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terça-feira, 29 de agosto de 2023

Sabedoria

Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

António Aleixo
Este livro que vos deixo

  • Quem procura sempre alcança ...
  • Nem sempre nem nunca ...
  • Quem porfia mata caça ...
  • Mais vale um pássaro na mão que dois a voar ...

  • Na terra onde fores ter, faz como vires fazer ...

  • Roma e Pavia não se fizeram num dia ...

  • Dois ouvidos e uma boca. Ouvir o dobro do que se fala ...
  • Nunca confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira ...

  • Bem prega Frei Tomás. Faz sempre como ele diz, nunca como ele faz!

terça-feira, 17 de maio de 2022

Palpite

A guerra na Ucrânia continua sem dar sinais de se aproximar do fim. As imagens que, todos os dias, nos massacram, mostram a selvajaria que se abateu sobre aquele povo, ainda que o mais provável seja só termos acesso a uma pequena parte do horror.

Auxílios e sanções têm divulgação diária e pouco ou nenhum efeito no cerne.

Visto cá de longe, no sossego e no conforto do sofá, uma conclusão tão valiosa e tão fundamentada quanto são os mais variados comentários que nos chegam diariamente: a Ucrânia vai ser cortada a meio, com a parte que dá acesso ao mar a ser integrada na Rússia, ficando a outra metade para os ucranianos que sobrarem. Em contrapartida, a Finlândia e a Suécia farão a sua adesão à Nato sem grande contestação de Putin e seus acólitos. 

terça-feira, 6 de julho de 2021

Palavras bonitas

Tanto da vida conheço
que, ao ver o mundo tão torto,
às vezes, quando adormeço,
desejava acordar morto.

Gosto do preto no branco,
como costumam dizer:
antes perder por ser franco
que ganhar por não o ser. 


Contigo em contradição
pode estar um grande amigo;
duvida mais dos que estão
sempre de acordo contigo.

Quem canta por conta sua
quer ser, com muita razão,
antes pardal, cá na rua,
que rouxinol na prisão.

Este livro que vos deixo ...
António Aleixo
Edição do filho do autor (1975)

 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Palavras bonitas ... e actuais

Porque será que nós temos                                            Nas quadras que a gente vê,
na frente, aos montes, aos molhos,                               quase sempre o mais bonito
tantas coisas que não vemos                                         está guardado pr'a quem lê
nem mesmo perto dos olhos?                                        o que lá não 'stá escrito.

O mundo só pode ser                                                     A esmola não cura a chaga
melhor do que até aqui,                                                 mas quem a dá não percebe
- quando consigas fazer                                                 que ela avilta, que ela esmaga
mais p'los outros que por ti!                                          o infeliz que a recebe.

Sem que o discurso eu pedisse,                                     Chegasses onde pudesses;
ele falou; e eu escutei.                                                   mas nunca devias rir
Gostei do que ele não disse;                                          nem fingir que não conheces
do que disse não gostei.                                                 quem te ajudou a subir!

Julgando um dever cumprir,                                         Veste bem, já reparaste?
sem descer no meu critério                                           mas ele próprio ignora
- digo verdades a rir                                                      que, por dentro, é um contraste
aos que me mentem a sério!                                         com o que mostra por fora.

António Aleixo
Este livro que vos deixo ...
Edição, corrigida, de Vitalino Martins Aleixo (filho do poeta)
1975

domingo, 8 de março de 2015

Actualidade

Bem prega Frei Tomás: faz sempre como ele diz, nunca como ele faz!
Presunção e água benta, cada um toma a que quer!
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem!
El-Rei errou, mas faça-se o que ele mandou!
Abunda a malícia, onde falta polícia!
(Adágios Populares)

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.

António Aleixo
Este livro que vos deixo

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Crise (5)

Nos recentes desenvolvimentos da crise financeira têm aparecido vozes importantes, daquelas que fazem e têm opinião sobre tudo e sobre nada, a pedir a "cabeça" do Governador do Banco de Portugal e a justificar os acontecimentos no BCP e no BPN com a legislação fraca ou inexistente.

Pretenderão legitimar o "criminoso" mandando prender o "polícia"?

Bem a propósito, três quadras de António Aleixo (1899-1949), poeta popular algarvio, quase analfabeto.

Vem da serra um infeliz
vender sêmea por farinha:
Passado tempo já diz:
- Esta rua é toda minha.

Deixam-me sempre confuso
as tuas palavras boas,
por não te ver fazer uso
dessa moral que apregoas.

És um rapaz instruído,
És um doutor; em resumo:
És um limão, que espremido,
Não dá caroços nem sumo.

Este livro que vos deixo
António Aleixo
Vitalino Martins Aleixo (1975)