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segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Jornalismo

Cada vez vejo menos televisão, ainda que o aparelho possa estar ligado na sala onde me encontro. 

Apesar disto, vou-me apercebendo de algumas alterações tendentes a prenderem a atenção, mesmo dos mais distraídos. Nas notícias, agora, o écran está quase sempre dividido em três ou quatro "janelas", onde as personagens convidadas, conjuntamente com o jornalista, peroram sobre um qualquer assunto, ao mesmo tempo que vão sendo exibidas imagens, normalmente desactualizadas, sobre o pretenso tema em discussão ou análise. Deve ser a forma de enaltecer a única coisa válida: a imagem, mesmo desactualizada, ainda vale mais que mil palavras.

Estamos na época da gripe, de novos vírus, do "ressuscitar" do sarampo, da necessidade de vacinas. Para ilustrar estes factos, as televisões - todas elas - escolhem a imagem. E nada melhor do que a agulha a penetrar no braço nu da criança, com o choro sofrido em fundo e bem audível, para que não surjam dúvidas, se atraia a atenção e haja audiências.

Deve estar a ser muito difícil ser jornalista ...

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Conversa fiada

Esta é uma crónica de um fictício debate, que não ocorreu mas podia ter acontecido numa qualquer televisão onde a actualidade assume o protagonismo, a primazia e a importância. Neste acontecimento não acontecido estão presentes o apresentador, a quem cabe fazer as honras da casa e dirigir a conversa, e três distintas damas que vêm fazendo furor nestes últimos tempos, a saber: a Senhora Doutora Guerra, ilustre gestora de conflitos, com influência conhecida e reconhecida em todos os cantos do mundo e, mais recentemente, na disputa entre a Ucrânia e a Rússia ou vice-versa, ou na invasão da primeira pela segunda, ou o que lhes aprouver; a Professora Doutora Inflação, com excelentes serviços prestados em vários países da América do Sul, e que resolveu regressar à Europa, para que os povos ditos e reditos como os mais bem instalados do planeta possam usufruir da sua larga e valiosa experiência; finalmente, a Desembargadora Taxa de Juro, única com direito à referência ao apelido de família, não apenas pela sua antiguidade mas, fundamentalmente, pela importância que detém na liderança das relações financeiras mundiais.

O apresentador dá as boas-vindas às presentes, agradecendo-lhes a disponibilidade para participarem numa discussão tão importante quanto necessária, e alerta para a necessidade imperiosa de as intervenções serem curtas e claras.

- O tempo, em televisão, é sempre curto e, por isso, partimos de imediato para o que aqui nos trouxe. Doutora Guerra, o que acha da situação que, actualmente, todos vivemos?

Antes de responder à sua pergunta, que agradeço, permita-me que cumprimente as ilustres participantes no painel e bem assim como a si e a todos os espectadores e espectadoras que nos seguem lá em casa, decerto com toda a atenção e interesse. Uma saudação especial para os animais de companhia, que não entenderão o que aqui vai acontecer, mas estarão atentos e deitadinhos no colo ou aos pés dos seus donos e donas. Quanto à situação actual no mundo, é difícil fazer uma avaliação pormenorizada, por ainda não ser possível conhecer todos os dados do problema, quais os interesses em jogo e o que poderá surgir de novo, com a evolução que já aconteceu e a que, por certo, irá surgir a breve trecho.

 - Muito obrigado, Doutora Guerra, pela clareza e pela capacidade de síntese da sua exposição tão clara. Dirijo-me, agora, à Professora Doutora Inflação, a quem questiono sobre se acha que o aumento de todos os bens veio para ficar ou é passageiro?

- Permita-me, em primeiro lugar, que saúde as minhas colegas de painel e faça minhas as doutas palavras proferidas pela Doutora Guerra, enfatizando, também, a saudação a todos os bichos e bichas que, em casa, estarão bem atentos e muito preocupados com o que, infelizmente, não vão ouvir esta noite. Em relação à sua pergunta, é claro para todos e todas que o aumento do custo dos bens, especialmente os essenciais, é preocupante e que o bom senso nos avisa para não se criarem alarmismos, que ainda viriam agravar mais a situação em que vivemos.

- Fico-lhe grato pela clareza e, como o nosso tempo está quase a chegar ao fim, apelo à capacidade de síntese que é, aliás, sempre seu apanágio, da Desembargadora Taxa de Juro, para que esclareça, a mim e principalmente aos nossos telespectadores: é ou não verdade que a Senhora pode vir a atingir valores nunca antes alcançados?

