Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

BOAS FESTAS

A todos os que, apesar da vertigem da actualidade, ainda perdem tempo a passar por aqui, desejo um excelente Natal e um Ano Novo com saúde, alegria e, principalmente com a paz que tão arredia tem andado por esse mundo fora.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Natal

A todos os que (ainda) vão perdendo algum do seu precioso tempo a espreitar o que por aqui vai aparecendo, votos de um excelente NATAL, com tudo o que pretendem e, especialmente - lugar comum - saúde e paz.

BOAS FESTAS

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Natal

O Natal aproxima-se a olhos vistos. E não é preciso olhar para as nuvens que já tomaram conta do céu ou para a necessidade de procurar o guarda-chuva, perdido algures entre as bugigangas estacionadas na garagem.

Basta estar atento às notícias das editoras que divulgam a chegada ao mercado de livros novos. Num frenesim desenfreado, quase a roçar o absurdo, as mensagens electrónicas, as divulgações nos jornais e revistas, as notas nas rádios e nas televisões, alertam-nos para o que está previsto, já saiu ou vai chegar em breve, tudo a não perder, sem sombra de dúvida.

E não é que têm resultados! Cá por mim, já adquiri algumas das novas obras, seguramente com um pouco de influência da publicidade (seria mais actual escrever marketing), mas apenas dos autores que têm a porta cá de casa sempre aberta e sobre os quais até arrisco sem folhear.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Natal

Numa clara homenagem a todos nós, habitantes deste real burgo, as entidades responsáveis pelas iluminações de Natal desta cidade escolheram os anjinhos para nos "alumiarem" e, talvez, nos darem uma maior capacidade de entendimento sobre o que por aí vai, da região ao país, da Europa ao Mundo.

Há quem, sem grande esforço e com uma lata impressionante, continue a tentar mostrar que a iluminação só bafejou uns poucos e a eles cabe a "colonização" da mente do povaréu.

"Ninguém se lava duas vezes nas águas do mesmo rio, porque a água não é a mesma e as pessoas também não". Esta frase, citada de cor e sem qualquer rigor científico, pertence a Heráclito e data de cinco séculos antes do nascimento de Cristo, que se comemora nesta época. Não quero (longe de mim tal ideia) contrariar um pensador deste nível mas, por aqui, começa a cheirar muito ao antigo e eu preferia não ver o rio a correr, de novo, com água "podre".

BOAS FESTAS

domingo, 25 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

NATAL

Um anjo imaginado
Um anjo dialéctico, actual,
Ergueu a mão e disse: - É noite de Natal,
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Diário IX
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1977)

sábado, 24 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

VOTO DE NATAL

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida ...
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
Ó calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acende-se de novo o Presépio nas almas,
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

Obra Poética (1948-1988)
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença (1997)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

NATIVIDADE

Arde no coração da noite
A ritual fogueira que anuncia
O eterno milagre
Do nascimento.
Batida pelo vento, 
Que da cinza das brasas faz semente,
É um sol sem firmamento,
Directamente
Aceso
E preso
À terra
Por mãos humanas.
De raízes profanas, 
Lume de vida a bafejar a vida,
O seu calor aquece
A única certeza que merece
Ser aquecida ...

Diário VII
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1976) 
 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

O NATAL DA INFÂNCIA

Ah como se alongava a província Natal
com distritos de luz dentro do Novo Ano
Vinha já de mais longe um perfume lunar
Começava em Novembro a toilette dos Anjos

No mapa da Europa a Suíça a Suécia
ganhavam posições de repente invejáveis
Andava-se na rua à procura de neve
A neve dos postais arquivava-se em casa

E brincava connosco o menino Jesus
mesmo antes da noite em que tinha nascido
Mas ninguém se atrevia a tratá-lo por tu
Era de todos nós o menino mais rico

As prendas que nos dava  E fingia-se pobre
Adorávamos nele o amor do teatro
o dom de liberdade e da metamorfose
Sorríamos de quem nos dissesse o contrário

Obra Poética (1948-1988)
David Mourão- Ferreira
Editorial Presença (1997)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

NATAL

Natal fora da casa de meu Pai,
Longe da manjedoira onde nasci.
Neve branca também, mas que não cai
Na telha-vã da infância que perdi.

Filosofias sobre a eternidade;
Lareiras de salão, civilizadas;
E eu a tremer de frio e de saudade
Por memórias em mim quase apagadas ...

