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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Calendário

Janeiro fora, cresce uma hora! E quem bem procurar, hora e meia há-de encontrar.

Confirma-se. Apesar das nuvens, do frio, da chuva e da neve, esta por outras bandas que não estas, já se nota bem que os dias estão a crescer. E isso é bom! Há menos tempo com as luzes acesas (poupança de energia), o dia rende mais (produtividade aumenta), aquele nervosinho do "bolas, já é de noite" surge mais tarde (melhor disposição) e, finalmente, aqueles que ainda trabalham e têm horários mais ou menos decentes, poderão sair do emprego ainda a tempo de ver o Sol, se ele, teimoso, não se esconder.

Cheira a Carnaval! Não aquele a que se vai assistindo na campanha nem o outro que se vai desenrolando lá pelos States, mas sim o que surgirá daqui a pouco mais de um mês - 17 de Fevereiro e, de novo, à terça-feira.

Caminhamos a passos largos para mais uns mergulhos na Foz ...

Estou preocupado: a andarem a esta velocidade, um dia destes os anos ainda são apanhados pelo radar e ... ficam sem carta!

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Tubarão

"Cada vez que fala verdade, cai-lhe um braço ..." Ainda tem os dois.

- Foi colocada a bandeira vermelha porque foi avistado um tubarão.

Ninguém acreditou. Está sempre no gozo e foge das conversas sérias como "o gato das brasas".

A maré estava a encher e, quando se deu o banho, havia algumas correntes "contraditórias". Nada que fugisse ao normal da Foz. Sentados na conversa, não demos conta da saída de toda a gente da água, incluindo os surfistas. 

Estava na hora do regresso e só nessa altura foi apercebida a mudança de cor das bandeiras. 

- Os agueiros aumentaram e os banheiros querem estar sossegados ..., comentou a má língua, sempre viperina.

No caminho, a estória do tubarão que, vinda de quem vinha, não trazia qualquer hipótese de credibilidade. "Cesteiro que faz um cesto, faz um cento!" 

Afinal era verdade! Tão injustos que nós somos ... O tubarão passou ao largo e a Capitania, zelosa, ordenou a saída de toda a gente da água, para que ele pudesse nadar sem obstáculos. "Não vá o diabo tecê-las ..."

Já tudo voltou à normalidade e amanhã, se o tempo deixar, voltaremos ao banho da manhã, tão frio que há-de fazer bem a qualquer coisa. O tubarão rumou para outras paragens e não regressará, acreditemos.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Apagão

Ontem voltámos ao antigamente! 

Apenas na falta da electricidade, esclareça-se de imediato, para não haver confusões. Uma avaria, ao que parece em Espanha, "deitou tudo abaixo" e os interruptores e afins deixaram de funcionar.

Não houve televisão, nem Facebook, nem Instagram, nem Tik-Tok, nem Twiter, nem chamadas telefónicas em condições. Procuraram-se as lanternas e os rádios de pilhas, as velas de cera e os fósforos, estes desaparecidos algures para o fundo de uma gaveta que não se sabe qual nem se vislumbra onde. Valeu o isqueiro a gás ...

Candeeiros a petróleo quase de certeza que ninguém acendeu. Mesmo que existisse lá em casa um belo exemplar adquirido numa qualquer feira de velharias, dificilmente teria pavio e muito menos o petróleo imprescindível. Já nem mercearias há, quanto mais as bombas manuais que debitavam para a garrafa um litrinho desse líquido precioso que tanto dava à luz como acendia as brasas.

Sempre muito preocupado consigo, o "povo" pegou nas notinhas do mealheiro e foi a correr ao supermercado encher o carrinho com tudo, da água ao papel higiénico, das conservas às cervejolas, e, já agora, duas ou três garrafitas de tintol, mais uns pacotes de açúcar, de arroz, feijão frade e grão de bico, tudo o que lhe pareceu necessário para encher a despensa ... não vá o diabo tecê-las!

Quem se atrasou ... temos pena! Fossem mais espertos ou tivessem mais "carcanhol" em casa.

