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segunda-feira, 16 de março de 2026

16 de Março de 1974

Cada vez mais são as recordações antigas que emergem à memória, trazidas com muito mais nitidez do que aquilo que foi feito há momentos.

- O que queria eu daqui? Não consigo lembrar-me! Não deve ser nada importante ...

E passa-se adiante.

As memórias do sábado 16 de Março de 1974 permanecem bem vivas em quem tinha umas "luzes" sobre o que, inevitavelmente, iria acontecer mas não era esperado para aquele dia. Ainda por cima, sábado!

Aconteceu e a pressa custou uns bons dias de grelha a quem, decidido, arriscou. Não foi possível, não deu nada, "reinava a ordem em todo o país", mas estava escrito nas estrelas ...

Contado agora aos mais novos, até parece que foi uma brincadeira. Não foi! Custaria caríssimo aos intervenientes se a "liberdade não passasse por aqui" no mês seguinte.

A viagem das Caldas para a capital abriu portas. Cinquenta e dois anos depois, espera-se que o Presidente da República, que a repete diariamente, seja Seguro e assegure que elas se mantêm abertas. 

domingo, 16 de março de 2025

Registos

Há 51 anos, uns quantos "rapazes" apressados marcharam sobre Lisboa e mostraram a toda a gente que algo ia mal no nosso "reino" e que era imperioso mudar.

A data ficará na História, registada com uma nota de rodapé, importante, mas não fundamental.

Contudo, sem dúvida que merecerá bem mais destaque do que a "notazinha" que há-de referenciar o Governo de Montenegro, agora caído da tripeça.

Mudar é a palavra que os dois acontecimentos terão em comum nos registos históricos.

sábado, 16 de março de 2024

Não esquecer

Passam hoje 50 anos em que uma manhã surpreendente para muitos e atribulada para alguns deu lugar a uma declaração oficial do regime, emitida já no final do dia: "Reina a ordem em todo o país".

Foi o levantamento do "meu" Regimento de Infantaria 5, que levou muita gente conhecida à "grelha" e apressou a "madrugada que eu esperava". Esta, levada a cabo pelos militares sem medo e imortalizada pela pena de Sophia de Mello Breyner Andresen, viria a surgir, esplendorosa, exactamente 40 dias depois, no dia dos meus 22 aninhos. 

quinta-feira, 16 de março de 2023

Partidas e chegadas

Passam hoje 49 anos sobre a partida dos militares do (então) Regimento de Infantaria 5 em direcção a Lisboa, numa viagem que não concretizaria os objectivos, culminaria com a prisão de todos os envolvidos, mas ficaria como prólogo do 25 de Abril, que surgiria daí a pouco mais de um mês.

Também hoje se registam os 30 anos da partida de Natália Correia, escritora de quem me habituei a gostar há muitos anos e cuja irreverência e forma de estar sempre apreciei, e muito.

Ao registo das duas partidas teria sempre de corresponder, pelo menos, uma chegada. E assim aconteceu. Não esperava que o rigor da editora fosse tanto, mas hoje, pouco antes da hora do almoço, o carteiro (não o que toca duas vezes, que este conhece os cantos à casa e sabe bem o que deve fazer quando, ao simples toque na campainha, não lhe aparece ninguém) tocou e, em conjunto com a Visão e a Gazeta, entregou o embrulho registado, esperado e mesmo a tempo de ser hoje começado.

