terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mensagem para 2009

Do meu cantinho, quero pedir-te que sejas um bom ano, melhor que o teu antecessor.
Mas se acaso te portares pior, não magoes muito ... a Casa agradece!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida ...
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
Ó calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

David Mourão-Ferreira
Obra Poética
Editorial Presença


Terminando um ciclo de 32 anos sem qualquer interrupção, o Natal da Casa deslocaliza-se, sem qualquer outro motivo que não seja a passagem do testemunho, natural, de acordo com as leis inexoráveis do tempo.

Neste ano, festejaremos na casa do meu "grego", que regressa para uma visita "de médico".
BOM NATAL PARA TODOS.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Palavras bonitas

E se de repente rompesse das ondas
uma deusa verde
com algas nos seios,
olhos de espuma,
graça de peixe
e uma estrela-do-mar
nos cabelos de sol
molhados de música?

Ah! não me espantava.

O que me espanta
é este mar sujo, negro, vil,
sem imaginação de ninfas.
José Gomes Ferreira
Poeta Militante
Moraes Editores/1977

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Inverno


Apesar da chuva e do frio que ontem "deliciaram" os nossos ossos, ainda foi possível, pelos olhos da dona da Casa, ver a luz da Foz, as ondas nas rochas da Junceira e o arco-íris a mergulhar na fronteira "onde a terra acaba e o mar começa."

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SKYPE

Como é habitual, o período que medeia entre a chegada a casa e o jantar ( frugal, como convém a quem procura diminuir o peso que a "velha" coluna transporta) é dedicado ao contacto com os da Casa que por cá não estão.
Do longe se faz tão perto ... e eis-nos a conversar, olhos nos olhos, quebrando as distâncias e diminuindo as saudades, num triângulo, enorme, que tem um vértice na Grécia, outro em Lisboa e o último por aqui, onde tudo começou, numa ligação perfeitamente assegurada, em som e imagem, pelo Skype.
No rodapé, uma informação em letras pequenas: 14.181.806 pessoas online.
Tomei nota do número, para o qual eu e os meus contribuíamos, mas que pecava por defeito. Era certo e sabido que, tal como na minha, na maioria das conversas os participantes eram bem mais do que os dois computadores que eram levados em conta.
Um "mar" de gente à conversa, no mundo inteiro ... sobre tudo!!
E a pergunta surge: quantas preocupações se evitam com esta maravilha?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Crise (5)

Nos recentes desenvolvimentos da crise financeira têm aparecido vozes importantes, daquelas que fazem e têm opinião sobre tudo e sobre nada, a pedir a "cabeça" do Governador do Banco de Portugal e a justificar os acontecimentos no BCP e no BPN com a legislação fraca ou inexistente.
Pretenderão legitimar o "criminoso" mandando prender o "polícia"?
Bem a propósito, três quadras de António Aleixo (1899-1949), poeta popular algarvio, quase analfabeto.
*
Vem da serra um infeliz
vender sêmea por farinha:
Passado tempo já diz:
- Esta rua é toda minha.
*
Deixam-me sempre confuso
as tuas palavras boas,
por não te ver fazer uso
dessa moral que apregoas.
*
És um rapaz instruído,
És um doutor; em resumo:
És um limão, que espremido,
Não dá caroços nem sumo.
*

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama



Adormeci convencido de que iria haver mudança histórica que, uma vez mais, tenho o privilégio de (vi)ver.

Acordei com a rádio a noticiar: Obama eleito Presidente dos United States of America.


O sonho de Martin Luther King, a perseverança de Nelson Mandela, o querer de muitos, a esperança de inúmeros, a expectativa de quase todos, concentrada numa cabeça que, à partida, parece arejada e consistente, contrastando com a de um cowboy insolente, beligerante, demagogo e mentiroso.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Crise (4)

O que se aguardava há muito, aconteceu ...
Depois de alguns anos fora da legalidade, do mercado, do razoável, da realidade, do decoro, da concorrência fazendo dos outros lorpas, comprando a dez para vender por cinco, caiu sem estrondo nem ferimentos.
A queda estava anunciada e a "Protecção Civil" tinha desencadeado os mecanismos de "alerta vermelho", preparando o colchão com a "espuma" de todos nós!
Só nos resta aguardar que a CGD faça a digestão do BPN tão bem como fez do BNU e que os "sais de frutos" não nos saiam muito caros ...
Espera-se, ainda, que o Decreto que há-de aprovar a nacionalização anunciada contemple a quantidade de maços de cigarros que os futuros detidos terão direito a receber ...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Estórias

Afiei o lápis e peguei numa das muitas folhas que pairam sobre a secretária.
(adoro escrever com um lápis bem afiado)
Comecei a escrever sobre uma figura que faz parte das memórias da minha juventude.
A ideia era interessante, estava estruturada na "pinha" e o "figurão" reunia todas as "qualidades" para uma estória bem temperada.
Rasguei e deitei para o lixo.
Não tenho esse direito ... há coisas que não se partilham, por respeito.
Sem a partilha da estória, fica um apontamento da realidade de hoje, no trabalho, ouvida da boca de um pai, perto dos 70, ainda preocupado com a situação do filho quarentão:
" Não me leve a mal e entenda: gosto de dormir sossegado para acordar tranquilo".