Houve lágrimas por não ser possível carregar o aparelho que, para além de todas as coisas bem mais importantes, também serve para fazer chamadas telefónicas.

- Isto nunca aconteceu! Não é possível viver assim!

Pois! Mas aconteceu e não foi há 100 anos!

Aguardemos, sem pressa, a explicação que uma qualquer comissão de peritos entretanto nomeada, há-de proporcionar-nos uma visão clara sobre o acontecido. E dirão os mais cépticos: de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. 

sábado, 26 de abril de 2025

Impulsos

Estive quase, quase a "roubar", uma vez mais, o cartoon que António publica no Expresso desta semana. A qualidade do desenho é a do costume, óptima; o tema, actual e acutilante, mas ...

Disse cá para comigo: até tu queres dar visibilidade ao "espertalhão"?

- Nem penses, murmurou a voz interior que me acompanha e vai controlando os impulsos, servindo de moderadora das asneiras que vão surgindo na cabeça, cada vez mais na razão inversa do cabelo, branco, claro.

A solução não é deixá-los a falar sozinhos, ou talvez seja, quem sabe. A casinha, afinal, não tem trinta metros quadrados nem é pouco mais que uma barraca num qualquer Casal Ventoso. No debate, isto foi dito, redito, repisado, mantido, com uma voz colérica e um olhar afirmativo, apelando à injustiça e à comparação com a sua desdita. Coitadinho ...

No dia seguinte, em conversa amena na tarde da TV, a mesma voz, agora com tonalidade angelical, e o olhar, docinho e amável, transmitiam que, afinal, fora apenas um lapso na divulgação da medida, talvez porque a casa nem sequer era dele e sim da sua consorte. Clarinho ... como a água da piscina!

Chega!

"A mentira tem perna curta!"

"Vozes de burro não chegam ao céu!" 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Água

Em Abril, águas mil!

Amanhã, de acordo com as previsões do IPMA, haverá mais. E quão necessária ela é e sempre foi, todos o sabemos. Má, má, é a que muita gente mete ...

Era um mentiroso compulsivo. Mesmo quando a estória era verdadeira, contada pela sua língua tinha sempre um pontinho da sua lavra, inventado ao momento e debitado com o ar mais sério do mundo.

A "plateia" conhecia-o bem e sabia o que a casa gastava. Dava-lhe uns minutos de atenção, durante os quais ele esticava o peito, olhando bem lá ao fundo, no infinito, onde a paisagem lhe abria o cérebro. As estórias eram sempre corriqueiras, mas ele entusiasmava-se e ocupava o "tempo de antena" sem largar o "microfone".

- E não querem saber o que aconteceu ontem quando ...

- Já na semana passada, o Fulano tinha feito ... 

A paciência começava a esgotar-se nos ouvintes. Todos sabiam que ele exultava com aqueles discursos e, tirando isso, não era "mau diabo", mas ... já chegava. Um, mais descarado, começava a arregaçar as calças e a exibir as canelas nuas.

- 'Tás a gozar? Não acreditas? Olha qu'eu não minto ...

- Todos sabemos que, mais ponto menos traço, tu dizes sempre a verdade. Porém, "cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém". E, assim, a água que estás a meter só me molha os sapatos e as meias!!! 

quinta-feira, 3 de abril de 2025

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Sabedoria

Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

António Aleixo
Este livro que vos deixo

  • Quem procura sempre alcança ...
  • Nem sempre nem nunca ...
  • Quem porfia mata caça ...
  • Mais vale um pássaro na mão que dois a voar ...

  • Na terra onde fores ter, faz como vires fazer ...

  • Roma e Pavia não se fizeram num dia ...

  • Dois ouvidos e uma boca. Ouvir o dobro do que se fala ...
  • Nunca confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira ...

  • Bem prega Frei Tomás. Faz sempre como ele diz, nunca como ele faz!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

domingo, 4 de dezembro de 2022

As habitações e o tempo

Habitava num pequeno anexo da moradia do padre N., que, estou convicto, lho cedia gratuitamente. Não tinha emprego fixo. Vivia de "bico", fazendo pequenos trabalhos para quem necessitasse, os quais lhe iam garantindo a subsistência. Nos intervalos desse afã, bebia. E muito! 