- Vou procurar ser sensível ao apelo para ser sintética, característica por si reconhecida e elogiada, o que muito agradeço, mas não posso nem quero deixar de prestar as minhas homenagens à qualidade científica e pessoal das minhas colegas de debate, de as cumprimentar efusivamente e a todos os telespectadores. Gostaria, ainda, de deixar expresso quanto me honra e apraz a participação neste debate, com assunto tão importante e gente tão ilustre. Quanto à sua pergunta, que agradeço e me permite prestar alguns esclarecimentos providenciais, devo dizer-lhe que ainda é muito cedo para alvitrar hipóteses, que seriam meras suposições carecidas de evidência científica e, por isso, pouco esclarecedoras. Como bem sabe, o mundo sofre alterações de minuto a minuto e a evolução do meu valor nunca foi constante nem linear, desde há muitos anos.

- E foi o debate possível. O nosso tempo chegou ao fim. Agradeço às insignes participantes o incómodo causado pela deslocação a este estúdio e também, e fundamentalmente, os brilhantes e esclarecedores contributos dados sobre temas que tanto nos preocupam hoje. Voltaremos na próxima semana!

E pronto. Com esclarecimentos deste nível, só não dorme quem é tolo!

domingo, 24 de julho de 2022

Praia famosa

Mais uma manhã em que o mar não abriu as portas e, para haver banho foi necessário o recurso à "aberta", que está sempre disponível para o substituir, oferecendo uma piscina de água limpa e com a temperatura a condizer com o local. Uma brisa nortenha, para não variar e algumas nuvenzitas a acinzentarem o azul de vez em quando, completaram o quadro domingueiro.

A expectativa sobre o que se iria passar à tarde era alta e foi o motivo principal de conversa. A SIC iria transmitir, em directo, um daqueles programas de "encher chouriços", onde os playback são reis e as entrevistas com os espectadores bastante eloquentes e esclarecedoras, inovando sempre ... sem qualquer alteração.

Há pouco dei uma espreitadela - também não resisti - e confirmei que a Foz ainda é mais bonita vista de cima, à custa de um drone que a sobrevoava e lhe destacava as maravilhas. Deve ter deliciado os espectadores que viram pela primeira vez a Lagoa, o Gronho, o mar revolto cheio de "omo super", as rochas e as prainhas. Sem som, as imagens eram bem elucidativas da beleza que ali temos.

Amanhã voltaremos ao mesmo, sem GNR a comandar o trânsito e com espaço para circular e estacionar, a não ser que o programa tenha despertado a curiosidade e o interesse e surja uma enchente. 

À cautela, convém lembrar aos interessados que a água é fria e o mar muito bruto.

domingo, 5 de setembro de 2021

Desilusão

- Logo não te esqueças de ver a SIC. O programa do César Mourão vai ser nas Caldas.

Habitualmente, o botão da SIC generalista não é premido e, mesmo em zapping, passo por lá como "cão por vinha vindimada". Não é preconceito nem "armar ao pingarelho", mas é muito raro lá permanecer.

A curiosidade e a necessidade de poder mandar uns bitaites com conhecimento de causa, obrigou a não esquecer a recomendação e por lá me mantive até ao fim, com grande esforço, diga-se.

Que tristeza! Até tenho uma boa ideia do actor, humorista e apresentador, mas ontem, talvez por deficiente trabalho de retaguarda, foi mau de mais para se assemelhar a verdadeiro. Quem conhece a cidade, ficou triste e quem pensava cá vir, deve ter desistido de imediato.

Reduzir as Caldas a meia dúzia de bonecos fálicos e a uns doces com o mesmo formato, misturando Bordallo Pinheiro com a bonecada, é o mesmo que comparar a Estrada da Beira com a beira da estrada ou o bife à milanesa com o bife em cima da mesa. Tudo foi escolhido a dedo para ocupar uma parte do horário nobre com um conteúdo vazio, da piada fácil e do palavrão velado ou explícito. Os entrevistados, todos "brilhantes", fizeram jus à categoria do programa e confirmaram que não há nada melhor para uma conversa subir de interesse do que a fazer descer de nível.

Poderiam ter resumido as charlas a cinco minutos, já era muito, e dedicado o resto do tempo ao que ainda existe de interessante na cidade.