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Crise (3)

  • Os analistas que, há meia dúzia de meses, previam o barril de crude a 200,00 USD, actualizam as suas previsões e concluem que, dentro em pouco, o preço andará pelos 50,00 USD;
  • As Bolsas, apesar das injecções, continuam com arritmia;
  • As "altas cabeças pensantes" pedem tempo para se pronunciarem e só arriscam prognósticos lá para o fim do jogo;
  • Os génios que descobriram a alavancagem sem limites já perderam a ilusão de virem a ser Nobel. Contentaram-se com os prémios recebidos, saíram pela "esquerda baixa" e não estão disponíveis nem para comentar a peça.

sábado, 18 de outubro de 2008

Crise (2)


Um retrato do que somos enquanto povo, fotografado pelo olhar crítico e satírico de um grupo de gente jovem que, "agora sim", tem de dar a volta a isto.
Vale a pena ouvir e, já agora, consultar os fundamentos da petição que está disponível na Net, para que o Movimento perpétuo associativo se torne Hino Nacional.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Crise

De queda em queda até ao trambolhão final?
NÃO !!!
As quedas produzem lesões graves, equimoses por todo o corpo, talvez até algumas fracturas, mas os homens têm resistências quase sem limites.
Esperamos, todos, que o pessoal da saúde consiga a gaze e a pomada para as esfoladelas e o gesso para as fracturas. E, já agora, que ache a chave para fechar as portas aos que estragaram o terreno.
A gente agradece ...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Efemérides

Devia ter passado por aqui ontem ...
Não deu e perdi a oportunidade de registar, com propriedade, dois momentos marcantes, que comemoravam "números redondos".
Passavam 50 anos - meio século - sobre o meu ingresso na Escola Primária e 44 da inauguração da nova Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha, onde, já "maduro" pela experiência de dois anos na Escola "Velha", fui iniciar o primeiro ano do Curso Geral do Comércio.
Como o tempo voa ...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Palavras bonitas

RECUSA

Convosco, não, traidores!
Que poeta decente poderia
Acompanhar-vos um segundo apenas?

À quente romaria do futuro
Não vão homens obesos e cansados.
Vão rapazes alegres,
Moças bonitas,
Trovadores,

E também os eternos desgraçados,
Revoltados
E sonhadores.

Miguel Torga

Cântico do Homem(4ª. Edição)
Gráfica de Coimbra
Janeiro 1974

domingo, 21 de setembro de 2008

ESTILHAÇOS

  • Se o Governo Bush não interviesse na AIG, as reformas de uma grande parte da população americana desapareceriam;
  • A crise foi suavizada com a socialização dos prejuízos. Daqui a algum tempo, de novo se privatizarão os lucros, em busca da sempre eficiente gestão privada.

««««««««««»»»»»»»»»»

Com a devida vénia, um pequeno extracto da crónica de Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana:

(...) No antigo faroeste americano, os que eram apanhados a fazer batota ao jogo eram despidos de tudo, pintados com alcatrão, cobertos de penas e expulsos da cidade. Hoje recebem milhões de indemnização para se irem embora e reformas vitalícias que são um escândalo público. Porque, quando a honra deixa de ser uma valor na vida em sociedade, a vergonha não pesa nada. (...).

GERAÇÃO / TRADIÇÃO

Com a tez franzida, marcada pelos anos e pela dureza do campo onde sempre trabalhou, pergunta à jovem elegante e bem parecida:

- Morreu-te alguém?

- Não !

- Ah .. toda de preto …

- Calhou assim hoje … gosto muito de preto.

- E o que vais vestir quando os teus pais morrerem?

Guardou no bolso as notas da pensão que acabara de levantar, murmurou algumas palavras "para dentro" e saiu.

A jovem ficou, corada, e sem resposta.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

MERCADO



A falência do Banco Lehman Brothers e as enormes dificuldades da Seguradora AGI mostram que, afinal, a argamassa do mercado é "areia e areia".

Quase oitenta anos depois, repetir-se-á 1929?

Aguarda-se, com ansiedade, a opinião das mentes iluminadas … e o resultado do dominó!

Nota: O cartoon foi desenhado por António, em 1989, e tem o título de Erecção Imobiliária.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Constatação

Na anedota, velha de barbas brancas, o madraço encontra o amigo e diz-lhe:
- Tenho um problema grave: de vez em quando dá-me uma vontade louca de trabalhar ...
- E que fazes, alma de Deus?
- Sento-me, calminho ... e espero que passe!

