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terça-feira, 25 de agosto de 2020

Libertinagem

Leio o Expresso desde o número 1, que saiu em Janeiro de 1973. Desde esse longínquo ano em que ingressei no serviço militar obrigatório, não devo ter falhado a sua compra meia dúzia de vezes. Semanas houve em que, por ausência, juntei dois ou três exemplares, para respeitar o compromisso junto de quem mo guardava religiosamente. Ainda hoje, ao sábado, o meu saco aguarda que eu apareça, já não no mesmo sítio, entretanto encerrado, mas com a mesma "religiosidade".

Muitos dos que hoje nele escrevem ainda não tinham nascido, o que não me dá nenhum direito especial nem sequer abona muito à minha sanidade.

Esta semana o Expresso trouxe a habitual entrevista de "final de praia" com o Primeiro-Ministro, António Costa, que li com toda a atenção e longe de imaginar que, afinal, aquilo que deveria ser analisado e comentado se esvaiu por entre as garras de uma pulhice.

Custou-me. Saber que alguém do "meu" jornal fez a canalhice de divulgar uma "conversa" na qual, em off, António Costa desabafa, apelidando de cobardes os médicos que se terão recusado a prestar assistência aos utentes do Lar de Reguengos de Monsaraz é baixo, muito baixo.

Numa época em que os predadores e pescadores de escândalos estão sempre disponíveis para inundar  com "notícias diabólicas" pretensos jornais, televisões e redes sociais, não levou muito tempo a haver uma difusão generalizada da "actualidade" e do "crime".

O Expresso foi sempre, e assim tem de continuar, a imagem da credibilidade das notícias, da diversidade de opiniões, da liberdade, numa palavra.

Espero que o "meu" jornal averigue quem foi o bufo e lhe dê a oportunidade de ir "pregar para outra freguesia", onde o jornalismo sério esteja ausente.

sábado, 27 de junho de 2020

Regresso ao passado?

A "crónica" de António no Expresso de hoje.
Como é possível ser tão eloquente?

sábado, 26 de maio de 2018

Júlio Pomar




Faleceu na passada terça-feira, 22 de Maio, o grande Júlio Pomar, que nos deixa  legado extraordinário, da pintura à cerâmica, do desenho à gravura, da poesia à intervenção política.

O "Almoço do Trolha" e o "Retrato de Mário Soares" serão, talvez, as suas pinturas mais conhecidas, mas uma visita ao seu Atelier Museu dará uma perspectiva mais real da grandeza da sua obra.

No Expresso de hoje, o cartunista António oferece-nos um "retrato" delicioso, como só ele consegue fazer.







sábado, 6 de janeiro de 2018

Expresso


O "meu" Expresso faz hoje 45 anos e merece o destaque de um fiel leitor que, desde o primeiro número, repete um ritual todos os sábados que, nestes anos todos, não terá sido interrompido mais do que uma dezena de vezes.
Semanas melhores, outras nem tanto, o facto é que o Expresso conseguiu manter-me fiel à edição em papel e, desde há algum tempo, à digital diária.
Longa vida ao Expresso, com a qualidade e a liberdade que tem mantido até aqui.

sábado, 5 de novembro de 2016

Quotidiano ... futuro?

Goste-se ou não ( e eu gosto quase sempre), concorde-se ou não ( e eu concordo muitas vezes), Miguel Sousa Tavares fala e escreve sem papas na língua, exprimindo opiniões lúcidas e fundamentadas.
Do Expresso desta semana e da sua crónica "A loucura dos povos", respigo:

"... esse Brasil que o Rio de Janeiro representa acaba de cair nas mãos da IURD. Nada menos do que 1,7 milhões de cariocas, 60% dos votantes, entregaram a prefeitura do Rio de Janeiro ao bispo da IURD Marcelo Crivella, sobrinho e criatura do próprio chefe da quadrilha, Edir Macedo. Eu não conheço Crivella, mas conheço um pouco, e suficiente, sobre a sinistra IURD e conheci, numa entrevista televisiva, esse grande vigarista da fé que é Edir Macedo. E conheço bem, bem demais, a querida cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Não entendo o que uma e outra coisa - o Rio e a IURD - possam ter em comum. Mas um milhão e 700 mil cariocas acharam que sim: que Deus os proteja! Que os deuses protejam os povos da sua loucura! Que nos protejam da democracia. (...)
E, acabando em beleza:
"... Julgando saber, nunca tantos souberam tão pouco sobre tantas coisas. Julgando ser livres, nunca tantos se prestaram a ser cordeiros dóceis nas mãos de todos os manipulares. Durante muito tempo, acreditei que a grande desigualdade do futuro seria, não entre os que têm ou não têm dinheiro, propriedades ou oportunidades de negócio, mas sim entre os que têm ou não têm saber, cultura, informação. E acreditei que essa desigualdade seria cada vez mais visível e determinante e irremediavelmente a favor dos que adquiriram saber e informação - por condição, por sorte ou por mérito próprio. Mas, hoje, temo um mundo ainda mais injusto e assustador: um mundo onde uma maioria de ignorantes, formados nas redes sociais, tome o poder, pelas regras da democracia, e nos imponha as suas soluções e os seus valores. Um mundo do Facebook, da "Casa dos Segredos", do "Correio da Manhã" ou de um Donald Trump em cada esquina.