O Dever de deslumbrar - Biografia de Natália Correia, é um livro escrito por Filipa Martins, que traz o dever de deslumbrar os seus leitores e transportar muitos detalhes de uma vida cheia que a grande escritora teve. Pena ter sido tão curta. São "só" 695 páginas que irão ser lidas, creio, num ápice e sempre com deleite.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Memória

Comecei a ler muito cedo, bem antes da entrada na escola primária, como então se chamava à que, actualmente, surge após o jardim de infância, na altura ainda inexistente. A minha irmã, nascida três anos antes, foi a grande responsável, despertando em mim o gosto pela descoberta e a sensação, estranha mas intensa, de perceber a junção das letras, os sons que daí resultavam, a imensidão de coisas novas que era possível aprender. O Jornal de Notícias que o meu pai trazia, com frequência quase diária, das suas viagens ao Porto, fez o resto. Lembro-me de o ler (talvez soletrar)  de joelhos, na cozinha, e de a minha mãe, nas suas deambulações de labuta doméstica, muitas vezes lhe passar por cima, sem ter o cuidado que o "leitor" achava ser imprescindível ter para aquele papel enorme, que trazia "tudo" o que era desconhecido e ia acontecendo pelo país e pelo mundo e, ainda por cima, sujava as mãos de tinta negra.

Os livros vieram bem mais tarde, com a escola, depois com a Biblioteca itinerante da Gulbenkian, onde um senhor, alto, cujo nome já não recordo, escolhia os livros que eu devia ler e entregou nas minhas mãos, depois de todo o Júlio Dinis, de dois ou três do Camilo, e vários do Eça, desde O Primo Basílio aos Maias, passando pelo Crime do Padre Amaro, um exemplar de A Relíquia, retirado da prateleira lá do fundo e com uma cinta vermelha à volta.

- Já podes ler, mas evita mostrar.

Depois, ainda da Gulbenkian, a Biblioteca fixa do Parque, com a senhora, simpática, a fazer crochet na secretária e a interrompê-lo para anotar os livros trazidos depois de "assentar" os que tinham sido entregues e confirmavam o "saldo" zero. As bibliotecas foram as "livrarias" que frequentei até ir para a tropa. 

O primeiro livro por mim comprado foi "Sábado à noite e Domingo de manhã", de Alan Sillitoe. Mais de meio século passado, ainda se encontra na estante, com uma estória para contar, para além daquela que contém. Foi metido no saco que transportava os, poucos, pertences que me acompanharam no ingresso no serviço militar obrigatório e não passou na revista, rigorosa, que um militar consciente e zeloso nas suas obrigações, fez ao saco logo na entrada, para se perceber claramente quem mandava.

- Um livro? Aqui não há tempo para ler! Ainda por cima subversivo. Fica cá.

- É só um romance. Nada de especial ...

Não adiantou a observação. Foi "arquivado". Só voltou ao dono duas ou três semanas depois, quando a timidez e o medo foram vencidos e alguma convivência com o comandante da companhia - Tenente (na altura) Virgílio Varela, já falecido - me permitiu ter a "lata" de lhe contar o sucedido.

- O "mecerico" vai voltar a ter o livro. Vou tratar disso ...

E tratou. Não faço ideia como o foi descobrir e onde se encontrava, mas regressou ao proprietário.

- O "mecerico" leva-o para casa e não o traz mais. Tenho esperança que os livros deixem, um dia, de ter o rótulo que este apanhou.

Aconteceu daí a pouco mais de um ano, não sem antes o meu comandante de companhia ter sido preso pela participação activa no levantamento do 16 de Março de 1974. 

E queria eu falar de um livro em concreto, que ontem me chegou em mais uma entrega do Clube Tinta da China ...

quarta-feira, 16 de março de 2022

Coragem

A "idade" que o blogue leva faz com que muitos assuntos, acontecimentos, peripécias, já por aqui tenham feito escala, numa viagem qualquer, e por isso exige atenção para que se não perca muito tempo com os tratados anteriormente, evitando-se repetições sempre algo maçadoras.

O 16 de Março de 1974 foi um dia importante para o (meu) Regimento de Infantaria 5 (actualmente Escola de Sargentos do Exército), para a cidade, para o país e para todos aqueles que nele se envolveram. Não teve o sucesso que se desejava, talvez por uma deficiente planificação e uma apressada corrida, mas serviu para alertar os mais distraídos de que alguma coisa andava no ar, fazendo transparecer a  disponibilidade militar para pôr fim à ditadura.