Trabalhar fora do local onde se reside tem algumas, poucas, vantagens e uma delas é, sem sombra de dúvida, a viagem.
Sem outra companhia que não a voz do António Macedo nas manhãs da Antena 1 e a música do Baile de Máscaras e outros, da 2, à tarde, os neurónios tendem a rebuscar "estórias" e, mentalmente, vão-se desenvolvendo grandes prosas que um dia, com um pouco de sossego, hão-de passar primeiro ao papel e depois ao Blog.
Tudo pensado ao pormenor, para que, primeiro, eu me delicie com o produto final e depois, que desperte algum interesse aos (poucos) leitores do Blog.
Chegado a casa, pego na Visão, leio António Lobo Antunes e concluo:
- Senta-te, calminho, e espera que passe ...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Palavras bonitas ...

... para o meu filho, que hoje completa 27 anos, lá longe, junto ao Mar Egeu ...

DIA DE HOJE

Ó dia de hoje, ó dia de horas claras
florindo nas ondas, cantando nas florestas,
no teu ar brilham transparentes festas
e o fantasma das maravilhas raras
visita, uma por uma, as tuas horas
em que há por vezes súbitas demoras
plenas como as pausas dum verso.

Ó dia de hoje, ó dia de horas leves
bailando na doçura
e na amargura
de serem perfeitas e de serem breves

Sophia de Mello Breyner Andresen
Dia do Mar
Caminho

domingo, 31 de agosto de 2008

Estórias

A conversa ia animada pelos elogios ao último dia de Agosto, que tinha trazido à Foz uma excelente manhã, serena, com bandeira verde e acesso à terceira praia, este pela primeira vez neste ano.
A "aberta" estava pejada de canas, em busca de algum robalo distraído que fisgasse o anzol e se candidatasse às honras de um bom grelhado.
O apreciar dos pequeníssimos nadadores que entravam na Lagoa em busca da comidinha ou da "casa" onde nasceram suscitou um silêncio nas falas, quebrado, pouco depois, por uma pergunta fora do tom:
- E a praça, tem sido lavada?
- Foi ontem ... Sabes que o empedrado faz este ano 125 anos? É uma data redonda, merece comemoração. Já decidimos!
Presença diária nas "piscinas" da noite, amante da Praça como poucos, descreveu, com uma ironia que arrancou risos quase até às lágrimas, a "festa".
"Depois do jantar, as individualidades concentram-se na escadaria da Câmara; logo a seguir, chegam os Bombeiros, com dois ou três carros de sirene estridente e "pirilampos" ligados; a Fanfarra já estará formada, para criar ambiente, junto à escadaria; do lado da Estação subirá a Banda, entoando a Marcha Triunfal. Por muito que custe às individualidades, não haverá discursos nem bençãos. O cortejo será aberto pela Fanfarra, as individualidades seguirão logo atrás, os carros alinharão a seguir e depois ... a Banda. Atrás desta, o Povo, encerrando o cortejo em apoteose."
Calcula-se que a Rua Engenheiro Duarte Pacheco não seja suficiente para todo o cortejo, mas a ajuda da Heróis da Grande Guerra permitirá que o virar para a "das Montras" se faça com um alinhamento perfeito, homogéneo e convidativo para os grandes planos que as transmissões televisivas assegurarão.
"A chegada à Praça será assinalada com uma largada de pombos feita do alto do antigo edifício da Câmara, ao som das badaladas do relógio da torre e com sucesso visual garantido pela excelente iluminação existente. Num pequeno palanque, montado junto à placa que garante o financiamento da Comunidade Europeia ao restauro do empedrado, um dos "piscineiros" habituais fará um pequeno discurso - 3 minutos, no máximo - alusivo à efeméride, convidando as individualidades a descerrarem a lápide, estrategicamente colocada a tapar um dos muitos buracos existentes. Por volta das 22H30, tudo estará concluído e toda a gente regressará a suas casas, com a consciência do dever cumprido e a certeza de que tudo permanecerá igual."
A cabeça estava quente, do Sol e das emoções fortes ...
Fomos ao banho ... amanhã Setembro abre as portas e o trabalho obriga a pensar na Foz ... do próximo sábado!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Verão

Agosto está quase no fim!
Os dias são mais curtos, as manhãs surgem mais frescas, o vento aparece a reivindicar o seu espaço, as nuvens acastelam-se e enegrecem: o Verão está de partida!
Até para o ano!!!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Palavras bonitas

Amadeo de Souza-Cardoso
Sem título
NOCTURNO

O desenho redondo do teu seio
tornava-te mais cálida, mais nua,
quando eu pensava nele ... Imaginei-o,
à beira-mar, de noite, havendo lua ...
.
Talvez a espuma, vindo, conseguisse
ornar-te o busto de uma renda leve
e a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
em ti, a branca irmã que nunca teve ...
.
Pelo que no teu colo há de suspenso,
te supunham as ondas uma delas ...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
era um convite lúcido às estrelas ...
.
Imaginei-te assim à beira-mar,
só porque o nosso quarto era tão estreito ...
- E, sonolento, deixo-me afogar
no desenho redondo do teu peito ...

