TRAJECTO NA ESCRITA
Vou entrançando
o traçado
do meu trajecto na escrita
Consulto os mapas da alma
o júbilo, a assombração
do coração a desdita
os atlas da insubmissão
as cartas dos oceanos
os versos, a alegoria
Vou navegando à bolina
por entre ventos contrários
e ondas enraivecidas
com a bússola da transgressão
os astrolábios dos dias
e as palavras da poesia
Vou atando e desatando
o destino e a desdita
misturando os nós dos mares
com o anelo da paixão
o alvoroço da vida
as dúvidas da harmonia
e a minha melancolia
Maria Teresa Horta
Estranhezas
D. Quixote - 2018
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
domingo, 4 de agosto de 2013
Palavras bonitas
PRESSÁGIO
Há um presságio de júbilo
à sua beira, um tecido tecendo
a trama do contrário
Uma réstia de mar
na sua esteira, uma espécie
de ardil em seu afago
de ardil em seu afago
Um modo
Um todo
Uma maneira
De misturar
o doce
com o amargo
ETERNIDADE
ETERNIDADE
Regressava sempre
das viagens
como se voasse
A perder-se no dentro
de si mesma. Em busca
do mundo e da verdade
Firme, sedenta e libertária
na teima de encontrar a eternidade.
Maria Teresa Horta
Poemas para Leonor
domingo, 23 de junho de 2013
Palavras bonitas
POEMA
Deixo que venha
se aproxime ao de leve
pé ante pé até ao meu ouvido
Enquanto no peito o coração
estremece
e se apressa no sangue enfebrecido
Primeiro a floresta e em seguida
o bosque
mais bruma do que neve no tecido
Do poema que cresce e o papel absorve
verso a verso primeiro
em cada desabrigo
Toca então a torpeza e agacha-se
sagaz
um lobo faminto e recolhido
Ele trepa de manso e logo voraz
que da luz é a noz
e depois o ruído
Toma ágil o caminho
e em seguida o atalho
corre em alcateia ou fugindo sozinho
Na calada da noite desloca-se e traz
consigo o luar
com vestido de arminho
Sinto-o quando chega no arrepio
da pele, na vertigem selada
do pulso recolhido
À medida que escrevo
e o entorno no sonho
o dispo sem pressa e o deito comigo
Maria Teresa Horta
PS - Ontem a Universidade de Coimbra foi declarada Património da Humanidade pela Unesco e, nesta decisão, é toda a cultura portuguesa que é reconhecida.
Deixo que venha
se aproxime ao de leve
pé ante pé até ao meu ouvido
Enquanto no peito o coração
estremece
e se apressa no sangue enfebrecido
Primeiro a floresta e em seguida
o bosque
mais bruma do que neve no tecido
Do poema que cresce e o papel absorve
verso a verso primeiro
em cada desabrigo
Toca então a torpeza e agacha-se
sagaz
um lobo faminto e recolhido
Ele trepa de manso e logo voraz
que da luz é a noz
e depois o ruído
Toma ágil o caminho
e em seguida o atalho
corre em alcateia ou fugindo sozinho
Na calada da noite desloca-se e traz
consigo o luar
com vestido de arminho
Sinto-o quando chega no arrepio
da pele, na vertigem selada
do pulso recolhido
À medida que escrevo
e o entorno no sonho
o dispo sem pressa e o deito comigo
Maria Teresa Horta
PS - Ontem a Universidade de Coimbra foi declarada Património da Humanidade pela Unesco e, nesta decisão, é toda a cultura portuguesa que é reconhecida.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Luzes de Leonor
Cheguei ao fim!
São 1054 páginas de um português adjectivado, substantivo, recheado de belíssimos e desusados vocábulos, num romance sobre a história da Marquesa de Alorna, poetisa, neta de Leonor de Távora.
Ao longo da viagem histórica e romanceada, visita-se e reflecte-se sobre o despotismo de Pombal, as intrigas da corte, o papel das mulheres, o luxo, a superficialidade, os amores, as traições, os casamentos de conveniência, a "loucura" da Rainha e o oportunismo do Príncipe, as baixezas de Pina Manique, a revolução francesa, os interesses dos Estados, a política (só para homens), a poesia e os poetas, numa descrição cativante e empolgante, que faz ressaltar sempre a ânsia do saber, os livros, os ideais, as ideias, as Luzes que comandam, mesmo que, aos olhos da grande maioria, surjam descabidas, sem nexo, sem interesse, importância ou justificação.
Um grande livro!
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