A fala estava sempre entaramelada, mesmo quando ainda não tinham sido bebidos copos que o justificassem. Teria cinquenta anos, talvez um pouco mais. Magro, quase escanzelado, por ali andava comentando o que via ou ouvia, quase sempre para si próprio, raramente se dirigindo a alguém que não ele.

A construção da casa tinha começado há pouco tempo e, naquele dia do enchimento da primeira placa, a azáfama era muita e a paciência pouca. Assistiu a todos os trabalhos e, enquanto eles decorreram, não bebeu. Parecia muito interessado no que estava a acontecer e a curiosidade (ou seria a cusquice?) levava-o a percorrer toda a obra, sem dizer uma palavra. Até que ...

- Para que queres tu uma casa tão grande?

A resposta deve ter revelado algum enfado e ele não tornou a dirigir a palavra a ninguém até à noite. Porém, não deixou de por ali permanecer sempre atento e "momando" a sua opinião sobre a forma como se trabalhava.

Passados quase cinquenta anos, vem a confirmação: a casa é enorme! E o ditado mantém plena actualidade; "o beberrão diz o que lhe vai no coração". 

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Calma

Pinturas concluídas, parte-se para as arrumações de tudo o que está amontoado e a ocupar divisões que não deve. Não é fácil esta vida de reformado, sempre disponível para as tarefas que são de somenos importância para os profissionais e que servem, até, para ocupar o tempo que toda a gente acha que abunda.

- Não tem nada para fazer. Ainda morre de tédio ... serve de entretém!

Clarinho como água, tal como quando era criança: "trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco". 

E contra factos, não há argumentos. Se não se fizer hoje, faz-se amanhã ou noutro dia qualquer. Ninguém pressiona e os objectivos já não são obsessão nem tiram o sono. Por associação de ideias, presumo, lembrei-me de uma frase de um velho, extremamente calmo, sem nenhuma vontade de se desgastar e sempre com discurso apropriado à circunstância que lhe desse melhor descanso e o fizesse respeitado.

- Tem calma, rapaz. Ainda és muito novo e não sabes, mas podes ter a certeza de que, com tempo e vagar, até uma formiga marcha!

Tempo não falta e o vagar está sempre presente ... ou quase.

Vamos a isto, com calma! 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Guerra ou ficção

Tão depressa a guerra está iminente como a diplomacia está a conseguir, com as suas diligências, um acordo que a permitará evitar. Uns dizem que se sentem ameaçados com a proximidade da NATO, os outros respondem que são um país soberano e pretendem a ela aderir.

Nos últimos dias, a possível invasão da Ucrânia pela Rússia tem sido a notícia mais badalada e tratada, parecendo estar em causa uma pequena excursão de fim de semana, para a qual é necessária alguma preparação e cuidado. A realidade pode ser bem mais grave e produzir consequências terríveis. Entretanto, as informações baralham, dão perspectivas, sugerem causas, apontam futuros, marcam dia para o começo, geram boatos, transmitem apreensões.

Ninguém de bom senso espera de uma guerra algo de positivo. Quem já a sentiu por perto sabe que "o boato fere como uma lâmina" e que faz parte da estratégia. Que não passe disso, que não aconteça, mesmo que daí surjam dificuldades e contratempos que as necessárias cedências inevitavelmente produzirão.

A esperança é que o diálogo com o inimigo exista, como foi preconizado, há tantos anos, pelo grande Raúl Solnado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Gaivotas ...

... em terra, temporal no mar.

A rotunda tem uma fonte enorme, redonda, com azulejos a cobrir a parede da zona que armazena a água e de onde a mesma parte para criar efeitos incolores durante o dia e luminosos mal o sol se põe. Divide, ou une, dois bairros característicos da cidade - Ponte e Arneiros - e por ela muito trânsito flui, às vezes com bastante dificuldade, pelos diversos e estratégicos itinerários que proporciona.