David Mourão-Ferreira
Obra Poética
Editorial Presença

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Informação

Não há "pachorra" para tanta "intoxicação" visual ...
Uma imagem vale mais que mil palavras, mas pode marcar para toda a vida.
Qual a necessidade de continuar a repetir as imagens dos tiros e da fuga da refém do assalto à Agência do Banco Espírito Santo, até para ilustrar a notícia da prisão preventiva do assaltante sobrevivente?
Haja decoro, senhores editores ...

domingo, 3 de agosto de 2008

Férias

Acabaram!
Daqui a pouco volta a rotina.
Um dia atrás do outro, à espera das próximas, que virão no comboio de 2009.
É a vidinha!!!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Música

Se outras razões não houvesse ( e há ) para estar atento à Grécia, bastava esta "delícia".



Como é bom estar de férias e descobrir isto, enquanto se aguarda o "skype" grego.

domingo, 13 de julho de 2008

Férias

Começaram as férias e, na Foz, o vento saudou esse acontecimento, soprando com o vigor característico. A água, fria, não convida, mas o ritual ordena ... não hesites, que é pior.
A vesícula parece querer participar activamente no descanso. Esperemos que não mantenha essa vontade: não foi convidada e a companhia não é agradável.
O neto fez mais uma visita (relâmpago), que culminou com um concerto para bébés no CCC.
Os avós deliciaram-se a vê-lo bater nos "pauzinhos" oferecidos pelo actor músico.
Acho que pouco viram do espectáculo, mas foi bom ... a concentração era tanta no "único actor" em palco que tudo o resto se evaporou!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Acontecimento

Caiu a fachada do Lisbonense ...
Lamenta-se que um dos operários tenha sido atingido e, ao que se diz, com alguma gravidade. Espera-se que recupere e depressa.
De que serviu a polémica?
Dei uma volta, há bocado, pelo edifício que já está cá fora e percebi quão importante foi polemizar a fachada, para que o resto surgisse sem contestação ...
As obras continuam, ao contrário do que transmitem os orgãos de comunicação social.

sábado, 5 de julho de 2008

Palavras bonitas

CONFIANÇA
.
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura ...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova ...
Miguel Torga
Cântico do Homem
O meu neto faz hoje dois anos ...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

José Sócrates

Primeiro-Ministro hoje na RTP1
Falou ... 'tá falado!
Um discurso sereno, escorreito, sem arrogância, humilde, sem se lembrar do próximo ano e apenas preocupado com decidir de acordo com a sua consciência.
Mensagem sempre presente: não há alternativa ... tem de ser!
Gaguejou um pouco na explicação do imposto a estudar para as petrolíferas e nos cálculos da redução do IMI.
Em tempos idos dir-se-ia:
" e para cúmulo da chatice, tanto falou ... e nada disse!"

terça-feira, 24 de junho de 2008

Livros e correspondência

Correspondendo ao convite (mais um) da Loja 107, fui ouvir Mia Couto apresentar o seu novo romance.

A incansável Maria Isabel que, para além de ser ilustre livreira, gosta muito de livros e faz o favor de ser minha amiga, deu-me outro postal "para mandares a mais um amigo", tarefa a que, fruto das novas tecnologias, já não me dedico há muito tempo ...

Por isso, por aqui partilho o postal como um "aperitivo" que convida a ler, se mais não fora porque "aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias".




terça-feira, 17 de junho de 2008

Palavras bonitas

O RELÓGIO

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quebradiço da forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou de pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.
João Cabral de Melo Neto
Poesia Completa - 1940/1980

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Combustíveis

Está complicado !!!
Os camionistas tornados empresários pelo "outsourcing" pararam o País, sem passarem cartão à Antram, associação que, em teoria, os deveria representar.
O Governo estava desatento e não percebeu que deveria dialogar com quem está no terreno e não passeia nos salões.
Consequências da "formação bruta de capital fixo" sempre para os mesmos.
Alguém descomplica ???

terça-feira, 3 de junho de 2008

Imaginação

Hoje, no regresso, já bem tarde, de mais uma jornada diária, pensei:
- Tens de colocar qualquer coisa no blogue, para não se perder o hábito!
Afinal, a imaginação, que já é pouca e arredia em circunstâncias normais, não quis correr o risco de se misturar com o cansaço e desapareceu.
Não sei se foi analisar o aumento dos combustíveis, a greve dos pescadores, as eleições nos Estados Unidos, ou se viajou para a Suiça, acompanhando a Selecção de futebol.
Verdade, verdadinha é que me fugiu ...
Espero que tenha ido para algum sítio onde faça qualquer coisa de útil ... por exemplo, dar uma ajudinha à Autoridade da Concorrência, para que o relatório sobre a cartelização dos preços praticados pelas gasolineiras apareça antes que o petróleo acabe !!!

