sábado, 28 de novembro de 2015

O Natal e o Mundo

Hoje contribuí para a UNICEF, ajudei o Banco Alimentar e participei numa campanha de Crowdfunding, sempre com a sensação de que, se calhar, nem sequer ajudo a resolver nada, tal é a dimensão das necessidades. Mas, por outro lado, sinto-me obrigado a partilhar alguma coisa, quando há tanta gente com muito menos do que eu.
Entretanto, um amigo (AS) que me "abastece" habitualmente de mail's dos mais variados géneros, fez-me chegar o endereço da curta metragem que aqui partilho, realizada em 2006 por Ferdinand Dimadura.
Que raio de sociedade que nunca mais se altera!.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Impertinência (5)

Depois de muita ponderação, análise, audições, conversas, certezas e, por certo, muito diálogo com o travesseiro deglutindo pastilhas Kompensan, a indigitação do novo Primeiro Ministro foi efectuada, 51 dias após a Assembleia da República ter sido eleita.
E tudo isto apesar de o inquilino de Belém (em final de prazo), ter estudado todos os cenários possíveis.
Imagine-se o que aconteceria se o estudo não tivesse sido tão profundo e tenhamos esperança que o discurso da tomada de posse não demore tanto tempo a escrever quanto a decisão tardou!

sábado, 14 de novembro de 2015

Livros (lidos ou em vias disso)

(...)
Desde menina me incumbiram de uma missão que deveria caber a um rapaz: subir às figueiras para capturar morcegos e lhes arrancar as asas, sem que fosse mordida pelos seus pestilentos dentes. As membranas das asas, depois de secas, forravam as caixas de ressonância. Esse era o segredo mais valioso da receita paterna para o fabrico de marimbas. (...)
No ramos mais altos reuniam-se as fêmeas que amamentavam os filhotes. De tal modo se pareciam com pequenas pessoas que eu evitava enfrentá-las nos olhos para não fraquejar no meu intuito caçador. Aquele sentimento de compaixão foi-se avolumando à medida que em mim cresciam sonhos de maternidade. Até que, daquela vez, frente ao tronco que devia escalar, ganhei coragem para declarar:
- Desculpe, pai. Mas eu não volto lá em cima nunca mais.
O meu velhote admirou-se com a minha atitude. (...)
E ele, surpreendentemente, aceitou a minha recusa.
- Está com pena dos morcegos? Eu entendo, minha filha. E vou-lhe dizer por que percebo muito bem essa sua recusa.
E contou-me uma história antiga, que escutara dos seus avós. Naquele tempo, os morcegos cruzavam os céus com a vaidade de se acreditarem criaturas sem semelhança neste mundo. Certa vez, um morcego tombou ferido numa encruzilhada de caminhos. Passaram por ali os pássaros e disseram: olha, um dos nossos! Vamos ajudá-lo! E levaram-no para o reino dos pássaros. O rei das aves, porém, ao ver o morcego moribundo comentou: ele tem pelos e dentes, não é dos nossos, levem-no daqui para fora. E o pobre morcego foi depositado no lugar onde havia tombado. Passaram os ratos e disseram: olha, é um dos nossos, vamos salvá-lo! E conduziram-no à presença do rei dos ratos que proclamou: tem asas, não é dos nossos. Levem-no de volta! E conduziram o agonizante morcego para o fatídico entroncamento. E ali morreu, só e desamparado, aquele que quis pertencer a mais do que um mundo.
Era evidente a moralidade da fábula. Por isso estranhei a sua pergunta, no final:
- Entendeu, filha?
- Acho que sim.
- Duvido. Porque esta história não é sobre morcegos. É sobre você, Imani. Você e os mundos que se misturam dentro de si.
Mia Couto
Mulheres de Cinza
Caminho (Out.2015)

Terrorismo

Há mais de 50 anos aprendi e "cantei" esta canção, com os colegas que comigo partilhavam as aulas de Francês da saudosa Doutora Alice Carvalho.




Hoje, não preciso da caneta do meu amigo Pierrot para escrever que não há nada, mesmo nada, que justifique actos semelhantes aos que uns quantos bárbaros ontem levaram a cabo na capital francesa.
Oui, je suis français!
Liberté.Égalité.Fraternité.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Impertinência (4)

Caiu, com estrondo e ameaças "irrevogáveis"!
Deseja-se que corra bem; poderá correr assim-assim ou mesmo mal, mas pior deve ser difícil!
Já teve um mérito: afinal o "restaurante" é de todos os "comensais" e o "reservado o direito de admissão" do antigamente ainda não voltou.
Concluiu-se que os 230 deputados foram eleitos por votos iguais e, por muito azia que isso cause, nenhum dos eleitos é de "segunda".
Hoje, lá para os lados de Belém, os pastéis são substituídos por chá de hipericão!