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sábado, 27 de março de 2021

Dia Mundial do Teatro

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Teatro apenas com as peças trazidas para o ecran, que funcionam por não ser possível outra usufruição. Sabe a sopa sem sal ou a torrada sem manteiga, mas é o possível. Há vários espectáculos que podem ser vistos a preços simbólicos e alguns, até, de forma gratuita. 

Mas o teatro precisa de público, do apagar das luzes, da entrada em cena, dos aplausos, do regresso dos actores ao palco, já "despidos". Hoje não pode haver nada disso. Acalenta-se a esperança de poder estar para breve o regresso ao teatro ao vivo, em sala ou em espaço aberto.

Para assinalar a data, fica um extracto da Farsa de Inês Pereira, escrita em 1523 por Gil Vicente, por muitos considerado o pai do teatro português. A grafia segue o acordo ortográfico da época e o conteúdo mantém a actualidade possível.

(...) Escudeiro

Antes que mais diga agora,
Deos vos salve, fresca rosa,
E vos dê por minha esposa,
Por molher e por senhora;
Que bem vejo
Nesse ar, nesse despejo,
Mui graciosa donzella,
Que vós sois, minha alma, aquella
Que eu busco e que desejo.

Obrou bem a natureza
Em vos dar tal condição,
Que amais a descrição
Muito mais que a riqueza.
Bem parece
Que a descrição merece
Gozar vossa fermosura,
Que he tal que da ventura
Outra tal não s'acontece.

Senhora, eu me contento
Recebervos como estais;
Se vós não vos contentais,
O vosso contentamento
Póde falecer no mais.
(...)
Autos e Farsas
Gil Vicente
Colecção dirigida por Vasco da Graça Moura

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Teatro

Apesar de continuar confinado no Oeste profundo, a dois passos do Atlântico e, longe, longe, da civilização que se desenrola pelos lados da capital, sob a supervisão do Marquês lá do seu alto "leonino", ontem fui ao teatro. 

Sem sair de casa, cumpridor que sou da lei e das recomendações, desloquei-me à secretária, liguei o computador - também podia ser no IPad ou no telemóvel, mas o conforto não seria o mesmo -, "abri" o Teatro D. Maria II, comprei o bilhete e assisti a um excelente espectáculo, de mais de três horas, com um pequeno intervalo quando eu o determinei.

A peça chama-se ÚLTIMA HORA, tem texto de Rui Cardoso Martins, encenação de Gonçalo Amorim e interpretação soberba de todos os actores, com destaque para José Neves, Maria Rueff e Miguel Guilherme. Aborda o tema do fim dos jornais "a sério", em época de redes sociais e de notícias de "sangue".

Vale a pena. O bilhete custa apenas 3,00 Euros, sim, não me enganei, 3,00 €, e a peça estará em cena até ao dia 26 deste mês.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O teatro e a vida

Ontem, uma explosão de nitrato de amónio, seja lá o que isso for para além do adubo que eu pensava conhecer,  destruiu o porto da capital do Líbano - Beirute - causando mais de uma centena de mortos (ao que se sabe) e milhares de feridos. A destruição, que vimos nas imagens televisivas que nos chegam, atestam a dimensão da tragédia que, ao vivo e para os libaneses deverá ser muito pior do que sequer imaginamos.

Hoje, passam 75 anos do dia em que o avião Enola Gay despejou a bomba atómica Little Boy sobre a cidade japonesa de Hiroshima, provocando milhares de mortos, inocentes, e abrindo as portas para o final da II Grande Guerra.

Ontem, soube da morte do actor e encenador Juvenal Garcês, que, em conjunto com Mário Viegas, fundou a Companhia Teatral do Chiado. Conheci-o, pessoalmente, em Maio de 1997, aquando da apresentação nos Pimpões de "As obras completas de William Shakespeare em 97 minutos".