domingo, 25 de maio de 2008

Palavras bonitas

RETRATO DE UMA PRINCESA DESCONHECIDA
Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual
Editorial Caminho

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pensamentos

Estou convicto que acontece com todos ...
Por vezes, o peito abre e emerge um ser convencido de que possui um jeito extraordinário para fazer determinada tarefa, tem alma de pintor ou de poeta, imaginação sem limites, capacidade a rodos, qualidades não evidenciadas nem reconhecidas apenas por caprichos da sorte, que lhe foi madrasta, ao contrário do que sucede com os "favorecidos da vida", a quem tudo foi oferecido e que, por isso, sem trabalho nem preocupação, têm "o melhor carro, a melhor casa, a melhor mulher (ou homem), o melhor emprego, a melhor vida, o melhor ... tudo".
Regressa uma pessoa do trabalho, a pensar no "feriadito" (Dia Santo), ouvindo música no tal que não é o melhor carro (esses passam como balas), é "abanado" com dois telefonemas atendidos ilegalmente (se a polícia aparecesse, pedia desculpa) e chega a casa.
Os telefonemas já tinham feito "descer à terra", colocar o peito no lugar e no tamanho devidos, acabar com o trautear (desafinado) ao compasso da música.
No sítio do costume, a leitura da crónica de António Lobo Antunes, na Visão desta semana, coloca, em definitivo, o ego no devido lugar.
Há gente tão grande ... e tão simples.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Regresso ...

Os dias voaram, emoldurados pelo almoço da Escola, a chegada do filho e da nora para umas merecidas férias, a visita do neto, da filha e do genro, umas horas passadas no Hospital Termal à procura de que "santos da casa façam milagres", as Festas da Cidade, neste ano engalanadas com a inauguração do CCC e, consequência, há dez dias que por aqui não passava.
Não estive na inauguração oficial do CCC, por dificuldades de agenda, mas presenciei a inauguração popular, com lhe chamou Fernando Costa, que caprichou no fogo de artifício mas fez um discurso demasiado simplista para a importância da obra. Espero que tenha estado melhor na presença do PR.
Perdi António Pinho Vargas & José Nogueira mas estreei-me com Tricicle, um espectáculo extraordinário vindo de Barcelona e que pôs toda a gente a rir e a aplaudir.
O Cartaz promete e, apesar do bilhete semestral, corre-se o risco de a algibeira se queixar, tanta e tão diversificada é a oferta.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Acordo ortográfico

Entendo que uma língua é tanto mais viva e mais bela quanto mais formas existirem para a sua expressão, sem espartilhos de legalidade ou baias de criação.
A língua de Aquilino Ribeiro é bem diferente da de Mia Couto; Lobo Antunes não escreve como Germano de Almeida; Jorge Amado não se compara com Eça de Queiroz e Fernando Pessoa com João Cabral de Melo Neto, para citar apenas alguns exemplos.
Alguém deixou de entender estes e tantos outros, por a forma de escrever ser diferente?
Adaptando um velho slogan:
Há acordo??? Sou contra !!! ... e já subscrevi em

Recordações


Outrora era hoje o dia da mãe.

domingo, 4 de maio de 2008

Perguntas (im)pertinentes

  • O aumento dos bens alimentares terá alguma coisa a ver com a especulação dos fundos de investimento?
  • Será possível passar pela cabeça de alguém que o Santana Lopes pode voltar a ser Primeiro-Ministro?
  • Se a anterior for verdadeira, também teremos, de novo, o Jardim Gonçalves no BCP?
  • Para o ano só haverá oito clubes a disputar a Primeira Liga?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril



Se o quadro que a Visão publica esta semana fosse um cartoon, o cartonista colocaria a legenda "SEM PALAVRAS".

São apenas números, elucidativos, que reflectem duas realidades , felizmente bem diferentes. Se a isto se acrescentar que não há guerra colonial, não há censura, não há Pide e há liberdade de opinião (até para dizer e escrever disparates), de reunião e de escolha, a grandeza da resultante é tal que nunca pode ser esquecida e os agradecimentos a quem arriscou e conseguiu fazer o 25 de Abril de 1974 nunca serão demais.