Até há pouco tempo, os únicos visitantes alados eram alguns melros mais afoitos e um ou outro pardal que aproveitava a água para se dessedentar e a relva para penicar. Agora, porém, tem muitos habitantes fixos, emigrados da Foz do Arelho, que olvidaram ou não querem fazer o caminho de regresso. Dela fazem o seu mar e por ali se quedam, dormindo nos postes de iluminação. As inúmeras gaivotas exercitam a sua capacidade física por toda a cidade, acima dos telhados, e depois descansam na relva e na água da fonte.

Estão de tal forma habituadas ao novo poiso que terão perdido o sabor salgado da água do mar, a sensação da areia debaixo das patas e o prazer gastronómico dos peixes que os seus bicos surripiavam à lagoa e ao mar. Agora, de acordo com os novos tempos, vão-se abastecendo no takeaway dos benfeitores dos gatinhos, que deixam as bolinhas de ração em sítios estratégicos, sendo que grande parte delas, bolinhas, nunca chegam a descer pela goela dos bichanos a quem eram destinadas. As gaivotas, em voo picado, encarregam-se de, rapidamente, fazerem desaparecer o pitéu que mãos e corações preocupados queriam que alimentasse os gatos sem abrigo.

"Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma - Lavoisier"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Cautelas

Os números sobem vertiginosamente e, apesar de os internamentos serem bastante inferiores aos do ano passado pela mesma altura, os alertas dos especialistas são inúmeros e o colapso do SNS, ao que se ouve, uma hipótese bastante provável.

As cautelas voltaram, as desconfianças também, que o medo é que guarda a vinha. 

Se o bom senso imperar, antevê-se um final de ano sossegado, sem grandes jantaradas nem festas bem animadas, com as passas a servirem para pedir uma dúzia de vezes que isto tudo termine em breve, se possível logo no início de 2022.

Os "especialistas" cá de casa já reuniram em plenário e decidiram que vão permanecer resguardados nesta rua sossegada, com pouco trânsito, sem aglomerações e com vizinhos tranquilos. 

Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Indultos

"Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe"

O "Zé" sabe bem que o estabelecido na sapiência dos adágios corresponde, quase sempre, ao que a vida nos proporciona durante a passagem, efémera, que por ela realizamos.

Por muito boa que seja a coisa, não é provável que se mantenha igual para todo o sempre, sofrendo altos e baixos como as ondas do mar. Também, normalmente, o mal tem um fim, demorando mais ou menos, consoante a sorte de cada um.

Exemplo disso é o caso de João Rendeiro, coitado. Teve de fugir do país, está algures em parte incerta exercendo a sua função de consultor para sobreviver, usufruindo de praia, com água quentinha quase de certeza, que o homem já não tem idade para se banhar em águas parecidas com as do nosso Oeste. O ditado cumpre-se: a vida era óptima mas, por culpa de alguém que não o próprio, houve problemas e a justiça desatou a persegui-lo impiedosamente, embora nunca o tivesse conseguido "enjaular". Apesar dos recursos confeccionados por ilustres causídicos, o homem, de acordo com o que explicou em entrevista na inauguração da CNN Portugal, foi obrigado a fugir à (in)justiça que gente sem quaisquer escrúpulos lhe destinava. E lá abalou, imagina-se com que sacrifício, na esperança de reaver o bem e esperando que o mal acabe. Pesaroso, como aparecem sempre estas vítimas, lamentou não ter consigo a companheira, que por cá ficou por amor às três cadelinhas, que não sobreviveriam sem o seu conforto.

Perante os factos, não há argumentos e surge a dúvida: a companhia aérea impediu a viagem das 3 cadelinhas por falta de passaporte ou, no país de destino, só admitem cadelas?

Não há mal que nunca acabe ... e o indulto pode ser a solução. O PR referiu que, neste ano, o prazo para apresentar o pedido tinha terminado em Julho. Mas todos os anos há indultos. Pode muito bem acontecer em 2022 e o melhor é apresentar já o pedido, não esquecendo de invocar o bem-estar das cadelinhas, argumento na certa fundamental para uma decisão favorável.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Canas

"Faz a festa, deita os foguetes e corre a apanhar as canas."

