Mostrar mensagens com a etiqueta Duas ou três coisas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Duas ou três coisas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Guerras

A guerra na Ucrânia está quase "milionária", não no sentido do enchimento dos bolsos de muitos nem do número de mortos e feridos que já causou, mas nos dias da sua duração, sem se vislumbrarem quaisquer soluções. E vamos vendo, ouvindo e lendo, sem podermos ignorar, como nos ensinou a grande Sophia, mas também sem nada fazer para contrariar.

Gostava muito de ter uma opinião clara e fundamentada sobre o que se está a passar no mundo e o que leva e justifica a selvajaria que por aí vai grassando. O que vai acontecendo aqui mesmo ao lado - as distâncias são, agora, um pulinho -, quer na Ucrânia quer na Palestina, angustia-me. Acho deplorável, inconcebível, execrável, horrível, sendo insuficientes todos os adjectivos para qualificar a miséria, que não consigo qualificar.

Hoje, como faço (quase) todos os dias, li o post do Embaixador Seixas da Costa, no seu blogue "Duas ou três coisas" e as suas palavras encheram-me de inveja. Vale sempre a pena ler (ou ouvir) quem sabe!

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Papel

O embaixador Francisco Seixas da Costa diz hoje, no seu blogue "Duas ou três coisas", que deixou de comprar as "toneladas" de jornais que costumava adquirir, por altura das férias, à "menina da tabacaria".

Sem qualquer intuito de comparação, bem longe disso, também cá por casa vão rareando os jornais em papel, resumindo-se, por teimosia intrínseca, ao Expresso semanal, comprado no quiosque, e ao Jornal de Letras, à Gazeta das Caldas e à Visão que o carteiro (profissão em vias de extinção!?) vai trazendo, quinzenalmente, o primeiro, semanalmente, os outros dois. Mas a avidez da leitura desapareceu e o ritual tem tendência a copiá-la em breve, quando a coragem para quebrar a regra o permitir. 

As notícias hoje fervilham, são despejadas por todos os meios, repetidas até à exaustão ou até surgir um novo acontecimento mais apelativo aos olhos e aos ouvidos das audiências ávidas. Inúmeros "jornalistas" das redes sociais, das mensagens no telemóvel, dos mails, inundam-nos a todo o instante e despertam-nos a impaciência.  E com a grande "vantagem" de serem sistematicamente opinadas pelos grandes "sabões" de tudo o que acontece e de mais um par de botas.

É o progresso, a actualidade, o desenvolvimento, ou, como dizia a minha mãe, já não é o meu tempo ...

Vamos persistindo nos livros (hoje chegaram mais dois), muito por teimosia e porque esses não perdem actualidade e vão exercitando os "dez réis de caco" que ainda se mantêm à tona.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Actualidade em verso

Sigo o Blog "Duas ou três coisas", do Embaixador Francisco Seixas da Costa, e hoje fui surpreendido com um soneto de Luís Filipe Castro Mendes, antigo Ministro da Cultura no governo de António Costa, adaptando um soneto de Camões que, nos meus tempos idos de estudante, era dado como exemplo da cacofonia.
Aqui fica o soneto de saudação à "morte" da geringonça, que não produz cacofonia e se "rouba" com a devida vénia. O outro, o antigo, já não precisa de vénia por estar no domínio público e fazer parte daqueles que ainda sei de cor.

Alma minha gentil que te partiste                                  Geringonça infiel que te partiste
tão cedo desta vida descontente,                                    tão cedo desta vida, de repente,
repousa lá no Céu eternamente,                                     faz reviver em nós o amor ardente
e viva eu cá na terra sempre triste.                                do fulgor que nos deste e a que fugiste.


Se lá no assento etéreo onde subiste,                             Se dos paços perdidos que correste
memória desta vida se consente,                                    os passos refizeres, novos, frementes,
não te esqueças daquele amor ardente                           não esqueças que a nós já não consentes
que já nos olhos meus tão puro viste.                             o calor da esp’rança que acendeste.

E se vires que pode merecer-te                                       E se achas que pode merecer-te
alguma cousa a dor que me ficou                                   alguma coisa o eco que ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te                            desta voz que pudemos of’recer-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,                             vê que tudo o que o teu brilho nos deixou
que tão cedo de cá me leve a ver-te,                               durará mais que o tempo de perder-te,
quão cedo de meus olhos te levou.                                  pois no nosso futuro já pousou.

Luís Vaz de Camões                                                                              Luís Filipe Castro Mendes
(Séc. XVI)                                                                                              (Séc. XXI)