P.S. - Naturalmente que a liberdade de todos permite que surjam alguns energúmenos e oportunistas. É o preço a pagar, o nosso "imposto social", mas vale a pena.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tempo

A saca de capuz, com tons de castanho bem escuro, indicava que o céu regava os campos com todos os cântaros que tinha à mão. Era de serapilheira grossa e, olhando-se com atenção, ainda se viam as letras do Foskamónio 15-15-15 que nela tinha sido embalado. O mais provável era que tivesse feito parte de uma das partidas de adubo que a quinta comprava no final do Outono e tivesse sido dada a Jerónimo como recompensa de um dia bem sucedido na adubação.
Cumpria agora a missão de lhe proteger a cabeça e as costas.
A chuva, impediosa em grossas bátegas batidas de vento, desmentia o "marçagão" do ditado e inundava as terras, sem contemplações de calendário.
Tinha saído de casa bem cedo. Mal via o caminho e, de quando em vez, uma pedra rebolava com o impacto, desastrado, de uma das suas botas. Os melros acordavam, sobressaltados, e levantavam do poiso da noite, com um silvo, zangado, próprio de quem é acordado antes da hora prevista.
Caminhava a passo estugado.
O dia começava a clarear.
Barafustava: Alvorei cedo, chegarei tarde?
A chuva aumentava de intensidade. Só uma grande sorte faria com que o caseiro lhe desse um diazito a rachar lenha no telheiro; para o campo não estava capaz.
E a jorna?
O garoto estava doente. O homem da loja já tinha cortado o assento no livro.
Quando avistou o portão, pensou em desistir e voltar a casa.
Encostados ao muro já se distinguiam, pelo menos, cinco vultos que tinham amanhecido mais cedo.
O caseiro não tardou:
- Hoje só preciso de dois; ficam o Xico e o Manel. Voltem amanhã, talvez dê para fazer alguma coisa na vinha!
A tasca já estava aberta. Procurou nos bolsos uma moeda que sabia lá não estar.
Ficou-se pela sensação de calor que um copo de aguardente lhe daria, se o tivesse bebido.
Voltou a casa, com as costas vergadas pelo peso da saca encharcada.
Alvorou cedo ... chegou tarde!

domingo, 13 de abril de 2008

Palavras bonitas

DEPOIMENTO

Foi na vida real como nos sonhos:
Nunca pisei um chão de segurança.
Procuro na lembrança
Um sólido caminho percorrido,
E vejo sempre um barco sacudido
Pelas ondas raivosas do destino.
Um barco inconsciente de menino,
Um barco temerário de rapaz,
E um barco de homem, que já não domino
Entre os rochedos onde se desfaz.
Mas o céu era belo
Quando à noite o seu dono o acendia;
E era belo o sorriso da poesia,
E belo o amor, dragão insatisfeito;
E era belo não ter dentro do peito
Nem medo, nem remorsos, nem vaidade.
Por isso digo que valeu a pena
A dura realidade
Desta viagem trágico-terrena
Sempre batida pela tempestade.
Miguel Torga
Orfeu Rebelde

domingo, 6 de abril de 2008

Palavras bonitas

Artur G. foi meu companheiro na Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha na primeira metade da década de 60 do século passado. A vida levou-o, como a muitos, para longe da cidade e da região: vive em Faro e é Professor na Universidade do Algarve.
Há cerca de quarenta anos que não nos encontramos, ou que, pelo menos, disso nos tivéssemos dado conta.
O Blog dos Antigos Alunos fez o "milagre" de confirmar que ainda existimos e proporcionou a troca de correspondência electrónica, recordando o passado, desvendando a actualidade e criando expectativas para o futuro encontro pessoal.
Estive fora uns dias (fui ver o meu "menino" à Grécia) e o Blog ressentiu-se.
Nesta ausência, o Artur mandou-me um mail, com palavras bonitas cantadas e recitadas por Maria Bethânia, que fazem parte de um disco chamado Mar de Sophia, editado em 2006.
Tenho o CD e um outro - Pirata - da mesma altura, na minha "colecção Bethânia". Têm uma história curiosa, por serem ambos da edição brasileira e me terem sido trazidos directamente por um amigo que lá se deslocou e que foi obrigado a interromper a preguiça na praia para me satisfazer o capricho.
O Artur despertou-me a vontade para os ouvir, uma vez mais.
O Mar de Sophia tem três ingredientes que têm funcionado como lenitivo para mim: a poesia de Sophia, a voz de Bethânia e o mar ...
PS - Conto rever o Artur no almoço dos antigos alunos, que irá ter lugar no próximo dia 10 de Maio.



sexta-feira, 21 de março de 2008

Palavras bonitas

No Dia Mundial da Poesia, a recordação da voz e das palavras de Natália Correia, declamando a sua Defesa do Poeta.
A gravação foi efectuada em Dezembro de 1968, num serão dedicado à poesia e realizado na casa de Amália.


"Ó subalimentados do sonho! A poesia é para comer ."

domingo, 16 de março de 2008

16 de Março


A manhã estava serena, a temperatura agradável e o sol, envergonhado, escondido por entre as nuvens.

O mar da Foz deve ter andado, nesta semana, com grandes sobressaltos e zangado com a vida. A areia mostrava isso mesmo, quer exibindo muitos detritos trazidos pelas marés, quer por se apresentar tão "fofinha" que mal aguentava o nosso (excessivo) peso.

