sábado, 26 de setembro de 2026

Água na fervura

Quando tudo indicava que entre Guerra e Cabreiro nunca haveria animosidade, eis que o Ministério Público faz buscas na Judiciária e vasculha intensamente tudo de uma ponta à outra, incluindo o computador do Director. Dizem as más línguas que se pretende confirmar a existência de um "animal" que se tresmalhou do "rebanho" e colocou a "boca no trombone" da orquestra informativa dos escândalos.

O rigoroso inquérito que o tempo há-de resolver, juntar-se-á, provavelmente, a tantos outros que nem o tempo resolve.

"Malhas que o império tece" e para as quais há que ter paciência. Os recursos humanos são escassos e muitos estão empenhados em descobrir quem invadiu a casa da democracia e provocou aquela destruição maciça num gabinete onde se guardavam segredos importantíssimos, e da qual, por milagre, apenas se salvou a moldura da Virgem Maria e o terço que a circundava.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

"Página em branco"

 

Deixa-me rir, no Lado errado da noite, onde a minha Imaginação foi ao Frágil, Só, dando uns passos em busca do Bairro do amor e À espera do fim.
Partiu hoje! Dá-me lume para a Viagem! A gente vai continuar pela Terra dos sonhos.

sábado, 19 de setembro de 2026

Sonhos

Com o litígio da Gronelância resolvido com o acordo entre a Dinamarca e o homem da melena, com o fim da guerra no Irão definitivamente marcado para depois das eleições nos States e com a "operação militar especial" da Ucrânia a esperar, ansiosamente, o ralhete que a senhora Úrsula vai pregar um dia destes a Putin, começo a ficar inquieto e a questionar se devo ir à bomba de combustível atestar o depósito ou aguardar pela queda vertiginosa que se irá verificar nos preços.

Sonho meu ...

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Inteligência

Os anos vão passando e o pessimismo parece que se instala, com algum agrado, no quotidiano de quem já viu, ouviu e sentiu muita coisa.

Dizem os entendidos que a história se repete, embora com algumas alterações de pormenor (ou será de pormaior?). 

Apesar da oposição do homem da melena, as taxas de juros dos States subiram e, tudo indica, continuarão nessa senda, tal como tem vindo a acontecer na Europa. A tentativa de controlo da inflação por esta via não passa disso mesmo e, tal como em outras ocasiões, iremos ter dificuldades com o esticar dos meses e o encolher das "massas", fenómeno que a minha reduzida capacidade intelectual não consegue explicar.

A esperança reside na "Inteligência" artificial, que para tudo tem explicação, quase como o menino Carlinhos das anedotas. Não verifiquei, mas julgo que até para aquela brilhante tirada da senhora Ursula von der Leyen, no discurso sobre o estado na União Europeia, onde admitiu a hipótese de o Canadá a vir a integrar, ainda que numa espécie de visita regular, sem necessidade de marcação prévia de mesa.

Na Jangada de Pedra, Saramago discorria sobre a separação da Península Ibérica e o seu caminho pelo Atlântico até às Américas. Acontecerá?

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) As noites de espectáculo inevitavelmente terminavam com a contagem das patacas e dos tostões amealhados, aferindo-se tanto o resultado dos ingressos como o das pilhagens, com o safardanas a enfardelar a pecúnia na rafada escarcela de que nunca se separava, nem quando a natureza o chamava a dobrar os joelhos atrás das moitas.

Todavia, a maior humilhação a que fui sujeito - mas também aquela que garantiu a minha liberdade - aconteceu no dia em que me pintaram os quartos traseiros de branco e me decoraram a cachola com uma vistosa armação de chifres, alardeando aos ingénuos que eu era espécime raro e extravagante, proveniente de longínquas latitudes, das profundidades da tundra lapónica: enfim, uma rena.

Não vale a pena nomear a terra onde tamanha vergonha ocorreu, que até aos dias de hoje semelhante enxovalho e infâmia permanecem vivos na memória do povo, mas a verdade é que a galhada que me tinham montado na cabeça, composta por materiais de qualidade inferior, logo na primeira saída à arena, com o calor das luzes, o ruge-ruge das lantejoulas e o gingar dos costados, fez com que as portentosas armações descaíssem para o lado, revelando o capcioso embuste.

Entre a assistência, à laia de macaréu, gerou-se gigantesco bruaá. No instante em que se aperceberam do logro, os labregos da aldeia sentiram que os estrangeiros buliam com as suas virtudes intelectuais e o calibre do seu entendimento, chafurdando-lhes com a honra e a inocência; num ape, armaram-se de varapaus, estadulhos e todo o tipo de cacetes a que conseguiram deitar a mão, e trataram de escorraçar a trupe de pilantras, mais as suas moscambilhas, para longe de tais arrabaldes. Nem uma granizada de armas de Santo Estevão faltou para rematar tal ópera bufa.

Aproveitei a bagunçada e escamugi-me daquele opróbrio a fim de reconquistar a liberdade e o amor-próprio. Não mais me tomariam por enxovedo das suas chuchadeiras.

Fortunas e adversidades de Luciano de Megera
Burro de muitos anos
D. Quixote (2026)

sábado, 12 de setembro de 2026

Boa vida

A "semana cultural" terminou! E valeu a pena, como sempre. Foram cumpridos os objectivos delineados à partida e excedidas todas as expectativas que haviam sido criadas.

