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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Dia Mundial do Livro

Ler é uma das actividades que (ainda) vou conseguindo desenvolver. E sempre com muito prazer!

Comecei a ler bem menino, à custa da paciência da minha irmã, três anos mais antiga, que, nessa altura, iniciou a "profissão" à qual, alguns anos mais tarde, haveria de retirar as aspas. Descobrir o que os livros da escola diziam naquele amontoado de "hieróglifos" era uma aventura. Ouvir quem já sabia causava uma inveja medonha e obrigava a um esforço para memorizar e "ler" sem ainda perceber o que estava impresso. Lembro a história dos bois do Geirinhas (livro da 3ª. classe?) que, trocados, não conseguiam ou não queriam puxar o carro, por mais que o dono insistisse. Foi decorada na totalidade antes ainda de saber juntar as letras ou soletrar palavras.

Depois, o Jornal de Notícias, - enorme, que entrava em casa com alguma regularidade e era lido no chão da cozinha, de joelhos-, proporcionou alguma abertura sobre o que ia acontecendo no país e no mundo e que a censura autorizava saber. Vem dessa época e desse grande jornal o gosto pelo cartoon pelas Palavras Cruzadas que ainda hoje conservo.

Não faço ideia de quantos livros já li. Foram, e continuam a ser, muitos. Mesmo quando já se conhece o autor, até já se leu uma crítica ou o resumo, ler o livro é sempre uma aventura entusiasmante: colocar-se do lado de lá, tentar perceber o que o autor escondeu, o significado da palavra, a metáfora contida na frase é, ao mesmo tempo, um desafio e um prazer enormes.

Os livros estão caros, mas o "vício" de comprar até isso ultrapassa. Hoje, a caixa do correio electrónico foi inundada de descontos oferecidos pelas editoras. Não cedi. Lá para o dia 25, como é costume, vão aparecer mais alguns ... e cada vez há menos espaço!

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Dia Mundial do Livro

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Livro. Talvez seja apropriado um excerto de um que tem como título LIVRO e que trata um tema muito actual por cá e tão esquecido do que, antanho, se passou com muita gente de cá que abalou para lá, seja isso onde tenha sido.

(...) 

"(1967)

A Adelaide queria tratar de vida.

Acordava com as voltas da Libânia, do outro lado do lençol, a dar papa à menina. A essa hora, o marido da Libânia estava maldisposto, tinha frio nos pés ou insatisfazia-se com miudezas. Seriam umas cinco da madrugada. A Adelaide não precisava de despertador, mas tinha um relógio de pulso, a que dava corda antes de adormecer e que pousava sobre um caixote, à cabeceira do colchão. A Adelaide dizia qualquer palavra sumida antes de tirar o lençol que estava suspenso numa corda, superfície branca de sombras, e que dividia a casa. Às vezes, quando a Libânia lhe pedia, a Adelaide levava a menina à escola maternal antes de ir para casa da patroa.

Seriam umas seis e meia quando abria o portão, a cadela andava solta no jardim e vinha sempre recebê-la, de rabo a abanar. A Adelaide nunca tinha visto uma cadela daquela raça, era uma cadela fina, chamava-se Princesse, mas a Adelaide, baixinho, chamava-lhe Princesa, fazia-lhe festas por detrás das orelhas e dava-lhe a mão a lamber. Em certos dias, ao fim da tarde, a patroa vestia-lhe uma casaca e levava-a a passear. A Adelaide tinha custado a habituar-se a essa moda. A cadela tinha bom pêlo, não precisa de casacas, coitadinha.

Na França, a Adelaide tinha-se admirado com muito. Nunca se esquecia da primeira vez que entrou num supermercado. Imaginou a reacção da velha Lubélia se alguma vez visse um supermercado daqueles. De manhã, à chegada, a Adelaide abria as janelas da cozinha da francesa e começava a preparar o pequeno-almoço, os copinhos de loiça onde enfiava os ovos malcozidos. Quando a francesa e o marido acordavam, quando se sentavam de roupão na mesa posta da sala, um ou outro podiam chamá-la pelo seu nome em francês e pedir-lhe qualquer coisa que faltasse. A Adelaide sabia utilizar a máquina torradeira. (...)"

Livro
José Luís Peixoto
Quetzal (2010)

terça-feira, 23 de abril de 2024

Dia Mundial do Livro

No Dia Mundial do Livro, depois de ter lido meia dúzia de mails anunciando "descontos fenomenais na compra de obras fundamentais", decidi que era dia de ser imperturbável e não adquirir nada.

