos a folhear (ou, como eles dizem, a desfolhar) pesados cartapácios (eles dizem catrapázios), quando bastam duas carícias no teclado para esclarecer logo todas as dúvidas num dos magníficos dicionários digitais que até fazem o favor de validar os erros mais populares dos internautas?
Claro que já não se passa sem a Internet, mas é preciso cuidado. Já há um ditado e tudo: "Se queres aprender bom português, cinge-te ao Ciberdúvidas, ao Chove Chove e ao Hélder Guégués". 
Foi no excelentíssimo Chove Chove, que tanta coisa boa me tem ensinado que soube do Dicionário de Erros Frequentes da Língua de Manuel Monteiro, publicado em 2015. Li-o de uma assentada, chocado com a quantidade de erros que me acompanhou (ou acompanharam?) à minha formidável idade, entendendo-se este último adjectivo como sinónimo de assustadora.
Se eu mandasse neste país, ofereceria um exemplar desta obra-prima da língua portuguesa a todos os portugueses com mais de 8 anos. Nunca um livro divertiu e ensinou tanto. É devastadoramente útil e urgente. É uma apaixonante e inteligente declaração de guerra à ignorância, à preguiça, à complacência e à estupidez.
Precisamos todos dele."

A começar por mim ...

domingo, 7 de janeiro de 2018

Balanço 2017

Apenas como resquício do passado e para cumprir a tradição aproveitando os recursos informáticos, fica o registo dos livros lidos em 2017, sempre com a esperança de despertar o interesse dos meus mais novos para as leituras que, em cada tempo, considerei valerem a pena.

O ano de 2017 já lá vai! O Presidente Marcelo está quase recuperado da operação à hérnia e vetou o "arranjinho" dos partidos; o Trump discute o tamanho do botão com o Kim Jong e conclui que o dele é maior do que o do coreano; a Comissão Europeia vai (agora) investigar o papel (pardo) vendido pelo BES; o Banco Popular já morreu e decorrem esta semana as cerimónias do seu enterro; o mar continuará a bater na rocha e a lixar o mexilhão. 
Esqueçamos o que já lá vai, façamos votos para que o 2018 decorra sem sobressaltos de maior, que os olhos me continuem a permitir ler e que Portugal seja campeão do mundo na Rússia.




sábado, 6 de janeiro de 2018

Expresso


O "meu" Expresso faz hoje 45 anos e merece o destaque de um fiel leitor que, desde o primeiro número, repete um ritual todos os sábados que, nestes anos todos, não terá sido interrompido mais do que uma dezena de vezes.
Semanas melhores, outras nem tanto, o facto é que o Expresso conseguiu manter-me fiel à edição em papel e, desde há algum tempo, à digital diária.
Longa vida ao Expresso, com a qualidade e a liberdade que tem mantido até aqui.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A música ... por quem sabe

A Fundação Calouste Gulbenkian está a publicar, no Youtube, vídeos sobre os instrumentos da sua Orquestra. 
Numa linguagem simples e de forma breve, estão a aparecer pequenas histórias ilustradas sobre, espero eu, cada um dos instrumentos que dela fazem parte. Até ao momento já estão 4 filmes sobre a trompa, a flauta, o clarinete e o fagote, sendo este último o que mais me fascinou - foi o primeiro que vi - e, por isso, aqui o deixo reproduzido.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

BOAS FESTAS

      Caldas da Rainha - Árvore de Natal 2017

FELIZ NATAL E UM EXCELENTE 2018

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Livros lidos (ou em vias disso)

Agora que o tempo é pouco para divagar, a leitura torna-se (ainda mais) ritual, obrigatória, diária. 
O terceiro livro da trilogia de Mia Couto sobre a saga de Gungunhana está quase a chegar ao fim e é mais um que traz a marca do grande escritor moçambicano: excelente:

(...) "Deve haver um sol dentro deste rio. Só assim se explica a luz de Lisboa. É o que digo ao capitão enquanto contemplamos as colinas da cidade. António de Sousa admite, sorrindo: a cidade deveria chamar-se <>.
É manhã do dia treze de março de mil oitocentos e noventa e seis. O navio progride, lento e vaidoso, pelo estuário do Tejo. À nossa volta há mais barcos que gaivotas. E são de todos os tamanhos e feitios: lanchas, canoas, fragatas, botes a motor, à vela e a remos, todos carregados de gente que acena num infinito alarido. Para os portugueses é uma festa. Para os prisioneiros é um prenúncio de fim do mundo.
Mais perto do cais percebemos como a multidão se estende e ondula ao jeito de um outro mar. Escutam-se os gritos:

      - Já chegou! Já chegou o Gungunhana! "(...)

Mia Couto
As areias do imperador - Livro três
O bebedor de horizontes

sábado, 11 de novembro de 2017

Livros (lidos ou em vias disso)

António Lobo Antunes de novo na guerra colonial, para mais um excelente livro que se lê, ou melhor, se esmiuça e digere com paciência, muito prazer e a certeza de que escrever tão bem e tão claro deve ser tão difícil ...

(...) - Calado  
      porque as ervas se agitaram perto do relevo onde a primeira perdiz ia surgir finalmente, voltando a cabeça para nós sem nos ver, nem sequer às orelhas da cadela que principiavam a inchar da mesma forma que a ponta de dois dentes ao léu enquanto o corpo da minha irmã vibrava, de boca a comer-se a si mesma consoante comia o suor do nariz e da testa, eu para a minha irmã e para a nespereira que se amparavam uma à outra, as duas com tantos braços, qual de vocês vai secar mais depressa, inclinar-se, cair, se ao menos relâmpagos no Mussuma incendiando o capim que a electricidade ajuda, se ao menos nesta horta uma liambazita que amansasse as cólicas, não conheço ninguém na vila excepto o empregado da oficina, chegamos lá e perguntamos a quem, diz-me, aos velhos de samarra que não falam sequer, a única resposta que dão, enquanto afiam um pau com a navalhinha, é chuparem o cuspo das mortalhas apagadas, numa rua próxima à capela a anunciar o domingo, ninguém se parece tanto com o outono como os sinos, quando morre uma pessoa, mesmo em junho, outubro sempre e a luz, logo de manhã, com saudades, e depois o homem que me leva às cavalitas não pára, não irá parar nunca para fugir à tropa, ao helicanhão, às gê três 
       - Mata mata
       a minha irmã para mim
       - Vamos a Lisboa por favor (...)

António Lobo Antunes
Até que as pedras se tornem mais leves que a água
D. Quixote (2017)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Legionella

Afinal não há razão para alarme nem para preocupação!

Leitão Amaro garantiu ontem, na TV, que o Governo anterior tinha proibido a legionella, o que nos leva a pensar que a malfadada bactéria já deverá estar a ser procurada pela Polícia Judiciária e a ser alvo de inquérito do Ministério Público, com vista ao julgamento, justo, de que será alvo, como é próprio de um estado de direito. Sem haver dúvidas de que, face aos crimes cometidos, terá condenação exemplar, faltará apenas confirmar se a prisão será efectiva ou com pulseira electrónica.

A pérola poderá ser confirmada no endereço abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=4kn45brCFZg