Mostrar mensagens com a etiqueta 25 Abril. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 25 Abril. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Futuro

Se fosse uma final de uma qualquer competição de futebol, dir-se-ia:

- Há um favorito, mas nunca se sabe. É só um jogo e pode haver surpresas.

No dia 8 de Fevereiro de 2026 não acontecerá um jogo de futebol. Mas pode haver surpresas!

Passaram já mais de 50 anos desse "dia inicial inteiro e limpo" em que fiz 22 anos, alimentando a esperança de uma sociedade nova, com liberdade e possibilidade de todos subirem a escada, independentemente da origem social, cor ou qualquer outra, sem polícia do pensamento nem mandantes sem autoridade.

Tudo isso está na corda bamba. Mas tenho esperança que o bom senso prevaleça na maioria das pessoas e que quem grita serem precisos três "rapa-tachos" continue a dizer as bacoradas que quiser, mas não adquira direito a um "mocho" quanto mais a uma cadeira de poder.

É seguro que apenas SEGURO pode ser Presidente de todos os portugueses!

domingo, 23 de novembro de 2025

Comemorações

Com o aproximar das "comemorações oficiais" dos 50 anos do 25 de Novembro, muita gente tem botado faladura e uma grande maioria não sabe o que diz, ou porque ainda não tinha nascido ou andava de cueiros, ou porque lê uma pseudo-história enviesada e parcial, que pretende justificar, aos olhos das novas gerações, o que fizeram ou não fizeram algumas figuras (e figurões) que hoje pretendem a primeira fila ou, para os que já desapareceram, se envidam esforços no sentido de os colocar num centro, fictício, do "teatro das operações".

No Expresso da passada sexta-feira e no Público de hoje, Sousa e Castro, antigo Capitão e actual Coronel na reserva, encontram-se duas excelentes entrevistas de quem bem sabe do que fala e não tem papas na língua para analisar 1975, com os olhos de quem o viveu por dentro e sabe o que diz.

Apenas alguns excertos "roubados" às entrevistas publicadas, para figurarem no "arquivo" e certificarem aos vindouros que, a maioria das vezes, nem tudo o que parece, é.

Expresso: "Tentar fazer uma equivalência em termos de importância histórica e de postura do Estado entre uma revolução que derruba uma ditadura e os acontecimentos de 25 de Novembro é absurdo. No 25 de Abril muda tudo, enquanto a 25 de Novembro quase tudo ficou igual, do ponto de vista do poder. Manteve-se o Presidente da República, o primeiro-ministro e o Governo, à exceção de alguns ministros. Os acontecimentos do 25 de Novembro são apenas uma consequência do 25 de Abril. Pôr estas datas ao mesmo nível é a última coisa que eu esperaria ver. É uma tentativa muito serôdia de reescrita da História por parte deste Governo. Uma jogada política, para não dizer pior."

"Obviamente, não. Para alguém que participou na revolução que deu ao povo português a liberdade, ver uns "marrecos" dizerem que há coisas iguais ou até melhores do que o 25 de Abril dá uma revolta profunda."

" A meu ver, o general Costa Gomes é a pessoa mais injustamente esquecida da História moderna portuguesa. Foi o general mais brilhante que Portugal teve no século XX e foi ele que segurou todas as convulsões, desde o golpe miserável de Spínola a 11 de Março até à gestão de toda a crise do PREC e dos governos gonçalvistas. No dia 25 de Novembro convocou uma reunião em permanência do Conselho da Revolução logo que surgiram as primeiras notícias da movimentação dos paraquedistas e, à margem dessa reunião, ia fazendo os seus contactos. Sei que chamou o Álvaro Cunhal e deu-lhe a entender: "Esteja quietinho, porque não tem qualquer hipótese de levar a sua à frente." E o PCP mandou recuar. Costa Gomes foi a personagem mais decisiva do 25 de Novembro, a par de Melo Antunes, que escreveu o "Documento dos Nove". E até ao fim da vida tentarei honrar a memória desses dois homens." 

