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domingo, 14 de setembro de 2025

Adversativas

Pelo céu vai uma nuvem, um ritmo lento, não seu, mas do vento que a impulsiona lá bem no alto. De quando em vez, dá um ar da sua graça e tapa o sol, impedindo o visionamento do azul celeste. Feitios ... a nuvem bem tenta fazer o que quer, lhe vai na real gana ou pensa ser o melhor para si e para as outras que a acompanham.

Porém, os condicionamentos são muitos e nem sempre a sua vontade prevalece. Melhor ainda, é muito raro que seja determinante, se é que alguma vez acontece. Vai de sul para norte, impulsionada pela nortada e, de repente, o vento muda e a trajectória altera-se, sem dar tempo, sequer, para dizer de sua justiça e obstar a um novo rumo que, normalmente, até nem é do seu agrado.

Todavia, como é perseverante, lá prossegue o caminho ditado, não escolhido, sempre atenta à hipótese de tornar ao seu destino preferido, tendo consciência que o importante é fazer aquilo que se gosta e gostar daquilo que se faz. É o sul que lhe agrada, lhe manifesta clareza, lhe dá horizonte, a deixa sonhar e lhe torna, nos dias mais sombrios, uma réstea de esperança que o vento mude.

Contudo, o vento é demasiado teimoso ou dotado de uma personalidade forte para lhe fazer a vontade de forma simples, preferindo sempre os caminhos mais ínvios: roda para sul, depois para nascente, um saltinho a nordeste, uma viragem rápida ao oeste marítimo. Não permanece muito tempo na mesma direcção, não se entende com o imobilismo, adora mudar, dar velocidade à nuvem, mudar-lhe a cor, fazê-la acinzentada, muitas vezes negra, clarinha em outras. A nuvem reclama, barafusta, tenta sempre contrariar. Desistir, nunca.

É a vida ... da nuvem, claro!

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Sonhos

Foi publicada hoje no Diário da República uma Lei, aprovada por unanimidade e aclamação na Assembleia da República, que determina o encerramento integral do país no mês de Agosto de cada ano. Todos os deputados que intervieram na discussão manifestaram de forma eloquente a sua concordância e o seu apoio incondicional, facto que deverá ser inédito na história da democracia. As conferências de imprensa que se seguiram à votação mostraram, à saciedade e à sociedade, que toda a gente ansiava por uma Lei desta natureza e que não houve um único deputado que não desse a sua colaboração para que o texto final reflectisse não só o rigor e o acerto da medida, como também evitasse que algum erro gramatical, gralha ou vírgula  pudesse vir a alterar o sentido patriótico desta histórica decisão.

Finalmente chegou a hora, de forma absolutamente legal, de o país fechar todas as portas na próxima segunda-feira, sejam elas de esquadras, hospitais, repartições, ministérios, supermercados, restaurantes, bancos, lojas, bombas de gasolina e, resumindo, tudo o que trabalhe em ambiente fechado ou que se possa fechar. Não haverá greves dos comboios, dos aviões ou dos autocarros pela simples razão de que nada disto funcionará. Garantir-se-á, desta forma, que todos os portugueses gozam as merecidas e garantidas férias no mês de Agosto, acabando, de vez, com as injustiças e com a trabalheira anual de elaborar um mapa que garanta o funcionamento sem impedir o direito inalienável ao descanso.

No preâmbulo, a Lei alerta para os perigos resultantes de nas praias não haver nadadores-salvadores equipados, apelando para a compreensão de todos e para a solidariedade que deve sempre existir. Também se alerta para o cuidado a ter com a alimentação, embora se saiba que a comida caseira apresenta sempre menos riscos do que a que se come fora. Está bem explícito que os restaurantes não funcionarão, não haverá espectáculos nem noitadas de bares ou casinos, discotecas e similares, e apenas se beberá café da máquina que existir lá em casa.

Acordei! Isto não lembra ao diabo! Que disparate de sonho. Deve ser da idade ...

domingo, 10 de outubro de 2021

Multibanco

Parece estar provado que os sonhos fazem parte das noites de cada um e que, na maior parte das vezes, as pessoas têm uma vaga ideia de terem sonhado, faltam pormenores à descrição lembrada, não há jeito nem lógica no que se recorda.