Hoje, partiu Fernanda Lapa, que não conheci pessoalmente, mas que me habituei a gostar, e a respeitar, como actriz e encenadora, e "mulher de armas".

Os dias têm sempre histórias para contar, boas, más, assim-assim, mas é assim a vida.

Amanhã será outro dia e, como sempre, alguém se há-de encarregar de registar, para a história, o que dela for digno e merecer permanecer para os vindouros.

E, com tudo isto, já passaram seis meses sem assistir a um qualquer espectáculo de teatro ao vivo. Maldito Covid!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Teatro

O Teatro Municipal Joaquim Benite, de Almada, vai levar à cena a História do Cerco de Lisboa, adaptando o romance homónimo que José Saramago escreveu em 1989. Conto lá ir, não logo na estreia - irá acontecer em 12 do próximo mês - mas, de acordo com a disponibilidade da agenda, talvez na semana seguinte.
Entretanto e porque já não (re)lia Saramago há uns tempos, fui à estante e, como sempre "gente fina é outra coisa": a forma de escrever, as voltas que o texto dá, os adágios, as opiniões, o humor, o "diz que disse", a descrição minuciosa, tudo evidencia o grande trabalho e o prazer de escrever, sendo certo que este não deve ser tão grande como o prazer de reler passados tantos anos.
Entretanto, e por falar em Teatro, o Teatro da Rainha estreia um novo trabalho a 5 de Outubro - Play House, de Martin Crimp -  e, nesta, lá estarei como de costume.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Clarabóia

Ontem visitei o prédio que José Saramago descreveu e registou em Clarabóia e que Maria do Céu Guerra "edificou" n'A Barraca, em mais um grande espectáculo do grupo que se mantém a fazer bom teatro, no Largo de Santos, há quase quarenta anos.
No final, Maria do Céu Guerra, Pilar Del Rio e Hélder Costa conversaram com os espectadores, contaram "estórias", dificuldades, coloquiaram. 
Céu Guerra deu umas "pinceladas" sobre quão difícil deve ter sido (eu nem imagino) colocar em cena, simultânea, seis casas com habitantes tão diferentes e com personagens tão fortes. A uma pergunta (de Vítor de Sousa, também ele um homem do Teatro e da Poesia), sobre haver a possibilidade de fazer o espectáculo viajar pelo país e, nomeadamente, ir ao Porto, Céu Guerra respondeu:
- " Haver até talvez houvesse. O "construtor" disse-me que sim, que era possível, mas custava muito dinheiro. E há tão pouco ..."
Vão ver, que vale a pena!
E não guardem para muito tarde. Em Fevereiro pode já não estar em cena!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quotidiano

No princípio da noite de sexta-feira aconteceu o "abraço ao hospital".
Não consegui participar.
O regresso da capital foi tardio e havia bilhetes para o CCC, onde Eunice Munoz e Maria José Paschoal iriam representar O cerco a Leningrado, de José Sanchis Sinisterra.
Por estranho que possa parecer, há alguma similitude entre os dois acontecimentos: na peça, Natália e Teresa são duas mulheres que vivem num velho teatro, lutando contra a sua anunciada demolição; no "abraço ao hospital", cerca de 3.000 pessoas (segundo me contaram), tentam fazer-se ouvir, protestando contra o anunciado propósito de transferir valências hospitalares importantes, das Caldas da Rainha para Torres Vedras.
A pouco e pouco, a cidade percorre o caminho, trágico, da "demolição", como o velho teatro de Leningrado.
Quando olharmos com atenção, a cerâmica já terá desaparecido, o comércio seguiu-lhe as pisadas, o comboio deixou de vir, o hospital perdeu as valências, o CCC manterá o ar condicionado avariado (ou desligado?), as ruas continuarão sujas, pouco iluminadas e esburacadas, as obras da lagoa terão chegado ao fim sem resolver o problema, não aparecerá a criança que grite "o rei vai nu"...
Valha-me o meu neto mais velho, que já lê correctamente!