quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Música para os meus ouvidos

Estou farto de notícias!

Repetidas, repisadas, com ecrãs divididos em partes, análises profundas e perfeitamente inócuas, directos sem qualquer interesse a não ser ouvir a opinião, fundada, de quem acabou de pagar mais pelo litro de gasolina, jornalistas do faz de conta e da encomenda, jornais e televisões "vendidos" à verdade absoluta das redes ditas sociais, tudo com raras e cada vez menos honrosas excepções.

"Voltamos já a seguir a um pequeno intervalo". Dez minutos depois, quando não mais, e a repetição acontece como se fora novidade, de novo com o ecrã partido e a imagem de ontem, sem que disso se dê conta ao incauto.

Ora, notícia importante é o que se passa no meu jardim, que toda a gente desconhece, não tem acesso e, por isso, nem inveja consegue ter e está livre de reportagem televisiva. Sou um privilegiado!

O grilo ocupou uma parte do jardim, sem pedir e muito menos obter qualquer autorização, e sem pagar uma renda mesmo que simbólica. Está por ali, nem eu sei bem onde. Ouço as suas bonitas sinfonias, interrompidas mal abro a janela ou me aproximo do local de onde vem a bela sonoridade. Deve pensar lá para ele:

- Olha-me este! Ouve música de borla e ainda queria renda! Era o que faltava. Por aqui, a lei protege os inquilinos ...contente-se em ouvir o que não é para todos!

Dou por mim a pensar: o grilo tem razão. Não o devo perturbar e a minha preocupação deve ser a de arranjar forma de ele por ali permanecer muito tempo, mesmo não sabendo o local exacto onde pernoita e passa o dia. É um artista, não pesa, se calhar até se alimenta de alguns insectos indesejáveis e toca tão bem! Mesmo com a lei das rendas alterada, vou permitir-lhe a permanência sem cobrar um tostão. Sou um magnânimo, passe a imodéstia!

Afinal de contas, música de grilo não tem preço e só é acessível a alguns. Concluí depressa que, quanto mais música ouço, mais adoro os grilos! 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

República

No dia de aniversário da República impõe-se, sem pretensiosismos nem manias pseudointelectuais, uma pequena reflexão sobre o mundo que os horizontes, curtos, me permitem descortinar, avaliar e, fundamentalmente, temer, não por mim mas por aqueles que me seguem e por cá ficarão em condições que nunca pensei pudessem repetir-se.

Ontem houve eleições no Brasil e, em Espanha, foram antecipadas para o próximo mês de Novembro. No primeiro, Lula ainda irá disputar a segunda volta, embora tudo pareça indicar que acontecerá o regresso ao "bolsonarismo", agora representado pelo filho do pai, acolitado pela restante família, santificado pelos evangélicos e com o apoio declarado dos doláres e da melena. Aqui ao lado, também o "barril" se está a entornar para a direita, com a "pólvora" a preparar-se para ditar leis e comportamentos.

Por cá, o "justiceiro" brande a sua "espada", inunda o país de cartazes, fomenta o ódio e a desconfiança, instala uma nova linguagem mentirosa e cada vez mais tabernal.

Lá mais ao longe (ou será perto?), o homem da melena continua a fazer das suas, fazendo do azul preto e do verde amarelo, com a mesma facilidade com que se misturam guaches, sustentando o Bibi e querendo eliminar tudo o que lhe possa fazer frente, incluindo uma civilização milenar.

Na fronteira da Europa, a guerra continua a semear desgraça, com o general da "operação especial" a fazer o que quer, borrifando-se nas sanções europeias e nas reprimendas, terríveis, da senhora Ursula.

Ainda bem que se deu a bronca entre Jesus e o Cristiano. Há tema assegurado até ao Natal  ...

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MÚSICA

Ontem, no CCC, aconteceu mais uma noite de encher os olhos, os ouvidos e toda a "mioleira", com um espectáculo extraordinário de beleza musical, de profissionalismo e de comunicação brilhantes.

