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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Leituras

Já não irei conseguir ler todos os livros que queria. E também não vou ter tempo para todos os que fazem parte da minha "biblioteca". 

O tempo de ler três ou quatro livros em simultâneo já lá vai há muito. Agora, apenas um e, muitas vezes, é necessário voltar atrás, para não perder o fio à meada. Mesmo assim, a rotina diária de ler mantém-se e espero, e desejo, já agora, que continue durante muito tempo. A forma de o fazer vai tendo alterações, que não passam apenas pela necessidade das "cangalhas". As ditas, não sendo imprescindíveis para ver as letras, são-no para diminuir o cansaço dos olhos que já miraram milhões de letras e começam a dar sinais de estarem a ficar fartos.

O gosto de ler é quase tão grande como o egoísta sabor da compra. Como alguém disse, "dinheiro gasto não faz falta a ninguém" e não é a isso que me refiro. O acto de comprar encerra, em si próprio, um prazer imenso. Por isso, há livros na secretária, na mesa de cabeceira, na sala, por todo o lado, a aguardar vez para serem devorados e arrumados no local que por direito lhes cabe e onde permanecerão até serem relidos ou emprestados. Ser relido é privilégio que não está ao alcance de qualquer um, mas, como em tudo, há uns quantos que se podem gabar de ter sido visitados duas ou três vezes. Ser emprestado também é viagem reservada a poucos, aqueles que se sabe partilharem o gosto, cuidarem da preciosidade, usufruírem da sua beleza e devolverem-na, de preferência tendo gostado da sua leitura. A visão egoísta também se satisfaz na partilha comum.

E, com tudo isto, o melhor é ir acabar o actual que o próximo já (des)espera.