E não é pouco, apesar do desleixo e da ignorância.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Televisão

A RTP 1 transmite, quinzenalmente, um programa de Fátima Campos Ferreira denominado "Primeira Pessoa". Ainda não perdi um, mesmo que seja necessário recorrer ao "volta atrás", que hoje a técnica permite com a maior facilidade. É bom ver o que nos interessa, à hora que temos disponibilidade ou paciência.

Ontem, saboreei a visita de um "rapaz" da minha geração, de uma qualidade ímpar e que manteve uma conversa gostosa, calma, sem presunção nem "bicos de pés", ao contrário dos muitos que por aí aparecem a gesticular e a vedetar.

Grande Fausto! Lembra-me um sonho lindo, quase acabado ...

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Irritações

Não fico "grudado" à televisão o dia todo, mas vejo regularmente o que vai surgindo no pequeno ecrã, nomeadamente notícias que, normalmente, não perco pelo menos uma vez por dia. Algumas vezes a televisão é o ruído de fundo que suporta outra qualquer actividade: conversa, leitura, até a sesta.

Mas não é sobre isso que me apetece escrever hoje. Interessa-me a essência e o rigor que cada vez estão mais arredios: são as notícias de acontecimentos desfasados, lendo-se que hoje aconteceu quando o que se noticia já foi ontem; os rodapés pecam pelo mesmo, ao qual se juntam os erros ortográficos, por vezes gritantes e repetidos, obrigando a pensar que não há ninguém que olhe, e corrija ou mande corrigir. Saramago dizia "se olhares, vê. Se vês, repara"

A inovação, relativamente recente, da divisão do ecrã também me causa "comichão". Qual é o interesse, para a notícia, de se estar a ler a previsão do tempo para amanhã e surgirem imagens de chuva torrencial antigas? Ou a notícia ser sobre a vacina que ainda não está descoberta e o ecrã mostrar a agulha da seringa a picar o braço de um "desgraçado", se calhar filmado sem autorização?

A liberdade de expressão é uma conquista sem preço e cabe aos jornalistas assegurarem que ela não se converte na liberdade da asneira, sob pena de os profissionais se converterem em escrevinhadores de redes sociais ou de blogues. 

Percebo, também, que o palco televisivo é apelativo para muita gente e que cinco minutos de fama não estão ao alcance de qualquer um. Mas esses devem ter lugar nos programas próprios e não nos noticiários, acho eu, com a minha alta capacidade de "achista".

Ontem vi surgir no ecrã, num telejornal, um senhor todo bem posto (como diria a minha mãe), de gravata e casaco abotoado, identificado como Presidente da Associação dos Administradores Hospitalares. Pessoa importante e capaz de ter ideias alinhavadas que vale a pena escutar, pensei. Perorava sobre o Plano Outono-Inverno para a saúde, num vídeo que parecia ter sido gravado e enviado às televisões, dado que, mais tarde, o voltei a ver noutro canal. E o senhor todo bem posto lá tecia as suas considerações, com palavras mais ou menos rebuscadas e assertivas até que, surpresa, saiu "é preciso que tênhamos condições". Tive um choque, mas admiti que o problema fosse o meu ouvido. Para me esclarecer devidamente, o senhor todo bem posto repetiu a alarvidade daí a momentos. Vá lá que não apareceram os quaisqueres nem os hádes, mas mesmo assim ... Tenhamos paciência!

domingo, 11 de março de 2007

Televisão



Na semana em que ocorreram vários aniversários, mais uma partida da "velhinha" hérnia discal que, de vez em quando, resolve dar um ar da sua graça, mostrando-me que está bem viva. A situação de desconforto, para além das dores, que me causa, rouba-me a vontade de fazer o que quer que seja e tira-me a paciência necessária para escrever duas linhas com algum (pouco) jeito.

Passaram assim em claro algumas reflexões que gostaria de ter feito sobre os 50 anos da RTP: do Bonanza a João Villaret, de Vitorino Nemésio a David Mourão-Ferreira, do Columbo ao Fugitivo, de Leonard Bernstein às Melodias de Sempre, das Mensagens de Natal às Conversas em Família, do homem na Lua, do terramoto de Agadir, do vulcão dos Capelinhos, das lágrimas do Eusébio, enfim, de tantas coisas que marcaram, abriram as portas da curiosidade, deram ânsia de aprender e descobrir, mostraram que havia mundo para além do "quintal".

E já lá vão 50 anos! Parece que foi ontem!