Diário VI
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1978)

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

NATAL À BEIRA RIO

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
a trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado ...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
mais da terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia ...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

Obra Poética (19481988)
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença (1997)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

NATAL

Foi tudo tão pontual
Que fiquei maravilhado.
Caiu neve no telhado
E juntou-se o mesmo gado
No curral.

Nem as palhas da pobreza
Faltaram na manjedoira!
Palhas babadas da toira
Que ruminava a grandeza
Do milagre pressentido.
Os bichos e a natureza
No palco já conhecido.

Mas, afinal, o cenário
Não bastou.
Fiado no calendário,
O homem nem perguntou
Se Deus era necessário ...
E Deus não representou.

Diário V
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1974)

domingo, 18 de dezembro de 2022

Poesia de Natal

PRELÚDIO DE NATAL

Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas

Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas

a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas

A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas

E a multidão passava
E a chuva era tão fina
que parecia filtrada
de taças clandestinas

Finalmente chegava
triunfal   em surdina
a noite convocada
em todas as esquinas

Mas não se derramava
como tinta-da-china
Na cidade acordada
já se ouviam matinas

Obra Poética (1948-1988)
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença (1997)

sábado, 17 de dezembro de 2022

Natal

O Natal está quase a chegar, sem contemplações para todos aqueles que prefeririam um pouco mais de demora nesta corrida desenfreada que os dias empreendem, sem se vislumbrar qualquer ideia de abrandarem a velocidade. 

Não há radares que os assustem nem pontos na carta que os façam "levantar o pé". A velocidade vertiginosa a que circulam impede que se possa apreciar a paisagem ou dar dois dedos de conversa séria. Tudo é rápido e efémero. Mal se sai das comemorações da entrada no novo ano, aparece o Carnaval, comem-se umas amêndoas na Páscoa, tomam-se uns banhos no titubeante Verão, começa a cair a folha e eis-nos, de novo, a pensar nas prendas, na reunião de família, nos males do mundo, nos que padecem e nesta altura aparecem na boca de muitos distraídos pela vertigem.

A partir de amanhã e até ao Natal, "cessa tudo quanto a antiga musa canta, que outro valor mais alto se alevanta", como escreveu Camões. A Poesia é esse valor que por aqui se irá levantar até que as filhós (ou filhoses?) desapareçam, as rabanadas sejam deglutidas e os sonhos sejam saboreados e se mantenham vivos. 

NATAL

Devia ser neve humana
A que caía no mundo
Nessa noite de amargura
Que se foi fazendo doce ...
Um frio que nos pedia
Calor irmão, nem que fosse
De bichos de estrabaria.

Miguel Torga
Diário IV
Gráfica de Coimbra (1973)

sábado, 25 de dezembro de 2021

Animação de Natal

O Natal de 2021 está no fim. 

Saíram as visitas, fechou-se o portão, arrumou-se a sala, baixaram-se os estores, abriu-se a porta da rotina diária, que voltará amanhã.

O Natal irá regressar no próximo ano e espera-se que tudo se tenha composto até Dezembro voltar ao nosso calendário.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Bom Natal!

Com a devida vénia e sem autorização do autor, transcrevo a crónica de Miguel Esteves Cardoso, publicada hoje no Público.

"Ao fazer as compras para o Natal, parei diante da garrafa do meu vinagre preferido e olhei para os outros vinagres, para aqueles que não estava a levar e, sobretudo, para aqueles que de bom grado levaria, caso não houvesse o vinagre que eu queria.

Havia dois ou três. Depois olhei para os azeites. E para os vinhos. E para os queijos. E para os pães. Estão muito melhores do que eram há 50 anos. E não são só um ou dois que é preciso perseguir - ou conhecer alguém ou pagar os olhos da cara.

Uma das desvantagens de se ser conservador é que se atrai uma catrefa de reaccionários, que querem companhia para cantar o fado do "antigamente é que era bom".

Mas o que é que era bom antigamente? A saúde? A educação? A liberdade? O prestígio de Portugal no mundo? A fome?

Não é só a escolha de vinhos. Mesmo os vinhos piores, se fossem comparados com os piores de antigamente, seriam bons. Os piores vinhos de agora podem não ter qualidades, mas, em contrapartida, quase não têm defeitos.

Nos vinhos e nos azeites, tal como nas casas de banho em geral, há uma limpeza e uma higiene que antes não havia. E essa higiene não é só uma questão de produtos químicos e de dinheiro: está cada vez mais nas atitudes de cada um.

É Natal. No meio dos discursos interesseiros da catástrofe e do mal-a-pior lembre-se de todas as coisas que melhoraram.

Até para os pobres. Até para os ricos.