E faz muito bem. A festa dura dois ou três dias, os foguetes um minuto, no máximo, entre pegar-lhe, acender a mecha, vê-lo subir e ouvir: PUM!

A cana não. Tem utilidade. Não só a dos foguetes, utilizada para ajudar as plantas a crescer, amparando-as com todo o carinho, dos crisântemos às sardinheiras, dos brincos-de-princesa aos gladíolos, das rosas aos cravos túnicos. A cana-da-índia, por exemplo, era usada na escola como ponteiro, para assinalar no quadro as coisas mais importantes, e na cabeça de cada aluno, quando situava a serra do Larouco no Alentejo, o rio Mira no Minho ou o apeadeiro da Amieira na Beira Baixa. E a cana grossa? Um regalo. Servia como cabo da gancheta que impulsionava o arco nas corridas, ou para fingir um duelo diabólico, com espadeiradas de laivos ancestrais. Os mais habilidosos conseguiam até fazer flautas e delas extraíam sons, incipientes, é certo, mas que davam uma grande alegria pela conquista "impossível". 

Como os tempos mudam. Hoje a cana é um flagelo para o ambiente, nomeadamente junto aos rios, em cujas margens cresce sem qualquer controlo, abafando e destruindo toda a vegetação, fundamental para a conservação das margens. De vez em quando cortam-na sem lhe sacar a raiz, e ela, teimosa, regressa em pouco tempo. É terrível, essa cana!  

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Lícito

"Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem."

O adágio, como quase todos, é pleno de verdade e metaforiza o enriquecimento ilícito, tão glosado nos últimos tempos que até já vai tirando protagonismo ao coronavírus. Como é normal, lá voltamos a discutir novas leis, constitucionalidades, âmbitos, versões, propostas, textos, palavras, actos, omissões, penalizações, comissões, tudo nessa língua maravilhosa que chamo de "direitez", tão hermética quanto abrangente, onde cada termo tem, pelo menos, duas interpretações e milhentos significados.

Pretende-se, de acordo com o que é dito, criminalizar o enriquecimento ilícito de quem exerce cargos públicos. E os que usufruem de ganhos "pela porta do cavalo", não estando no poder, ficam impunes? O tema poderá ser melindroso, colidir com a liberdade de cada um, dar azo a devassa injustificada, proporcionar parangonas e vinganças, abrir portas aos populismos, mas ... quem não deve, não teme.

Mais importante, antes de legislar sobre tudo e sobre nada, seria tornar a justiça célere, garantindo os meios de defesa a todos por igual e acabando com os subterfúgios que adiam audiências, protelam julgamentos, atiram com as decisões para as calendas, em processos de milhares de páginas carregadas de citações, opiniões, deduções, afirmações, contradições, tudo, menos lições acessíveis ao comum dos mortais, que não teve a graça de aprender a tal língua de "meia dúzia".

Respeitar o outro é, também, cumprir regras, não usufruir sem contribuir, não usar o que é de todos em proveito próprio sem dar alguma coisa de si. E ganhar o euromilhões não é enriquecimento ilícito!

quinta-feira, 18 de março de 2021

Devaneios assertivos

Da sabedoria popular:

Bem prega Frei Tomás. Faz sempre como ele diz, nunca como ele faz

Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita

Não basta à mulher de César ser séria, é preciso parecê-lo

Cão que ladra não morde

Livrar de cão que não ladra e de homem que não fala

Fui à minha vizinha, envergonhei-me. Vim para casa, remediei-me

Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal

No poupar é que está o ganho

Quem muito dorme pouco aprende

Quem vê caras não vê corações

De Peter Drucker:

Gerir é fazer certas as coisas; liderar é fazer as coisas certas

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

A voar

"Quarta passada, semana acabada".