Peguei em A Relíquia, por me ter vindo à memória um dos livros que mais me marcou na adolescência, e dele retirar alguma coisa para deixar por aqui. Depressa o voltei a colocar no seu discreto compartimento. Se Eça ainda por cá andasse, não teria mãos a medir nem veneno suficiente para distribuir.

Talvez nem o Bugalho escapasse, esse que, tão novo, descobriu o difícil caminho que o vai levar à Europa das grandes decisões. Aí pugnará, com o brilhantismo que todos reconhecem, pelo seu bem-estar e futuro a contento, proporcionando a Montenegro continuar com o sorriso que exibiu ontem, ao anunciar a sua inclusão como cabeça de lista da AD às eleições europeias. 

domingo, 23 de abril de 2023

Dia Mundial do Livro

Há muitos anos que, diariamente, comemoro o livro como objecto essencial para o meu bem-estar. Pouco ou muito, todos os dias leio (n)um livro e disso retiro sempre prazer, mesmo quando acontece a leitura não me ser agradável. Raramente coloco um livro de lado sem chegar ao fim.

Não atribuo grande importância às comemorações do dia disto e daquilo, que são, na maior parte das vezes, meras acções de marketing destinadas a promover o gasto, mesmo que o objecto acabe por não ser consumido. O importante é comprar!

O livro é um caso especial. Pela importância que teve, tem e irá continuar a ter no desenvolvimento do saber e por parecer que se encontra em vias de extinção e a ser cada vez mais decorativo e menos folheado. O livro é, como definiu António Lobo Antunes, "o ouvido que se encosta à terra para escutar o mundo". 

Os meus continuam por aqui, amontoados e a ocuparem cada vez mais espaço, obrigando a retirar os da frente para alcançar os escondidos lá atrás, e a ter um cuidado extremo na "catalogação", para que seja possível saber onde param. A lógica da arrumação ajuda mas é a base de dados que garante a descoberta sempre que necessário.

E para quê, perguntam os mais novos. Hoje lêem-se livros no PC, no tablet e até no telemóvel, sem peso a segurar e a transportar e sem ocupação de espaço em casa.


sexta-feira, 23 de abril de 2021

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro

Não sou muito dado às comemorações do Dia Mundial "disto e daquilo", muito embora reconheça quão importante é existir uma data que seja apelativa, obrigue a notícia e, sobretudo, seja um alerta para que determinado problema ou acontecimento não seja esquecido.
Hoje é o Dia Mundial do Livro, promovido pela Unesco.
Celebra-se numa altura em que as editoras passam por dificuldades enormes e as livrarias não lhes ficam atrás, ou vice-versa, para o caso pouco importa.
A crise levou ao adiamento da publicação do novo livro de Mário de Carvalho - Epítome de pecados e tentações -, e a Margarida espantada, de Rodrigo Guedes de Carvalho teve o mesmo destino. Este último já está disponível nos formatos E-book e Audio-livro, mas não é a mesma coisa.
O malfadado Coronavírus trouxe problemas a todos os sectores, se bem que nenhum seja comparável à saúde. Contudo, talvez este isolamento tenha trazido mais gente para a leitura e levado alguns a ler os livros que permaneciam "encostados" há muito tempo, a aguardar "tempo". E pode ser que fiquem leitores fidelizados. Por mim, embora por vezes com alguma incapacidade de concentração, cá vou mantendo a rotina diária de ler, muito ou pouco, mas sempre.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Dia Mundial do Livro

Hoje celebra-se o Dia Mundial do Livro. 
Quem puder vá à manifestação referida aqui, mas sobretudo leiam, não pelo dia em si mas porque faz bem à saúde, e dizem até que mantém a linha.
Pelo sim, pelo não, eu continuo a ler, cada vez com mais prazer e com a certeza de que o tempo não me chegará para ler tudo quanto gostaria.
Hoje terminarei o último de Mário de Carvalho - O que eu ouvi na barrica dos maçãs - e tem sido uma delícia ler (nalguns casos, reler) crónicas cheias de humor e de actualidade.

domingo, 21 de abril de 2019

Dia Mundial do Livro

Na próxima terça-feira celebra-se o Dia Mundial do Livro!
Não posso estar na manifestação, mas serei solidário, lendo, diariamente, como faço há mais de 50 anos. Parabéns aos promotores da iniciativa, sempre importante para se valorizar o livro.