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domingo, 2 de abril de 2023

Já era ...

O mundo está cada vez mais efémero. Não há tempo para digerir acontecimentos, opiniões ou imagens. Tudo chega num instante e parte no outro.

Ler jornais era, em tempos, saber mais. Já não é. Quando o jornal chega às bancas, as novidades já deixaram de o ser há muito. Tudo foi ultrapassado, analisado, desmentido, arrumado na gaveta mais funda que esteja disponível ou no canto mais recôndito que surja, sempre com a perspectiva de aparecer um espaço amplo que receba a novidade e esteja preparado para a abandonar de imediato.

O Dr. Google, a Wikipédia, os Influencers, Youtubers e quejandos têm, na ponta do dedo, a resposta para todos os problemas, questões, dúvidas, sendo essa resposta instantânea, certeira e sem margem para quaisquer discussões.

E toda a gente (eu incluído) manda bitaites, na busca incessante do protagonismo e do degrau que lhe permita subir, por pouco que seja, na escada da fama.

Por mais estapafúrdia, incoerente, mentirosa, falsa, estúpida ou parva que seja uma afirmação, haverá sempre quem, exibindo uma ignorância imensa mascarada de verdadeira eloquência, diga, afirme, escreva e teime que

- Tenho a certeza que é assim. Vi na Net!

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Memória

Por mais que se tente fugir, num encontro de septuagenários, as conversas encaminham-se sempre para as doenças e para as recordações que permanecem bem presentes embora sejam de há muito, muito tempo.

- Disso, lembro-me perfeitamente ... não me perguntes o que almocei ontem.

A referência aos lapsos de memória do que se viveu ontem, por vezes ao que se passou há momentos, a baralhação dos nomes, a palavra debaixo da língua que teima em não sair e só (res)surge quando já não é necessária,

- Desculpa lá interromper ... lembrei-me agora do que queria dizer há bocado

um sem número de situações que todos conhecemos, já vivemos e cuja aparição parece, ao que dizem, ser normal e sem terapêutica conhecida. 

Comparando com os computadores, parece que a situação memorial é mais ou menos similar, salvo a solução. À medida que a capacidade de armazenamento se vai aproximando do limite, a memória da máquina começa a ter dificuldade em encontrar o pretendido, demora mais tempo, baralha-se, perde informação, "queixa-se", solicita actualizações, diz que é tempo de libertar espaço. O recurso à "nuvem" ajuda a que a sua acção seja simplificada, facilitada e sem preocupação de "ver" apenas com os seus "olhos". O arquivo passa lá para cima e, lá de cima, até vêm notícias e respostas. Em último recurso, adquire-se outro (sem necessidade de ir à loja) e ... tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

O computador continuará com uma boa memória, acederá ao "além", obterá cada vez mais respostas, terá cada vez mais capacidade de segurar os conhecimentos e de os alardear.

Os "jovens" septuagenários já só se apresentam com uma vaga ideia 

- Eu sei isso ... mas não me vem à cabeça.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Pirataria

Depois do Expresso e, ao que parece, do Correio da Manhã, coube esta noite à Vodafone ser vítima de um ataque informático que paralisou os serviços da operadora e causou enorme perturbação nos seus clientes, de entre eles o INEM, algumas corporações de bombeiros e bancos. 

Sou um utilizador "frenético" da internet, a tal ponto que, desde a passagem à reforma (há quase cinco anos), nunca mais entrei numa dependência bancária. Faço tudo sentado à secretária, de transferências a pagamentos, consultas e tudo o mais que um utilizador normal tem necessidade. Para além disso, compro muita coisa em empresas que, presumo, são seguras e oferecem confiança. Não sou fã das redes sociais, embora por lá passe de quando em vez, para coscuvilhar os temas mais em voga.

A realidade, porém, está a avisar-me que no melhor pano cai a nódoa. E que a pirataria informática está implantada e, tudo o indica, veio para ficar. Já se conheciam as interferências nas eleições de alguns países, as mensagens e notícias falsas, as aldrabices comerciais, as disseminações mentirosas propagadas pelas redes sociais. Tudo isso é pouco quando comparado com a entrada numa das maiores operadoras do país, que se julgaria ter o seu sistema blindado a estes ataques. Afinal, confirma-se o que se sabe desde sempre: o polícia anda sempre atrás do ladrão e nunca o contrário.

Com a clareza que o caracteriza há muitos anos, o Professor José Tribolet, numa entrevista à CNN, esclarece o que, na sua opinião, aconteceu e reforça aquilo que pode vir a suceder, em tempo mais breve do que se imagina. Vale a pena ouvir aqui.