ANTES QUE SEJA TARDE
Amigo,tu que choras uma angústia qualquere falas de coisas mansas como o luare paradascomo as águas de um lago adormecido,acorda!Deixa de vezas margens do regato solitárioonde te mirascomo se fosses a tua namorada.Abandona o jardim sem floresdesse país inventadoonde tu és o único habitante.Deixa os desejos sem rumode barco ao deus-daráe esse ar de renúnciaàs coisas do mundo.Acorda, amigo,liberta-te dessa paz podre de milagreque existeapenas na tua imaginação.Abre os olhos e olhaabre os braços e luta!Amigo,antes da morte virnasce de vez para a vida.Poemas CompletosManuel da FonsecaForja (1978)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
Palavras bonitas
quinta-feira, 21 de março de 2024
Palavras bonitas
No Dia Mundial da Poesia, palavras tão antigas e tão actuais.
GUERRA
Quando Francisco Charruachegou ao largo gritando:- Eh! gente, estalou a guerra!Zé Gaio de alvoroçadopôs-se a bater o fandango.Os outros só pelos olhosfalavam surpresa, esperança:- Será agora? Talvez ...!Mas Zé Gaio tinha a certeza:estava a bater o fandango! ...Já vão dois anos passados.Agora a telefoniada venda, à esquina do largo,informa todas as noites:"Uma esquadrilha inimigabombardeou a cidade:morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."Agora a telefoniainforma todas as noites,dias, meses, anos ... noites:"Morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."... E lá num canto do largo,coberto de noite e raiva,Zé Gaio abriu a navalha.Zé Gaio espetou a navalhano grosso tronco da faia.Lá num canto do largo,a faia toda dobrada- será do peso da noiteou do vento da desgraçaque sai da telefonia?Manuel da FonsecaPoemas completosForja (1958)
sábado, 8 de janeiro de 2022
Palavras bonitas
GUERRA
Quando Francisco Charruachegou ao largo gritando:- Eh! gente, estalou a guerra!Zé Gaio de alvoroçadopôs-se a bater o fandango.Os outros só pelos olhosfalavam surpresa, esperança:- Será agora? Talvez ...!Mas Zé Gaio tinha a certeza:estava a bater o fandango!...Já lá vão dois anos passados.Agora a telefoniada venda, à esquina do largo,informa todas as noites:"Uma esquadrilha inimigabombardeou a cidade:morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."Agora a telefoniainforma todas as noites,dias, meses, anos ... noites:"Morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."... E lá num canto do largocoberto de noite e raiva,Zé Gaio abriu a navalha.Zé Gaio espetou a navalhano grosso tronco da faia.Lá num canto do largo.A faia toda dobrada- será do peso da noiteou do vento da desgraçaque sai da telefonia?Poemas CompletosManuel da FonsecaForja (1978)
quinta-feira, 19 de março de 2020
Dia do Pai
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Netos (quarto)
No colo da mãe
a criança
vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança. (...)
Manuel da Fonseca
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Palavras bonitas
As novas tecnologias ajudam muito aqueles a quem o tempo falta.
Ver televisão, durante a semana, é um "luxo" cada vez mais difícil de conseguir. Vou deixando a gravar alguns programas que não quero perder e, quando surge a oportunidade, "play" com ele.
O "5 para a meia noite" das terças-feiras é sempre gravado e, assim que é possível, lá coloco o Zé Pedro Vasconcelos em diferido, para me deliciar com o seu humor e com a inteligência com que aborda os assuntos e convidados.
Hoje vi o programa do passado dia 12, no qual estiveram presentes dois jornalistas: Pedro Coelho, da SIC, que falou da sua grande reportagem sobre o BPN, e Rita Marrafa de Carvalho, da RTP, que dissertou sobre jornalismo de investigação e mostrou os dotes da sua voz, bem bonita, a cantar, "à capela".
O nível estava elevado e subiu quando, na rubrica que surgiu nesta segunda série, Vítor de Sousa, com a sua extraordinária voz, disse um poema de Manuel da Fonseca, apropriado para o programa e para os dias em que vivemos.
DONA ABASTANÇA"A caridade é amor"proclama Dona Abastançaesposa do Comendadorsenhor da alta finança.Família necessitadaa boa senhora acodepouco a uns a outros nada"Dar a todos não se pode".Já se deixa verque não pode serquemo que temDá a pedir vem.O bem da bolsa lhes saie sai caro fazer o bemela dá ele subtraifazem como lhes convémela aos pobres dá uns cobresele incansável lá vaicom o que tira a quem não temfazendo mais e mais pobres.Já se deixa verque não pode serdarsem tere ter sem tirar.Todo o que milhões furtousempre ao bem fazer foi dadopouco custa a quem rouboudar pouco a quem foi roubado.Oh engano sempre novode tão estranha caridadefeita com dinheiro do povoao povo desta cidade.
