Morreu ... perdeu-se uma voz "envinagrada" que, durante décadas, "temperou" a vida literária do Portugal "fechadinho".
MEMORIAL DO RECOLHIMENTO
Aqui há meses, chateadíssimo de viver sozinho, resolvi recolher a um lar da terceira idade. ( )
... Não sei ao certo de onde veio esta moda, mas calculo. E veio para ficar.( )
... E tenho trabalhado. E tenho editado. E me considero privilegiado por isso. E surgiram-me apoios e palavras boas.( )
... E não me considero arrumado.( )
... E se padeci sustos e flatos e, às vezes, isto parece uma casa de orates, não perdi a vontade de rir de mim, principalmente, o que é óptimo sintoma. Deêm-me os parabéns. Tudo tem um fim, sei, sabemos todos. Aquela história que os elefantes conhecem a morte (e morrem) tem a sua beleza e sua nobreza. E quando me surge um neto pequenino ... e quando Raio de Luar vier ... fazem o favor de me invejar. Há razões que o coração conhece bem. E a razão aprova.
Raio de Luar
Oficina do Livro
2003