Frase muito dita e ouvida nos tempos do trabalho, para transmitir que a não concretização das tarefas, em tempo útil, traz como consequência o atraso, e que a preocupação deve ser sempre o "não guardes para amanhã o que podes fazer hoje".

Agora, o significado da frase alterou-se radicalmente:

- Já é quarta-feira. Mais uma semana a acabar ...

O tempo voa, propulsionado por motores potentíssimos e sem dar oportunidade de escolha do itinerário. Ainda ontem começou o ano e já estamos quase na Páscoa. Daqui a pouco é noite, o escuro entorpece os músculos, a televisão cansa o cérebro, os livros não resolvem tudo ... mas ajudam muito. Está na hora de fechar os estores, desligar do mundo da rua e ligar o alarme. As mesmas notícias, as mesmas rotinas e, mal se fecham os olhos, já é quinta-feira, o mês está a chegar ao fim e tudo fica na mesma: "nem o pai vem nem a gente almoça".

Apesar de alguns sinais de abrandamento, o malfadado bicho parece sentir-se bem com o clima e com as pessoas. Se fosse educado e compincha, podia apanhar uma boleia de uma qualquer sonda das que por aí navegam e ia para Marte, de férias ... definitivas.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Tempo

Janeiro fora, cresce uma hora. E quem bem procurar, hora e meia há-de encontrar.

Nem o tempo ajuda!

Fevereiro já cumpriu um quarto do seu reinado, mais curto do que o dos seus onze irmãos e, neste ano, apenas com vinte e oito dias de vida, porque bissexto foi em 2020 e só volta a ser em 2024. Se dúvidas houver sobre a certeza desta verdade insofismável, é só consultar o Borda d'Água ou a Wikipédia. Está lá tudo!

De manhã, ainda deu para a voltinha higiénica - porque há-de chamar-se higiénica se nos faz transpirar -, que desentorpece os músculos e permite sentir o vento, fraco, na cara e a luz, cinzenta, nos olhos. Pessoas, muito poucas, mascaradas, com a pressa de andar, a desconfiança do olhar e a certeza do dever de afastar. Longe, longe, é a preocupação actual, não vá o diabo tecê-las. Quem vê caras não vê corações e muito menos o bicho, e cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Acordada da sesta, parece que a ventania está a regressar e a ameaça da chuva mantém-se, para que o encerramento confinado não se torne tão arrasador e a obrigatoriedade "legal" seja esquecida ou, pelo menos, menosprezada.

Os dias estão cada vez maiores. De acordo com os especialistas e os números dos últimos dias, parece que o tempo está a melhorar. Oxalá não haja enganos nem retrocessos, e a Primavera traga um sol radioso, para nos deliciar e fortalecer, que bem precisamos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Actualidade

"Em tempo de guerra não se limpam armas"

Estalou a polémica, como é costume.

De acordo com notícias vindas a público, há, em Portugal, um número considerável de médicos estrangeiros, nomeadamente vindos da Venezuela e do Brasil que não podem exercer as funções para as quais terão sido formados nos seus países de origem. Ainda de acordo com uma reportagem da RTP1, haverá alguns que aguardam há 2/3 anos pelo reconhecimento das suas habilitações e a necessária inscrição na Ordem dos Médicos.

Entretanto, para sobreviver, muitos deles executam tarefas, as mais variadas, mas que nada têm a ver com aquilo para que se prepararam e das quais a saúde muito precisa, de acordo com os apelos quotidianos dos responsáveis de primeira linha. Um dos organismos de cúpula terá proposto que, face à situação que vivemos, lhes fosse concedida uma licença especial, válida por um ano, para exercerem a sua colaboração, naturalmente enquadrada e supervisionada.

A Ordem apressou-se a vir a público, não para dizer que vai apressar a decisão da análise, mas antes para afirmar o seu desacordo à proposta, reiterando que só se é médico se e quando a Ordem o reconhecer.

Continuamos a ter muitos que, vivendo como se nada se passasse, continuam a ser parte do problema, e pouquíssimos à procura da solução.

"Não se pode ser padre numa freguesia destas"