Casa da Ginja
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e com dois sentidos de trânsito.Actualização: desde Abril de 2009 o trânsito foi, finalmente, alterado para sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
domingo, 30 de agosto de 2020
Educação e limpeza
Podia ter sido mais uma, para que a média, sempre tão querida, ficasse certa.
O telemóvel, que serve para tudo, até para telefonar, marcou 1.700 metros percorridos e a mente contou 16 máscaras Covid no chão, com a natural companhia de sacos de plástico, papéis, luvas, etc.. Não andei em nenhuma lixeira licenciada, antes numa estrada nacional ou municipal, que circunda a "minha" praia da Foz. Não fui demasiado atento ao que me surgia à frente dos pés, havendo por ali paisagens bem mais interessantes. Admito, por isso, que a contagem peque, e muito, por defeito. Em média, a cada 100 metros aparece uma máscara e algumas estão tão bem colocadas que se vislumbra o cuidado com que foram ali depositadas.
É obra! Dramático ou patético?
Estamos longe de ter um comportamento cívico capaz, apesar de, se perguntados, arrisco a dizer que todos responderão que o têm. Talvez a geração dos meus netos corrija, se não prestar atenção aos exemplos dos seus mais velhos.
E nem imagino quantas cuspidelas estarão na calçada! "Penas que não se vêem, não se sentem."
Vão começar, agora, a multar as "beatas", não faço ideia como, mas a polícia deve saber. Talvez com operações Stop ou gente "escondida" a vigiar.
E se apostassem nas campanhas de educação não haveria melhores resultados? As televisões podiam, e deviam, dar uma grande ajuda, e de forma simples: se as câmaras, em reportagem, em vez de focarem a cara dos "opinadores", focassem o chão que eles pisam, talvez resultasse.
sábado, 29 de agosto de 2020
(a)Normalmente
Numa manhã de muito vento e após ter terminado o livro de Teresa Veiga chegado esta semana (Cidade Infecta), dou por mim a escrever umas notas no telemóvel, em vez do lápis Viarco que habitualmente utilizo. O passeio à beira oceano com regresso pelo lado da lagoa a isso levou.
O "novo normal", como lhe chamam os grandes opinativos, talvez seja responsável por esta alteração de hábito ou, para parecer muito "avant la lettre", a utilização integral das novas tecnologias e a dispensa do que me acompanhou sempre.
Na volta pela lagoa, mais abrigada da nortada e com bastantes veraneantes, dou por mim a olhar e a estranhar um grande grupo, "acampado" na areia e a regalar-se com o sol. Que grande ajuntamento! São da mesma família, para estarem assim tão juntinhos? Já tudo se estranha. Será a nova rotina? O comportamento dos outros, tão banal, já me parece esquisito? E os outros, acanham-se quando eu passo sem a distância determinada ou sem a máscara protectora? A recriminação dos comportamentos vai passar a regra? Deixaremos de tolerar as diferenças e a liberdade de cada um? Atingiremos a desfaçatez de passarmos a polícias cívicos uns dos outros? Regularemos tanto que as baias nos sufocarão? Tenho esperança que o bom senso prevaleça, que nos respeitemos dentro das diferenças, sem pensar que só o outro pode ter a "lepra" que não queremos para nós.
Nestas alturas, a memória rebusca e traz sempre ao de cima a frase do polícia cioso das suas obrigações, confrontando um grupo de jovens, no qual eu me incluía, e que tinha ido fazer uma visita nocturna a Peniche, aí pelos inícios da década de 70 do século passado, bem antes de a liberdade passar por aqui.
"São proibidos os grupos agrupados e mais que dois a andar parados".
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Rua Damasceno Monteiro
Ontem à noite li a crónica de Dulce Maria Cardoso, que a Visão publica na edição desta semana.
Começa assim: O mau feitio do sr. Adérito salvou o 47 da Rua Damasceno Monteiro, um bonito prédio de tabique e varandinhas de procissão, construído no princípio do século passado. (...)
Alto lá! Eu morei no primeiro andar deste prédio há meio século. E que recordações ele me traz. A tia - era assim que todos a tratávamos, embora não fosse tia de ninguém dos que lá viviam - era Gertrudes de sua graça e morava lá há muitos anos. O andar era enorme e a tia alugava quartos, com autorização do senhorio, naturalmente. Éramos 12, a dormir em quartos duplos e, nalguns casos, triplos, rapazes e raparigas, em quartos separados, como é óbvio. Havia estudantes, a maioria, militares, e trabalhadores da província que tinham o seu emprego na "aldeia grande". Lembro-me de um ser técnico na Siemens e outro nos Correios. Estes dois dormiam no mesmo quarto e tinham tratamento algo diferenciado, por serem mais velhos e, nos dois casos, com algum mau feitio. Eram os hóspedes mais antigos e nunca tinham recriminação pela hora de chegada, nem o banho cronometrado. Todos os outros eram brindados com chamadas de atenção, reprimendas, conselhos, sempre num tom maternal e cordato.
