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quinta-feira, 19 de março de 2020

Dia do Pai

Apesar do que está a passar por aqui e pelo mundo, das incertezas e das esperanças, com coronavírus ou sem ele, com estado de emergência ou a emergência do estado de isolamento, "escondidos" em casa porque o risco é grande, sabemos que, algures, há sempre alguém a passar bem pior do que nós e sem casa para se esconder.
E também que muitos outros há já sem oportunidade de passar por isto.
O meu pai faria hoje 98 anos e, se ainda por cá estivesse, ficaria preocupadíssimo com o que se passaria ... com todos os outros.

SOL DE MENDIGO

Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o sol na beira dum valado
e dorme toda a noite à soalheira ...
Pela manhã acorda tonto de luz,
Vai ao povoado
e grita:
- Quem me roubou o sol que vai tão alto?
E uns senhores muito sérios
rosnam:
- Que grande bebedeira!

E só à noite se cala o pobre
Atira-se para o lado, 
dorme, dorme ...

Manuel da Fonseca
Poemas Completos
Forja (1978)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Netos (quarto)

MENINO

No colo da mãe
a criança
vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança. (...)
Manuel da Fonseca


Apetecia-me repetir, com a devida adaptação, o que por aqui escrevi, há cerca de 10 anos, quando chegou o Gil; ou o que deixei expresso quando o Vasco "aportou" ao porto seguro dos papás; ou ainda o que registei no dia de S. João de 2012, à chegada do Duarte, que hoje foi brindado com um mano.
Chegou o Miguel! Junta-se ao mano e aos primos e vai, seguramente, fazer as delícias de todos eles e também as de todos nós.
Por mim, e apesar do "saber da experiência feito", confesso que ainda por cá andou uma ansiedade latente, que só descarregou por volta das seis da tarde, quando chegou a notícia de que estava tudo bem e havia mais um homem na família.
Cá o espero, de braços abertos, a contar com o "abracinho" que só os netos sabem dar!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Palavras bonitas

As novas tecnologias ajudam muito aqueles a quem o tempo falta. 
Ver televisão, durante a semana, é um "luxo" cada vez mais difícil de conseguir. Vou deixando a gravar alguns programas que não quero perder e, quando surge a oportunidade, "play" com ele.
O "5 para a meia noite" das terças-feiras é sempre gravado e, assim que é possível, lá coloco o Zé Pedro Vasconcelos em diferido, para me deliciar com o seu humor e com a inteligência com que aborda os assuntos e convidados.
Hoje vi o programa do passado dia 12, no qual estiveram presentes dois jornalistas: Pedro Coelho, da SIC, que falou da sua grande reportagem sobre o BPN, e Rita Marrafa de Carvalho, da RTP, que dissertou sobre jornalismo de investigação e mostrou os dotes da sua voz, bem bonita, a cantar, "à capela".
O nível estava elevado e subiu quando, na rubrica que surgiu nesta segunda série, Vítor de Sousa, com a sua extraordinária voz, disse um poema de Manuel da Fonseca, apropriado para o programa e para os dias em que vivemos.
Tinha uma vaga ideia das palavras e fui buscar o velho livrinho (1978) dos Poemas Completos. 
Lá estava a 

DONA ABASTANÇA

"A caridade é amor"
proclama Dona Abastança
esposa do Comendador
senhor da alta finança.

Família necessitada
a boa senhora acode
pouco a uns a outros nada
"Dar a todos não se pode".

Já se deixa ver
que não pode ser
quem
o que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
e sai caro fazer o bem
ela dá ele subtrai
fazem como lhes convém
ela aos pobres dá uns cobres
ele incansável lá vai
com o que tira a quem não tem
fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
que não pode ser
dar
sem ter
e ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
sempre ao bem fazer foi dado
pouco custa a quem roubou
dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
de tão estranha caridade
feita com dinheiro do povo
ao povo desta cidade.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Palavras bonitas

Uma tarde
O Tóino
chegou ao largo
com um vidro extraordinário.
Segurava-se
entre o polegar e o indicador,
virado para o sol,
e do outro lado
chispavam as sete cores do arco-íris!
E nós
em volta
esquecidos do jogo do pião!...
Manuel da Fonseca
Poemas completos (6ª edição)
Forja 1978