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domingo, 5 de outubro de 2025

República

Dia do aniversário da República, que comemora hoje 115 anos. Talvez o número, que já foi da emergência nacional, tenha determinado a quase ausência de referências à data.

Nos jornais de hoje, nem uma linha; nas televisões quase a mesma coisa; das entidades oficiais, a presença, discreta, no hastear da bandeira na varanda da Câmara de Lisboa, sem direito a discursos ou conversas, que a campanha autárquica poderia torpedear e sair lengalenga falsa ou enganadora.

Lembro-me, em jovem, de dois grandes republicanos caldenses, atravessarem a Rua Almirante Cândido dos Reis com uma bandeira nacional às costas, bem desfraldada e na posição correcta. Tinham sempre chatices, mas lá iam mantendo a tradição de que o regime não gostava nada.

Estaremos a voltar a esses tempos?

Viva a República!!!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

1º de Dezembro

O feriado de hoje comemora a restauração da independência, após sessenta anos de domínio espanhol, com três reis de nome Filipe. Os conhecimentos de História não são de molde a tecer grandes comentários sobre um acontecimento tão marcante, e muito menos para analisar as suas causas e consequências.

Fica apenas o registo do dia em que D. João IV foi aclamado Rei e deu início à IV Dinastia, a qual viria a durar até ao reinado de D. Manuel II. Em 5 de Outubro de 1910 acabaria, finalmente, o direito sucessório da governação e as lutas que, em seu nome, foram desencadeadas. E foram muitas.

A partir dessa data, a "cor" do sangue deixou de ser condição para exercer o mando, embora se mantenha, ainda, com bastante influência para abrir portas.

O berço não é determinante ... mas ajuda muito.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

República

É fundamental, imperioso, obrigatório que, todos, façamos de Portugal uma República viva e que ela viva sem reisinhos, príncipes ou morgados, rainhas e princesas, fidalgos ou cortesãs.

Que sejamos corteses sem viver da e na corte, que as ruas e as avenidas possam ser sulcadas por todos, que o nome e a proveniência sejam os últimos identificadores das capacidades de cada um, que o mérito a todos distinga, sem cuidar da averiguação prévia da cor do sangue. 

Que respeitemos o outro e as suas opções, que não julguemos cada um em função daquilo que pensamos, que tenhamos sempre um país livre, aberto e plural, onde todos caibam e não haja atropelos, mesmo que alguns queiram condicionar o que a grande maioria pretende preservar. 

VIVA A REPÚBLICA!

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

República

Comemoram-se hoje 110 anos do dia em que José Relvas proclamou a República, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

A República, essa, não festeja o seu centésimo décimo aniversário, por ter sido forçada a uma hibernação, ou confinamento, de 48 anos e mais quase um mês. 

Neste período, esteve fechada a sete chaves, guardada pelos defensores da "lei e da ordem", comandados pelo "chefe supremo" que, "a bem da nação, dirigia tudo isto com mão de ferro, acolitado por muitos "olhos e ouvidos" que, ao que parece, estão a ressuscitar, saudosos desses tempos de "progresso e paz".

Viva a REPÚBLICA!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Palavras bonitas

Nos 100 anos da República, que hoje se comemoram, sempre com a esperança de que os seus ideais se mantenham bem vivos e que, apesar dos escolhos e da falta de capacidade de alguns "pedreiros", a razão e o interesse de todos se sobreponha, sempre, às mesquinhas conveniências de cada um.

HINO À RAZÃO

Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece,
É a voz dum coração que te apetece,               
Duma alma livre, só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

Sonetos
Antero de Quental
Ulmeiro (1994)

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

E se ...

Este é o primeiro comentário de Outubro, na véspera das comemorações da implantação da República.
Aproveitando o resto das férias, fui hoje à capital esclarecer algumas questões importantes para quem já está na idade dos "ses". Esclarecendo: na minha idade, já tudo se questiona, quando é necessária a deslocação para qualquer lado, a mais de cinco minutos de distância do aconchego do lar. E se chove? E se não há bilhetes? E se há muito trânsito? E se acaba tarde?
Não fui à Rotunda, mas o Almirante Reis também lá não estava para receber as felicitações da vitória de 1910, resultado que ele nem chegou a conhecer; não encontrei o Sócrates, a quem gostaria de dar esta notícia pessoalmente. Como sei que ele vai ler este comentário, aqui fica:
Se a dona desta casa tivesse começado a trabalhar dois anos mais cedo, poderia vir tratar do neto de imediato, sem qualquer penalização na sua reforma. Assim, esperará até 2014, se, entretanto não alterarem de novo as regras!
Não será o fenómeno da "multiplicação dos pães" nem uma equação matemática irresolúvel mas, que diabo, dois anos transformarem-se em oito, é obra!
Apesar de tudo, viva a República!!!

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Palavras bonitas

Assembleia da República - 5 de Abril de 1982. 

Após a intervenção de um deputado do CDS proclamando que "o acto sexual é para ter filhos", Natália Correia escreveu, num dos seus brilhantes repentismos, esta pérola, que mantém toda a actualidade.

O Diário de Lisboa, no dia seguinte, publicava desta maneira:

"O acto sexual é para ter filhos", disse, com toda a boçalidade, o deputado do CDS no debate anteontem sobre legalização do aborto. A resposta, em poema, que ontem fazia rir todas as bancadas parlamentares, veio de Natália Correia. Aqui fica:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai de um só rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

O Sol nas noites e o luar nos Dias II
Natália Correia
Círculo de Leitores (1993)