Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único.
Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
O país vai de carrinho ... preocupado com as minudências, que ocupam as conversas, distraem da floresta e são tema dos areais.
De acordo com o "discurso" da senhora Ministra, as leis do trabalho têm de ser alteradas, porque há abusos que não se podem admitir. Há mulheres que se aproveitam da lei e usufruem da dispensa de trabalho - duas horas por dia - para amamentarem os filhos até eles irem para a escola (ou para a tropa?).
Solução: prazo fixo de 2 anos, a partir do qual não será possível usufruir. Nem mais um dia ... a lei será para cumprir.
Puna-se, fixe-se, limite-se e teremos toda a gente na linha ... mesmo que a grande maioria lá esteja e não seja abusadora.
E sempre a bem da nação, que não pode pactuar com esta gente que de tudo se aproveita ...
Eis que surgem os resultados das legislativas antecipadas, em consequência de um processo que há quatro meses continua a marinar no forno do segredo ... da justiça. Todos os prognósticos falharam, apesar de serem feitos por gente que sabe da poda e que, afinal, se engana como todos os mortais, ainda que, quando "prega", raramente exprima dúvidas.
O "jogo" ainda está no período de compensação. No entanto, toda a gente acha que o resultado final não sofrerá qualquer alteração, apesar de os votos dos emigrantes só chegarem lá para o dia 20. A AD venceu, o PS ficou pertinho e o outro chegou ao 3º. lugar, com mais de um milhão de apaniguados.
Parece estar um caldinho armado, de digestão difícil e futuro incerto. Em Belém, devem fazer-se preces fervorosas para que tudo se resolva e haja Governo para ... 6 meses. Já não será mau, cumprir-se-á a Constituição e, findo esse tempo, podemos ir de novo colocar a cruz, aproveitando-se a ocasião para imprimir um boletim de voto onde todos os partidos concorrentes exibam a mesma configuração, sem a amálgama deste, com maiúsculas para uns, minúsculas para outros, sem que se perceba a razão de tal diferença.
E se, porventura, surge outro milhão? A ver vamos ...
Não havendo notícias novas sobre a TAP e não sendo curial dar palpites sobre o (meu) Benfica, poder-se-á dissertar sobre alguma outra coisa? Estou em crer que não e também tenho a certeza que as capacidades, se alguma vez existiram, estão a esvair-se tal como o vocabulário, que se vai perdendo, ficando cada vez mais reduzido, repetido e alterado, tipo conversa de cota, bué chata.
Permanecia descansado, de lapiseira na mão, tentando captar alguma coisa que valesse a pena e se encontrasse lá bem no fundo, e nada surgia. O elevador devia estar avariado ou desligado, por falta de reparação ou de dinheiro para a luz.
A música estava a tocar. De forma aleatória e de acordo com a escolha feita pelo equipamento, sem intervenção humana, passava sem se preocupar com o estilo e saltando de disco para disco e de artista para artista, sem qualquer dificuldade. As novas tecnologias dispensam a colocação dos CD's e não se correm riscos de a agulha estragar os LP's. As capas não se deterioram, cabem centenas sem necessidade de móvel, e nem é preciso levantar da cadeira. Uma maravilha, que permite a surpresa de uma qualquer música surgir quando menos se espera e, desta, a memória já só detinha uma vaga ideia.
Já passaram 36 anos sobre a partida de José Afonso, que deixou um legado importantíssimo para os vindouros e inesquecível para os que tiveram o privilégio de o ver e ouvir.
A sua obra ainda mantém, infelizmente, uma grande actualidade social.
A música foi gravada em 1979, no álbum "Fura, fura". A revolta a que se refere aconteceu em 1846. Hoje, infelizmente, o conteúdo mantém-se actual e o alerta necessário.
Foi há 48 anos, tantos quantos durou a ditadura, que alguns quiseram que a primavera de Abril de 1974 voltasse ao Inverno do Maio de 1926. Felizmente, não conseguiram. A maioria não era silenciosa e fez barulho suficiente para que se encolhessem.
Com outros paninhos, outras conversas mas, ainda assim, de dedo em riste, estão a (res)surgir alguns com saudades daquilo que, na sua maior parte, não viveram. E, por vezes, parece que têm alguma audiência ...
Começaram hoje as festas dos 70 anos do reinado de Isabel II, de Inglaterra, com a pompa que o tempo decorrido e a predilecção dos ingleses pela instituição monárquica, justificam, aliadas à curiosidade que os contos de fadas despertam em todos nós, mesmo nos mais cépticos.