Como sempre, a pressa é inimiga da perfeição e a saída das Caldas rumo a Lisboa não surtiu o efeito desejado. Apesar disso, é importante que a data não seja esquecida, muito menos omitida, para que a memória permaneça e seja possível trazer ao conhecimento das gerações mais novas o que se passou e quão difícil era, naquela época, dar um passo tão importante.

Era preciso muita coragem para correr os riscos implícitos e que todos bem conheciam.

terça-feira, 16 de março de 2021

Futuro

Faz hoje um ano que coloquei aqui o primeiro texto sobre o "bicho". Também passam hoje 47 anos do levantamento do "meu" RI5, que serviu de prólogo ao 25 de Abril. Uma poeta que muito admiro - Natália Correia - deixou-nos também neste dia, há 28 anos.

Porém, como a vida não é feita de passado e sim das portas abertas para o futuro, o meu neto GRANDE, que ainda não tem 15 anos, fez isto, apenas com um telemóvel.


E ainda há quem diga "no meu tempo" ...

domingo, 26 de maio de 2019

Futuro

" ... e livres habitamos a substância do tempo."


Nesta semana, a "substância do tempo" trouxe-me mais três razões para que eu sinta sempre saudades do futuro e nunca mais do que recordações de um passado que é bom de lembrar para não ser esquecido. Vamos a elas, às razões que me levam a hoje, em dia de eleições para a Europa e depois de cumprido o meu direito / dever, vir por aqui deixar umas notas tão agradáveis quanto garantias de que as novas gerações trarão e terão um mundo melhor, mais solidário, mais amigo e, quero eu, mais justo.

Primeira: Na sexta-feira, logo pela manhã, os netos mais novos - Duarte e Miguel - brindaram-me com um vídeo contendo uma lição de reciclagem, que evidencia preocupação e saber, e me dá a convicção que, talvez já na geração deles, se deixe de cuspir para o chão;
Segunda: Na tarde do mesmo dia fui convidado para a festa dos avós, promovida pela escola do Vasco e assisti a uma peça teatral na qual o meu neto fazia de mim, que digo eu, fazia de avô e dizia para a avó, a propósito do queixume desta sobre as suas rugas:
- ... Não digas isso! A tua pele é como uma noz maravilhosa! ...
Terceira: Ontem, o neto mais velho colocou a cereja em cima do bolo: ele e um colega fizeram um trabalho sobre o 16 de Março de 1974 que me encheu de orgulho e me mostrou como a nova geração tem capacidades infinitamente maiores do que as dos velhos do Restelo que ainda dizem "no meu tempo".

O Gil e o colega ainda não têm 13 anos e fizeram isto:




sábado, 16 de março de 2019

16 de Março

Há 45 anos, um jovem militar de 21 anos (faria 22 no dia 25 de Abril de 1974) veio passar o fim de semana a casa e estava dormindo descansado, esperando que a tranquilidade da manhã só fosse interrompida lá pela hora de almoço, quando minha mãe achasse que já chegava. Porém, ainda não eram 10 da "madrugada" e a porta do quarto abriu-se:

     - Há qualquer coisa no quartel!

Saltei da cama. Afinal o quartel tinha sido meu no ano anterior (Abril a Junho/1973), enquanto instruendo da 4ª. Companhia comandada pelo (então) Tenente Virgílio Canísio Vieira da Luz Varela. Nessa altura já se vislumbrava a contestação que viria a culminar na revolução de Abril. Servi de dactilógrafo ao meu Comandante de Companhia para uns artigos que se destinavam à revista Observador dirigida, se bem me lembro, por Artur Anselmo, e que procuravam refutar os "escritos" que o General Sá Viana Rebelo, antigo Ministro do Exército, por lá publicava. Durante a estadia no RI5, entrei à civil em várias manhãs de sábado, sentei-me à máquina de escrever (Messa?) da secretaria da Companhia e dactilografei o que me ia sendo ditado, com uma pronúncia madeirense bem acentuada e, de quando em vez:

     - Despacha-te "mecerico", que não temos o dia todo!