Fico contente por não fugir à regra e de sonhar e também não me recordar, com um mínimo de consistência, da composição elaborada durante a noite bem dormida.

Desta vez não foi assim: estava junto a uma ATM e nem tinha sido preciso colocar o cartão, quanto mais digitar o código e aguardar vendo o boneco; a máquina despejava-me um montão de notas, todas de 10 Euros, e não havia mãos a medir nem velocidade para acompanhar aquele ritmo incessante. Desisti. As notas eram tantas, tantas, que os bolsos não chegavam para as guardar e havia pessoas a aguardar que me despachasse.

Um lampejo de inteligência, difuso, lembrou-me: estou a correr riscos sem necessidade. São notas de 10, muita parra e pouca uva, ainda aparece um polícia e, ou me deixo prender, ou fujo para o Belize, para acompanhar o Rendeiro. Não quero ... e abandonei o local, deixando lá as notas, sem verificar se o "anão" da máquina as tinha recolhido.

Já bem acordado, disse para mim: sonho mais estúpido, como são todos, afinal. Ainda para mais, eu já nem uso cartão multibanco para levantar a massa. O telemóvel trata disso e é muito mais simples.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Sonhos

Uma noite destas, em que o sono tardou a chegar ou já ia a fugir, o Carlinhos veio visitar-me. Queria conversa e não parecia particularmente bem disposto.

- Estou chateado contigo!

- Bolas, que mal te fiz eu? Porto-me sempre tão bem, que às vezes até me estranho.

- Pois, mas não não cumpres o que prometes e isso é muito feio.

Não percebi o remoque, mas eram visíveis as "trombas". Esperei, calmamente, que surgisse mais alguma palavra que clarificasse o assunto que o toldava. Não tardou muito ...

- Autorizei-te, e desafiei-te, a utilizares o meu nome e as minhas "estórias" e esperava que cumprisses essa missão com mais assiduidade. Ainda só vi dois textos e isso magoou-me muito. É pouco para uma pessoa tão famosa e vivida como eu sou, e que tem tanto para contar e ser dado a saber ao mundo.

Embatuquei. Era verdade e a verdade, por vezes, é muito difícil de aceitar e mais ainda de justificar. 

- Tu sabes bem que nunca me esqueço de ti, mas surgem outros temas, a oportunidade passa ou é adiada para "manhã". As tuas "estórias" têm de ser cuidadosamente contadas.

- Quero o acordo cancelado. Pretendo estar na ribalta, ser "primeira página", ter destaque, ser comentado. Se não podes ou não queres dar-me isso, vou procurar outro ou outros que estejam disponíveis. Quero estar na primeira fila, sempre. Acho que mereço mais do que muita "estrela" que por aí circula nas redes e se pavoneia nos jornais.

Convencido, pensei para mim. Devia voltar-lhe as costas ou mandá-lo àquela parte. Era o que merecia.

- A decisão é tua. Para compromissos desses, comigo não contas. Não gosto de ser condicionado por ninguém. Queres restringir a minha liberdade e obrigar-me a ser teu escriba, e eu não estou para isso.

Ficou pensativo e abismado. Não estava à espera e o ego sentiu-se. "Enfiou-se".

- E digo-te mais: conheço muitas "estórias" tuas mas, como bem sabes, uma grande parte não merece nem pode ser publicada. A linguagem e as actividades não são compatíveis com a divulgação pública. Às vezes até a restrita é difícil e é preciso escolher os ouvintes. Acresce que o vernáculo e os comentários jocosos sobre tudo, das religiões à política, não se ajustam a um sítio que se pretende preze a moral e os bons costumes, e mantenha a bitola com algum nível. Há quem diga que, quando a conversa desce de nível, sobe de interesse, mas eu não estou para aí virado.

- Ora, ora! Deixa-te desses pruridos infantis. Nem pareces deste tempo. A língua quer-se desabrida e sem peias, tipo bronco, bué da fixe. Não querem lá ver o cota ... 

Acordei. 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Sonhos

Esta noite tive pesadelos.