Público: "Na altura tivemos de lidar com o CDS, que era o partido legal mais à direita. Mas o CDS tinha gente civilizada e culta na sua liderança. Está a ver o Freitas do Amaral, o Adelino Amaro da Costa ou o Francisco Lucas Pires a reescreverem a História de Portugal? Está a vê-los a dizer: não, 0 25 de Abril não foi uma revolução, a revolução foi a 25 de Novembro? Não estou a vê-los. Hoje temo a extrema-direita institucional, que é o Ventura, do Chega, e o Nuno Melo, do CDS. O Ventura é um aventureiro político, um populista, um tipo sem cultura e sem ideias. O Melo é um político medíocre, que se deixou arrastar pelo Ventura para esta ideia de se comemorar o 25 de Novembro. O Luís Montenegro, e vou dizer isto com palavras claras, é uma pessoa muito ignorante. Com pouca cultura, que não sabe nada de história. Por isso, foi na onda. É a ironia da História."

domingo, 19 de outubro de 2025

Rescaldos e sonhos

Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu, dizia-me, muitas vezes, a minha mãe, ilustrando os que, mal sobem a escada, partem todos os degraus para que mais ninguém os possa apanhar.

Vivemos tempos de hipocrisia, de arrogância, de "vale tudo", de não se olhar a meios para atingir os fins, de julgar que a carteira, mesmo lisa, há-de um dia ser cheia e comprar tudo.

Surgem debaixo dos pés os oportunistas, os mentecaptos, os que acham que, sem eles, o mundo não existiria. E fazem escola! E têm apoiantes e sobem, sobem, qual balão que, um dia, vai esvaziar. E essa é a sua grande luta: se e quando o balão esvaziar, ao menos ninguém dê por isso.

O poder, o poder, o poder, não para ajudar a resolver mas para (me) engrandecer! E, sentado na cadeira, reclamar a reverência a que (me) julgo com direito, adquirido à custa de muita habilidade e cretinice.

Não têm culpa! A fuga dos que tinham condições e há muito decidiram afastar-se, trouxe para a ribalta gente de fraca estirpe e má índole, e colocou na gaveta do esquecimento aqueles para quem Abril sonhou abrir as portas. 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Confusões

O respeito pelo Papa Francisco e pela sua morte merecia que o Governo tivesse um pouco mais de atenção e cuidado, e não confundisse as comemorações do 25 de Abril com o infeliz acontecimento.

Era o mínimo exigível, mas cada vez há mais gente que não se enxerga ...

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Livros (lidos ou em vias disso)

"(..) Ao terceiro dia os símbolos foram depostos em Elvas.

Durante a tarde de sábado as forças militares deitaram por terra o que ainda restava do regime recentemente derrubado. Muitas foram as pessoas que se juntaram na Praça D. Sancho II para assistir à  retirada da placa da fachada da sede da PIDE/DGS. Houve ovações aos militares e vivas a um Portugal livre. Antes disso, no interior do edifício, inventariou-se o espólio existente.

No Largo de São Martinho, a tarefa repetiu-se. Também o edifício da Legião Portuguesa viu ser retirada da fachada a placa que a mencionava, como se nunca tivesse existido ou quisesse esquecer-se a sua existência.

Na noite anterior a Praça D. Sancho II tinha sido pequena para receber todos os que quiseram dar largas à sua satisfação, à esperança adiada de ver cair o regime, de poder sonhar um Portugal diferente. Os jovens eram os mais entusiastas, mas havia homens e mulheres de todas as idades e credos, militares e civis, sob a égide da antiga Sé, vigia perene. Traziam cartazes e faixas onde se podia ler agradecimentos às Forças Armadas e palavras de insulto ao fascismo.

- Em vez de ódio e dor, queremos paz e amor.

- Viva M.F.A. 

- Viva Portugal.

Abril
Nuno Franco Pires
Visgarolho (2024)

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Perdas

Foi hoje "por esse rio acima". Uma vida dedicada à boa música portuguesa e a lutas muito importantes, antes e depois de Abril.