Schönbrunn Palace Orchestra

E ver, e ouvir, um violinista português radicado na Áustria, ouvir um maestro austríaco a dirigir-se ao público num português quase perfeito e a orquestra a tocar Coimbra com as vozes do público, foram cerejas no topo de um bolo lindo e saboroso.

Duas sessões esgotadas levaram, entre as 19H00 e as 23H30, bem mais de um milhar de pessoas à nossa excelente sala. Tenho dúvidas se houve alguma que saísse defraudada!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Preocupação

Foi, há 52 anos, um dia que marcou um corte, tornando claro ser impensável e impossível o regresso ao antes, a volta à lei da rolha, a manutenção do Portugal do Minho a Timor, tantas vezes apregoado pelo "Botas" e seus apaniguados.

Para aqueles que, na época, se intitularam "maioria silenciosa", com um pseudo-silêncio dos "inocentes", foi a demonstração inequívoca de que os tempos estavam a mudar e que as vozes caladas tantas vezes à força podiam agora gritar pela justiça, pelo elevador e por um mundo novo.

Meio século passado, com tanta mudança conquistada e uma incomparável melhoria nas condições de vida, surge uma quase maioria expressa nas urnas, não silenciosa, antes ruidosa e malcriada que, através dos seus representantes, cria um ambiente de reles tasca na casa da Democracia. Preocupante!

domingo, 27 de setembro de 2026

Actualidade

"Coimbra, 27 de Setembro de 1991 - Um dia lavado de corpo e alma. Dores ainda, mas aliviadas pelo bálsamo de palavras desusadas, nem ditas nem ouvidas antes. Viciados num quotidiano de banalidades, banalizamos a vida, a nossa e a dos outros, a repetir lugares-comuns. E só lá de tempos a tempos conseguimos, quando conseguimos, realizar o milagre de nos merecermos, a ser inéditos."

Diário XVI
Miguel Torga
Coimbra (1993)

Se Torga ainda por cá estivesse, escreveria hoje o mesmo, ainda que por outras palavras. Ao contrário do que vamos assistindo por aí, a ele não faltava vocabulário nem coragem para exprimir as suas ideias.

sábado, 26 de setembro de 2026

Água na fervura

Quando tudo indicava que entre Guerra e Cabreiro nunca haveria animosidade, eis que o Ministério Público faz buscas na Judiciária e vasculha intensamente tudo de uma ponta à outra, incluindo o computador do Director. Dizem as más línguas que se pretende confirmar a existência de um "animal" que se tresmalhou do "rebanho" e colocou a "boca no trombone" da orquestra informativa dos escândalos.

O rigoroso inquérito que o tempo há-de resolver, juntar-se-á, provavelmente, a tantos outros que nem o tempo resolve.

"Malhas que o império tece" e para as quais há que ter paciência. Os recursos humanos são escassos e muitos estão empenhados em descobrir quem invadiu a casa da democracia e provocou aquela destruição maciça num gabinete onde se guardavam segredos importantíssimos, e da qual, por milagre, apenas se salvou a moldura da Virgem Maria e o terço que a circundava.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

"Página em branco"

 

Deixa-me rir, no Lado errado da noite, onde a minha Imaginação foi ao Frágil, Só, dando uns passos em busca do Bairro do amor e À espera do fim.
Partiu hoje! Dá-me lume para a Viagem! A gente vai continuar pela Terra dos sonhos.

sábado, 19 de setembro de 2026

Sonhos

Com o litígio da Gronelância resolvido com o acordo entre a Dinamarca e o homem da melena, com o fim da guerra no Irão definitivamente marcado para depois das eleições nos States e com a "operação militar especial" da Ucrânia a esperar, ansiosamente, o ralhete que a senhora Úrsula vai pregar um dia destes a Putin, começo a ficar inquieto e a questionar se devo ir à bomba de combustível atestar o depósito ou aguardar pela queda vertiginosa que se irá verificar nos preços.

Sonho meu ...