ESTA GENTE
Esta gente cujo rostoàs vezes luminosoE outras vezes toscoOra me lembra escravosOra me lembra reisFaz renascer meu gostoDe luta e de combateContra o abutre e a cobraO porco e o milhafrePois a gente que temO rosto desenhadoPor paciência e fomeÉ a gente em quemUm país ocupadoEscreve o seu nomeE em frente desta genteIgnorada e pisadaComo a pedra do chãoE mais do que a pedraHumilhada e calcadaMeu canto se renovaE recomeço a buscaDe um país libertoDe uma vida limpaE de um tempo justo(Para todas as crianças, que hoje comemoram o seu Dia Mundial)Obra Poética (Geografia)Sophia de Mello Breyner AndresenCaminho (2011)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quinta-feira, 1 de junho de 2023
Palavras bonitas
quarta-feira, 1 de junho de 2022
Penitência
Começa Junho e S. Pedro presenteia-nos com uns aguaceiros, para que tenhamos consciência de que é ele quem determina e o faz a seu belo prazer, sem ouvir ou prestar contas a ninguém, nem mesmo a Belém.
Podia, ao menos, ter tido a consciência de não fazer isto no Dia Mundial da Criança. Aos petizes, coitaditos, devem ter restado as brincadeiras nas salas, leituras, jogos, histórias e desenhos, sem os saltos e as corridas que lhes são quase tão preciosas quanto "o pão para a boca" e tornando o dia tão normal como todos os outros.
Esta predisposição oestina para contrariar e ser sempre diferente devia ser objecto de estudo e análise detalhada, por parte de quem sabe, fosse de um Cavaco ou do Juiz que não conseguiu a cadeira do Constitucional. Ambos têm tempo e saber para se dedicarem a este tema e, de certeza certa, trariam resultados palpáveis aos olhos de todos. Veríamos tudo esclarecido de vez.
Porém, o sofrimento continua a arrastar-se e ninguém explica. Passamos o ano a sonhar com o Verão, que há-de trazer céu azul, temperatura amena, ausência de vento, mar chão. Chega Junho e acontece tudo ao contrário. Por mais efeitos de que a pandemia e a guerra sejam responsáveis, não parece justo que, por aqui, continuemos a ser húmidos, salvo seja, a pôr o casaquinho à noite, a esperar, sentados, que o vento sossegue.
A minha análise, empírica, claro, diz-me que isto só pode ser castigo divino por pecados cometidos antanho.
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Dia Mundial da Criança
Hoje é o Dia Mundial da Criança.
Que bom!!! Todas as crianças têm um dia só seu, bem único para muitas das que vegetam por esse mundo fora.
E esse conceito de propriedade, quando lhes chegar ao conhecimento, vai ser deveras importante para elas. Saberão ( e agradecerão, penhoradas) que alguém com elas se preocupou e estabeleceu que o Dia Mundial da Criança era um direito inalienável de todas as crianças ... ainda que o seu único bem.
Lá fora o nevoeiro do fim da tarde no Oeste está a chegar. Traz as nuvens que escurecem o mundo e o tornam ao mesmo tempo belo e cinzento e ... injusto!