domingo, 25 de maio de 2008

Palavras bonitas

RETRATO DE UMA PRINCESA DESCONHECIDA
Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual
Editorial Caminho

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pensamentos

Estou convicto que acontece com todos ...
Por vezes, o peito abre e emerge um ser convencido de que possui um jeito extraordinário para fazer determinada tarefa, tem alma de pintor ou de poeta, imaginação sem limites, capacidade a rodos, qualidades não evidenciadas nem reconhecidas apenas por caprichos da sorte, que lhe foi madrasta, ao contrário do que sucede com os "favorecidos da vida", a quem tudo foi oferecido e que, por isso, sem trabalho nem preocupação, têm "o melhor carro, a melhor casa, a melhor mulher (ou homem), o melhor emprego, a melhor vida, o melhor ... tudo".
Regressa uma pessoa do trabalho, a pensar no "feriadito" (Dia Santo), ouvindo música no tal que não é o melhor carro (esses passam como balas), é "abanado" com dois telefonemas atendidos ilegalmente (se a polícia aparecesse, pedia desculpa) e chega a casa.
Os telefonemas já tinham feito "descer à terra", colocar o peito no lugar e no tamanho devidos, acabar com o trautear (desafinado) ao compasso da música.
No sítio do costume, a leitura da crónica de António Lobo Antunes, na Visão desta semana, coloca, em definitivo, o ego no devido lugar.
Há gente tão grande ... e tão simples.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Regresso ...

Os dias voaram, emoldurados pelo almoço da Escola, a chegada do filho e da nora para umas merecidas férias, a visita do neto, da filha e do genro, umas horas passadas no Hospital Termal à procura de que "santos da casa façam milagres", as Festas da Cidade, neste ano engalanadas com a inauguração do CCC e, consequência, há dez dias que por aqui não passava.
Não estive na inauguração oficial do CCC, por dificuldades de agenda, mas presenciei a inauguração popular, com lhe chamou Fernando Costa, que caprichou no fogo de artifício mas fez um discurso demasiado simplista para a importância da obra. Espero que tenha estado melhor na presença do PR.
Perdi António Pinho Vargas & José Nogueira mas estreei-me com Tricicle, um espectáculo extraordinário vindo de Barcelona e que pôs toda a gente a rir e a aplaudir.
O Cartaz promete e, apesar do bilhete semestral, corre-se o risco de a algibeira se queixar, tanta e tão diversificada é a oferta.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Acordo ortográfico

Entendo que uma língua é tanto mais viva e mais bela quanto mais formas existirem para a sua expressão, sem espartilhos de legalidade ou baias de criação.
A língua de Aquilino Ribeiro é bem diferente da de Mia Couto; Lobo Antunes não escreve como Germano de Almeida; Jorge Amado não se compara com Eça de Queiroz e Fernando Pessoa com João Cabral de Melo Neto, para citar apenas alguns exemplos.
Alguém deixou de entender estes e tantos outros, por a forma de escrever ser diferente?
Adaptando um velho slogan:
Há acordo??? Sou contra !!! ... e já subscrevi em

Recordações


Outrora era hoje o dia da mãe.

domingo, 4 de maio de 2008

Perguntas (im)pertinentes

  • O aumento dos bens alimentares terá alguma coisa a ver com a especulação dos fundos de investimento?
  • Será possível passar pela cabeça de alguém que o Santana Lopes pode voltar a ser Primeiro-Ministro?
  • Se a anterior for verdadeira, também teremos, de novo, o Jardim Gonçalves no BCP?
  • Para o ano só haverá oito clubes a disputar a Primeira Liga?