Faz hoje cinco anos, um lustro, que meu pai partiu.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
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domingo, 23 de agosto de 2020
quinta-feira, 19 de março de 2020
Dia do Pai
Apesar do que está a passar por aqui e pelo mundo, das incertezas e das esperanças, com coronavírus ou sem ele, com estado de emergência ou a emergência do estado de isolamento, "escondidos" em casa porque o risco é grande, sabemos que, algures, há sempre alguém a passar bem pior do que nós e sem casa para se esconder.
E também que muitos outros há já sem oportunidade de passar por isto.
O meu pai faria hoje 98 anos e, se ainda por cá estivesse, ficaria preocupadíssimo com o que se passaria ... com todos os outros.
SOL DE MENDIGO
Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o sol na beira dum valado
e dorme toda a noite à soalheira ...
Pela manhã acorda tonto de luz,
Vai ao povoado
e grita:
- Quem me roubou o sol que vai tão alto?
E uns senhores muito sérios
rosnam:
- Que grande bebedeira!
E só à noite se cala o pobre
Atira-se para o lado,
dorme, dorme ...
Manuel da Fonseca
Poemas Completos
Forja (1978)
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Palavras bonitas
VOZ
Era uma voz que doía,
Mas ensinava.
Descobria,
Mal o seu timbre se ouvia
No silêncio que escutava.
Paraísos, não havia.
Purgatórios, não mostrava.
Limbos, sim, é que dizia
Que os sentia,
Pesados de covardia,
Lá na terra onde morava.
E morava neste mundo
Aquela voz.
Morava mesmo no fundo
Dum poço dentro de nós.
Miguel Torga
Libertação (4ª Edição)
Coimbra 1978
Já passam hoje 4 anos da partida do meu pai e ainda parece que foi ontem.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Palavras bonitas
Não estou pensando em nada
e essa coisa central, que é coisa nenhuma,
é-me agradável como o ar da noite,
fresco em contraste com o Verão quente do dia.
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida ...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
não estou pensando em nada.
Mas realmente em nada.
Em nada ...
Poesias de Álvaro de Campos
Edições Ática - 1980
(O meu pai partiu há três anos)
e essa coisa central, que é coisa nenhuma,
é-me agradável como o ar da noite,
fresco em contraste com o Verão quente do dia.
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida ...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
não estou pensando em nada.
Mas realmente em nada.
Em nada ...
Poesias de Álvaro de Campos
Edições Ática - 1980
(O meu pai partiu há três anos)
segunda-feira, 19 de março de 2018
Palavras bonitas
(Para o meu pai, que faria hoje 96 anos)
PERSEVERANÇA
Abro o leque da sorte, e mostro o jogo.
Outro lance perdido!
Obras do mundo que eu não tenha erguido
Sobre o suor do corpo e da vontade,
Morrem-me assim nas mãos, num dolorido
Gesto de orgulho e de incapacidade.
Mas o fruto humilhante da falência
Tem um azedo gosto que me excita.
Se o destino se engana, ou se dormita
Na hora crucial do desafio,
Então é o mar que há-de encontrar no rio
O sal da terra em que não acredita.
Miguel Torga
Cântico do Homem
Coimbra (4ª. Edição-1974)
PERSEVERANÇA
Abro o leque da sorte, e mostro o jogo.
Outro lance perdido!
Obras do mundo que eu não tenha erguido
Sobre o suor do corpo e da vontade,
Morrem-me assim nas mãos, num dolorido
Gesto de orgulho e de incapacidade.
Mas o fruto humilhante da falência
Tem um azedo gosto que me excita.
Se o destino se engana, ou se dormita
Na hora crucial do desafio,
Então é o mar que há-de encontrar no rio
O sal da terra em que não acredita.
Miguel Torga
Cântico do Homem
Coimbra (4ª. Edição-1974)
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Palavras bonitas
(Passam hoje 2 anos sobre a partida do meu pai.)
PERENIDADE
Nada no mundo se repete.
Nenhuma hora é igual à que passou.
Cada fruto que vem cria e promete
Uma doçura que ninguém provou.
Mas a vida deseja
Em cada recomeço o mesmo fim.
E a borboleta, mal desperta, adeja
Pelas ruas floridas do jardim.
Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.
Miguel Torga
Libertação
Coimbra (4ªEdição)
PERENIDADE
Nada no mundo se repete.
Nenhuma hora é igual à que passou.
Cada fruto que vem cria e promete
Uma doçura que ninguém provou.
Mas a vida deseja
Em cada recomeço o mesmo fim.
E a borboleta, mal desperta, adeja
Pelas ruas floridas do jardim.
Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.
Miguel Torga
Libertação
Coimbra (4ªEdição)
domingo, 19 de março de 2017
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Palavras bonitas
Para o meu pai, que partiu há um ano.
CERTEZA
Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.
Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.
Miguel Torga
Diário II
CERTEZA
Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.
Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.
Miguel Torga
Diário II
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Pai
N. 19.03.1922 F. 23.08.2015
Passados mais de 11 anos, juntou-se hoje, de novo, à companheira de sempre.
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