Braga foi a primeira paragem a sério, não para "passear" como o libertino Luiz Pacheco nem para espreitar pelo canudo mas para voltar a usufruir da beleza da cidade, das suas flores e canteiros tão bem arranjados e cuidados, da sua monumentalidade maioritariamente religiosa e, objectivo supremo, visitar o MUZEU. 

E foram quase três horas a admirar o interior reconstruído de um velho edifício e a sua transformação num museu extraordinário de mensagens e de arte. Da escadaria interior, que tende para infinito ao lema do Maio de 1968 "Sejamos realistas, exijamos o impossível", passando pelas muitas centenas de obras expostas, tudo cria um ambiente perfeito e faz imaginar o prazer que o seu mentor - José Teixeira, do Grupo DST - deve diariamente sentir por partilhar a sua riqueza com todos os que com ele trabalham e com os visitantes do MUZEU.

Do programa do MUZEU, de Abril e Outubro de 2026
" O MUZEU escolheu dedicar uma das suas galerias, de forma permanente, a Anselm Kiefer (Alemanha,1945), um dos artistas especialmente representados na coleção de José Teixeira e um dos nomes mais relevantes e unânimes da cena artística contemporânea. Se os artistas são os seres humanos que mais se aproximam da eternidade dos deuses, chegámos, então, ao Olimpo.(...)" (Foto de uma das obras)

"(...) É nesta procura da singularidade, multiplicada por quantos somos, que encontramos as virtudes das artes que, quando adotadas em massa por todos os que connosco trabalham e sonham, implicam resultados encantadores que, por serem produto de todos, se tornam propriedade de todos - para dividir com outros todos. (...) " (Mensagem de José Teixeira) 

Subindo um pouco , depois de uma noite bem dormida num excelente hotel na Falperra, chega-se à Cerveira acolhedora, com a sensação de ser bem guardado pelo veado que vigia lá bem no alto do monte. A Bienal deste ano está à disposição, todos os dias, a partir das 10 da manhã e vai permanecer assim até ao final do ano.

Como sempre, as novidades e os trabalhos espantam, criam curiosidade, obrigam a pensar, transmitem mensagens subliminares ou clarinhas como água, numa organização sempre impecável na informação e na forma como tudo é mostrado. Nesta edição, os trabalhos em vídeo são prevalecentes e alguns deles bem marcantes no que mostram. 

E há Paula Rego e Vhils, a primeira com o figo da Bordalo e o segundo com uma parede interminável ... de imaginação e arte!

Pena é que a qualidade do fotógrafo não seja adequada à beleza das coisas fotografadas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Obediência

Como sempre, o humor, a perspicácia e a arte de António, no Expresso desta semana, valem mais do que mil palavras,

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Coincidências

António Lobo Antunes é um escritor muito querido por aqui, há muitos, muitos anos. Voltar aos seus livros e à sua forma de escrever é um "desporto" que pratico com regularidade e sempre com uma satisfação enorme.

Nasceu num dia especial, ontem, e teria feito 84 anos se a sua partida não tivesse acontecido em Março deste ano, por sinal um mês também significativo cá por casa.

As obras de ALA estão todas à "mão de semear" e, de quando em vez, abrem-se ao acaso e lê-se um qualquer trecho. Continuam a ser sempre surpreendentes e deliciosos!

Ontem foi isto:

"(...) larguei o carrinho de mão nas traseiras por não necessitarmos dele, para quê, da mesma forma que não necessitamos do comboio da França porque além de apenas significar duas sílabas não se volta de lá, uma cama articulada entre camas articuladas numa sala onde o pai do cego não vive, se demora urinando na fralda, o canito estendeu-se de focinho na terra encostando-se-me à palma numa humildade cansada, um vitelo cruzou a ponte lá em baixo, um cabrito fitou-me com insolência de uma rocha, os rapazes passaram na vinha como se não dessem por nós, alguém que não localizei

- Foi depois do sarampo

levantei-me do cepo para me ir embora porque o relógio sem ponteiros marcava a hora certa, isto há vinte, trinta anos e a hora certa sempre, quem afirma que o tempo avança engana-se, somos nós que avançamos e nos tornamos idosos, não ele, tenho notado isso comigo, as pedras iguais, um bocadinho de musgo talvez e eu decrépito, como será a vila hoje, ruínas, meia dúzia de cercas que os arbustos comeram ou vivendas de emigrantes a regarem jardins, ao chegar a casa em Lisboa percebi que gente por uma mudança no ar embora nenhum ruído, nenhuma lâmpada e as janelas fechadas, o cartão do frigorífico no lugar em que o deixaram, os chinelos que ninguém me calça à cabeceira da cama, o esquerdo a necessitar de um reforço na biqueira (...)" 

Caminho como uma casa em chamas
António Lobo Antunes
D. Quixote (2014)

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Dia especial

Nestes dias nota-se claramente que o tempo voa, por mais que queiramos que ele corra devagar.

São 45 anos de vida intensa que se comemoram e, desta vez, com a presença física do aniversariante, ao contrário do que tem acontecido tantas e tantas outras vezes. As novas tecnologias fazem do longe perto ... mas não é a mesma coisa.

Hoje tens toda a gente à tua volta, para te desejar que este dia "se repita por tempo indefinido".

Parabéns, meu filho!