A Rainha tem conseguido passar pelos intervalos da chuva que, com regularidade, desaba sobre o palácio londrino, seus moradores ou desertores. Talvez seja esse o seu grande mérito, conseguindo manter a sua pessoa acima da mesquinhez e da superficialidade de quem a rodeia. Com silêncios ensurdecedores ou discursos quase monossilábicos, vai segurando a chama acesa e a aura que a faz pairar num limbo com tanto de inacessível como de mitológico.
Aos olhos de quem está longe, é mau "tocador de ouvido" e um convicto defensor de que o berço apenas deve servir para o conforto do sono - mesmo assim, nem todos dormem nas mesmas condições - a monarquia não é, longe disso, o futuro.
Numa época em que tudo é e não é, onde se grita com a mesma força o isto e o seu contrário, aparecem, finalmente, resolvidos os problemas que impediam a reedição das obras de José Afonso. Assim, a obra do genial autor e intérprete terá divulgação nas plataformas digitais e o acesso, fácil, pelas novas gerações.
Cá por casa isso não vai ser necessário, uma vez que há muito tempo elas aqui residem e continuam a ser ouvidas com a regularidade e a necessidade que, muitas vezes, não as deixa esquecer. Apesar de já ter decorrido mais de meio século sobre os primeiros discos, a obra permanece actual e é sempre ouvida com deleite.
Espero que o trabalho, meritório, que a família e a Associação tiveram para aqui chegar, ponha as novas gerações a curtirem bué a obra de Zeca Afonso.
Faz parte do álbum "Com as minhas tamanquinhas", gravado em 1976 pelo grande Zeca.
Tantos anos depois, surgem acontecimentos e ocasiões há em que as palavras são tão assertivas que parecem ter sido escolhidas propositadamente para esses momentos.
Sou 2021 e já estou instalado em todo o mundo, depois de completar o movimento de rotação do planeta.
Não sei ainda como me irão apelidar aqueles que fizeram do meu antecessor uma espécie de resultado de jogo de andebol, começado em vinte / vinte e assim terminado. Se seguirem a mesma nomenclatura, eu serei, pelo menos, uma vitória ... dos visitantes, com vinte / vinte e um a começar e a terminar, lá bem no final de Dezembro.
Trago objectivos bem definidos, para tentar cumprir, e para cujo cumprimento contarei, espero, com o esforço e a dedicação de todos. Sem isso, ser-me-á impossível atingi-los e terei o mesmo destino do que me antecedeu, sem levar a cabo nada de jeito.
À cabeça do tableu de bord está a exterminação do maldito vírus, que nos azucrina a moleirinha desde Março do ano passado. Além disso, temos de recuperar a economia e a alegria de viver, temos de ser mais solidários e educados; temos de deixar de cuspir para o chão, de colocar o lixo nos recipientes a isso destinados, de respeitar a natureza e os seus ciclos e também os outros e as opiniões diferentes. Contem comigo para dar início a uma nova forma de viver e de estar, para que o mundo tenha futuro e não fique à mercê de qualquer intruso ou imbecil que por aí apareça.
P.S. - Não comecei bem. Portugal perdeu hoje um dos seus grandes nomes, da música, do convívio, da cidadania, do respeito, da educação. Aos 81 anos, Lisboa, o país e o mundo viram partir Carlos do Carmo.
Como recordação, fica um pequeno exemplo, na parceria com Bernardo Sassetti, que partiu já lá vão quase oito anos. A música é de José Afonso, outro enorme que, desde 1987, também faz parte da memória sempre viva.
É o dia da Festa e o dia de cantar, ainda não de vitória, mas de esperança que melhores dias virão, não importando a fúria do mar.
Se tudo correr dentro da normalidade anormal, Maio será o mês de cortar o cabelo, de voltar a ver o mar e a beber café "a sério", e de estar próximo dos meus, mantendo a distância, claro, mas eliminando as conversas com paragens, as imagens distorcidas, o "longo" tempo de espera pelas respostas, as conversas em catadupa.
E para o ano talvez os festejos do Dia do Trabalhador voltem à rua, se possível com poucos desempregados.
A professora ou, na primeira classe, algum colega da quarta, ditava textos com palavras cada vez mais complicadas, à medida que a aprendizagem ia evoluindo e as classes também.
A professora corrigia e, no próprio dia ou no dia seguinte, obrigava a repetir as palavras erradas, dez, vinte, cinquenta vezes, conforme achava que o erro era recorrente ou resultava de distracção pura.
Não fui muito penalizado com estes castigos - presunção e água benta, cada um toma a que quer ou, de outro modo, gaba-te cesto que amanhã vais à vindima - mas lembrei-me disto hoje, quando assistia à conferência habitual da Direcção Geral de Saúde.
Coitada da pobre senhora: todos os dias tem de repetir frases inteiras já ditas e reditas anteriormente.