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quarta-feira, 11 de março de 2026

Vivências

Ainda bem que está "arrumada" bem lá no fundo da gaveta da memória histórica e já só "meia dúzia" dela se lembram. O 11 de Março de 1975 é uma data só recordada por alguns "antigos" que a viveram por dentro e não a esquecem.

Acabou por ser pouco mais do que uma brincadeira - vista com os olhos de hoje -, mas por cá ficou. Imagine-se o que acontecerá na cabeça daqueles que, hoje, continuam a ser sobrevoados, bombardeados, "dronados", minados, atormentados sem apelo nem agravo e sem dó nem piedade.

- O Spínola 'tá maluco! Nem uma pistola tenho ...

terça-feira, 11 de março de 2025

Memórias

O dia permanece na minha memória como se fosse ontem, ou melhor, aparece sempre no "ecran" do  meu "computador", e bem mais nítido do que aquilo que ontem fiz.

Dizem os entendidos que é normal. À medida que os anos vão passando, as gavetas antigas da memória surgem à tona, bem abertas, e escamoteiam as modernices que aconteceram nos últimos tempos. No recente, a gaveta desaparece e nem sequer o móvel se nota.

Já lá vai meio século. Tudo se alterou e os olhos de hoje não servem nem podem "ver" claramente "visto" aquilo que se sentiu nesse tempo. Porém, a gaveta tem este vício de se continuar a mostrar anualmente.

O perigo, nessa época, vinha de cima, duns helicópteros que rosnavam a bom rosnar e voavam quase a rasar os telhados mais altos. Por mais inconsciente que se fosse, havia um buraquinho ao fundo das costas ...

Agora são drones, silenciosos, e bem mais perigosos!

sábado, 11 de março de 2023

O que lá vai ... foi!

Não adianta viver de recordações e, muito menos, abrir com os olhos de hoje as páginas do que aconteceu há longos anos.

Vale a pena, todavia, reflectir um pouco para concluir que vivi muita coisa, boa, má, ou assim-assim, ou melhor, passei por elas. E todas contribuíram para me tornar maior e, talvez, espero eu, melhor, recusando sempre a lamechice e evitando a presunção, por ter a certeza de que uma é inconveniente e a outra, parva. O tempo que fez ontem já não me perturba nada.

Há 48 anos, este dia foi comprido, enervante e duro. Passou, é passado. 

Os historiadores, daqui a 100 anos, hão-de passar por ele e deixar uma pequenina nota de rodapé sobre o acontecido. Os que o viveram, directa ou indirectamente, ainda bem que caminham a passos largos para o esquecimento total.

sexta-feira, 11 de março de 2022

Privilégio

Ainda não havia chegado aos 23 anos e estava integrado numa equipa constituída por gente mais velha, cheia de conhecimentos, experiência e vontade de fazer muito, e bem. A ânsia de aprender era igual à de ensinar e as duas juntavam-se sem olhar a horas de saída ou refeição. A busca sistemática da mudança, do melhor para todos, dos novos horizontes abertos no ano anterior, era constante.

Naquela terça-feira, o trabalho desenrolava-se com a normalidade possível, sentindo-se no ar que poderia estar para acontecer alguma coisa a qualquer momento. Os boatos eram constantes e, como toda a gente que foi à tropa sabe, o boato fere como uma lâmina. 

O gabinete ministerial estava instalado no primeiro andar de uma das torres da Praça do Comércio e tinha uma vista linda para o Tejo, com Cacilhas e os estaleiros da Lisnave lá ao fundo. Da primeira vez, ninguém reagiu ao barulho do helicóptero. Daí a pouco, o mesmo ou outro sobrevoou a praça a baixa altitude e chamou definitivamente a atenção. Os olhos deixaram o Tejo e fixaram-se no ar. A concentração saiu da secretária e colocou-se toda no céu, num outro helicóptero que se aproximava e em dois caças que passaram a grande velocidade, rumo ao norte.

A calma era aparente. Havia gente com experiências fortes e bem vividas em situações de guerra que, apesar disso, não conseguia disfarçar a ansiedade.

De repente, a porta abriu-se.

- O Spínola 'tá maluco! Eu nem uma pistola tenho ...

A contenda não se concretizou e o diálogo impôs a paz, felizmente. Os tiros nunca resolveram e, ainda hoje, assim acontece. 

Há 47 anos, foi o diálogo corajoso entre os comandantes das duas forças, com ordens para a confrontação, que resolveu o problema e evitou a guerra. Assim fosse possível hoje, na Ucrânia.