Ainda antes do almoço, um "salto" à Quinta dos Loridos, para uma visita, indiscreta e sem licença, aos Jardins do Oriente que Joe Berardo por lá anda a edificar. O que existe já vale a pena, depois de concluído vai ser local de visita obrigatória.

Há 34 anos era sábado e, por esta hora, já um brigadeiro de voz esganiçada tinha dado ordem de rendição, por megafone e em cima de um jeep, aos militares do RI 5 que tinham dado o primeiro grande sinal público de que alguma coisa, importante, se preparava.

No dia 25 do mês seguinte, o brigadeiro já nem com megafone se ouviu ...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Estatísticas

No final do jogo da 22ª. Jornada do Campeonato Nacional de Futebol da 1ª. Divisão, o treinador do Benfica, José António Camacho, demitiu-se do cargo e voltou à terra natal.
Na viagem de regresso não utilizou a avioneta que o tinha trazido, talvez por não ter sido possível obter, em tempo útil, as necessárias autorizações de voo e o planeamento da sua saída não ter sido tão bem feito quanto o foi o da sua chegada. Também não teve a companhia do LFV, que partiu, de avião, para Espanha, não para as férias em Ibiza, mas com a missão, específica, de motivar os jogadores do Glorioso, para o jogo com o Getafe.
Entretanto, porque o “algodão não engana”, ficam os números à 22ª. Jornada desta época e da anterior, para que a ignorância não sirva para ajudar o branqueamento:
  • Na época de 2006/2007, o Benfica era segundo com 51 pontos; em 2007/2008, também é segundo, mas com, apenas, 40 pontos;
  • Em 2007/2008, o F.C. do Porto é primeiro e tem 52 pontos; no ano anterior, também era o primeiro, mas tinha 54 pontos ;
  • O Sporting era terceiro em 2006/2007, com 46 pontos e, em 2007/2008, está no quinto lugar, com 34 pontos.

E o burro sou eu ?!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Palavras bonitas


COM AS GAIVOTAS

Contente de me dar como as gaivotas
bebo o outono e a tarde arrefecida.
Perfeito o céu, perfeito o mar, e este amor
por mais que digam é perfeito como a vida

Tenho tristezas como toda a gente.
E como toda a gente quero alegria.
Mas hoje sou de um céu que tem gaivotas,
leve o diabo essa morte dia a dia.

Eugénio de Andrade
Poesia
Fundação Eugénio de Andrade 2000

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma vida ...

Cinquenta anos de carreira, setenta de uma vida cheia ...

Uma disposição de fazer inveja, uma classe de senhora, uma senhora de classe ...

Uma Desfolhada, com versos de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes, que deu brado, em 1969, num país de censores e moralistas!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

E o futuro?

A crise é apenas uma invenção dos arautos da desgraça:
- o défice reduziu, o desemprego regrediu, o produto interno bruto cresceu ...

A política de saúde está correcta:
- as pessoas não entendem a profundidade das medidas ...

Os professores não estão adaptados aos tempos de hoje:
- não querem ser avaliados, não aceitam leccionar por objectivos e não percebem o alcance, profundo, de medidas que vão combater o insucesso escolar e fomentar o sucesso da estatística ...

A formiga no carreiro, vinha em sentido contrário (Zeca Afonso - 1973)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pimpões

Passam hoje 70 anos sobre a data em que seis jovens, na época, deram vida à Sociedade de Instrução e Recreio "Os Pimpões", nascimento do que viria a ser (e é) uma Associação de referência no panorama do associativismo citadino, regional e, até, por que não dizê-lo, nacional.
Fundada entre as duas grandes guerras, num período dos mais duros da ditadura e em plena guerra civil espanhola, a tudo resistiu, mantendo uma actividade ininterrupta até aos nossos dias, em prol da cultura, do desporto e do lazer, instalada num bairro de classes trabalhadoras que a ela dedicaram muito do seu tempo livre e das suas capacidades.
Hoje, com o advento dos novos tempos em que o tempo cada vez se torna mais ínfimo, a vivência dos Pimpões é outra e o seu futuro, como o passado, ter-se-á que adaptar às novas exigências, aos novos paradigmas, à nova forma de cada um e de todos, sempre com a preocupação, sábia de antanho, de que, juntos, conseguimos sempre mais e melhor do que sozinhos.
Os laços, fortes, que me ligam a esta grande casa obrigam-me a registar a efeméride e a desejar que o futuro lhe seja risonho, próspero e, sobretudo, tão digno como o foram os setenta anos já vividos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sem título