Não sou tão pessimista como Miguel Sousa Tavares e (ainda) tenho alguma esperança de que o saber, a cultura e a informação serão os vencedores. 
Mas não vai ser fácil, não!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Quotidiano / Expresso

Um dia destes, como me parece que já por aqui escrevi, vou marcar uma entrevista com o Dr. Balsemão para lhe pedir um "agrado" pela publicidade que faço do seu (dele) Expresso, para além de ser seu leitor desde o número um, publicado no já longínquo ano de 1973.
Mas, honra lhe seja, o Expresso continua a merecer a minha preferência e a dar-me sempre razões para continuar a fidelidade. Agora, no online, dá "aulas", concisas e precisas, que são um encanto e, no caso concreto das duas que insiro abaixo, dizem muito a quem é (foi) "do ramo".



sábado, 12 de março de 2016

Cavaco

Tinha prometido a mim mesmo que não gastaria mais "tinta" neste espaço de modesta reflexão com o "inquilino" que deixou o Palácio de Belém no passado dia 9, curiosamente dia de aniversário da minha primogénita. E não era por não ter ideias sobre o homem que, não sendo político, ocupou durante 10 anos o cargo de Primeiro-Ministro e, após uma primeira derrota em 1996, foi eleito Presidente da República e também por lá esteve mais uma dezena, sempre votado pelo povo que o detesta (?), pairando sobre nós qual cagarro sobrenatural e sobredotado, sabendo de tudo e de nada, com uma capacidade de ver à distância através de avisos inócuos, destilando ódio e raiva sem precedentes  e sem qualquer cabimento numa sociedade plural e democrática, como se quer que seja o país restaurado em Abril.
Mas Miguel Sousa Tavares, com o brilhantismo que lhe reconheço mesmo quando dele discordo, escreveu na sua crónica de hoje no Expresso a história factual do cavaquismo, num texto que vale a pena ler com atenção e na íntegra e do qual respigo alguns parágrafos. Talvez um dia, se se interessarem por isto, os meus netos interpretem o avô, o seu pensamento, as suas convicções, e dele discordem em tudo, com convém ao progresso.
(...)
Cavaco tomou o poder, derrubando facilmente o desgastado governo do Bloco Central de Mário Soares e Mota Pinto, de caminho humilhando e crucificando quem, no seu partido, se atrevera a coligar-se com os socialistas numa hora de emergência - em que ele esteve prudentemente ausente.(...)
Mas o Governo que ele derrubou deixou-lhe uma preciosa herança, uma verdadeira mina de ouro: o fluxo sem fim de dinheiros europeus de que iria beneficiar nos seus dez anos à frente do Governo. Hoje, parece difícil de acreditar, mas Cavaco começou por torcer o nariz à adesão à União Europeia, um processo para o qual não moveu prego nem estopa.
(...)
Inversamente e já como PM, Cavaco foi um entusiástico promotor da entrada na moeda única, e nisto, como em tudo o resto de essencial, a história encarregar-se-ia de demonstrar a sua nula capacidade de visionar o futuro: a entrada na UE permitiu-nos dar um salto de uma geração; a moeda única está na raiz dos males que agora nos afligem.
(...)
Mas já antes ele vendera por um punhado de moedas a agricultura a Bruxelas e aos interesses dos produtores agrícolas europeus. Ele, que hoje se reclama "homem do mar", vendeu ainda as pescas, a marinha mercante e os estaleiros navais, mas também as minas e o tudo o que, no futuro, nos poderia garantir independência económica. Em troca, construiu e distribuiu: o país interior está cheio de centros de terceira idade, palácios de congressos e piscinas municipais que ninguém usa - ou porque se foram todos embora ou porque não há meios para os fazer funcionar.
(...)
A sua chegada a Belém ficou-me para sempre marcada pela primeiríssima fotografia do eterno fotógrafo oficial da Presidência, Rui Ochoa. Uma das tais imagens que valem por mil palavras: de mãos dadas e com a felicidade estampada na cara, toda a família Cavaco Silva subia a ladeira de Belém para tomar posse do palácio e do país.
(...)
Cavaco portou-se sempre como alguém muito acima, por direito próprio e por direito divino, de todos os outros portugueses e, sobretudo, dos desprezíveis "senhores agentes políticos". Ele era o homem que sabia muito mais de finanças do que qualquer um, que tinha "avisado" de cada vez que as dificuldades surgiam, que exigia a quem pusesse em causa o seu insustentável negócio com o BPN que nascesse duas vezes antes de se atrever a questioná-lo. 
(...)
Um pouco mais de cultura, de coragem e de sentido de Estado (que vêm por arrasto), teria evitado, por exemplo, que Cavaco se tivesse alienado por completo da discussão sobre o Acordo Ortográfico ou que tivesse encaixado sem um estremecimento os enxovalhos que levou em Timor, na cimeira que consagrou a vergonhosa adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou em Praga, quando ouviu, sem reagir, o Presidente checo ofender os portugueses. Cavaco foi submisso ou inexistente lá fora e grandiloquentemente vazio cá dentro. Para a história ficará que, dez anos de presidência depois, deixou um país infinitamente pior do que aquele que recebeu.



