E vão cinquenta!
A partir de agora, é só ter paciência e aguardar por mais meio século.
Até lá, os influencers descobrirão a nomenclatura das bodas, homenageando o metal que, nessa altura, terá substituído o oiro.
Cá estaremos para ver!!!
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
E vão cinquenta!
A partir de agora, é só ter paciência e aguardar por mais meio século.
Até lá, os influencers descobrirão a nomenclatura das bodas, homenageando o metal que, nessa altura, terá substituído o oiro.
Cá estaremos para ver!!!
Foi há precisamente 20 anos que isto começou!
Numa altura em que tudo foi, e continua a ser, efémero, toda a gente apostaria, singelo contra dobrado, que o projecto (!!!) desapareceria a breve trecho, sem ninguém ter conseguido entender a sua utilidade. Todos os que assim pensaram tinham razão e, volvidas duas dezenas de anos, continuam a ter.
As cinco interrogações que constavam no primeiro post mantêm-se, mostrando que a resiliência (palavrão da moda, importante e chique) não passa de teimosia exacerbada, sem nexo, causa ou justificação.
E por aqui me fico, no dia em que, antigamente, era da festa do "pau caiado" e hoje, muito bem, é o Dia da Cidade.
Quando anoitecer, sentar-nos-emos na Praça 25 de Abril, a ouvir a Banda Comércio e Indústria e Paulo de Carvalho, tal como na noite de ontem presenciámos a banda Némanus e o habitual fogo de artifício, excelente, diga-se.
Haja cadeiras suficientes, que os joelhos (e não só) já têm muita dificuldade ...
Fiz hoje 50 anos! Meio século de vida que, como em todas as vidas, teve escolhos, mudanças, correcções, adaptações, novidades, acidentes, percursos sinuosos. Apesar de tudo isso, procurei que estivessem sempre presentes os princípios que nortearam o meu nascimento - liberdade e democracia.
Como muito bem frisou hoje o nosso Presidente da República, no discurso da minha festa, a função que me foi cometida é a de ser garante dos princípios e não executora de programas de governo.
Estou preparada e tenho genica para mais meio século, ainda que me aflijam alguns "badamecos" que, ou ainda não tinham nascido ou andavam de cueiros em 1976 e que querem, à viva força, que eu saia de cena e dê lugar a uma nova, talvez sonhando com a de 1933 ...
A informática era pequenininha, a grande maioria dos carros tinha direcção assistida "a braço", a televisão aguardava ansiosamente pela cor e pela proliferação de canais, a auto-estrada começava em Vila Franca de Xira para quem se deslocava à Capital e nos Carvalhos para quem se dirigia à Invicta. Tudo era urgente, imperioso, importante e fundamental. Ninguém falava em partos assistidos pelos papás, licenças parentais ou de amamentação.
O dia de trabalho foi tenso, antecedido pela "entrega" da mãe no Montepio, com a ânsia e o desejo de uma "boa hora". À hora do almoço tudo permanecia idêntico, apenas com o conforto da visita do médico e a quase confirmação da inevitabilidade da cesariana.
O expediente encerrou e uma autorização, especial, permitiu uma saída antecipada e a deslocação em corrida - era perto e bom caminho. O telemóvel nem em sonhos ...
Tinha acabado de nascer o meu primeiro rebento, era uma menina e a mãe ainda dormia, recuperando da intervenção.
- É linda!
Estava ali, a pouco mais de um metro, embora com o vidro do berçário a separar-nos.
Quarenta e oito anos decorridos, nem o vidro nos separa!
PS - Uma vez mais, um Presidente da República toma posse no dia do aniversário da minha "menina". Que Seguro seja um bom Presidente ... tem muito trabalho pela frente.
A minha irmã cumpre hoje a sétima capicua e, como eu ainda por cá não estava, no dia seguinte Torga publicou no seu Diário um poema a saudar a sua vinda ao mundo.
Coimbra, 8 de Março de 1949
DEPOIS DA CHUVA
Abre a janela e olha!Tudo o que vires é teu.A seiva que lutou em cada folha,E a fé que teve medo e se perdeu.Abre a janela e colhe!É o que quiser a tua mão atenta:Água barrenta,Água que molhe,Água que mate a sede ...Para que haja um sorriso na parede!Diário IVMiguel TorgaCoimbra (1973 - 3ª. Ed.)
Exactamente um mês depois, salvaguardando o excesso de optimismo que podia transparecer do primeiro, deixou-lhe um aviso para a vida que estava a iniciar ... e nem sequer a conhecia.
Coimbra, 7 de Abril de 1949
EXAME DE CONSCIÊNCIA
Por tudo passa o artista:Primeiro, pela alegriaDe se julgar criadorNo seio da natureza;Depois, por esta tristezaDe ver morrer o que fez,Sem ter nas mãos a certezaDe erguer o sonho outra vez.Diário VMiguel TorgaCoimbra (1974 - 3ª. Ed.)
Apenas mais um. Divulgar quantos não se justifica, porque cada um tem "apenas" os que aparenta.
Contado ninguém acredita!
Heliotrópio - Designação de várias plantas que se viram para o Sol, quando este se acha acima do horizonte (Dicionário Texto Editora - 2009)
"Dr. Google" - 49 anos de casamento: bodas de Heliotrópio.
