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segunda-feira, 9 de março de 2026

"Ontem"

Os tempos eram outros, muito, mas mesmo muito, diferentes. Vivia-se a utopia, o sonho, a vontade de fazer e de mudar, a esperança dos dias melhores a chegar, com o "escadote" acessível a todos os pés.

A informática era pequenininha, a grande maioria dos carros tinha direcção assistida "a braço", a televisão aguardava ansiosamente pela cor e pela proliferação de canais, a auto-estrada começava em Vila Franca de Xira para quem se deslocava à Capital e nos Carvalhos para quem se dirigia à Invicta. Tudo era urgente, imperioso, importante e fundamental. Ninguém falava em partos assistidos pelos papás, licenças parentais ou de amamentação.

O dia de trabalho foi tenso, antecedido pela "entrega" da mãe no Montepio, com a ânsia e o desejo de uma "boa hora". À hora do almoço tudo permanecia idêntico, apenas com o conforto da visita do médico e a quase confirmação da inevitabilidade da cesariana.

O expediente encerrou e uma autorização, especial, permitiu uma saída antecipada e a deslocação em corrida - era perto e bom caminho. O telemóvel nem em sonhos ...

Tinha acabado de nascer o meu primeiro rebento, era uma menina e a mãe ainda dormia, recuperando da intervenção.

- É linda!

Estava ali, a pouco mais de um metro, embora com o vidro do berçário a separar-nos.

Quarenta e oito anos decorridos, nem o vidro nos separa!

PS - Uma vez mais, um Presidente da República toma posse no dia do aniversário da minha "menina". Que Seguro seja um bom Presidente ... tem muito trabalho pela frente.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Tão longe ...

Porque hoje é o "primeiro dia do resto da tua vida", fica por aqui uma escolha tão do agrado do teu filho, meu neto caçula, assinalando a quarta capicua de uma vida que se espera, e deseja, traga muitas.

Parabéns, meu filho!

domingo, 9 de março de 2025

Velocidade

Notícias de última hora:

  1. A minha menina faz hoje anos e é uma respeitável senhora, mãe de dois "matulões" que não param de crescer;
  2. O tempo foi multado por excesso de velocidade e, de acordo com fontes bem informadas, vai ser colocado sob controlo apertado, talvez com pulseira electrónica, de forma a prevenir esse seu desaforo.

Veremos se o ponto 2. se concretiza, o que não é crível nestes tempos de fake news.

Entretanto, a Casa exulta com mais um aniversário da mais velha dos dois rebentos que por aqui cresceram e se fizeram grandes.


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Algodão

A escola que mais marcou a minha juventude foi inaugurada no dia de hoje, há precisamente sessenta anos; quarenta e cinco anos depois de mim, a minha filha foi operada ao menisco (felizmente sem ligamento cruzado avariado); há um ano (re)começava a guerra no Médio Oriente, que já deixou marcas impressionantes mesmo para os mais distraídos e promete não parar de bater tristes recordes; a guerra na Ucrânia já quase não é notícia.

Hoje é o Dia Mundial do Algodão e o algodão não engana: muda muita coisa mas as repetições são imensas!

domingo, 1 de setembro de 2024

Longe

Mais um ano e ainda mais longe. Lá nos confins da Europa e nas barbas da Ásia, o aniversário volta a ser passado sem os seus, apenas respaldado nos milagres da técnica, que permitem minimizar, não substituir.

É a vida, dizem uns; o que importa é estar bem, afirmam outros; passa depressa, alegam mais uns quantos. Pois ... digo eu!

Parabéns, meu filho.

sábado, 9 de março de 2024

Velocidade

E cá está mais um, a caminho do meio século que não tarda nada aí. Quase não se dá por isso. O tempo não corre devagar, ao contrário do que alguns afirmam.

Passa hoje mais um aniversário do dia em que um (então) jovem foi pai pela primeira vez. E gostou! Passados três anos repetiu a proeza e colheu o segundo fruto, tornando o cabaz ainda mais atraente.

A minha menina faz hoje anos e merece todo o carinho que os dois netos grandes lhe dedicam e também o que os "velhotes" lhe manifestam sempre, ainda que sem a exuberância que ela merece.

Vamos em frente, que "a vida é feita de pequenos nadas"!

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Distância

Tudo tão próximo e tudo tão longe ...

A aparente contradição confirma-se, apesar de os meios tecnológicos permitirem mitigá-la, trazendo perto quem está longe e levando ao fim do mundo a imagem de quem preferia, mil vezes, dar apenas um afago e sussurrar, ao ouvido, qualquer coisa mesmo que efémera e sem nexo.

