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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Palavras perdidas

- No rés-do-chão era o consultório de uma parteira que fazia abortos.

- Desmanchos. Nesse tempo eram desmanchos. Abortar era completamente proibido ...

Hoje ninguém utiliza o termo desmancho e o mais provável é haver uma quantidade enorme de pessoas que nem sabe o que significa. A língua é viva, transforma-se, cria, muda, elimina.

O aparo desapareceu, não se usa o apara-lápis e a caneta de tinta permanente pertence a alguns nostálgicos que ainda compram, procurando muito, um frasco de Parker Super Quink. Já ninguém trabalha de sol a sol e, por isso, não cresta, felizmente. A jorna foi promovida a ordenado, mesmo que o trabalho se mantenha em duas ou três jeiras de terra que, agora, produz morangos, beringelas ou courgettes durante todo o ano. Ainda há repolhos, couves-de-cortar, alfaces e feijão-verde, mas a rúcula e os brócolos estão a conquistar espaço.

Acabaram os contínuos e telefonistas também não existem mais. O taberneiro desapareceu e levou consigo o copo-de-três. Só alguns velhos ainda jogam à malha, ao dominó, à sueca e à bisca lambida. O sete-e-meio e a lerpa deram de frosques e nunca mais alguém os viu. Agora toma-se um drink e joga-se na consola e no ipad.

O barbeiro está em vias de extinção, substituído pela barber shop e a brilhantina eclipsou-se. Já ninguém manda pôr meias-solas ou sabe o que é uma galiqueira ou esquentamento. Todos levaram o caminho de nenhures, fazendo companhia ao garrotilho. A nora e os alcatruzes partiram em busca da cegonha, ou picota, deixando os poços à mercê das silvas, por já ninguém regar de pé-posto. Também já não há quem vá ao latoeiro comprar um cabaço para regar a horta e serão excepções os que sabem que o fogareiro tanto podia assar as sardinhas como cozer as batatas. Houvesse petróleo para o manter e álcool desnaturado para o acender ...

Tudo isto acontece porque estas palavras (e muitas outras) deixaram de ser impactantes para a sociedade e não tiveram a resiliência suficiente para se manterem à tona. Quem diria!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Bom português

Com regularidade, presto atenção a uma rubrica que é transmitida logo pela manhã, nas emissões diárias da RTP1. Chama-se "Bom Português" e é o resultado de entrevistas de rua sobre a nossa língua, feitas pela jornalista Carla Trafaria.

No programa de hoje questionava-se a grafia de "caem", para indagar se levava, ou não, um "i" antes do "e". Como sempre, as dúvidas sobre a forma de escrever a língua que é nossa foram inúmeras, mesmo numa situação que, aos meus olhos, é tão simples. Fica-se com pena de quem não sabe nem tem a consciência da sua ignorância, tendo sempre presente que o "sabe tudo" ainda não nasceu e que admitir isso é o primeiro passo para aprender. Mas o microfone e a câmara exercem uma atracção irresistível para demasiada gente.

- Ó Inês, onde tás tu que nim tacho?

- Tou aqui imbaxo, sentada numa piltrona, com duas facadas no buxo que me deu o Pacheco.

- Ai o miseravel dos miseraveis, que lheide arrancar o coração

Era desta forma brincalhona que, na minha juventude, se glosava o drama de Pedro e Inês, vincando bem as palavras incorrectas e os erros de pronúncia. E a associação de ideias levou a lembrar-me disto, logo pela manhã, ao ouvir os entrevistados de Carla Trafaria. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Língua Portuguesa

Primeira página do Público de hoje!

O revisor foi despedido ou já só sabe inglês?


Só beneficiam
de insenção no
IRS salários até

aos 669 euros

😜😜😜😜😞😞😞😞

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Placas e erros


Compreende-se que a pressa de inaugurar não tenha permitido uma revisão do texto da placa mas, caramba, mais de um ano decorrido, e a face do acrílico continua por requalificar e à espera que a fase da correcção chegue!
Espero que não estejamos numa fase de prospecção de novo acordo ortográfico e que a face do Algarve se mantenha bem limpa e melhor arrumada.
A fotografia é de má qualidade, por manifesta incompetência do fotógrafo e pela pouca ajuda que o telemóvel deu.
P.S. - O meu amigo Artur G., residente na capital algarvia, não tardará a dar uma saltada a Albufeira para confirmar e, quiçá, mover as suas influências para que o erro seja corrigido.