Voltando ao meu 16 de Março: depois de várias tentativas, pelo Moinho Saloio e pelo Avenal, consegui chegar quase à frente do quartel, ainda a tempo de ouvir a voz de "cana rachada" do Brigadeiro Pedro Serrano, do alto da sua pequena estatura, a pedir ao gritos a rendição.
(...)
     - Abra o portão, em nome da autoridade!
     - Autoridade talvez tenha, mas na nossa terra a autoridade está muito mal constituída!
     - Tem um quarto de hora para abrir o portão, sob pena de haver sangue!
     - Não é o senhor que me leva a abrir o portão. Só recebemos ordens do nosso general Spínola!
(...)
O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril
Avelino Rodrigues, Cesário Borga e Mário Cardoso
Moraes Editores (Novembro, 1974)

No final do dia e durante a noite, todos os graduados envolvidos foram levados para presídios militares.
As notícias que deram conta (?) ao país do acontecido ficaram para a história e podem ser vistas aqui e aqui.

domingo, 16 de março de 2014

16 de Março

Faz hoje 40 anos, era sábado, estava um dia de sol lindo e o céu indiciava que em breve chegaria a luz da liberdade e da esperança. O Regimento de Infantaria 5, sob o comando do meu antigo comandante de companhia Virgílio Varela, esteve cercado por tropas do exército e por militares da GNR, armados de espingardas Mauser, que já ninguém utilizava. Os GNR montaram um segundo cordão de segurança, lá bem no cimo do Moinho Saloio, procurando, com todo o cuidado, arranjar o sítio para se deitarem com o quartel na mira. 
Porque "reina a ordem em todo o país" e hoje houve comemorações nas Caldas, não digo mais nada...

sábado, 16 de março de 2013

Efemérides e actualidade

Passam hoje 20 anos da morte de Natália Correia e 39 do "levantamento das Caldas", que precedeu o 25 de Abril.




AUTO-RETRATO

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

Natália Correia
Poemas (1955)




domingo, 16 de março de 2008

16 de Março


A manhã estava serena, a temperatura agradável e o sol, envergonhado, escondido por entre as nuvens.

O mar da Foz deve ter andado, nesta semana, com grandes sobressaltos e zangado com a vida. A areia mostrava isso mesmo, quer exibindo muitos detritos trazidos pelas marés, quer por se apresentar tão "fofinha" que mal aguentava o nosso (excessivo) peso.

Ainda antes do almoço, um "salto" à Quinta dos Loridos, para uma visita, indiscreta e sem licença, aos Jardins do Oriente que Joe Berardo por lá anda a edificar. O que existe já vale a pena, depois de concluído vai ser local de visita obrigatória.

Há 34 anos era sábado e, por esta hora, já um brigadeiro de voz esganiçada tinha dado ordem de rendição, por megafone e em cima de um jeep, aos militares do RI 5 que tinham dado o primeiro grande sinal público de que alguma coisa, importante, se preparava.

No dia 25 do mês seguinte, o brigadeiro já nem com megafone se ouviu ...

sexta-feira, 16 de março de 2007

16 de Março de 1974

Há 33 anos, Caldas da Rainha abria os telejornais da Europa!
Os militares do Regimento de Infantaria 5 tinham rumado a Lisboa, na madrugada de um sábado que se revelou não poder ser ainda o "dia claro, inteiro e limpo" que Sophia de Mello Breyner Andresen havia de cantar passados pouco mais de 30 dias.
Por descoordenação, "pressa de chegar para não chegar tarde" ou por quaisquer outras razões, não foi das Caldas que saiu a concretização do sonho, mas foi da cidade que emergiu, clara, a mensagem de que o tempo ia mudar.
O Sol radioso desse dia não impediu que, no final, voltassem as velhas e densas nuvens que, em comunicado patético, relataram os acontecimentos, terminando de forma "brilhante":
"...
Após terem recebido a intimidação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo.
Reina a ordem em todo o País."