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sábado, 24 de abril de 2021

Liberdade

Aquela "coisa" que mantinha a ordem em todo o país e que, em boa hora, sucumbiu em 25 de Abril de 1974, cuidava de todo o mundo com um desvelo e uma dedicação "louvável", controlando o que se dizia, escrevia ou lia, pretendendo determinar comportamentos e bons costumes, fomentando a denúncia e o afastamento, ostracizando ou perseguindo quem ousasse agir ou pensar de forma diferente.

No ano em que nasci, a Direcção dos Serviços de Censura "despachava" o livro de contos de José Cardoso Pires intitulado Histórias de Amor desta forma "brilhante e eloquente":

Imoral. Contos de misérias sociais e em que o aspecto sexual se revela indecorosamente. De proibir.

O Subdirector 
a) José da Silva Dias
Cap.

Em Janeiro de 1960, a Delegação de Angola da PIDE enviava à sede da mesma sinistra polícia em Lisboa, o ofício nº. 169/60, que dizia o seguinte:

A seguir tenho a honra de transcrever a V. Exª. parte da escuta feita pela Rádio Costeira ao noticiário da "Radio Brazaville", na sua emissão em língua portuguêsa: 
 
"Em Lisboa a polícia apreendeu todos os exemplares do último livro de Miguel Torga "O Tomo oito do seu diário" publicado há dias. Supõe-se que o motivo de tal atitude são as depreciações dadas pelo autor sobre alguns episódios da vida política portuguesa. Miguel Torga é um dos mais brilhantes escritores portugueses contemporâneos e a sociedade dos homens de letras portuguesas apresentou a candidatura do escritor ao Prémio Nobel de Literatura Portuguesa.
Foi levantada a apreensão que a polícia fêz em todas as Livrarias de Lisboa da última obra do célebre escritor português Miguel Torga. O próprio autor do livro tinha sido detido pela Polícia na véspera da confiscação do livro mas posto em liberdade pouco depois. Miguel Torga é candidato ao Prémio Nobel da Literatura de 1960. A sua candidatura foi apresentada pela Sociedade Portuguesa dos homens de letras. Julga-se que a atitude que a Polícia tomou foi devida a algumas apreciações contidas no livro sobre certos episódios da vida política portuguesa."
A Bem da Nação
O Subdirector, Intº
Aníbal de São José Lopes
Inspector-Adjunto

Muitos outros exemplos se poderiam dar do país que tínhamos e que, parece. alguns por aí querem fazer regressar.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Liberdade escurecida

O sol já deverá estar a esconder-se no mar da Foz do Arelho, naquele movimento de luz alaranjada (não confundir com laranjinha) que, para quem sabe de fotografia, proporciona imagens lindíssimas. 

Como a partir da meia noite já não se poderá transitar entre concelhos, estou com algum receio que ele não arranje documento justificativo e, amanhã, não apareça e a escuridão nos atinja a todos. Claro que não vai acontecer, apesar das minhas dúvidas. O sol preocupa-se com todos nós, sabe da nossa necessidade de vitamina D, apesar da ocupação que carrega de andar lá nos céus noite e dia atrás da lua, como diz a cantiga. Ele anseia que as nuvens não o toldem, se ajustem e afastem, deixando-nos o azul e o quentinho, que bem merecemos, se nos portarmos bem.

E portar bem significa usufruir vibrantemente da nossa liberdade, cuidando sempre de a domar para que não prejudique nem colida com a dos outros.

De acordo com as notícias, ontem foi dia de escuridão completa no Tribunal de Odemira. Um julgamento foi adiado porque o pacóvio que presidia queria toda a gente sem máscara, por achar que o uso da dita lhe violava a liberdade. Felizmente, parece que já alguém se impôs e mandou a figurinha para casa aprender os ditâmes da função que lhe estava cometida.

Talvez ainda vá a tempo de fazer a quarta classe de adultos, para que não se diga que o analfabeto conseguiu chegar a juiz ...

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Magnólia

A Primavera está a chegar e o Inverno, que tanto nos tem torturado, parece finalmente disposto a partir, e a dar-nos possibilidade de voltarmos a ver o Sol e a rua, sem grandes receios mas com as cautelas que se impõem e, tudo o indica, vieram para ficar. 

A magnólia, que foi retirada do vaso já moribunda, adaptou-se ao espaço amplo, no meio da relva, renasceu e já floriu.

Por vezes o conforto não garante o bem-estar e liberdade rima sempre com felicidade, por pouca que seja. Foi o que aconteceu à magnólia: confinada ao espaço de um vaso, feneceu e manifestou claramente intenção de partir. O vaso dava-lhe algum espaço e conforto mas ela queria a liberdade, sem muros, para mostrar a sua graça, o seu contentamento e ... a mosca que dela muito gosta.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Bastonário

Uma lição de liberdade e cidadania, para meditar ...
Entrevista de hoje, na RTP 1, conduzida por Judite de Sousa, tendo o Dr. Marinho Pinto, actual Bastonário da Ordem dos Advogados como entrevistado.
Retive:
  • Há uma justiça, forte, para os fracos, e outra, fraca, para os fortes.
  • Em novo tinha ilusões e ideais; já não tenho ilusões, mas os ideais ainda os não perdi.
  • Por formação e cultura, não sou delator. O Estado tem meios e obrigação de investigar factos que são públicos, notórios e lesivos do interesse de todos.

Às vezes, é reconfortante ver televisão.