Ficará sempre na memória e nos discos que por cá estão há muitos anos, mas ainda bem conservados, a exibirem tantas coisas boas e a lembrarem, entre muitas outras, a luta da vizinha Ferrel, aqui tão perto ...

quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 de Abril

Cinquenta anos passados, a emoção continua quando se (re)vêem imagens que não desaparecem nunca, e se ouvem músicas inesquecíveis, muitas com novas e excelentes "roupagens", cantadas e tocadas por gente nova, que não se quer alhear nem ceder.

Que os meus netos possam comemorar o centenário do dia inicial inteiro e limpo, com total liberdade, uma maior igualdade, a fraternidade devida e o respeito a que todos temos direito.

O 25 de Abril trouxe-nos a paz, a abertura, a esperança, o horizonte, a mudança, valores que só descortinamos quando se perdem.

domingo, 21 de abril de 2024

Meio século

Aproxima-se, velozmente, o dia da Liberdade. 

Passam 50 anos e as comemorações sucedem-se, ainda que, em algumas, melhor seria terem ficado no sossego da gaveta ou na pasmaceira da casa. A lei inexorável do tempo faz com que sejam cada vez menos os que viveram os tempos da "outra senhora", e aos novos pareça esquisita, para não dizer falsa, qualquer conversa sobre o como era dantes.

Ainda bem! Emitir opinião sem temor, ser diferente sem medos, usar o que apetece sem "olhos" a cuidarem, conversar sem receio de ser ouvido e denunciado, e não serem "proibidos os grupos agrupados e mais que dois a andar parados", não tem preço.

Por mais gente que apareça a berrar, vozes de burro não hão-de chegar ao céu e, daqui a cinquenta anos, as comemorações do século talvez sejam historicamente mais verdadeiras e rigorosas, digo eu, que não estarei cá para o confirmar.

terça-feira, 26 de março de 2024

Saltimbancos

Em vésperas de Abril, o dia começou com muita chuva, vento e granizo, coisa que não é muito habitual por este oeste sossegado. As pedrinhas estragaram algumas flores da laranjeira, dos limoeiros e da ginjeira, e alteraram o verde da relva para um esbranquiçado parecido com a minha cabeleira.

Tudo indicava que seria um de

"vai prá barraca, Mimoso!"

sem qualquer interesse, a não ser aquele a que o livro actualmente a ser lido, proporciona.

Afinal, tudo se alterou. Para quem, como eu, gosta de teatro, o espectáculo surgiu no televisor, sem necessidade de comprar bilhete, em directo da Assembleia da República. A "peça" transmitida está a baixar de nível e a subir de interesse. Trata-se da eleição do novo Presidente da AR, segunda figura da hierarquia do Estado. 

Confesso as minhas limitações: ainda não percebi se é comédia, drama ou farsa, e se o elenco - 230 "actores" - tem nível para o papel que lhes destinaram. Contudo, já entendi que a minha geração, que depositou enormes esperanças na chegada da liberdade, não foi capaz de transmitir valores a muita da gentalha que hoje se senta em cadeiras cuja ocupação deveria ser por pessoas de nível, preocupadas com as funções para que são (foram) eleitos.

terça-feira, 5 de março de 2024

Prazeres

Para quem gosta muito de ler e também de comprar livros, é sempre um grande prazer ouvir a campainha e, pela janela, verificar que o carteiro quer entregar uma encomenda. Foi o que aconteceu hoje e a caixa trazia três livros de Manuel S. Fonseca ou da sua coordenação. Dois deles haviam sido pagos, o terceiro era oferta, como reconhecimento da "qualidade" do cliente. "25 de Abril, no princípio era o verbo", com ilustrações de Nuno Saraiva; "O pequeno livro dos grandes insultos" e "Que Salazar era o Salazar de Fernando Pessoa", todos da Editora Guerra  Paz.

Apenas folheei o "Salazar", personagem que, nunca o esquecerei, partiu na véspera do dia em que tirei a carta de condução e cujo enterro por pouco não impedia a realização do exame. A personagem não me desperta qualquer entusiasmo, mesmo "interpretado" por Fernando Pessoa. Os outros dois, li-os de um fôlego, que quem espera, desespera. Diverti-me "imeeenso", como diria se vivesse lá para os lados de Cascais. 