A tia só levantava a voz para o marido, mecânico de profissão, ora por chegar tarde, ora por vir cedo, por trazer nódoas de óleo no fato-macaco, por não se ter descalçado à entrada, um fartote. Fanático pelo Benfica, o tio, João de seu nome, ao domingo extasiava-se. Saía de casa de manhã, cedo, e ia a pé até ao Estádio da Luz, onde passava o dia até ao final do jogo de seniores, quando o Benfica lá jogava. De manhã, via os juvenis e os juniores, almoçava o farnel que a tia lhe arranjava e voltava todo ufano, mesmo que o Benfica tivesse perdido. Falava "com a boca cheia de favas". "O Benfica jogou bem, teve foi azar". O boné vermelho e o cachecol do "glorioso" faziam parte da fatiota dominical, tal como o cabelo bem penteadinho e cheio de brilhantina. O quadro completava-se com um bigode preto, bem farfalhudo, mas sempre aparado.
Não tinham filhos. Em determinada altura, apareceu uma criança de 2/3 anos (já não me recordo bem), que passou a viver lá em casa, mimadinha pela tia por ser a filha que nunca tinha tido. Dificuldades da mãe, ausência de pai, necessidades de emigração, nunca soubemos bem por a tia não adiantar nada se a conversa ia por aí. Foi notícia de jornal alguns anos depois, mas isso fica para outra altura.
Havia sempre café naquela casa. A cafeteira estava na mesa e a tia cuidava de a manter provisionada e com a bebida morna. Adorava que um qualquer de nós lhe fizesse companhia num "cafézinho das velhas", que bebia a toda a hora. Todavia, gostava muito mais que a acompanhássemos a uma leitaria em Almirante Reis, onde o café, de máquina e tomado à mesa, era muito mais saboroso.
Se fosse um passeiozinho à Baixa, com um café e um pastel de nata na Central da Baixa, era "oiro sobre azul". E, às vezes, calhava-lhe: "Dá-me só um instante para eu me arranjar."
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
Feira do Livro
Abriu hoje a Feira do Livro de Lisboa.
Há muitos anos que não falho uma e lá me desloco pelo menos uma vez. Poucos ou muitos, trago livros recentes, mais antigos que me passaram na saída, outros que nem sequer conheço. Coscuvilhar os stands dá-me um prazer muito grande, mesmo que o sol não poupe as costas e obrigue a um gelado ou uma imperial para dar força à caminhada. O Parque Eduardo VII é um local fantástico para este evento, tal como já o era a Avenida da Liberdade, antigamente.
Embora não me seja fácil vencer a timidez endémica, muitas vezes contactei autores ao vivo, assisti a conversas, pedi autógrafos, que toda a gente gosta mas uma boa parte diz que não dá um passo para isso.
O Conselho de Ministros cá de casa ainda não tomou a decisão definitiva, mas todos os estudos apontam para, neste ano, se fazer "gazeta".
Fica-me a consolação que o malfadado vírus não me impede de ler e a net e os correios me garantem o abastecimento. Ainda ontem recebi dois livros, entre eles o novo de Teresa Veiga - Cidade infecta - que, por gentileza da Tinta da China, me chegou às mãos antes da data prevista para o seu lançamento (e com desconto).
Passe a imodéstia, não será por mim que as editoras, as livrarias e os autores perderão receitas mas, se as vendas já eram poucas, este ano deverão estar "pelas ruas da amargura".
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
Tempo
Falar do tempo que faz, fez ou vai fazer, foi sempre o escape para mudar o rumo de uma conversa que enfastia ou a chave para abrir um diálogo que se afigura difícil de iniciar.
Todos temos opinião sobre o que vai acontecer, tenhamos ouvido o Boletim Meteorológico ou apenas olhado para o céu, azul, cinzento ou estrelado.
- Hoje está um dia lindo. Será que amanhã também estará assim?
- Hum! Há ali umas nuvenzitas ao fundo ...
- Mas não chove. Talvez se levante o vento e eu não gosto nada de frio.
- Não acho. Só se mudar. Está suão e daí só vem calor.
- Pois. Quando Deus queria, até do norte chovia.
- Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal.
- Ninguém controla a natureza e ainda bem.