sábado, 15 de março de 2014

A dívida, a Pátria e o futuro

Apetecia-me transcrever, na íntegra, a crónica que Miguel Sousa Tavares publica no Expresso de hoje, mas vou ficar pela transcrição parcial, por uma questão de espaço e de respeito pelo autor.
Já por diversas vezes reproduzi aqui opiniões de Miguel Sousa Tavares, pessoa que apenas conheço por ser figura pública, como escritor e como filho de uma grande poetisa (Sophia de Mello Breyner Andersen, de quem gosto muito, como é fácil perceber) e de um advogado de "antes quebrar que torcer" (Francisco Sousa Tavares). 
Tenho a convicção firme de que MST não beneficia nada como as minhas citações, mas hoje a crónica é, mais uma vez, certeira, actual e mortífera. Vale a pena lê-la toda e aqui fica o aguçar do apetite para que isso aconteça e a esperança de que os meus netos um dia a leiam e fiquem com a certeza de que "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não" (Manuel Alegre) e que "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar" (Sophia).

"Segundo percebi, o senhor Presidente da República, autoprefaciando-se, explicou ao país, de calculadora em punho, que a dívida do Estado, depois de atingido o estratosférico número de 129% da riqueza produzida anualmente em Portugal, só era sustentável se aceitássemos viver na miséria durante uma geração inteira - e, mesmo assim, se durante 25 anos se repetisse um milagre económico que até hoje não aconteceu em nenhum dos 40 anos que levamos de democracia. Ou seja, naquela sua função de sirene de alarme que tanto cultiva, Cavaco Silva declarou a República oficialmente falida e a dívida pública impagável.
Devo dizer que concordo inteiramente com as contas e o diagnóstico do Presidente, pois que outra coisa não venho escrevendo aqui, de há anos a esta parte - e não sou professor de Finanças Públicas. Apenas duas coisas me surpreendem: que, após sete anos de mandato presidencial ( e dez como primeiro-ministro) só agora e desta forma "nonchalante", Sua Excelência nos faça esta revelação. E que, tendo meticulosamente feito as suas contas e não podendo ignorar a inevitável conclusão delas resultante, não lhe tenha ocorrido uma palavra, uma sugestão, um conselho amigo, um afago, para nos dizer como é que agora iremos viver durante a próxima geração. 
E isto, justamente no momento em que soavam trombetas de júbilo com o "milagre" da nossa retoma económica e o ambiente, ajudado pelo sol da Primavera, parecia enfim desanuviar-se um pouco. O "timing" de Cavaco Silva foi o pior possível. Foi uma desfeita.
(...)
Podemos, é claro, acabar com o SNS para pagar a dívida. Ou acabar com a escola pública. Ou com as Forças Armadas. Ou com qualquer pensão de reforma. Ou, como sugere o Presidente, passar uma geração inteira a trabalhar mais, receber menos e viver como há 50 anos, apenas para pagar aos credores.
Nenhum destes caminhos é a solução: nem a miséria garantida nem a bravata isolada. O caminho é procurar conjurados para uma revolta. Juntar tantas forças dos fracos que elas se transformem numa força face aos fortes. E exigir a mutualização da dívida, ao menos parcialmente. A União Bancária. A uniformização fiscal e o fim das "off-shores". A redução da taxa de juro da dívida institucional e dos empréstimos futuros concedidos aos Estados a 1% - o mesmo que os bancos pagam junto do BCE. O serviço da dívida limitado a um referente do crescimento económico - porque não se pode pagar sem criar riqueza sobejante e, se o custo da dívida é sufocante, não é possível criá-la.
Mas, para seguir este caminho, precisamos, à partida, de outra maioria no Parlamento Europeu, de outro governo e de outro primeiro-ministro em Portugal. De alguém que não tenha vergonha de nos representar no Conselho Europeu, que não ande de mão estendida a vender vistos de residência a chineses e quintas no Douro a angolanos. Que não venda a língua, através de um Acordo Ortográfico que, além de tudo o resto que nos envergonha, é um acto de prostituição diplomática. Que não venda, a troco de petróleo ou de esmolas para o Banif, um lugar na CPLP a um país de bandidos como a Guiné Equatorial. E que, consequentemente, não tenha o dr. Machete como ministro dos Estrangeiros.
Era disso que precisávamos agora: de um manifesto por um governo e um Presidente capazes de defenderem Portugal. (...)

Como eu gostava de ter sido o autor desta prosa...