O meu "menino" nasceu há quarenta e dois anos e, nessa altura, não passava pela minha capacidade imaginativa vê-lo tão adulto e tão longe. A Polónia é já ali, no centro da Europa a que pertencemos, tão distante do mar da Foz do Arelho e tão próxima dos trovões da guerra ... cujo fim não se vislumbra.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Desassossego

A partir de hoje, os olhos e os ouvidos estarão muito mais atentos ao que se passa na Polónia, sempre com a esperança de que a guerra, cujo fim parece estar cada vez mais longe, não se instale por lá. 

Acabaram as férias ...

Pode parecer egoísmo (e se calhar é), mas há muitas coisas que provocam desassossego e nem todas constam no livro do Pessoa.

" Que tragédia não acreditar na perfectibilidade humana! ...

- E que tragédia acreditar nela!"

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego

quinta-feira, 9 de março de 2023

Alcatruzes

Prosseguem, tranquilamente, o seu percurso, dando a oportunidade a que, nuns, a vida corra bem, noutros nem tanto, noutros ainda, seja impossível perceber o que acontece, como acontece e porque acontece. Ainda assim, seria muito mais fastidioso se os dias fossem como os alcatruzes da nora, sempre tirando a água do poço num ritmo constante e repetitivo que, ao fim de algum tempo, se torna rotina clássica, desenxabida e desinteressante.

Felizmente que a vida não é como a nora nem os seus alcatruzes são iguais. Tem a grande vantagem de nos oferecer dias melhores ou piores, mas todos diferentes. 

Faz hoje 45 anos que nasceu uma mulher extraordinária, mãe extremosa e filha para quem não há adjectivos adequados ao seu nível. É "só" a minha filha, que hoje completa mais um aniversário, para me encher de alegria e muita satisfação.

Parabéns, querida filha, e mantém sempre presente que os alcatruzes da nora são repetitivos mas os dias da vida nunca o serão. Amanhã será sempre diferente.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Divagações

Desde sempre que encaro cada dia como um novo começo, o início de um ciclo, uma nova batalha, mais um desafio. O passado tem influência, dá lastro e experiência, permite corrigir e evitar, recordar, destapar, ponderar.

Mas é o futuro, sempre o futuro, que interessa. É nele que nos projectamos, nos debruçamos, nos despimos e nos mostramos capazes, com a preocupação de tornar cada dia melhor do que o anterior. Não vai ser sempre possível. Não há estradas sem curvas, mares sem ondas, céus sem nuvens. Há um caminho a ser percorrido, com dedicação e profissionalismo, honestidade e preocupação, não isento de erros e apenas com a certeza de que, todos os dias, nos tentamos superar.

Surgirão - surgem sempre - aqueles dotados que tudo fariam muito melhor e que detêm a receita milagrosa para a pior doença. A maior parte são frustrados tocadores de ouvido, para quem o compasso da vida apenas desenha arcos e nunca circunferências.

Inicia-se hoje um novo ciclo, lá bem no centro da Europa, com muito frio e os tiros bem perto. Vai trazer a ansiedade distante bem perto, preocupação, receio e também, esperamos todos, muitas alegrias.

Continuarei, sempre, um "tuga" empedernido, mas vou "estar" polaco durante uns tempos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Espelho

Pela manhã, quando o dia ainda nem tinha percorrido um terço do que lhe estava destinado, já o "homem do espelho" ali se instalava, preparado para, como é costume, me questionar acerca da barba, dos cabelos brancos, das rugas, da cara de caso em razão da noite mal dormida, dos planos para as tarefas do dia, tudo o que lhe vem à cabeça e despeja sobre mim, sem preceito nem respeito, enquanto a cara é ensaboada e antes de a lâmina começar a (des)fazer a barba.

Surpresa! Hoje não foi assim, porque toda a regra tem excepção, sabe-se há tempos infinitos.

- Não vale a pena gastar "latim" a dizer-te que estás velho. Toda a gente vê e tu melhor que ninguém. Lembro-te apenas, para a eventualidade de te teres esquecido, que o teu filho faz hoje anos e que, até para ele, o tempo passou num instante.

Estava eu, meio aparvalhado às voltas com a espuma de barbear, à espera que surgisse do lado de lá alguma coisa nova, uma ideia genial, uma descoberta providencial, qualquer coisa que me diminuísse a santa ignorância e ele sai-se com aquela vulgaridade.