Sonhei que me tinham obrigado a ler as justificações do Juiz Ivo Rosa e o livro do ex-primeiro-ministro José Sócrates. Foi duro! Vi-me a braços com a fuga das folhas do Juiz, como tinha acontecido a Ricardo Araújo Pereira, no seu programa de ontem, e também com as letras muito pequeninas que, imagino, deve ter o novo livro candidato a best-seller. Tudo isto se deve à idade, acho eu, e o mais aborrecido é que os sonhos estão muito longe de ser o que eram ...

Feita a higiene da manhã, com o duche a lavar os devaneios sinistros da noite, tomado um bom pequeno almoço seguido da imprescindível "bica", um salto ao mercado semanal que, finalmente, voltou. Era preciso ir comprar uns morangueiros para "retanchar" os que não vingaram e aproveitar para "cuscar" como se estava a processar o regresso da vida ao espaço. As pessoas voltaram. Muitas. Os vendedores da zona dos produtos hortícolas estavam felizes e exibiam o sorriso correspondente. A avaliar pelo número de compradores, tudo indica que o coronavírus despertou o interesse pela agricultura em muita gente amadora.

Por aqui, as framboesas circundam o jacarandá (que já ultrapassou o telhado) e estão lindas, com o verde pintalgado do branco das flores. São agora a sala de visitas das abelhas e das borboletas, como esta que por lá estava hoje, ainda a manhã não ia a meio, e que nem sequer se assustou com a presença de quem lhe invadiu a privacidade, sem respeito nem autorização.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Sonhos

Cada vez convivo mais com sonhos. Não aqueles que se têm acordado - esses são de tempos passados - mas os que fazem companhia ao descanso, criando cenários inverosímeis, tarefas incongruentes, viagens fantasmagóricas. Quando acordo, normalmente lembro-me do que aconteceu, verifico o que a mente me mostra e fico perante uma chusma de disparates, sem qualquer nexo, ordem ou razoabilidade. Fui procurar saber os contactos e a morada de Sigmund Freud mas, até ao momento, nem Google, nem Facebook nem Instagram me deram quaisquer notícias  de como lhe chegar, muito embora todos o conheçam e sobre ele falem muito. Vou persistindo e talvez a sorte um dia me chegue, mesmo que aconteça daqui a muitos anos. É sempre tempo de aprender e de ouvir explicações, por mais irracional que pareça o tema.

Nesta noite sonhei que tinha ido à Medicina no Trabalho. Que coisa mais estúpida! A Medicina está toda dedicada ao Corona e o Trabalho já não me perturba nem me tira o sono. Estava a trabalhar , vejam bem, na Baixa de Lisboa e a consulta era no Largo do Calhariz. Dei por mim no carro, a subir a Rua do Alecrim. Em branco ficou o sítio onde a viatura estaria estacionada e o percurso feito até ali. Não cortei à esquerda, para a Rua do Loreto, nem olhei para o Camões e muito menos para o Chiado, vi de relance o cauteleiro da Misericórdia, e cheguei ao Príncipe Real. Parei junto ao pequeno mercado que por lá se faz aos sábados, de manhã, mas não consegui lugar para estacionar.  Os legumes biológicos ficaram para os clientes reais, até porque só era sábado no sonho. Percorri a Rua da Escola Politécnica, devagar e com alguns sobressaltos, e cheguei ao Rato. Virei à esquerda e, num abrir e fechar de olhos, já estava no Jardim da Estrela. 

De novo uma branca no caminho e eis que me apanho estacionado no Largo do Calhariz, onde é proibido parar, quanto mais estacionar. Mas foi lá que estacionei o carrinho, fechei a porta e depois me dirigi ao edifício alaranjado, enorme, onde iniciei, há muitos, muitos anos, a minha actividade na banca. As grandes portas estavam abertas e havia um segurança sentado à secretária, com um computador virado de costas para mim. Identifiquei-me, disse ao que vinha, aguardei o tempo da consulta no computador e ouvi:

- Tem aqui 250,00 € de multa para pagar. Devia ter vindo de manhã, para fazer o electrocardiograma e as análises.

- Mas ninguém me disse ...

- E era preciso? Não está farto de fazer isto? Tem de pagar e pronto!

- Olhe, vá receber ao Totta, retorqui de imediato e ... acordei!