Notícias de última hora:
Veremos se o ponto 2. se concretiza, o que não é crível nestes tempos de fake news.
Entretanto, a Casa exulta com mais um aniversário da mais velha dos dois rebentos que por aqui cresceram e se fizeram grandes.
Perguntas quanto tempo deves rezar?a papoila na encostaé vermelha sempre.
A poesia em 2013 - Resumo
José Tolentino de Mendonça
FNAC (2014)
Podemos desligar o silêncioque a oficina corrompee seguir com a multidãoOu volver a nós reencontrandoas páginas ardidasdia a diae com o mesmo ritmo colher o solcomo se fosse um frutoque um estuar só nosso sazonouNós os que em breve desistimosnós que nos reconduzimospela nossa mão ao que de nós se espera.O ritmo do presságioSebastião AlbaEdições 70 (1981)
Sem números, que a matemática não é o meu forte e eles, nesta altura, (já) não são importantes.
Apenas música ... da boa!
E cá está mais um, a caminho do meio século que não tarda nada aí. Quase não se dá por isso. O tempo não corre devagar, ao contrário do que alguns afirmam.
Passa hoje mais um aniversário do dia em que um (então) jovem foi pai pela primeira vez. E gostou! Passados três anos repetiu a proeza e colheu o segundo fruto, tornando o cabaz ainda mais atraente.
A minha menina faz hoje anos e merece todo o carinho que os dois netos grandes lhe dedicam e também o que os "velhotes" lhe manifestam sempre, ainda que sem a exuberância que ela merece.
Vamos em frente, que "a vida é feita de pequenos nadas"!
... Para a minha irmã, que hoje faz anos, mas não quer que se diga quantos. "Era só o que faltava!".
DE RAMO EM RAMONão queiras transformarem nostalgiao que foi exaltação,em lixo o que foi cristal!A velhice,o primeiro sinalde doença da alma,às vezes contamina o corpo.Nenhum pássaropermite à morte dominaro azul do seu canto.Faz como eles: dança de ramoem ramo.Eugénio de AndradePoesiaFund. Eugénio de Andrade (2000)
O meu neto caçula faz hoje 8 anos e o tempo vai acentuando a grandeza do seu ser, as suas capacidades e a delicadeza amorosa que sempre apresenta.
Guardião no futebol, xadrezista no écran e no tabuleiro, rápido no padel, enorme nas conversas de gente grande, esquerdino na maior parte das acções de pés e mãos, perfeccionista nos trabalhos e nas brincadeiras. Sempre atento ao que o rodeia, é rápido no entendimento e na resposta, e senhor absoluto das suas ideias, graças à forte personalidade que detém.
- Avô, agora ando a ler muito Banda Desenhada. E gosto!
Dia azul, como o Danúbio, sol radioso, temperatura agradável, oceano com ondas grandes, um bom almoço e ... excelente música.
Que mais se pode querer num dia tão especial?
Os números dizem pouco e interessam menos. Fica a música, para quem dela gosta e hoje inicia mais um ano na caminhada.
Neste dia, em 1841, estreou-se no Teatro alla Scala, de Milão, a ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi. Em 1959, na grande cidade de Nova Iorque, foi apresentada a boneca Barbie. Os dois acontecimentos são hoje registados na comunicação social, com o destaque devido e para que conste.
Uns bons anos passados, não num teatro nem num salão mas no Montepio Rainha D. Leonor, nesta cidade de "águas mornas", nasceu a minha filha. Foi um acontecimento muito mais importante e, apesar disso, não há um único jornal que lhe dedique uma linha. Coisa estranha? Claro que não!
A discrição é uma grande qualidade e a minha bióloga tem-na.
A minha primeira professora vive hoje um dia especial.
Apesar de já ter comemorado muitos aniversários, este é o primeiro que festeja confinada e sem os rituais do costume. "Não quero que me comprem nada ... já não faço anos".
Fui o seu primeiro aluno, vim ao mundo no mesmo sítio, fruto dos mesmos pais, apenas com três anos de atraso. Este tempo, hoje pequeno, foi o suficiente para que os seus dotes didácticos se fizessem sentir precocemente e determinassem a carreira que escolheu e foi a sua vida.
Desde 1975 que não trabalho no meu dia de anos. Agora, que a situação é de "férias permanentes", nem seria necessário o feriado, mas é importante que ele se mantenha para sempre.
A liberdade não tem preço, deve ser sempre comemorada por todas as razões e ainda por eu ter feito 22 anos no seu dia.
Já os meus filhos não têm a mesma sorte. Nasceram ambos em dias "normais" e, por isso, raramente têm direito à folga no seu trabalho.
Hoje o filho faz 39 anos e nem oportunidade tem de receber os carinhos da família, isolado que está em estágio "pandémico" e rigoroso. Os parabéns são virtuais da família real, e presenciais da outra "família" onde está integrado - a selecção nacional de futebol, em estágio para os próximos compromissos da Taça das Nações (Croácia e Suécia).
Se vencerem os dois encontros, como se deseja e espera, terá valido a pena, uma vez mais, o sacrifício da ausência física.
Cá estaremos todos para as comemorações, com atraso, mas com o mesmo entusiasmo.