- Que novidade ... Isso sei eu há quarenta e um anos e não preciso que me lembres! 

quarta-feira, 9 de março de 2022

Cegonha

Há quarenta e quatro anos, a chegada dos bébés era ainda, em muitos casos, feita através do bico da cegonha que os trazia de Paris, sem passaporte, carregados do bulício francês e ávidos da serenidade da paz e sossego do nosso país, seguro, belo, e sem grandes oscilações climáticas.

O transporte "cegonhal" estava em decadência e viria a desaparecer completamente daí a pouco tempo, acompanhando a abertura que se foi, finalmente, dando. A cegonha reciclou-se e passou a efectuar outras tarefas, como fazer ninhos no cimo dos postes de electricidade ou vaguear pelos campos, tarefas para as quais estava mais talhada e a faziam mais feliz.

A minha bébé foi produzida em casa e nasceu, com a mãe a dormir e com o auxílio do bisturi do cirurgião e de mais alguns intervenientes de bata branca e estetoscópio ao pescoço. Um deles, que por acaso foi uma ela, veio cá fora e deu a notícia:

- É uma menina, muito bonita, e está tudo bem.

Toda a gente sabe que os bebés são sempre bonitos e, por isso, essa não era a novidade. Notícia era ser uma menina, depois de nove meses a fazer o teste da agulha, a ouvir dizer que o formato da barriga indiciava ser um menino e "olha que eu raramente me engano". E a cara da mãe diz o mesmo. Eram as ecografias da época. À cautela, havia em carteira um nome para cada situação.

Como é diferente hoje. Sabe-se se é menino ou menina ainda a barriga mal evidencia a gestação e há tempo de sobra para escolher o nome e divulgar o nascimento, com o ser nascido já devidamente identificado e não um qualquer cidadão sem nome.

A minha menina aí está, feliz, cumprindo a quarta capicua da sua vida!

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Palavras bonitas

DEZ RÉIS DE ESPERANÇA

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

Poesias Completas (1956-1967)
António Gedeão
Portugália (1975)

Nota: O meu filho, invejoso, entra hoje na "casa dos enta", "moradia" onde já está a irmã há algum tempo. Não se diz quanto, porque nunca se deve revelar a idade das senhoras. Esta entrada significa que, dos que me restam, já só os netos permanecem lá fora!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Dias de anos

Desde 1975 que não trabalho no meu dia de anos. Agora, que a situação é de "férias permanentes", nem seria necessário o feriado, mas é importante que ele se mantenha para sempre.

A liberdade não tem preço, deve ser sempre comemorada por todas as razões e ainda por eu ter feito 22 anos no seu dia.

Já os meus filhos não têm a mesma sorte. Nasceram ambos em dias "normais" e, por isso, raramente têm direito à folga no seu trabalho.

Hoje o filho faz 39 anos e nem oportunidade tem de receber os carinhos da família, isolado que está em estágio "pandémico" e rigoroso. Os parabéns são virtuais da família real, e presenciais da outra "família" onde está integrado - a selecção nacional de futebol, em estágio para os próximos compromissos da Taça das Nações (Croácia e Suécia).

Se vencerem os dois encontros, como se deseja e espera, terá valido a pena, uma vez mais, o sacrifício da ausência física.

Cá estaremos todos para as comemorações, com atraso, mas com o mesmo entusiasmo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Emoções

Hoje não foi a ansiedade de Paris nem o nervoso "graúdinho" de ver o tempo a passar e a bola a não entrar; não foi o "terror" de olhar para o relógio e não entender como ele demorava uma "eternidade" para chegar aos 120 minutos; não foi o pulo nem o grito, o grito ou o pulo, não no singular mas num plural sem conta, majestático porque comemorava um feito de majestades.
Hoje foi a emoção: o meu País, pelas mãos de um Presidente da República eleito por sufrágio universal, entregou medalhas aos que fizeram de Portugal Campeão Europeu de Futebol, numa jornada memorável em terras de França, que a todos nos encheu de satisfação, alegria e orgulho.
Entre os medalhados estavam o Fernando Santos, a quem me une uma amizade que dispensa quaisquer adjectivos e tem mais de 50 anos, e o meu filho, que amanhã completa 35 anos.
Ouvir o Chefe do Protocolo do Estado chamar Ricardo Miguel Cândido de Sousa Santos encheu-me (encheu-nos) tanto de orgulho que as lágrimas saltaram do saco e derramaram num "rio" selvagem e sem controlo.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Euro 2016


