quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Notícias

  • O Presidente da República não ganha para as despesas.
  • Vamos passar a trabalhar no 5 de Outubro, para não nos lembrarmos da República.
  • A pedido expresso (recebido via mail do além) de Miguel de Vasconcelos, o 1º de Dezembro deixa de ser feriado.
Sugestões:
  • O Governo poderia trocar o 1º de Dezembro pelo Dia de Reis. Matavam-se dois coelhos com uma só cajadada - ficávamos como Espanha e comemorávamos o Gaspar !!!
  • Cavaco devia exigir que o Governo decretasse a alteração dos dias para 48 horas. Melhorava a produtividade, as reformas já chegariam para as despesas, diminuiria o consumo da energia, por haver luz solar durante 24 horas e o mandato do PR acabaria mais depressa.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Palavras bonitas

Por cousas que nam têm cura
hei por mor desaventura
qualquer dia que me vem,
nem desejo nenhum bem
por nam ver quam pouco dura.

Ditoso de quem viver
livre, fora d'esperança,
digo eu sem no saber.
coitado de quem alcança
ganhá-la para a perder.
Pois tudo tam pouco dura,
seguro que nam segura
nam no quero de ninguém
nem desejo nenhum bem
com despreços de mestura.
João de Meneses (1514 ?)
Rosa do Mundo
2001 poemas para o futuro

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Acordo ortográfico

O meu amigo E.R. eliminou a distância que separa a Encarnação das Caldas e enviou-me este maravilhoso texto, que não resisto a partilhar e a "arquivar" no blog, para que os meus netos, um dia, saibam que houve alguns que resistiram ...

Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.
De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.
São muitos anos de convívio.
Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:  - não te esqueças de mim!
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.
E agora as palavras já nem parecem as mesmas.
O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.
Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.
É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos  janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.
Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos.
Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.
Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.
Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! 


Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Será que não pudemos, com a ajuda da troika, recuperar do deficit na nossa língua ?
 

Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça !

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quotidiano

Hoje, no consultório do otorrino.
- Ladrões! Tiraram-me 62 euros da reforma, agora recebo 213. Mas lá na Assembleia continua a haver quem ganhe 5.000 e mais!
Podia lá ser! As dúvidas levantadas, apenas com os esgares dos rostos, forçaram a explicação mais pormenorizada.
- Pus uma pilha aos 43 anos e fui reformado por invalidez. Passado algum tempo, melhorei e consegui emprego no Estado, como pedreiro. 'tive lá 10 anos, a pilha não deu para mais. Tenho 40 anos de descontos e 65 de idade. Recebo duas reformas, uma da previdência e outra do Estado,  que somavam 495 euros. Roubaram-me 62 de uma delas.
A esposa põe "água na fervura".
- Deixa lá, haja saúde! O que vale é a horta, mas já me vai faltando a força ...
Pela consulta e pelos medicamentos despendi um valor quase igual ao que descontaram ao homem que zurziu o Governo com toda a energia que a pilha lhe permitiu, exprimindo a sua indignação aos circunstantes.
Já vai faltando a força à mulher, a pilha já não dá energia suficiente ao homem, a reforma abandona-os aos poucos, que país estamos a (des)construir?