- Muda tudo de repente. Não viste a semana passada. Estava tão bom e, de um momento para o outro, foi aquela água toda.
Está feita a conversa, fiada, delirante, educativa e substancialmente enriquecedora para os interlocutores. O obrigatório acontece, está cumprido o ritual, amanhã se verá, mas ninguém reivindicará a sua sapiência de o ter antecipado.
E se chove? Não falharei se disser sempre que sim ... em algum lugar do mundo.
terça-feira, 25 de agosto de 2020
Libertinagem
Leio o Expresso desde o número 1, que saiu em Janeiro de 1973. Desde esse longínquo ano em que ingressei no serviço militar obrigatório, não devo ter falhado a sua compra meia dúzia de vezes. Semanas houve em que, por ausência, juntei dois ou três exemplares, para respeitar o compromisso junto de quem mo guardava religiosamente. Ainda hoje, ao sábado, o meu saco aguarda que eu apareça, já não no mesmo sítio, entretanto encerrado, mas com a mesma "religiosidade".
Muitos dos que hoje nele escrevem ainda não tinham nascido, o que não me dá nenhum direito especial nem sequer abona muito à minha sanidade.
Esta semana o Expresso trouxe a habitual entrevista de "final de praia" com o Primeiro-Ministro, António Costa, que li com toda a atenção e longe de imaginar que, afinal, aquilo que deveria ser analisado e comentado se esvaiu por entre as garras de uma pulhice.
Custou-me. Saber que alguém do "meu" jornal fez a canalhice de divulgar uma "conversa" na qual, em off, António Costa desabafa, apelidando de cobardes os médicos que se terão recusado a prestar assistência aos utentes do Lar de Reguengos de Monsaraz é baixo, muito baixo.
Numa época em que os predadores e pescadores de escândalos estão sempre disponíveis para inundar com "notícias diabólicas" pretensos jornais, televisões e redes sociais, não levou muito tempo a haver uma difusão generalizada da "actualidade" e do "crime".
O Expresso foi sempre, e assim tem de continuar, a imagem da credibilidade das notícias, da diversidade de opiniões, da liberdade, numa palavra.
Espero que o "meu" jornal averigue quem foi o bufo e lhe dê a oportunidade de ir "pregar para outra freguesia", onde o jornalismo sério esteja ausente.
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Palavras bonitas
Não vou a Lisboa desde Fevereiro e é dessa ida a última vez que subi a Calçada do Carriche. Em tempos idos e com uma configuração muitíssimo mais apertada, era o caminho utilizado para entrar na capital indo do Oeste.
A memória tem destas coisas e a associação foi imediata com esta pérola, escrita há largos anos por um grande poeta, e sempre actual. Lisboa (e o mundo) ainda mantém muitas Luísas que, diariamente, sobem a calçada.
CALÇADA DE CARRICHE
sobe e não pode
que vai cansada.
domingo, 23 de agosto de 2020
Dia especial
sábado, 22 de agosto de 2020
SURPRESA (ou talvez não)
De acordo com as notícias de ontem, na praia, a PSP anda meio escondida pela cidade, não se mostrando ao cidadão que, eventualmente, transgride, e debitando as multas sem contemplação, enviando-as pelo correio.
Se já eram conhecidos relatos de multas por estacionamento indevido, passadas pelo agente que passa de mota e anota, na memória, a matrícula do veículo transgressor, surge agora a nova de que a não paragem num cruzamento com visibilidade e pouco movimento mas dotado de um sinal STOP, deu uma cartinha com um "prémio" de 120,00 € e o registo de pontos na carta de condução. Do polícia fiscalizador e observador da infracção nem rasto.
A PSP é necessária e fundamental para assegurar o cumprimento das regras mas, como em tudo, a sua actuação deve primar pelo bom senso, regra que, não estando na lei, é imperiosa nas relações em sociedade.
Atirar a pedra e esconder a mão é feio. Mandar a pedra pelo correio sem qualquer conversa com o prevaricador é perder a dignidade numa função tão nobre quanto necessária.
Ou será que o esforço formativo é agora canalizado para a escrita nas redes sociais e se perdeu a capacidade de dialogar de viva voz?
As entidades fiscalizadoras da actuação dos cidadãos têm por dever supremo fazer cumprir a lei, de forma tempestiva e coerente, usando o diálogo como profilaxia de infracções futuras. Não me passa pela cabeça que, um dia destes, alguém que não goste de mim ou seja um pressuroso defensor da lei, possa ir dizer ao polícia conhecido que estive mal estacionado ou não parei no STOP e que, em consequência, me apareça na caixa do correio a multa respectiva.