segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois selos e um carimbo

Há cerca de ano e meio publiquei aqui um comentário sobre a crise que então se vivia, utilizando o disco que os DEOLINDA tinham acabado de editar. Em concreto, referia uma das músicas do album, a qual, na minha opinião, fazia (e faz) um excelente retrato do que somos enquanto povo - diligentes, críticos, lutadores, solidários - mas sempre com qualquer assunto inadiável que nos impede de comparecer onde possa "cheirar a esturro", muito embora estejamos sempre de corpo e alma com o que por lá aconteça ("Vão sem mim, que eu vou lá ter").
Tal como a crise, também os DEOLINDA cresceram.
Apresentaram recentemente o seu segundo trabalho, ainda mais conseguido do que o anterior, e que, de novo, traz um "boneco" caracterizador do Portugal que somos: a fobia de figurar no Guinness já nos proporcionou uma infinidade de realizações, que vão desde o banquete na Ponte Vasco da Gama à pirâmide de cavacas nas Caldas (as abelhas deliraram), passando pelo assador de castanhas de Vinhais e pelo Pai Natal de Torres Vedras.
Não faço ideia se o emblema do Benfica, com cerca de 80 metros, que apareceu na Malveira terá o mesmo destino mas não restam dúvidas que o maior mastro do mundo é português!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Palavras bonitas

A um passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!
Vinicius de Moraes
Antologia Poética

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O costume

O Verão está a chegar, trazendo à lembrança os chinelos, as t-shirts, os pés descalços, as "cabeçadas" nas ondas da Foz, (se o mar estiver pelos ajustes), as gravatas abolidas, os casacos "esquecidos" nos cabides mais recônditos do armário, os livros lidos na praia, com umas sonecas pelo meio, o nevoeiro matinal (ainda vai abrir, vais ver), uma panóplia (que palavrão - será que tem algum significado?) de coisas que se sucederão até chegar o 31 de Julho. Neste dia, aparece sempre alguém, pessimista, a dizer:
- O Verão acabou!
- 'Tás maluco?!
- Claro, primeiro de Agosto, primeiro de Inverno, vais ver!
Vem tudo isto a propósito, ou a despropósito, da entrevista de ontem do nosso Primeiro-Ministro: a memória recordou (longe vá o agoiro) algumas conversas de antanho, das quais se dizia ... e, para cúmulo da chatice, tanto falou e nada disse.
Ontem, José Sócrates falou muito e convenceu-nos a todos, pela força que transmitiu a todas as ideias, repetindo-as bastantes vezes, para que não passassem despercebidas.
A mim, ficou-me a sua última descoberta: o mundo mudou muito nas últimas três semanas.
Será que, apesar da mudança, vai haver Verão?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Palavras bonitas

DIES IRAE

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!
Miguel Torga
Cântico do Homem

domingo, 2 de maio de 2010

Paradoxo















Já se vê "fumo branco" ...
A "aberta" antiga mantém-se fechada e nova já está "aberta".
O paradoxo parece resolvido!
Teremos praia???

sábado, 1 de maio de 2010

Sábado

Como qualquer outro utilizador regular da Net, recebo todos os dias dezenas de mail's, a maior parte dos quais sem qualquer interesse e cujo caminho é, sem grandes delongas, o do caixote do lixo virtual. Porém, outros há que visualizo, mantenho e aos quais volto com mais algum tempo e atenção.
De entre os muitos de ontem, houve três (do Gonçalo P.) que cumpriram os requisitos e ficaram no "arquivo", para observação futura, mais cuidada.
A manhã de hoje foi dedicada ao ritual do sábado: levantar da cama mais tarde, pequeno almoço com calma, café, visita à Niza para a compra do Expresso e praça, designação que, nas Caldas, é dada ao mercado.
Entre as laranjas, as favas, os morangos, as maçãs, o coelho, vivo, a fugir do saco da vendedeira, os grelos, as flores, o bom dia a este e o empurrão daquele, veio à memória o vídeo da ópera no mercado, que tinha observado, meio à pressa, na noite de ontem.
Ei-lo! Foi gravado no Mercado Central de Valencia, no dia 13 de Novembro de 2009.
Apreciem e digam lá se não é possível fazer tudo em todo o lado, desde que haja bom gosto.