De "O pequeno livro dos grandes insultos" não me atrevo a comentar e muito menos a transcrever. Ficaria tão corado quanto as camisolas do Benfica (antes da goleada nas Antas). 

Vamos ao que importa: o livro sobre o 25 de Abril faz uma breve cronologia dos factos do dia da revolução (com precisão, diga-se) e depois transcreve muitos dos escritos, ditos, cenas, slogans, a maior parte dos quais foram "escarrapachados" nas paredes de Lisboa pela irreverência anarquista da época. E são tantos, tantos, muitos que a memória já tinha arquivado. Eis apenas alguns exemplos: "Não aos organismos de cúpula, sim aos orgasmos de cópula", "A terra a quem a trabalha, mortos fora dos cemitérios, já!", "Abaixo o sabão amarelo, abaixo a tinta da China, independência nacional", "Abaixo a reacção, viva o motor a hélice", "Se Deus existe, porque não se recenseou?", "Nem mais um anticiclone para os Açores, nem mais um faroleiro para as Berlengas", "Cimbalino ao poder, abaixo o café de saco, morte à cevada reaccionária", "Abaixo a exploração sexual da galinha. Cada um ponha os ovos de que precisa", "Inter 2 - Sindical 0", "Abaixo a foice e o martelo, viva o Black and Decker".

Por mais que apareçam uns quantos "inteligentes" a quererem eliminar, quem viveu nunca esquecerá. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Carnaval e sonho

Apetecia-me muito escrever sobre polícias, ladrões, agricultores, manifestações, sindicatos, seca, chuva, sol, liberdade, responsabilidade, respeito, vontade, senso, honestidade, competência, trabalho, trafulhice, disparate, miséria, violência. E, procurando com alguma calma, encontraria muitos mais temas que são hoje recorrentes e fazem parangonas no caldo vertiginosamente noticioso.

Porém, falta-me a pachorra e já não tenho idade para a comprar e muito menos para me preocupar com o que poderá surgir no futuro. Já vivi mais do dobro de anos em liberdade do que vegetei em ditadura ,,,

De vez em quando sonho que poderia ser interessante algumas pessoas experimentarem, apenas durante uma semana, o "clima" do "antes". Talvez isso lhes permitisse perceber melhor o que estará em causa se alguns "cabeçudos" que por aí pululam fossem promovidos a "reis" e passassem a mandar no "carnaval".

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Regresso ao passado?!

E se, de repente e como por magia, tudo andasse para trás 50 anos?

Dirão uns, saudosistas das capacidades físicas: Maravilha! Voltava a alegria e a loucura dos "vintes", nada fazia mal e não havia chuva que molhasse nem frio que rachasse; acrescentarão outros, mais racionais: Não havia dores, nem sono, nem pressa e tínhamos tudo "à mão de semear" ... excepto o que não tínhamos.

Cada vez são menos os que viveram há meio século e disso têm lembrança de "experiência feita". Não conseguiram, ou não quiseram, contar à geração seguinte, nascida depois de 1974, como eram aqueles tempos e como tudo se transformou. Talvez não tenham procedido da melhor maneira e a omissão esteja longe de ter sido a atitude correcta, mas aconteceu assim, na grande maioria.

E agora, espantados, ouvimos gente que subiu degraus de uma escada que não existia, deu muito trabalho a muitos e foi bem difícil de construir, apesar dos defeitos, a gritar que "dantes é que era"! E falam grosso, como quem quer comer microfones, gritando impropérios e frases sem nexo, como se os decibéis da voz fossem suficientes para terem razão e sabedoria.

"Valha-lhes um burro aos coices e três aos pontapés!"

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Alcatruzes

No balcão da clínica onde me havia deslocado para uma consulta de rotina, surgiu a confrontação com o 25 de Abril, quando a menina do atendimento, simpática, quis confirmar que o cliente postado na sua frente era mesmo este e não outro.

- Qual a data do seu nascimento?

- 25 de Abril de 1952.

- 25 de Abril?! Engraçado ...

- Sem dúvida. Foi no dia em que fiz 22 anos e nunca mais me esquecerei.

- Eu ainda não tinha nascido, nem jeito ...