Hoje ouvi falar de pessoas e da sua importância nas organizações.
Apesar de o dia ter sido longo e de já ter alguma relutância em "correr a foguetes", vinha satisfeito.
Nas notícias dos da Casa (com quem já não falei devido ao adiantado da hora do regresso), vieram notas de satisfação grega pela vitória e lisboeta pela adaptação, paulatina, do neto à nova escola.
Mas ... não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe: por indicação filial, uma espreitadela a um blog, no qual é narrada uma "pérola" produzida por um "indígena" encarregue de seleccionar candidatos, com base em currículos recebidos:
"1975? Esta está em idade reprodutora. E não trabalha desde Junho do ano passado? É de certeza casada e deve estar em casa com a prole".
Lapidar !!!
Como é que este "indígena" teria "comprado" o poder?
Ainda nos falta tanto ...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Despachos e matemática

Do jornal Público de hoje:

"Telmo Correia assinou 300 Despachos na madrugada da tomada de posse de Sócrates"

Considerando que o dia - 24 horas - tem 1.440 minutos, resultam, em média, 4,66 minutos para cada "Despacho", tempo naturalmente mais que suficiente para ler, meditar, decidir e assinar, quando estamos perante um ser humano sobredotado, que até foi Ministro da República.
O jornal assinala, ainda, que as 300 decisões foram tomadas na "madrugada do dia", o que diminui consideravelmente o tempo gasto e prova, à saciedade e à sociedade, ser possível aumentar, quando se quer, a produtividade no trabalho, a bem de todos nós e dos vindouros.
Saliente-se ainda o espírito de sacrifício do homem, que esteve tão concentrado a ler, entender e assinar que não deve ter comido nem . . . . . . !
Valha-nos isso, que assim só ficou a . . . . . dos Despachos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Bastonário

Uma lição de liberdade e cidadania, para meditar ...
Entrevista de hoje, na RTP 1, conduzida por Judite de Sousa, tendo o Dr. Marinho Pinto, actual Bastonário da Ordem dos Advogados como entrevistado.
Retive:
  • Há uma justiça, forte, para os fracos, e outra, fraca, para os fortes.
  • Em novo tinha ilusões e ideais; já não tenho ilusões, mas os ideais ainda os não perdi.
  • Por formação e cultura, não sou delator. O Estado tem meios e obrigação de investigar factos que são públicos, notórios e lesivos do interesse de todos.

Às vezes, é reconfortante ver televisão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Palavras bonitas



FUNDO DO MAR


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
e os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Búzio de Cós e outros poemas
Editorial Caminho

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A bronca do bronco

A observação, à distância, é sempre mais realista ...
Vale a pena espreitar e sentir como a imagem de quem manda na cidade saiu reforçada, na brilhante intervenção do último "Prós e Contras" da RTP 1.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Flic-Flac

Ontem:
  • Ota ... sempre;
  • Alcochete ... "jamais";
  • Estudos credibilissimos garantem ser a melhor solução.
  • O resto é apenas demagogia.

Hoje:

  • Alcochete ... sempre;
  • Estudos credibilissimos garantem ser a melhor solução;
  • Demissão ... "jamais".

Conclusão, à Scolari:

... E o burro sou eu ?!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ironias

A comparação entre as épocas de 2006/2007 e 2007/2008 da Liga Bwin de futebol, no final da 1ª. volta, produz os seguintes resultados:

  • 2006/2007 - Porto: 40 pontos; Sporting: 33 pontos; Benfica: 32 pontos.
  • 2007/2008 - Porto: 38 pontos; Benfica: 29 pontos; Sporting: 26 pontos.

Os jornais concluem que o F.C. do Porto está, neste ano, imparável e muito melhor ...

Os reformados fazem filas nos Bancos, para constituirem depósitos a prazo com o aumento que irão receber. Afinal parece que os retroactivos já não vão ser pagos em 14 suaves prestações mensais ...

O Tratado de Lisboa não vai ser referendado. A promessa fora feita, mas referia-se ao outro ...

Armando Vara vai ter uma licença sem vencimento na CGD. Talvez obtenha um VENCIMENTO sem licença no BCP ...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco

Morreu ... perdeu-se uma voz "envinagrada" que, durante décadas, "temperou" a vida literária do Portugal "fechadinho".
MEMORIAL DO RECOLHIMENTO
Aqui há meses, chateadíssimo de viver sozinho, resolvi recolher a um lar da terceira idade. ( )
... Não sei ao certo de onde veio esta moda, mas calculo. E veio para ficar.( )
... E tenho trabalhado. E tenho editado. E me considero privilegiado por isso. E surgiram-me apoios e palavras boas.( )
... E não me considero arrumado.( )
... E se padeci sustos e flatos e, às vezes, isto parece uma casa de orates, não perdi a vontade de rir de mim, principalmente, o que é óptimo sintoma. Deêm-me os parabéns. Tudo tem um fim, sei, sabemos todos. Aquela história que os elefantes conhecem a morte (e morrem) tem a sua beleza e sua nobreza. E quando me surge um neto pequenino ... e quando Raio de Luar vier ... fazem o favor de me invejar. Há razões que o coração conhece bem. E a razão aprova.
Raio de Luar
Oficina do Livro
2003