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domingo, 28 de dezembro de 2025

Coisas da idade

Com menos frio, céu quase azul e sem vento, o último domingo de 2025 prepara-se para encerrar a semana natalícia, sem alterações à rotineira, cíclica e repetitiva jornada dos dias que se sucedem, como sempre.

A evidência do parágrafo anterior é tal que será muito difícil encontrar um único ser humano neste mundo globalizado que a não pudesse ter escrito, registando a patente nos anais das máximas de "encher chouriços". E por lá ficaria muito bem, fazendo parelha com as muitas que, todos os dias, os nossos ouvidos apanham, mesmo não o querendo e muito menos desejando.

Vem a propósito, ou talvez não, essa moda nova de atender e falar ao telemóvel em alta voz, divulgando aos quatro ventos conversas que, em princípio, pareceriam merecedoras de alguma reserva ou, até, de conteúdo altamente privado.

Não bastava ouvir, em qualquer lado, o "nosso" companheiro de caminho, de sala de espera, de restaurante ou, por vezes, até de sala de espectáculo, quanto mais agora ter passado a ser chiquérrimo gramar o seu interlocutor, respondendo ou questionando, num diálogo aberto, barulhento, incomodativo e, sempre, sem qualquer interesse para quem nem sequer foi ouvido sobre a participação no acto em si.

- Ouve-se bem melhor assim!

Pois ... não seria melhor comprarem o aparelhinho do Goucha?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Diálogo surreal

- Vou-me embora. Estou farto!

- Tem calma. Espera mais um pouco. O tempo que já levas por aqui não te ensinou que "as cadelas apressadas parem os filhos cegos"?

- Lérias. Sempre os ditados populares na ponta da língua para justificar tudo e nada.

- Claro. Há sempre um adequado a cada situação, por mais inverosímil que possa parecer.

- Eu que, como a grande maioria, sou "achista", acho que deves permanecer mais um pouco. Afinal de contas, "assinaste" contrato até à meia-noite de amanhã e, por aqui, os contratos são para cumprir ... pelo menos para alguns.

- Acredito que haja sinceridade nesse pedido e que não te importes de me aturar mais um pouco. Mas olha que há por aí muita gentinha a querer ver-me pelas costas e a desejar ardentemente que o meu substituto traga maravilhas para todos.

- Volto a dizer-te: tem calma e não fiques deprimido. Afinal de contas, sabes bem que "vozes de burro não chegam ao céu" e que, sempre, "atrás de mim virá quem de mim bom fará".

Estamos todos à espera que 2025 traga paz na Ucrânia e na Palestina, no Sudão, em Moçambique, e em todos os sítios onde a "lei da bala" impera. E que, no seu bornal, o Novo Ano traga o remédio para acabar com a miséria e a fome e termine com a exibição do luxo e da riqueza da forma ofensiva que tem vindo a verificar-se.

Lérias! Sabemos todos que nada disto acontecerá em 2025. Mas ... "a fé é a última coisa que se perde" e, bem lá no fundo, todos desejamos que o Novo Ano seja ... o melhor possível.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Passagem do ano

O Inverno tem destas coisas. Tão depressa chove desalmadamente como, de repente, o Sol brilha e corre com todas as nuvens do céu, o frio obriga a procurar os agasalhos, o vento fustiga as orelhas e a ponta do nariz e determina que as mãos andem nos bolsos ou protegidas com boas luvas. Nunca se está preparado para o que esta inquietante estação do ano nos oferece, sempre com imprevisibilidade e surpresa. Até no Governo, aconteceram coisas que ninguém, na Primavera, pensava serem possíveis surgir.

Ao contrário, o calendário repete-se fastidiosamente, sem quaisquer alterações, com os meses a seguirem-se uns aos outros, sempre da mesma maneira e com o final de cada ano a chegar, inevitavelmente, no último dia deste mês de Dezembro, sem surpresa para ninguém e com a rotina a impor as suas regras.

2022 está a chegar ao fim, tal como aconteceu com os seus antecessores, e irá dar lugar ao Novo Ano, que surgirá, a julgar pelos votos que abundam por todo o lado, com o melhor dos mundos embrulhado em papel de lustre, uma fitinha e um laço enorme, a paz e a harmonia em quantidades imensas. Ocorrerá o fim das desigualdades e da exploração, a julgar pelas vontades bem expressas nas formulações.

2023 surgirá ao som dos foguetes e à luz do fogo de artifício, comer-se-ão as passas dos desejos, beber-se-á a flute de champagne da Anadia, bater-se-ão as tampas das panelas e dos tachos, gritar-se-ão vivas e urras, tudo serão rosas sem um único espinho, nem sequer na formulação.

No dia seguinte, surgirão as lamentações, as realidades, o tudo e o nada, o calor e o frio, o vento e a chuva, o gelo e a ebulição. Mais do mesmo, num eco que se vai repetindo e para cuja melhoria muito poucos dão alguns passos.

Uma boa passagem de ano e um 2023 cheio de coisas óptimas e de sonhos concretizados!

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 / 2013

O ano de 2012 está de abalada e não voltará. 
Não conseguiu as equivalências necessárias à licenciatura, não colou cartazes, não obteve qualquer diploma e, porque foi negligente e incompetente, não conseguiu emprego. Não tendo trabalho, também não tem direito ao subsídio de desemprego. Ainda pensou recorrer ao RSI mas desistiu, por não conseguir provar a sua indigência.
A decisão de partir é irreversível e foi tomada depois de muito ponderar, durante 366 dias, nos quais se viu vilipendiado, injuriado, enxovalhado, culpado, condenado, sem qualquer desculpa ou remissão.
Para que o trono não fique vazio, à meia-noite de 31 de Dezembro de 2012 surgirá o ano de 2013, legitimado pelo direito consuetudinário que garante esta substituição desde que Cristo nasceu.
Por cá, continuaremos na mesma, à espera de Godot, perdão, de Cavaco, de Seguro, de Barroso, de Dragui ou de Merkel, penitenciando-nos diariamente pelos erros que cometemos, por termos vivido acima das nossas possibilidades, termos adquirido, em transacção particular, umas acções do BPN que permitiram uma vivendita nos Algarves, termos contraído uns financiamentos no mesmo Banco que, em resultado da crise, agora não conseguimos cumprir, termos negociado com marroquinos, passado férias em Cabo Verde e fundarmos por lá um Banco fantasma, enfim o povinho viveu "à grande e à francesa" e agora não quer suportar os castigos que aqueles que sempre nos avisaram e nos deram bons exemplos, são forçados a impor-nos.
Valha-nos isso: continuamos a ter gente disponível para, com sacrifício, tomar conta de nós e aconselhar-nos para que sejamos bem comportados, atentos e obrigados. Falta-nos o "A Bem da Nação" mas sobra-nos o Facebook.
Cumprindo o ritual, BOM ANO para todos e, quando estiverem deprimidos ou cansados dos castigos, leiam e ouçam Ricardo Araújo Pereira, aqui, aqui e em todo o lado onde for possível. Não há muito disto!!!