É verdade que, sem queixas, ameaças e catastrofismos, nada melhora, nada teria melhorado. Mas bem que podíamos fazer um intervalo, quando deitamos o azeite sobre o bacalhau, puxamos de um bocado de pão e damos um golo de vinho.

Ainda falta muito? Claro que falta. Mas também não convém termos pressa para termos tudo.

O que interessa - e encoraja - é que já faltou mais.

Bom Natal!"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Presépio

Havia sido decidido pelos mais velhos que o presépio seria o maior de sempre.

- Ali, junto ao altar, aproveitando a reentrância da parede.

O Prior concordou e incentivou os jovens adolescentes a fazerem o trabalho com toda a dedicação.

- Vai ser o maior e o mais bonito, tenho a certeza. Vocês são impecáveis.

Atribuíram-se as tarefas, decidiu-se a quem cabia ir apanhar o musgo, quem fazia a caminha do Menino Jesus, quem arranjava o papel de lustro para recortar a estrela que iluminaria o caminho dos Reis Magos. O acidentado do "terreno" ficaria a cargo do carpinteiro, não o de Belém, claro, mas um outro que tinha muito jeito para montagens e já se havia disponibilizado para a tarefa.

Os elementos a utilizar na decoração são os que fazem parte do espólio da igreja, talvez com o reforço de mais uns quantos prometidos por alguns fiéis. O espelho que garantirá a ilusão do lago também já está assegurado e é proporcional à dimensão de toda a estrutura. Os patinhos farão sucesso, reflectidos na "água".

Tudo planeado. Mãos à obra. Um projecto "profissional" executado por "artistas" dotados. Sucesso garantido. Mas, não há bela sem senão ...

Ao ser colocada na gruta, a lâmpada ficava a ver-se, por ser grande, quando o que se pretendia era que ela apenas iluminasse e não fosse vista.

- Tenho lá em casa uma pequena, com o mesmo casquilho. Vou buscar.

A nova lâmpada não deu luz.

- Não está fundida. Lá em casa dava. Deve ser do casquilho ...

 A chave busca pólos estava ali à mão. Foi só pegar-lhe e tentar levantar a patilha do fundo do casquilho. Um estrondo, fumo e todas as luzes apagadas.

- Queimaram-se os fusíveis. Um curto-circuito. Isto não é trabalho que se faça com a luz ligada. São novos ...

O mal estava feito. Alguém foi chamar o electricista para substituir os fusíveis e o casquilho, e tudo se resolveu. O presépio foi o maior e o mais bonito, como era previsível, dada a qualidade dos "artistas".

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Esperança

A época natalícia convida à paz, à solidariedade, ao entendimento, à diminuição das diferenças, à procura da sociedade mais justa e, se fosse possível, perfeita. Afinam sempre por este diapasão os votos que todos formulamos, com maior ou menor sinceridade. 

Infelizmente, os votos acabam por nunca se concretizar, mas nada impede, antes obriga, que mantenhamos viva a esperança de que um dia irá surgir a possibilidade de todos poderem fazer festas de Natal à sua escolha e em paz.


Carlos do Carmo faria hoje 82 anos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

BOAS FESTAS

Ainda não vai ser neste Natal que regressaremos à normalidade. Permanece viva a esperança de poder acontecer para o ano e isso, por si só, dar-nos-á a força para suportar a desdita que nos martiriza há quase dois anos.

Boas Festas a todos!

domingo, 19 de dezembro de 2021

sábado, 26 de dezembro de 2020

Natal e futuro

Não foi igual, foi o possível.

Já passou. Vamos esperar que a vacina ajude e que, para o ano, cá estejamos para conviver, festejar e lembrar um 2020 que traiu todas as previsões "catedráticas" e "astrológicas", foi cheio de surpresas atípicas e desconcertantes, massacrou toda a gente e vai figurar na memória futura.

As vacinas já chegaram e amanhã iniciar-se-á a vacinação da "linha da frente" dos profissionais de saúde. Vamos esperar que toda a logística corra bem, que não haja oportunismos nem habilidades, que quem manda, ordene sem peias nem medos.

António Costa dizia, na sua mensagem de Natal, que "só não erra quem não faz", verdade antiga que tem implícita a preocupação de errar o mínimo. Neste assunto, tão melindroso, a máxima aplica-se inteiramente.

A partir de amanhã, prosseguindo uma saga que já se arrasta há semanas, as televisões ilustrarão todas as notícias com um braço nu, a ser espetado por uma agulha, com a imagem bem nítida e aproximada, para que não haja dúvidas do espetanço.

Uma imagem vale mais que mil palavras, mas há nexessidade?