Deveria ter 28, 30 anos, não mais. Mas sabia que o 25 de Abril tinha acontecido e era qualquer coisa importante, o que, nos dias de hoje, começa a ser cada vez mais raro.

- Olhe que isto está muito mal ... não sei se valeu a pena.

- Tem essa opinião porque não viveu no tempo "da outra senhora" e não faz a mínima ideia de como era. E ainda bem!

Mais duas ou três frases de circunstância, feito o registo que se pretendia e dada a informação necessária, a despedida. Era necessário atender outro cliente, dos vários que aguardavam.

O tempo, que passa a correr, limpa a memória dos mais velhos e cria o "quero lá saber disso" nos mais novos. Nada disto é privilégio destes tempos, embora pareça acentuar-se. Lembro-me bem de, na década de sessenta do século passado, dar por mim a questionar a razão pela qual um grupo de "velhos" organizava um almoço comemorativo do 5 de Outubro de 1910, uma evidente inutilidade para uma data tão longínqua.

A nora da vida não cessa o seu trabalho constante.

terça-feira, 25 de abril de 2023

Liberdade

A minha amiga Liberdade e eu próprio festejamos o aniversário na mesma data. E é hoje! Eu levo uns bons anos a mais, tive o privilégio de a ver nascer e de participar nos seus primeiros passos, choros e sonhos, acalentando com ela a esperança de ver o sol nascer para todos e que o dia fosse o inicial, inteiro e limpo de um futuro risonho e próspero.

O tempo passou e em ambos parece estar a deixar marcas. Para mim, não será de estranhar que os 71 tenham trazido algumas maleitas, incómodos, com dor aqui, com dor ali, com cor acolá, o costume. Nela, bem mais nova, é que é preocupante. Ainda nem chegou aos cinquenta e todos os dias se notam os efeitos que algumas ervas daninhas lhe vão causando, parecendo até, em algumas situações, que há quem queira o regresso daquela agricultura de antanho, com as enxadas na mão, a fome e o medo do "vizinho" que pode bufar sem ninguém notar ou saber. 

Causa algum incómodo ouvir e ver gente que já nasceu nos dias claros a pretender dar lições e a clamar sem conhecimento e, pior, sem educação. Pensando bem, nem merecem ser escutados.

A minha amiga Liberdade há-de sobreviver a toda essa gentalha e eu espero continuar a acompanhá-la, para meu bem, dela e de todos os que por cá continuarem.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Liberdade

Para mim e para muitas outras pessoas, hoje é dia de festejar o aniversário e de lembrar sonhos que estão por cumprir, coisas que não se fizeram, tempos que já foram. 

Com esta idade, os sonhos já só acontecem a dormir. Os outros, se não se concretizaram, talvez já não aconteçam. Nesta noite, dei por mim a convidar a Liberdade para comigo almoçar, e, assim, comemorarmos o aniversário em conjunto. Apesar de ela ser bastante mais nova do que eu, tinha alguma esperança de que aceitasse e, até, ficasse satisfeita com a lembrança do idoso. 

- Nem pensar. Já me conheces há tempo suficiente para saberes que não quero nem devo privilegiar ninguém. Aliás, conheces bem a minha história e sabes que foi para acabar com os privilégios que vim ao mundo há 48 anos, trazida com orgulho por um punhado de portugueses corajosos.

- E achas que conseguiste? 

- Resposta difícil, tais são as incertezas e os escolhos que procuro contornar. Mas já muita coisa se alterou e o jardim tem um aspecto e uma vida completamente diferentes.

Compreendi as reticências da minha amiga, ou melhor, reconheci que a não devia ter convidado, uma vez que, apesar da nossa ligação fraternal, ela tem muito mais que fazer do que almoçar com um qualquer egoísta que a pretende só para si. Talvez até nem tenha tempo para almoçar, tal o trabalho imenso que a mantém atarefada e com uma preocupação constante de tentar evitar aqueles que, à sombra da sua benevolência, não hesitarão em matá-la à primeira oportunidade. Não lhe gabo a sorte e estarei por aqui para lhe dar a ajuda de que for capaz, considerando que as minhas limitações já vão sendo significativas.

