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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Confissão

Em cada dia que passa me sinto mais compelido a penitenciar-me de um defeito de que padeço e que, nesta época de incertezas, se acentua a um nível que nunca pensei ser possível atingir: sou invejoso.

E é tão feio ter inveja! Para atenuar o castigo que este meu pecado merece, esclareço que não me invejo de quem tem carros, parelhas e montes, mas apenas desses privilegiados a quem o criador dotou com a capacidade e inteligência que lhes permitem nunca se enganarem e raramente terem dúvidas.

O Orçamento Geral do Estado irá ser, de acordo com a lei, apresentado na Assembleia da República, no próximo mês. Os "matemáticos" das projecções não se cansam de enunciar os números que vão acontecer, o crescimento do PIB que surgirá, o aumento inevitável do petróleo e dos tomates, os prejuízos a suportar pelas empresas, a razia nas disponibilidades das famílias, as receitas e as despesas do Estado, tudo em relação ao ano de 2023, com a certeza, certa, de cada um, sendo esta diferente da de todos os outros e a única inquestionavelmente correcta.

Os ilustres estudiosos e, por isso, sabedores, apresentam números rigorosos, apesar de, por definição, um orçamento ser sempre previsional, carregado de dúvidas e contingências, e sujeito a vicissitudes e imprevisibilidades que podem, e vão, surgir. As certezas, sempre antecipadamente exibidas com o calor próprio de quem domina todos os dados e sabe do que fala, desapareceram quando ninguém conseguiu adivinhar a pandemia e serão deitadas ao lixo se a vontade bélica daquele caramelo russo se mantiver.

Gostava tanto de saber (também sou curioso, outro defeito) o que se vai passar até ao final deste ano e, mais ainda, o que surgirá em 2023. Humildemente reconheço que me falta a capacidade de alguns e que, invejoso, invejo.

sábado, 8 de agosto de 2020

Inveja

Muitas vezes dou comigo a pensar como deve ser difícil pensar, descobrir, discernir, e concluo que são tarefas só ao alcance de uma meia dúzia de sapientes filósofos, cientistas e outros que conseguem analisar, com discernimento, o passado e o presente e projectar o futuro, e sobre essa sua capacidade falam com uma humildade e uma reserva que enternece.
E concluo sempre que, por mais esforço que faça, por mais atento que esteja, por mais livros que leia, cumpre-se sempre a máxima aprendida há mais de quarenta anos com um professor no ISCAL - "quanto mais sei, maior é a minha ignorância."
E por este caminho vou andando, sempre com a certeza de que, embora o saber não ocupe lugar, o material é tão vasto que, afinal, não há capacidade para o absorver na totalidade nem disso nos aproximarmos.
Incapacidade minha. Todos os dias tropeço com gente que tudo sabe, não tem a mais pequena dúvida, detém a solução ideal para o mais ínfimo ou para o maior problema e extravasa a sua "sapiência", dissertando sobre os males do mundo, a economia, a ciência, a arte e até o dia a dia, sem peias, dúvidas ou cuidados.
Fico invejoso, mesmo sabendo que a inveja é um pecado mortal.
Como é possível esta gente saber tanto de tudo e eu saber tão pouco de pouco mais que nada?
Concluo: devo ter sido muito relapso nestes anos todos que já levo ...