Há momentos na vida em que é impossível disfarçar o orgulho que nos vai na alma.
Ao ver esta imagem (e muitas outras que por aí circulam), surgem no écran da memória o início, a ausência (apesar do Skype), as noites mal dormidas, a ansiedade, o "terá dito tudo", "estará bem", os jogos "vistos" no computador, as notícias em grego (?!), as manifestações, a violência, a desordem social, os problemas nos estádios, a "tragédia grega" quando tudo começou há quase uma dúzia de anos.
Vai ser mais um mês de ansiedade, colado à televisão, solitário, controlando as emoções, sempre com a esperança que o grande salto final aconteça, por ti, pelo Fernando e pelo meu País que é tão grande e tão maltratado.
Amanhã partes para terras gaulesas e, por muito que me custe, tenho esperança que só regresses em Julho!
Boa viagem, meu filho!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Memórias

“podia ser só uma Avó... mas ela era (é) o cheiro do sabão azul e branco, a água que escorria dos tanques públicos para a calha, os carreiros de formigas, os lagartos saídos da seringa de madeira para a mesa, o cheiro das couves cozidas misturadas com as sêmeas, as flores violeta rebentadas se lhes tapássemos os topos, o andar em bicos de pés para chegar aos ovos, o som do motor do poço, as molas encaixadas como comboios no terraço, a cafeteira deformada usada como regador, os pegamassos, o açafate com uma bola de madeira e mil botões, o pente molhado no lavatório antes de alisar o cabelo, os bifes fritos em lume lento, as mãos calejadas, o cheiro das cascas das sementes dos pássaros sopradas para fora dos comedouros, as urtigas arrancadas à mão... podia ser só uma Avó e já era muito, mas foi (é) grande parte das memórias impregnadas na matriz quase por estrear que era o meu cérebro infantil e, por isso, mais marcantes e intensas... e a prova de que não é o dinheiro, nem a instrução, nem a quantidade de brinquedos, que garantem uma infância feliz. os afectos (ou a falta deles) é que condicionam tudo o resto daí para a frente...”

A minha filha vai perdoar-me a apropriação e divulgação do texto que escreveu e publicou no seu blogue, partindo do filme que André Raposo realizou, tendo por base uma crónica de José Saramago.
O retrato é perfeito, as palavras certas, a descrição genial.
Nos arquivos da minha memória está cada vez mais presente, com mais pormenor, a personalidade, a calma, o carinho, os ensinamentos que cada vez valorizo mais.
O tempo é outro e mais urgente. 
Os meus netos nunca dirão de mim nada parecido com o que a minha filha hoje me ofereceu sobre a minha mãe.
E as lágrimas não param ...

sábado, 23 de abril de 2011

Ruivaco do Oeste

Porque a modéstia em demasia é defeito e porque o que não fica escrito não aconteceu, aqui se regista para que os netos, um dia, leiam e tenham orgulho da mãe. Um, que já está um "homem" com quase 5 anos, experimentou estas andanças ainda na barriga, tal como acontece, agora, com o irmão. Farão parte da geração que nos há-de criticar muito, por não termos conseguido preservar aquilo que os nossos avós deixaram. É o desenvolvimento ...


segunda-feira, 28 de março de 2011

Orgulho

Há momentos em que a retrospectiva de uma vida nos enche de orgulho, compensando as dificuldades, as agruras, os maus momentos, os momentos maus, o que fizemos de errado, as desilusões e as frustrações.
Recebi hoje, de novo, um texto de Mia Couto que circula pela Net, no qual o autor, com o nível a que nos habituou, comenta a "Geração à Rasca".
Até aqui, tudo normalíssimo, um igual entre tantos, aparentemente sem quaisquer diferenças a não ser que ... o texto vinha acompanhado de comentários dos meus filhos, um directamente de Israel onde se deslocou em trabalho e outra da linha de Cascais, onde se recompõe da "trabalheira" de um fim de semana a tentar que o Ruivaco do Oeste volte a povoar o rio Alcabrichel.
Há momentos em que a gente sente que ... valeu a pena!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Palavras bonitas

Para o meu filho, que hoje faz 29 anos.


À CHEGADA DOS DIAS GRANDES


Da luva lentamente aliviada
a minha mão procura a primavera
Nas pétalas não poisa já geada
e o dia é já maior do que ontem era
Não temo mesmo aquilo que temera
se antes viesse: chuva ou trovoada
É este o deus que o meu peito venera
Sinto-me ser eu que não era nada
A primavera é o meu país
saio à rua sento-me no chão
e abro os braços e deito raiz
e dá flores até a minha mão
Sei que foi isto que sem querer quis
e reconheço a minha condição.

Todos os Poemas
Ruy Belo
Assírio & Alvim (2000)