Acordei! E veio-me à memória Sophia:

Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E juntos habitamos a substância do tempo.
O nome das coisas
Sophia de Mello Breyer Andresen
Caminho (2004)

Viva o 25 de Abril, SEMPRE!

domingo, 24 de abril de 2022

Candeeiro

Esta é a altura em que vemos, ouvimos e lemos dissertações imensas sobre o país que o dia de amanhã, em 1974, despertou e transformou. A maior parte delas registam situações, hoje quase absurdas, que se viviam nessa altura e que, vistas a esta distância, não lembram ao diabo. Esta não foge à regra e serve apenas para a confirmar.

Outras há que, menos cuidadas ou propositadamente omissas, registam estórias para encher o olho e o ego, regra a que também esta não fugirá. Ainda bem! O país (e o mundo) não tem nada a ver com o daquela época e não é apenas por vivermos em democracia, haver partidos políticos, não termos censura nem polícia política, e existirem hipóteses (quase) iguais para todos, independentes da qualidade da madeira do berço. A vida minimamente digna ainda está longe de ser totalmente abrangente, mas mesmo os mais miseráveis vivem indiscutivelmente melhor, embora com muito caminho a percorrer.

Há coisas que, contadas hoje, parecerão da Idade da Pedra e completamente incompreensíveis para os mais novos. Se um qualquer professor se lembrar hoje de perguntar o que significa torcida, o mais provável é receber como resposta de que se trata da claque apoiante de um qualquer clube de futebol. Ninguém se lembrará, felizmente, da tira que, mergulhada no petróleo existente no "depósito" do candeeiro de vidro, garantia a iluminação de muitas das casas portuguesas, em finais da década de cinquenta do século passado. Um pequeno rodízio fazia com que a torcida subisse ou descesse, aumentando ou diminuindo a chama que dava a luz a quem da eléctrica apenas conhecia a dos candeeiros da rua, não em todas as terras e muito menos em todas as ruas.

Hoje, o candeeiro de vidro já não leva petróleo e é apenas um peça decorativa, cara, pousada sobre um qualquer móvel de recordações para visita ver.

quinta-feira, 24 de março de 2022

25 Abril

Começaram ontem as comemorações dos cinquenta anos do 25 de Abril, com uma cerimónia no Pátio da Galé, que contou com as entidades oficiais e a presença da Chaimite "Bula", que foi a "Uber" de Marcelo Caetano para a saída do Quartel do Carmo. As músicas foram interpretadas pela Orquestra Geração, projecto extraordinariamente interessante e importante.

No final, foi guardada uma caixa de cortiça, a que chamaram cápsula do tempo, que irá ser aberta quando se comemorar o Centenário da Revolução dos Cravos. Nela se guardaram alguns objectos relacionados com a operação militar, que foram colocados pelo "capitão" Vasco Lourenço. Foi ainda colocado um exemplar do jornal Público, cartas de dois jovens estudantes e um poema de Alice Neto de Sousa. O objectivo é que, em 25 de Abril de 2074, sejam estes documentos consultados e lidos, talvez por alguns daqueles que os escreveram e que, nessa altura, serão já "pessoas de uma certa idade". 

A leitura do poema "Março", efectuada de forma brilhante pela sua autora, deixou-me fascinado. Já tinha acontecido aqui e ontem encheu-me de novo. Fica o registo do seu magnífico poema, "roubado" ao Expresso, com a esperança de, daqui por cinquenta anos, já não haver necessidade de a poeta escrever assim e poder dizer que valeu a pena escrever e gritar Liberdade.

Expresso

domingo, 26 de setembro de 2021

Eleições

Hoje, uma vez mais, foi possível votar em quem queremos, com toda a liberdade, sem medos ou subserviências, até naqueles que, se voltassem a ter essa oportunidade, acabariam com isto num ápice.

Mas, convém não esquecer, para que isto seja possível e continue a ser, houve muita gente que arriscou e deu muito de si, sem calculismos, contrapartidas ou benesses.

domingo, 25 de julho de 2021

O negro e o verde



Morreu hoje Otelo Saraiva de Carvalho (1939-2021), o homem que comandou as operações em 25 de Abril de 1974.